por Setceb | ago 18, 2025 | Uncategorized
Workshop realizado nesta quinta (14) reuniu especialistas e gestores na sede da B3, em São Paulo, para debater boas práticas no setor.
Com o propósito de estimular cada vez mais práticas éticas, integridade e compliance no setor de infraestrutura de transportes, o Ministério dos Transportes promoveu, nesta quinta-feira (14), na sede da B3, em São Paulo, o workshop Integridade em Foco 2025.
“Acreditamos muito nessa agenda e vamos cada vez mais estimular e desenvolver essa visão ética de sustentabilidade, não só em relação às questões ambientais e sociais, mas, principalmente, em relação à governança”, disse o secretário-executivo do Ministério dos Transportes, George Santoro, durante a abertura do debate.
Realizado em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o evento faz parte das ações previstas no Plano de Integridade do Ministério dos Transportes.
“Quando nós discutíamos integridade um tempo atrás, nós normalmente associávamos o tema à ausência de corrupção. E nós evoluímos ao longo do tempo para agregar outras dimensões a isso, porque uma entidade, uma instituição íntegra, não se resume a isso. Uma instituição íntegra é uma instituição eficiente, que usa bem os recursos à sua disposição, usa da maneira adequada, sem desperdício”, destacou o ministro da CGU, Vinicius Marques de Carvalho, que participou do workshop.
Excelência em Integridade
Depois de liderar o ranking de transparência ativa da CGU em 2023, o Ministério dos Transportes repetiu o bom desempenho em 2024, atingindo a nota máxima nos indicadores, com uma pontuação de 100%.
A meta agora é alcançar o Nível 5 de excelência em integridade, o que deve ocorrer até dezembro deste ano, dentro de um processo contínuo de aprimoramento institucional.
A avaliação integra o Modelo de Maturidade em Integridade Pública (MMIP), ferramenta desenvolvida pela CGU para medir a conformidade de órgãos públicos com boas práticas de governança, transparência e combate à corrupção.
Ao assumir a gestão do Ministério dos Transportes em 2023, a pasta, liderada por Renan Filho, não atingia sequer o nível 1 do MMIP. Pouco mais de dois anos depois, chega ao nível 3, resultado da implantação de comitês de Controle Interno, Governança, Política Pública de Sustentabilidade, Nepotismo e Partes Relacionadas.
Painéis temáticos
A programação do evento desta quinta-feira foi dividida em painéis temáticos e contou com a secretária nacional de Transporte Rodoviário, Viviane Esse, como mediadora do debate “Pacto Brasil, Programa Pró-Ética e Programas de Integridade na Lei de Licitações”.
“Temos, hoje, mais investimento contratado do que tudo o que foi feito desde 1995: são R$ 176 bilhões até o momento. E como fazemos isso? Com integridade, lisura e transparência no processo, que é do que os investidores precisam”, afirmou Viviane Esse.
Representantes de grandes empresas do setor foram os painelistas da mesa coordenada pela secretária nacional de Transporte Rodoviário.
“Integridade é fazer valer aquilo que temos como valor, como propósito. Colocar isso em prática vai gerar valor de curto, médio e longo prazo. E é isso que cada vez mais vai ser cobrado para que a gente tenha licença social para operar. Sem isso, vai ser impossível fazer negócio”, explicou Luiz Martha, diretor de Conhecimento e Impacto do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC).
“A gente tem feito uma melhoria nos contratos e resgatado um passado que já teve operações de corrupção bastante intensas no setor. Temos recuperado isso, quitando esses passivos e olhando para frente, para um novo setor com novos entrantes agregados a essa agenda”, finalizou o secretário-executivo do Ministério dos Transportes, George Santoro.
por Setceb | ago 18, 2025 | Uncategorized
Setor registra alta em junho e mostra redução gradual nas quedas acumuladas.
Nelson Bortolin
O transporte rodoviário de cargas (TRC) tem mostrado sinais consistentes de recuperação nos últimos meses, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em junho, a atividade registrou um aumento de 0,8% em volume na comparação com o mesmo mês do ano anterior.
Para efeito de comparação, em maio houve um recuo de 0,1% na base anual, enquanto em abril a queda havia sido mais acentuada, de 3,5%.
Com essa melhora recente, a retração no acumulado do ano vem diminuindo: passou de 3,2% em abril para 2,5% em maio, e chegou a 2% em junho.
Considerando os últimos 12 meses, o TRC acumula uma queda de 4,2%. Ainda assim, é um avanço frente aos meses anteriores: em maio, o recuo era de 5,2%; em abril, 5,8%.
A PMS é dividida em cinco grandes grupos:
– Serviços prestados às famílias
– Serviços de informação e comunicação
– Serviços profissionais, administrativos e complementares
– Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio
– Outros serviços
Cada grupo se ramifica em diversas atividades. Entre elas, o transporte rodoviário de cargas foi a que mais recuou nos últimos 12 meses (-4,2%), contrastando com o desempenho positivo da maior parte do setor de serviços.
A atividade com maior crescimento no período foi o transporte aéreo, com alta de 18,2%, seguida pelos serviços de tecnologia da informação, com 11,4%.
Já o transporte rodoviário de passageiros teve avanço mais modesto, com crescimento de 1,5% nos últimos 12 meses.
por Setceb | ago 18, 2025 | Uncategorized
A boa notícia chegou das estradas do Judiciário! Em agosto de 2025, a Justiça reconheceu o direito de um caminhoneiro à aposentadoria especial, considerando o tempo em que ele atuou na boleia como tempo especial de contribuição. A decisão da Justiça reforça um ponto muito importante: o caminhoneiro pode, sim, se aposentar mais cedo por causa das condições da profissão.
Mas como provar essa atividade? É isso que vamos explicar neste artigo.
O que é a aposentadoria especial?
É um tipo de aposentadoria concedida a trabalhadores que atuam em atividades consideradas prejudiciais à saúde ou à integridade física, como é o caso de muitos caminhoneiros que enfrentam:
Jornadas exaustivas,
Longas horas dirigindo sem descanso,
Exposição a ruídos e vibrações,
Estresse constante.
Para esses profissionais, a aposentadoria pode chegar com 25 anos de contribuição, sem exigência de idade mínima (para quem já tinha esse direito adquirido antes da Reforma da Previdência).
O que a Justiça reconheceu?
A decisão da Justiça reconheceu como especial o tempo de um caminhoneiro autônomo, mesmo sem carteira assinada. Ele comprovou sua atividade com:
Caminhão a hidrogênio
Recibos e notas fiscais de transporte,
Contratos de frete,
Registro no Detran,
E testemunhas.
Como você pode provar que teve atividade especial como caminhoneiro?
Antes de 28/04/1995
Basta provar que você exercia a profissão. Só a carteira de trabalho ou registros como autônomo já são suficientes.
Caminhão a hidrogênio
Entre 1995 e 1997
É necessário apresentar formulários como o DSS-8030 (ou similares), preenchidos pelo empregador – é a empresa que tem que fornecer!
De 1997 até 2003
Passa a ser exigido LTCAT (Laudo Técnico de Condições Ambientais do Trabalho), elaborado por engenheiro ou médico do trabalho da empresa.
A partir de 2004
Entra em cena o PPP (Perfil Profissiográfico Previdenciário), documento obrigatório e fornecido pela empresa contratante.
Não tem esses documentos?
Você ainda pode conseguir por meio de:
Notas de frete,
Comprovantes de pagamento de pedágio,
Registros no Detran,
Carnês de autônomo do INSS,
Depoimentos de testemunhas,
Perícia judicial para comprovar as condições de trabalho.
E quem é autônomo?
Caminhoneiros autônomos também têm direito à aposentadoria especial. A diferença é que precisam reunir ainda mais provas da exposição aos riscos da atividade. O reconhecimento pode ser feito judicialmente, como foi no caso da decisão de agosto.
Dica de ouro!
Se você trabalhou muitos anos como caminhoneiro, não perca tempo!
Reúna toda a documentação que puder e busque orientação especializada com um advogado previdenciário. Muitas vezes o INSS nega pedidos sem análise correta, mas a Justiça pode garantir o que é seu por direito.
Artigo de Marcelo Rua – Advogado especialista em causas de caminhoneiros
por Setceb | ago 12, 2025 | Uncategorized
O DECOPE – Departamento de Custos Operacionais e Pesquisas Técnicas e Econômicas da NTC&Logística é responsável por estudos técnicos, voltados à apuração de custos de transporte rodoviário de cargas e logística, estatística do setor, estudos macroeconômicos e formação de índices de custos referenciais que medem a inflação do setor, dentre eles os dois com mais destaque são o INCTF – Índice Nacional de Custos de Transporte de Carga Fracionada e o Índice Nacional de Custos de Transporte de Carga Lotação, o INCTL.
O INCTF e INCTL têm como objetivo principal medir a evolução dos custos operacionais de transporte rodoviário de cargas e são índices do setor de transporte com grande repercussão e credibilidade, publicado no site da NTC e por todas as entidades que representam o transporte (Sindicatos e Federações), bem como em outros meios de comunicação. Eles servem ainda como instrumento de atualização de contratos públicos e privados no mercado de frete.
INFORME: Com a decisão do Governo Federal de encerrar o programa de desoneração da folha de pagamento, que permitia a substituição da contribuição previdenciária de 20% sobre a folha de salários, por alíquota sobre a receita bruta da empresa, desse modo o INCT já contempla a primeira etapa do processo de reoneração da folha de pagamento.
O fechamento do Acordo de Convenção Coletiva dos trabalhadores em transporte rodoviário de carga – São Paulo, base do SETCESP em junho/25, acordaram índice de 7,0% (sete por cento) para o reajuste dos salários de motoristas e outras categorias profissionais.
INCT-F DECOPE/NTC DE JULHO/24 A JULHO/25
A NTC&LOGÍSTICA comunica aos associados que a variação média do (INCTF[1] DECOPE/NTC) foi de (0,61%) no mês de julho e acumula nos últimos doze meses 5,12% (cinco virgula doze por cento), entre agosto de 2024 e julho de 2025 (julho de 2025*/- sobre julho de 2024 ou ainda, nos últimos doze meses).
O INCTF mede a evolução de todos os custos da carga fracionada, incluindo transferência, coleta e distribuição, custos administração e de terminais. Nesses custos não estão contemplados impostos, pedágios e margem de lucro.
INCTL – DECOPE/NTC DE JULHO/24 A JULHO/25
O INCTL[2] reflete a variação dos custos do transporte rodoviário de cargas fechadas ou lotações, ou seja, ele mede a evolução de todos os custos da carga completa, incluindo a transferência, a administração (custos indiretos), gerenciamento de riscos e custo valor. Ele, assim como o INCTF, também não contempla impostos e margem de lucro na sua apuração.
A sua variação média foi de 2,36% (dois vírgula trinta e seis por cento) de agosto de 2024 a julho de 2025 (julho de 2025 sobre julho de 2024, ou ainda nos últimos doze meses) e no mês variando (0,73%).
COMPORTAMENTO DOS PREÇOS DOS COMBUSTÍVEIS
O preço por litro do óleo diesel S-10, teve uma retração de (0,33%) no mês de julho/25, quando comparado com o mês anterior, sendo comercializado a R$ 6,030 p/litro. No período de 12 meses (jul-25 contra jul-24), a variação acumulada é de 0,0%, resultado, principalmente ditado pela nova regra política da Petrobrás.
O aditivo Arla 32, utilizado para reduzir as emissões de poluentes não registrou variação no mês. Desde março/12 até hoje, o aditivo já acumulou queda de (22,37%).
O óleo diesel comum, ainda consumido pela frota brasileira, teve variação acumulada em 0,34% nos 12 meses. No mês de julho, o óleo foi comercializado a R$ 5,97 p/litro, contra R$ 5,950 p/litro no mesmo período do ano anterior, já o período mensal registrou variação de (0,17%).
COMPORTAMENTO DOS PREÇOS DOS DEMAIS INSUMOS NA FRACIONADA
No mês, o veículo de transferência registrou uma retração de (0,74%) e o veículo de distribuição urbana uma variação de (0,49%), já os implementos tanto de transferência como o de distribuição não registrou variação, pneu – 275/80 R 22,5 com variação de 2,14%, recapagem (6,03%), salário do motorista 7,00%, seguro (0,69%).
Considerando o período de 12 meses, os insumos que contribuíram para a variação do INCTF na operação de transferência foram: veículo 0,76%, carroceria baú 3,99%, pneu – 275/80 R 22,5 com variação de (3,27%), recapagem (12,50%), rodoar 5,45%, lavagem com 3,40%, salário do motorista 7,00% e seguro do casco 0,97%.
Na operação de coleta e distribuição, os insumos que tiveram variação foram: veículo com variação de 4,36%, carroceria ¾ baú de alumínio com variação de 3,89%, pneu 215/75 – R 17,5 com 8,63%, recapagem com (2,67%), lavagem com 3,40%, seguros do casco e contra terceiros com 4,33%, salário de motorista 7,00% e salário de ajudante 7,00%.
DESPESAS ADMINISTRATIVAS
As despesas administrativas de uma forma geral registraram em julho variação 0,05% de 2025, quando comparada com as despesas do mês anterior. Já as despesas administrativas, exceto os salários, variaram 0,14%.
Nos 12 meses, as despesas administrativas vêm registrando alta de 7,98%, agravado principalmente, pelo reajuste do IPTU para 2025. A evolução acumulada das despesas administrativas, exceto salários, foi de 3,16%.
COMPORTAMENTO DOS PREÇOS DOS PRINCIPAIS INSUMOS NA LOTAÇÃO
Considerando a variação mensal, as despesas administrativas registraram variação de (0,11%), despesas administrativas (exceto salários) (0,17%), cavalo mecânico (1,19%), pneus 5,97%, Rodoar 0,0%, semirreboque 0,0%, recapagem (3,04%), lavagem 0,0%, seguros (1,04%).
ANÁLISE DE 12 MESES
Nos 12 meses (jul/25 contra jul/24), o cavalo mecânico teve variação de 0,71%, semirreboque 4,22%, seguros 1,16%, DAT – 5,46%, recapagem com (3,86%), lavagem 3,40%, rodoar 5,45% e 6,00% pneus – 295/80 R22.
INCT-FR, INCT-FOU INCVT e INCT-FRIG
A evolução completa do INCTF, do INCTL e dos demais índices (INCTFR, INCTFOU, INCVT – Índice Nacional do Custo Variável do Transporte e INCTFRIG Índice Nacional do Custo do Transporte Frigorífico), assim como dos insumos do transporte encontra-se à disposição dos filiados da NTC&LOGÍSTICA na área restrita aos associados do site www.portalntc.org.br. Para acessar esta área, clique no canal Técnico e Econômico. Em seguida, clique “Downloads”.
O Departamento Técnico e Econômico da NTC&LOGÍSTICA (DECOPE) coloca-se à disposição das empresas e entidades associadas para prestar qualquer informação complementar pelo telefone (0xx11) 2632-1526/1536 ou pelo e-mail economia@ntc.org.br.
São Paulo, 31 de julho de 2025.
DECOPE/NTC&LOGÍSTICA
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[1] É livre a reprodução total ou parcial desta nota em qualquer meio de comunicação, desde que não sejam omitidos ou alterados aspectos essenciais à compreensão da mesma e desde que seja citada a fonte como segue: DECOPE/NTC&LOGÍSTICA – Departamento de Custos Operacionais e Pesquisas Técnicas e Econômicas/Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística.
[2] Este custo inclui custo peso, GRIS, custo valor para mercadorias de baixo valor (R$ 5.941,20 TON.) e PIS/COFINS. Não inclui taxa de lucro e pedágios. Franquia de 6 horas para carga e descarga. Acima disso, o custo adicional é de R$ 235,06 p/hora útil parada, ou R$ 9,40 por tonelada por hora útil.
por Setceb | ago 11, 2025 | Uncategorized
Presidente da autoridade monetária vê impacto limitado do tarifaço dos Estados Unidos sobre a economia brasileira, mas alerta para expectativas desancoradas e riscos fiscais.
Galípolo: “O Banco Central não tira o olho da bola. Nossa meta é a meta de inflação. Independentemente do que ocorrer, o Banco Central não vai se desviar um milímetro do que é a defesa da moeda e do valor da moeda do país” – (crédito: Raphael Ribeiro/BC)
Em meio à escalada de tensões comerciais com os Estados Unidos, o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou que o Brasil deve sentir menos os efeitos do tarifaço norte-americano, mas advertiu que as expectativas de inflação seguem desancoradas em um “patamar bastante incômodo” para a autoridade monetária.
“O Brasil vai se machucar menos do ponto de vista comercial”, disse nesta segunda-feira (11/8), em palestra na Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Ao repercutir a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que manteve a taxa básica em 15% na última reunião, Galípolo afirmou que a menor dependência do país em relação ao mercado dos EUA funciona como “um amortecedor natural” diante do aumento de tarifas.
Ele lembrou que o BC incorporou ao seu balanço de riscos, ainda em janeiro, a possibilidade de um tarifaço global reduzir o ritmo da economia. “As tarifas tendem a criar mais fricção no comércio e reduzir a atividade econômica”, avaliou.
Segundo Galípolo, há hoje três leituras predominantes sobre os impactos. “De um lado, há um aumento de oferta doméstica, que tende a reduzir preços — algo temporário. Há também um possível canal de transmissão do câmbio para a inflação, caso o real perca valor, mas de efeito limitado. E há um impacto na atividade econômica, mais perene, ligado à perda de empregos e à dificuldade de encontrar novos destinos para exportações.”
Meta de inflação
O presidente do BC afirmou que, mesmo após a elevação de 450 pontos-base na Selic ao longo de 2025, “as expectativas de inflação continuam num patamar bastante incômodo para o Banco Central”.
Ele defendeu que os juros permaneçam “num patamar bastante restritivo por um tempo prolongado” até que as projeções indiquem convergência à meta. “A gente vê alguma alteração para as expectativas de curto prazo, mas as de médio e longo prazo seguem desancoradas”, reforçou.
Sobre a questão fiscal, Galípolo disse que é preciso separar o impacto de curto e de longo prazo. “De um lado, o fiscal de curto prazo, como impulso à demanda e dinamismo à economia. Do outro, o fiscal de longo prazo, a trajetória da relação dívida-PIB, que é um desafio enfrentado por quase todas as economias do mundo.”
Galípolo reafirmou, ainda, o compromisso do BC com a meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) — de 3% em 2025, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. “O Banco Central não tira o olho da bola. Nossa meta é a meta de inflação. Independentemente do que ocorrer, o Banco Central não vai se desviar um milímetro do que é a defesa da moeda e do valor da moeda do país”, enfatizou.
por Setceb | ago 11, 2025 | Uncategorized
Transportadoras sofrem retração nas operações e temem ter de fazer demissões.
Nelson Bortolin
A tarifa de 50% anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre uma série de produtos brasileiros começa a provocar efeitos imediatos sobre o transporte rodoviário e a cadeia exportadora do Paraná. Um dos setores mais atingidos é o madeireiro, que responde por cerca de 30% do faturamento da Rodonery Transportes, sediada em Paranaguá.
“O mercado ficou muito receoso desde o anúncio. Há medo de a carga chegar aos Estados Unidos e ficar presa na Alfândega ou ter que pagar a taxa de 50%”, explica o diretor de Negócios da Rodonery, Luiz Gustavo Nery. Segundo ele, o impacto atinge especialmente os embarques de madeira e carne — produtos que não entraram na lista de exceções divulgada pelo governo norte-americano.
Metade da exportação de madeira para os EUA parou
Na Rodonery, metade da madeira destinada ao exterior tem como destino os Estados Unidos. A retração já é sentida. “Nós tivemos uma queda de quase 50% na movimentação normal de madeira nas últimas semanas, muito em função dessa situação”, afirma Nery.
O executivo relata que a incerteza levou muitos clientes a suspender embarques. “Alguns tipos de madeira tropical ficaram fora da tarifa, mas há questionamentos sobre madeira serrada e compensada. Enquanto não houver um posicionamento claro dos Estados Unidos ou da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), os exportadores preferem segurar os envios.”
Impacto em viagens e empregos
A Rodonery movimenta cerca de 600 a 700 contêineres por mês. Desses, aproximadamente 30% são ligadas ao setor florestal. “Metade desse volume para os Estados Unidos já foi afetado, o que significa uma redução de cerca de 100 contêineres no mês”, calcula Nery.
Se a situação se prolongar, de acordo com ele, será inevitável rever o quadro. “Hoje, falamos em até um terço dos empregos diretos em risco na Rodonery, além de toda a cadeia de motoristas agregados e profissionais das madeireiras.”
Reflexos para todo o setor
Como diretor de Transporte de Contêineres e Portos do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga do Paraná (Setcepar), Nery observa que o problema extrapola a realidade da Rodonery. “Há transportadoras que trabalham quase 100% com frigorificados e têm os Estados Unidos como principal destino. Para essas empresas, a situação é muito mais grave. Sem readequação imediata ou inclusão da carne na lista de exceções, veremos demissões em massa e até falências.”
Ele destaca que o impacto se estenderá a todo o mercado. “Transportadoras que perderem suas cargas principais vão disputar outros fretes, pressionando preços e aumentando a concorrência em segmentos que hoje não dependem da exportação. É um efeito cascata.”
Pressão por negociação
Segundo Nery, o setor produtivo está empenhado em tentar reverter a medida ou ampliar a lista de exceções. “É mais viável reverter a tarifa do que abrir novos mercados da noite para o dia. Muitas fábricas produzem para contratos específicos com importadores norte-americanos. Mudar isso leva tempo e investimento.”
Ele alerta que a pressão deve ser acompanhada de ação governamental. “O Setcepar está atento e buscando alternativas para minimizar os impactos, mas sabemos que a solução depende de negociações em nível federal. Sem uma decisão rápida, os próximos meses serão trágicos.”
O diretor reforça que a preocupação maior está na preservação de empregos e na saúde financeira das empresas. “O setor de transporte já vem enfrentando dificuldades há anos, com problemas de infraestrutura, pandemia, alta do diesel e desoneração da folha. Essa tarifa é mais um golpe forte. Precisamos de uma reação ágil para evitar prejuízos irreversíveis.”
Alívio com lista de exceções
Na West Cargo, empresa paulista especializada no transporte rodoviário de produtos de alto valor agregado para exportação e importação, o impacto do “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos já foi mais preocupante. Parte das cargas movimentadas pela transportadora entrou na lista de exceção de 700 tens divulgada pelo governo norte-americano na semana passada. Para esses produtos, a tarifa continuará em 10%, a alíquota mínima determinada por Donald Trump.
De acordo com o diretor de Marketing da empresa, Luigi Rosolen, cerca de 12% das operações da West Cargo têm como destino os Estados Unidos. “No início, o tarifaço de 50% afetaria toda a carga que enviamos ao mercado norte-americano. Com as isenções, estimamos que apenas 4% das nossas operações serão impactadas”, afirma.
Apesar da redução do risco, a movimentação de caminhões da empresa já sofreu queda desde a última segunda-feira. Isso porque as cargas não teriam tempo hábil de chegar aos EUA antes do início da nova tarifa, que passou a valer a zero hora desta quarta-feira (6).
Para acelerar a chegada dos produtos, muitos clientes que tradicionalmente utilizavam o modal marítimo migraram para o transporte aéreo nas últimas semanas.
A West Cargo opera em todo o território nacional, transportando cargas de exportadores até portos e aeroportos, além de realizar o transporte de produtos importados até os compradores brasileiros. De acordo com Rosolen, a empresa conta com uma frota de aproximadamente 300 caminhões, que vão desde VUCs (veículos urbanos de carga) até pranchas para cargas superdimensionadas.
Sindicato manifesta preocupação
O Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região (Setcesp) divulgou nota expressando a preocupação do setor com o tarifaço. A empresa lembra que o TRC é responsável por quase 1 milhão de empregos formais no País e responde por cerca de 65% de toda a movimentação de cargas, incluindo grande parte das operações portuárias de exportação e importação.
“O enfraquecimento das relações comerciais com os Estados Unidos – um dos principais destinos das exportações brasileiras – tem efeito imediato sobre essas empresas, que enfrentam redução no volume de cargas, aumento dos custos operacionais com redirecionamento de rotas, e insegurança para planejar investimentos. A continuidade desse cenário coloca em risco milhares de postos de trabalho e a sustentabilidade das operações logísticas”, diz a nota.