por Setceb | jun 17, 2026 | Uncategorized
As empresas de transporte rodoviário de cargas têm até o fim de junho para se adequar às exigências relacionadas aos seguros obrigatórios da atividade. A partir de julho, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) passará a intensificar a fiscalização eletrônica, verificando de forma automática se as transportadoras mantêm as coberturas exigidas para permanecerem com o Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) regular.
A nova etapa faz parte da implementação das regras previstas na Lei nº 14.599/2023, que ampliou as obrigações das empresas do setor em relação à contratação de seguros. Desde março, a ANTT vem realizando testes e ajustes em um sistema que conecta os dados do RNTRC às informações fornecidas pelas seguradoras, permitindo o acompanhamento digital da regularidade das apólices.
Com a integração dos sistemas, a comprovação dos seguros passará a ocorrer de forma eletrônica, dispensando o envio manual de documentos.
Seguros exigidos pela legislação
A legislação determina que as transportadoras mantenham três modalidades de seguro. O primeiro é o Seguro de Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário de Cargas (RCTR-C), destinado a cobrir prejuízos causados à carga em situações como acidentes, tombamentos ou incêndios.
Também é obrigatório o Seguro de Responsabilidade Civil por Desaparecimento de Carga (RC-DC), que oferece cobertura em casos de roubo, furto qualificado ou extravio de mercadorias.
A terceira exigência é o Seguro de Responsabilidade Civil de Veículo (RC-V), voltado à cobertura de danos materiais e corporais causados a terceiros durante a prestação do serviço de transporte.
As regras abrangem empresas de todos os portes, incluindo microempresas e microempreendedores individuais registrados como transportadoras.
Atenção para MEIs e pequenas transportadoras
Um dos pontos que geram dúvidas no mercado é a diferença entre o MEI transportador e o Transportador Autônomo de Cargas (TAC). Enquanto o TAC, em muitos casos, pode operar coberto pelo seguro da empresa contratante, o MEI registrado como transportadora é responsável pela contratação das próprias apólices exigidas pela legislação.
Essa obrigação vale tanto para operações realizadas diretamente com embarcadores quanto para serviços executados em parceria com outras transportadoras.
Irregularidades podem gerar problemas nas operações
Especialistas do setor alertam que a contratação de transportadores com o RNTRC irregular pode trazer riscos para toda a cadeia logística. Além de possíveis questionamentos regulatórios, a situação pode impactar a validade e a cobertura dos seguros envolvidos na operação.
Diante da proximidade do prazo, empresas do mercado segurador têm lançado soluções específicas para pequenos transportadores, reunindo em um único pacote as coberturas exigidas pela legislação.
A expectativa é que a fiscalização automatizada acelere a regularização das empresas que ainda não se adequaram às novas regras, aumentando a segurança das operações e fortalecendo a proteção de cargas, transportadores, embarcadores e terceiros envolvidos no transporte rodoviário.
por Setceb | jun 17, 2026 | Uncategorized
Representantes do transporte rodoviário de cargas, autoridades públicas e especialistas do setor terão a oportunidade de discutir os principais desafios e perspectivas do transporte internacional durante o 1º Encontro do Transporte Rodoviário Internacional de Cargas (TRIC), promovido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) no próximo dia 23 de junho.
A iniciativa busca ampliar o diálogo entre o poder público, empresas, entidades representativas e demais agentes envolvidos nas operações internacionais de transporte, contribuindo para o aprimoramento da regulação e para o desenvolvimento de soluções voltadas à competitividade do setor.
A programação será dedicada a temas considerados estratégicos para a atividade. Entre os assuntos previstos estão a evolução do transporte internacional de cargas na última década, os desafios enfrentados nas operações de fronteira, os avanços na integração entre órgãos públicos e as medidas voltadas à redução da burocracia nos processos.
Outro destaque do encontro será o debate sobre infraestrutura logística e integração regional. Questões relacionadas aos corredores de transporte, sustentabilidade, integração entre modais e projetos que conectam os países da América do Sul estarão entre os temas abordados pelos especialistas convidados.
O evento também abrirá espaço para discussões sobre transformação digital e modernização das operações. A adoção de documentos eletrônicos, novas tecnologias, integração de sistemas e o futuro da agenda regulatória para o transporte internacional estarão entre os pontos em análise.
Para transportadoras que atuam no comércio exterior, o encontro representa uma oportunidade de acompanhar debates que podem impactar diretamente a movimentação de cargas entre os países sul-americanos. Temas como redução de custos operacionais, maior agilidade nos processos aduaneiros e melhorias na infraestrutura logística são considerados fundamentais para aumentar a competitividade do transporte rodoviário internacional.
Além dos painéis técnicos, a programação prevê momentos voltados ao networking e à troca de experiências entre representantes do setor público e da iniciativa privada. O encerramento contará com uma homenagem a profissionais que contribuíram para o desenvolvimento do transporte rodoviário internacional de cargas ao longo dos anos.
Segundo a ANTT, a realização do encontro reforça o compromisso da agência com a construção de um ambiente regulatório mais eficiente, transparente e alinhado às necessidades do mercado, fortalecendo a integração logística entre o Brasil e os demais países da região.
por Setceb | jun 17, 2026 | Uncategorized
A obrigatoriedade da emissão do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) para todas as operações de transporte rodoviário de cargas passou a representar uma das principais mudanças regulatórias enfrentadas pelo setor em 2026. A medida está relacionada às novas regras estabelecidas pela Medida Provisória nº 1.343/2026, que reforçou os mecanismos de controle e fiscalização do Piso Mínimo de Frete.
Embora o tema tenha ganhado destaque recentemente, suas origens remontam à greve dos caminhoneiros de 2018. Na época, uma das principais reivindicações da categoria era a criação de um valor mínimo para a remuneração do transporte de cargas. Como resposta, foi instituída a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas, que passou a estabelecer valores de referência para determinadas operações.
Segundo explicações apresentadas por especialistas do setor durante debates promovidos pelo SETCESP, a aplicação do piso mínimo está direcionada às operações de carga lotação. Já o CIOT possui abrangência maior e passou a alcançar diferentes modalidades de transporte, tornando-se uma ferramenta central para o monitoramento das operações.
A principal estratégia adotada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) foi integrar o CIOT ao Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e). Com isso, a emissão do manifesto passou a depender da geração prévia do código, criando um mecanismo eletrônico de fiscalização que amplia o controle sobre as informações declaradas pelas empresas.
Na prática, desde maio deste ano, todas as operações de transporte precisam gerar o CIOT, independentemente de serem realizadas com carga lotação ou carga fracionada. A mudança impacta tanto transportadoras que utilizam frota própria quanto aquelas que contratam transportadores autônomos ou empresas equiparadas.
Especialistas que acompanham o tema explicam que a diferenciação correta da operação passou a ser fundamental para evitar inconsistências. No momento da emissão, o transportador deve informar se a atividade corresponde a carga lotação, carga fracionada ou operação envolvendo transportador autônomo agregado.
Outro aspecto que vem exigindo atenção das empresas é a adaptação tecnológica. Embora o CIOT possa ser emitido diretamente pelos sistemas integrados à ANTT, muitas transportadoras precisaram promover ajustes internos ou recorrer a instituições autorizadas para viabilizar a geração do código. Para pequenas e médias empresas, esse processo tem representado aumento de custos e maior complexidade operacional.
Representantes do setor afirmam que a medida traz benefícios para o controle das operações, mas também amplia as exigências burocráticas. Já a ANTT defende que a automatização do processo contribui para reduzir erros, aumentar a segurança jurídica e diminuir o número de autuações provocadas por inconsistências documentais.
Além da emissão do CIOT, outro tema que continua gerando dúvidas entre transportadores é o cálculo do Piso Mínimo de Frete. Especialistas destacam que a correta identificação do tipo de operação é o primeiro passo para verificar se a tabela deve ou não ser aplicada. Quando a operação está enquadrada na legislação, fatores como distância percorrida, quantidade de eixos, categoria da carga e tabela correspondente precisam ser considerados.
A fiscalização das regras também ganhou reforço. A partir das informações registradas no CIOT e nos documentos fiscais, a ANTT poderá identificar situações de descumprimento do piso mínimo. Caso sejam constatadas irregularidades, as penalidades incluem multas financeiras e, em casos de reincidência, suspensão ou até cassação do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC).
As sanções não atingem apenas transportadores. Embarcadores e contratantes que insistirem na contratação de fretes abaixo dos valores mínimos estabelecidos também poderão ser penalizados.
Apesar de as novas regras já estarem em vigor, o futuro da regulamentação ainda depende das discussões no Congresso Nacional. Como as mudanças foram implementadas por meio de medida provisória, o texto ainda precisa ser analisado pelos parlamentares para se tornar lei definitiva. Enquanto isso, centenas de emendas seguem em debate, e o setor acompanha de perto possíveis ajustes na legislação.
Entre os profissionais da área, as opiniões continuam divididas. Há quem veja as mudanças como um instrumento para ampliar a transparência e combater a concorrência desleal. Outros avaliam que as exigências aumentam a burocracia e reduzem a liberdade de negociação. Independentemente do posicionamento, a adaptação às novas regras já se tornou parte da rotina das transportadoras brasileiras.
por Setceb | jun 17, 2026 | Uncategorized
A utilização da inteligência artificial vem se consolidando como uma importante aliada do transporte rodoviário de cargas no Brasil. Em um cenário marcado pela necessidade de aumentar a segurança das operações, reduzir custos e melhorar a eficiência logística, empresas do setor estão investindo cada vez mais em tecnologias capazes de analisar dados em tempo real e antecipar situações de risco.
O avanço dessas ferramentas ocorre em meio à crescente preocupação com os prejuízos provocados por acidentes, roubos de cargas e interrupções operacionais. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que boa parte das indústrias brasileiras registrou aumento nos gastos relacionados à segurança do transporte, impulsionando a busca por soluções tecnológicas mais eficientes.
Entre os recursos que vêm ganhando espaço estão sistemas capazes de monitorar o comportamento dos motoristas, identificar sinais de fadiga, distração ou sonolência e emitir alertas preventivos. A tecnologia também permite cruzar informações sobre condições climáticas, fluxo de trânsito e histórico de ocorrências para auxiliar na definição de rotas mais seguras.
Para o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg), Antonio Luis da Silva Junior, a inteligência artificial representa um avanço importante para a proteção dos profissionais e para a gestão das operações. Segundo ele, as novas ferramentas permitem que as empresas atuem de forma mais preventiva, reduzindo riscos e aumentando a segurança nas estradas.
Outra aplicação que vem se destacando é o rastreamento inteligente de cargas. Por meio da análise de dados e padrões de movimentação, os sistemas conseguem identificar situações atípicas e auxiliar as centrais de monitoramento na adoção rápida de medidas de segurança, diminuindo a exposição a roubos e desvios de rota.
Além dos benefícios relacionados à segurança, a inteligência artificial também vem sendo utilizada para melhorar a gestão das jornadas de trabalho. A análise preditiva ajuda a identificar sinais de desgaste físico e mental dos motoristas, permitindo ajustes nas escalas e contribuindo para viagens mais seguras.
A transformação digital já faz parte da estratégia de diversas empresas do setor. Um exemplo é a Patrus Transportes, que vem ampliando o uso da inteligência artificial em diferentes áreas da companhia. A empresa desenvolveu programas voltados à inovação e passou a utilizar recursos tecnológicos para otimizar processos operacionais, administrativos e de atendimento.
Entre as soluções adotadas estão sistemas de roteirização inteligente, leitura automatizada de volumes, reconhecimento biométrico de motoristas e ferramentas de análise de carregamento para melhor aproveitamento dos espaços nos veículos. A empresa também implementou assistentes virtuais e aplicações de inteligência artificial voltadas ao suporte das equipes internas e ao relacionamento com clientes.
Segundo a direção da transportadora, a tecnologia deve atuar como ferramenta de apoio à tomada de decisões, complementando o trabalho humano e contribuindo para ganhos de produtividade, qualidade e eficiência operacional.
Especialistas do setor avaliam que a tendência é de crescimento acelerado do uso da inteligência artificial nos próximos anos. Com a digitalização cada vez mais presente na logística, a expectativa é que novas soluções ampliem a segurança das operações, fortaleçam a competitividade das empresas e contribuam para a modernização do transporte rodoviário de cargas no país.
por Setceb | jun 16, 2026 | Uncategorized
Após registrar forte alta impulsionada pelo escoamento da safra de soja, os preços do frete rodoviário apresentaram recuo em maio. Apesar da desaceleração observada no período, os valores ainda permanecem acima dos registrados no ano passado, demonstrando que a demanda por transporte continua sustentando o mercado.
Dados do Índice de Frete Edenred Repom (IFR) apontam que houve uma redução de 4,1% no valor médio do frete por quilômetro rodado em comparação com abril. Mesmo com essa queda, o indicador segue 18,6% superior ao observado em maio de 2025.
Segundo especialistas do setor, o movimento era esperado após o pico de movimentação provocado pela colheita e pelo transporte da safra de soja, período que tradicionalmente aumenta a procura por caminhões e pressiona os preços do frete em diversas regiões do país.
A retração registrada em maio, no entanto, não indica uma mudança estrutural do mercado. A avaliação é que a atividade logística continua aquecida, sustentada não apenas pelo agronegócio, mas também pelo desempenho de outros segmentos da economia que dependem do transporte rodoviário para movimentar mercadorias.
O cenário reforça a importância do transporte rodoviário para a logística nacional. Responsável pela maior parte da movimentação de cargas no Brasil, o modal continua sendo fundamental para o abastecimento da indústria, do comércio e do agronegócio, mesmo diante de desafios relacionados aos custos operacionais e à infraestrutura.
Para transportadores e embarcadores, a tendência é de acompanhamento atento do comportamento do mercado nos próximos meses. Fatores como o ritmo da atividade econômica, o desempenho das exportações agrícolas e os custos do transporte poderão influenciar a evolução dos fretes ao longo do segundo semestre.
A expectativa do setor é que os valores permaneçam em patamares historicamente elevados, ainda que sem repetir os picos registrados durante o período de maior movimentação da safra.