CAMINHONEIRAS AMPLIAM PRESENÇA NO TRANSPORTE E SUPERAM DESAFIOS DA PROFISSÃO

A participação feminina no transporte rodoviário de cargas tem crescido nos últimos anos, inclusive em segmentos considerados de maior complexidade operacional, como o transporte de produtos perigosos. Embora ainda representem uma parcela reduzida da categoria, as caminhoneiras vêm conquistando espaço em uma atividade historicamente dominada por homens.

Entre essas profissionais está a motorista Andressa, de 38 anos, que atua no transporte de cargas perigosas e convive diariamente com a responsabilidade de conduzir produtos que exigem rígidos protocolos de segurança. A atividade demanda atenção constante, capacitação específica e cumprimento rigoroso das normas do setor.

Em entrevista ao Portal R7, a caminhoneira relatou alguns dos desafios enfrentados ao longo da carreira e destacou a necessidade de provar constantemente sua capacidade profissional em um ambiente ainda marcado por preconceitos. Segundo ela, a qualificação e a experiência adquiridas ao longo dos anos foram fundamentais para conquistar respeito dentro da profissão.

A reportagem também destaca dados da Polícia Rodoviária Federal que apontam menor envolvimento das mulheres em acidentes com caminhões quando comparadas aos homens. Especialistas ouvidos pelo portal atribuem esse resultado, entre outros fatores, ao perfil de condução mais cauteloso adotado por grande parte das motoristas.

Apesar dos avanços, as mulheres que atuam no transporte rodoviário ainda enfrentam obstáculos relacionados à infraestrutura, segurança e reconhecimento profissional. Mesmo assim, a presença feminina nas estradas vem aumentando gradativamente, impulsionada pela busca por novas oportunidades de trabalho e pela necessidade de renovação da mão de obra no setor.

A ampliação da participação das mulheres é vista por representantes do transporte como um movimento importante para fortalecer a categoria e ampliar a diversidade no mercado de trabalho. Além de contribuir para reduzir a carência de profissionais, a presença feminina ajuda a quebrar barreiras históricas e incentivar outras mulheres a ingressarem na atividade.

Histórias como a de Andressa mostram que a competência e o profissionalismo são fatores determinantes para o sucesso na profissão, independentemente do gênero, e reforçam a transformação que vem ocorrendo no transporte rodoviário de cargas em todo o país.

FALTA DE PROFISSIONAIS NO TRANSPORTE É DESTAQUE EM CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DA OIT

A dificuldade para encontrar trabalhadores qualificados no setor de transporte estará entre os principais temas apresentados pelo presidente do Sistema Transporte, Vander Costa, durante a 114ª Conferência Internacional do Trabalho, promovida pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), em Genebra, na Suíça.

Representando os empregadores brasileiros como delegado titular, Vander Costa participará da sessão plenária do evento, espaço reservado para manifestações das delegações dos países membros da organização. A conferência reúne representantes de governos, empregadores e trabalhadores de diversas nações para discutir os desafios atuais do mundo do trabalho.

Entre os assuntos que serão abordados está a crescente escassez de mão de obra qualificada, realidade que afeta o transporte em diferentes partes do mundo. Também estarão em pauta as mudanças provocadas pela expansão das plataformas digitais e os impactos dessas transformações nas relações de trabalho.

Outro ponto que deverá receber atenção durante o debate é a necessidade de investir na capacitação profissional para acompanhar as mudanças tecnológicas que vêm alterando o perfil das atividades econômicas. Nesse contexto, será apresentada a experiência brasileira na formação de trabalhadores, com destaque para as ações desenvolvidas pelo SEST SENAT na qualificação e no aperfeiçoamento dos profissionais do transporte.

Neste ano, a Confederação Nacional do Transporte (CNT) responde pela representação da bancada empresarial brasileira na Conferência Internacional do Trabalho, função exercida em sistema de rodízio entre as entidades empresariais do país.

A edição de 2026 do encontro segue até 12 de junho e inclui na programação discussões sobre trabalho em plataformas digitais, fortalecimento do diálogo social e promoção da igualdade de gênero no mercado de trabalho.

USO DE TELEMETRIA E IA AJUDA EMPRESAS A REDUZIR CUSTOS E EMISSÕES NAS FROTAS

Ferramentas de telemetria e Inteligência Artificial estão ganhando espaço na gestão de frotas ao redor do mundo, auxiliando empresas a melhorar a eficiência operacional, reduzir gastos e avançar em metas de sustentabilidade. A avaliação faz parte do Relatório de Sustentabilidade e Impacto 2025, divulgado pela Geotab, que reúne experiências de companhias que adotaram tecnologias baseadas em dados para otimizar suas operações.

Entre os exemplos apresentados está o da empresa britânica Tarmac. Após implementar sistemas de monitoramento veicular e videotelemetria, a companhia registrou uma queda de 30% no tempo em que seus veículos permaneciam ligados sem necessidade, resultado alcançado em apenas três meses. O projeto também proporcionou aumento de 25% na eficiência do consumo de combustível e reduziu pela metade os registros de excesso de velocidade em comparação ao período anterior.

Segundo a Geotab, iniciativas como essa demonstram que a sustentabilidade passou a ocupar um papel mais estratégico dentro das empresas, deixando de ser vista apenas como uma questão ambiental e tornando-se parte das ações voltadas à produtividade e ao controle de despesas.

Para o fundador e diretor-executivo da empresa, Neil Cawse, as organizações estão percebendo que medidas sustentáveis podem gerar ganhos financeiros concretos quando associadas à melhoria da eficiência operacional.

No Brasil, a busca por maior competitividade e o impacto das variações nos preços dos combustíveis têm levado empresas a investir cada vez mais em soluções baseadas em análise de dados. De acordo com a Geotab, a utilização de informações em tempo real permite identificar desperdícios, melhorar o desempenho das frotas e acompanhar indicadores ambientais de forma mais precisa.

O vice-presidente da Geotab Brasil, Eduardo Canicoba, destaca que a gestão orientada por dados vem se tornando um diferencial para empresas que precisam equilibrar produtividade, controle de custos e compromisso ambiental. Segundo ele, tecnologias como telemetria e Inteligência Artificial ajudam a monitorar o consumo de combustível, acompanhar emissões de carbono e tornar as operações logísticas mais eficientes.

O relatório também aponta o crescimento da eletrificação das frotas conectadas à plataforma da empresa. Apenas em 2025, veículos elétricos monitorados pelo sistema percorreram mais de 1,4 bilhão de quilômetros em diferentes países. Além disso, houve aumento de 43% na quantidade de veículos elétricos integrados à plataforma, juntamente com milhares de avaliações voltadas à migração de frotas para modelos eletrificados.

Outro caso citado no levantamento envolve a empresa belga Bpost SA, do setor de logística e serviços postais. A companhia conseguiu reduzir significativamente seus gastos com combustível ao utilizar informações coletadas dos veículos elétricos para ajustar o tamanho da frota e aperfeiçoar os processos de recarga. Como resultado, a economia alcançou 1,6 milhão de euros, valor correspondente ao consumo de aproximadamente um milhão de litros de diesel.

Além dos resultados obtidos por seus clientes, a própria Geotab informou avanços em suas metas ambientais. A empresa registrou redução nas emissões relacionadas ao consumo de energia e também nas emissões associadas à sua cadeia de fornecedores, reforçando a estratégia de utilizar dados para impulsionar ações voltadas à sustentabilidade e à eficiência operacional.

CUMMINS AVALIA QUE DIESEL SEGUIRÁ RELEVANTE MESMO COM AVANÇO DE NOVAS TECNOLOGIAS

Embora a eletrificação dos veículos e o desenvolvimento de combustíveis alternativos estejam ganhando espaço no setor de transportes, o motor diesel ainda deverá permanecer como uma das principais soluções para movimentação de cargas e passageiros nos próximos anos. A avaliação é da Cummins, que defende uma transição energética baseada na combinação de diferentes tecnologias, em vez da substituição imediata de uma única fonte de energia.

De acordo com André Garcia, responsável pela área de Estratégia de Produto da Unidade de Motores da Cummins Brasil, o diesel continua apresentando vantagens importantes em termos de eficiência energética e custo operacional, fatores que ajudam a explicar sua permanência no mercado.

Além do desempenho, o combustível conta com uma ampla rede de abastecimento e manutenção construída ao longo de décadas, o que facilita sua utilização em larga escala. Na avaliação da empresa, essa estrutura consolidada ainda representa uma vantagem significativa em comparação com tecnologias que estão em fase de expansão.

A fabricante destaca que os motores a diesel passaram por uma profunda evolução tecnológica nos últimos anos. O desenvolvimento de novos sistemas e o endurecimento das normas ambientais permitiram uma redução expressiva na emissão de poluentes, como óxidos de nitrogênio, hidrocarbonetos e material particulado. No Brasil, a adoção do Proconve P8 colocou o país em um padrão equivalente ao Euro 6, atualmente utilizado na Europa.

Com os avanços já alcançados na redução de poluentes locais, a indústria volta agora suas atenções para o combate às emissões de gases associados ao aquecimento global, principalmente o dióxido de carbono (CO₂). Nesse cenário, a discussão passa a envolver não apenas os motores, mas também a origem da energia utilizada pelos veículos.

A eletrificação é considerada uma das alternativas para reduzir as emissões do setor de transportes. Entretanto, segundo a Cummins, a ampliação dessa tecnologia depende de investimentos significativos em infraestrutura energética. Estudos da empresa apontam que uma eletrificação total da frota nacional demandaria um volume de geração de energia muito superior ao atualmente disponível no país.

Diante desse cenário, os combustíveis renováveis aparecem como uma opção estratégica para acelerar o processo de descarbonização. Entre as alternativas apontadas estão o biodiesel, o HVO, o biometano e o etanol, que podem reduzir as emissões aproveitando grande parte da estrutura já existente para distribuição e abastecimento.

A companhia ressalta ainda que o Brasil possui condições favoráveis para ampliar a produção desses combustíveis graças ao potencial do agronegócio. Matérias-primas e resíduos agrícolas podem ser transformados em fontes renováveis de energia, contribuindo para uma transição mais rápida e com menor impacto econômico.

Para a Cummins, o futuro do transporte será marcado pela convivência de diferentes soluções. Por isso, a empresa mantém investimentos em motores diesel de última geração, tecnologias movidas a gás, biometano, combustíveis renováveis e sistemas eletrificados desenvolvidos por sua divisão Accelera.

Na avaliação da fabricante, a velocidade da transformação dependerá principalmente da viabilidade econômica de cada alternativa. Custos operacionais, retorno sobre investimento e disponibilidade de infraestrutura continuarão sendo fatores decisivos para transportadores e operadores de frota na escolha das tecnologias a serem adotadas.

Com isso, a expectativa é que o diesel continue desempenhando papel importante no transporte por muitos anos, compartilhando espaço com novas fontes de energia em um processo gradual de redução das emissões.

EIXOS ELÉTRICOS GANHAM FORÇA COMO ALTERNATIVA PARA TORNAR O TRANSPORTE MAIS EFICIENTE

A busca por soluções que reduzam o consumo de energia e as emissões de poluentes tem impulsionado o desenvolvimento de novas tecnologias para caminhões e ônibus. Entre as alternativas que vêm ganhando espaço no mercado está o uso de eixos elétricos, sistema que modifica a forma como a força é transmitida às rodas e pode trazer ganhos operacionais importantes para o transporte de cargas e passageiros.

Diferentemente dos veículos equipados com motores a combustão, nos quais a potência passa por diversos componentes antes de chegar às rodas, os eixos elétricos concentram parte desse sistema no próprio conjunto traseiro. Com isso, a energia armazenada nas baterias é utilizada de forma mais direta, reduzindo perdas mecânicas e aumentando a eficiência do veículo.

Outro benefício apontado pelos fabricantes é o melhor aproveitamento do espaço disponível no chassi. A simplificação do conjunto mecânico permite acomodar baterias de forma mais adequada, fator considerado essencial para ampliar a viabilidade dos veículos elétricos pesados.

No entanto, a adoção dessa tecnologia também exige avanços técnicos. Os sistemas eletrônicos responsáveis por controlar o fornecimento de energia, o desempenho do motor e a recuperação energética durante as frenagens precisam operar de maneira integrada. Além disso, os componentes estruturais devem ser preparados para suportar novas exigências de funcionamento.

Uma das características mais valorizadas dos eixos elétricos é a capacidade de reaproveitar energia. Nas desacelerações e frenagens, parte da energia gerada pelo movimento do veículo retorna para as baterias, contribuindo para aumentar a autonomia e diminuir o desgaste dos freios.

Por esse motivo, operações realizadas em centros urbanos aparecem entre as mais adequadas para a utilização dessa tecnologia. Serviços de distribuição, transporte coletivo e coleta urbana realizam constantes paradas e retomadas de velocidade, cenário que favorece o aproveitamento da regeneração energética.

Já nas viagens de longa distância, a expansão dos veículos elétricos ainda encontra barreiras, especialmente devido à necessidade de ampliar a infraestrutura de recarga. O desafio, segundo especialistas do setor, é observado em diversos mercados ao redor do mundo.

Enquanto investe no desenvolvimento de soluções para a eletrificação, a Cummins também mantém projetos voltados ao aperfeiçoamento dos eixos convencionais. A empresa prevê iniciar, em 2027, a fabricação nacional do modelo MT17 XHE, destinado a caminhões extrapesados com capacidade para até 100 toneladas. A expectativa é que o novo produto ofereça melhorias de eficiência em relação aos modelos atuais.

A companhia atua atualmente tanto no desenvolvimento de eixos elétricos integrados quanto em versões adaptadas para trabalhar com motores elétricos externos. Esta última alternativa já vem sendo aplicada em ônibus e caminhões urbanos e é vista como um caminho de transição para tecnologias totalmente eletrificadas.

Para representantes do setor, não haverá uma única solução para o futuro da mobilidade pesada. A tendência é que diferentes tecnologias convivam de acordo com as necessidades de cada operação, sempre com foco na redução de custos, aumento da eficiência e diminuição dos impactos ambientais.