RODOVIAS FUNDAMENTAIS DE SÃO PAULO SOFRERÃO BLOQUEIOS PARA OBRAS

Serviços incluem conservação de pista, iluminação e barreiras de concreto.

Duas rodovias administradas pela Ecovias Leste Paulista vão passar por uma série de manutenções de conservação. Os serviços acontecem entre segunda-feira (4/8) e domingo (10/8), nas rodovias Ayrton Senna e Carvalho Pinto.

As ações têm como objetivo preservar a infraestrutura viária e reforçar a segurança para todos os usuários das rodovias, segundo a concessionária. Outras obras em ambas as vias estão sendo feitas ao longo deste ano.

Na rodovia Ayrton Senna, entre os km 11 e 60, trecho referente à ligação entre São Paulo e Guararema, estão programados os serviços de substituição e limpeza de iluminação, implantação e remoção de barreiras de concreto e conservação do pavimento.

Na rodovia Carvalho Pinto, entre os km 61 e 134, de Guararema a Taubaté, também haverá intervenções nos dois sentidos. Os serviços incluem a recuperação do pavimento e correção das juntas de dilatação.

Ambas as atividades acontecem das 8h às 18h. Na Ayrton Senna, haverá bloqueios alternados nos dois sentidos, devidamente sinalizados. As atividades na Carvalho Pinto terão interdições alternadas de faixas para reduzir o impacto no tráfego.

Grande São Paulo
Em Guarulhos, na Grande São Paulo, a rodovia Hélio Smidt, também administrada pela Ecovias, vai receber trabalhos nos dois sentidos entre os km 0 e 2,4.

As equipes atuarão na implantação de fibra óptica, substituição e limpeza de iluminação, padronização de barreiras de concreto e instalação de telas.

As intervenções também serão realizadas das 8h às 18h, com bloqueios alternados de faixas durante a execução dos serviços.

Outros serviços, como corte e poda de árvores, coleta de resíduos, recuperação de áreas verdes e roçadas, também serão executados ao longo do corredor Ayrton Senna–Carvalho Pinto, sem a necessidade de interdições.

A programação poderá sofrer alterações conforme as condições climáticas ou demandas operacionais.

2º ENCONTRO NACIONAL DE SEGURANÇA NO TRANSPORTE DE CARGAS REUNIRÁ AUTORIDADES E EMPRESÁRIOS EM SÃO PAULO

Evento promovido pela NTC&Logística tem como foco o enfrentamento aos crimes que ameaçam o setor de Transporte Rodoviário de Cargas.

A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) realizará, no dia 27 de agosto de 2025, em sua subsede em São Paulo, a segunda edição do Encontro Nacional de Segurança no Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), com o tema “Atos de Interferência Ilícita contra o Modal Rodoviário – Veículos e Cargas”. A iniciativa tem como objetivo aprofundar o debate sobre os crimes que impactam a cadeia logística nacional, reunindo empresários, executivos, representantes de entidades setoriais, autoridades públicas e forças de segurança de diferentes regiões do Brasil.

O evento contará com painéis temáticos, discussões técnicas, apresentação de soluções tecnológicas e um espaço de integração entre os setores público e privado, com foco na prevenção e combate ao roubo, furto e receptação de cargas. A programação também exporá a atuação das organizações criminosas, abrindo espaço, em seguida, para a proposição de estratégias para o enfrentamento desse desastroso cenário de agressão à economia nacional e à sociedade.

De acordo com o Diagnóstico Nacional do Roubo de Cargas desenvolvido pela Assessoria de Segurança da NTC&Logística, foram registradas 10.193 ocorrências de roubos de carga no Brasil em 2024, o equivalente a uma média de 28 casos por dia. Sete estados concentram 93% das ocorrências: São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo e Goiás. O levantamento aponta, ainda, que mais de 88% das cargas subtraídas não são recuperadas, o que reforça a necessidade de articulações efetivas de combate à receptação – crime que alimenta a cadeia de ações ilícitas contra o setor.

O presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, é enfático ao ratificar que “a receptação é a raiz de uma cadeia criminosa que envolve o roubo, a violência nas estradas e o prejuízo às empresas e à sociedade. Com este encontro, queremos ouvir as regiões, entender os principais desafios e construir, juntos, soluções que resultem na redução desses crimes. A união entre o setor produtivo e os órgãos públicos é essencial para mudar esse cenário”.

O vice-presidente de segurança da NTC&Logística, Roberto Mira, também destacou a importância da mobilização nacional. “A criminalidade contra o transporte de cargas não é pontual, ela está espalhada em todo o território e assume formas cada vez mais sofisticadas. Este evento é um espaço de construção coletiva, onde podemos identificar vulnerabilidades, mapear realidades regionais e avançar com propostas que protejam não só o setor, mas toda a cadeia de abastecimento do país”, declarou.

Desde 1998, a NTC&Logística desenvolve, por meio de sua Assessoria de Segurança, ações permanentes para fortalecer o combate aos crimes contra o transporte rodoviário de cargas. A entidade atua com base em legislações específicas, promovendo eventos, estudos técnicos, propostas legislativas e articulações institucionais, com foco na proteção da vida, da carga e da infraestrutura logística.

Programação Preliminar

8h | Credenciamento

8h30 às 9h | Abertura Institucional

9h às 11h | Painel 1

Panorama atual dos crimes contra o transporte rodoviário

l Dados e estatísticas nacionais sobre roubos de carga

l Ações e diretrizes da política nacional de combate à criminalidade

l Novas modalidades criminosas e desafios emergentes

11h às 12h | Painel 2

Aspectos jurídicos e impactos econômicos

l Leis e regulamentos aplicáveis

l Consequências operacionais e financeiras para o setor

l Propostas legislativas para reforço no enfrentamento aos crimes

12h às 13h | Painel 3

Tecnologia, comércio ilegal de peças e rastreabilidade

l Papel da indústria e do e-commerce no combate à receptação

l Soluções tecnológicas em rastreabilidade e gestão de riscos

l Iniciativas e parcerias para proteger a cadeia logística

13h30 | Encerramento e Brunch

Faça já sua inscrição aqui

(https://www.portalntc.org.br/eventos/2o-encontro-nacional-de-seguranca-do-trc/)

Realização

● NTC&Logística – Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística

Patrocínio

● ROADCARD

Apoio Institucional

● Sistema Transporte – Confederação Nacional do Transporte – CNT / Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte – SEST SENAT / Instituto de Transporte e Logística – ITL

● FuMTran – Fundação Memória do Transporte

NTC&LOGÍSTICA APOIA POSICIONAMENTO DO MOVIMENTO VEZ & VOZ EM DEFESA DAS MULHERES

A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística, como signatária do Movimento, reforça seu compromisso com a promoção de ambientes mais seguros, éticos e inclusivos no setor de Transporte Rodoviário de Cargas.

A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística – NTC&Logística, como signatária do Movimento Vez & Voz — uma iniciativa do SETCESP, Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de São Paulo e Região —, manifesta total apoio à Nota Oficial emitida pela campanha, que denuncia a crescente violência de gênero no Brasil e convoca autoridades, empresas e toda a sociedade para uma ação coletiva urgente.

Como representante nacional das empresas do Transporte Rodoviário de Cargas, a NTC&Logística entende que a transformação do setor passa pelo enfrentamento das desigualdades e da violência em todas as suas formas. Ressaltamos que promover o respeito, a equidade e a proteção das mulheres é um compromisso que deve ser assumido diariamente por todos.

A seguir, publicamos a nota na íntegra, destacando a importância desse posicionamento para todo o setor.

NOTA OFICIAL DE REPÚDIO

Movimento Vez & Voz se posiciona contra a violência de gênero e convoca empresas e sociedade à ação coletiva

Com base em dados alarmantes e na crescente ameaça à integridade das mulheres, o Movimento reforça o papel das autoridades, empresas e cidadãos no enfrentamento à violência e na promoção de ambientes mais justos e seguros.

O Movimento Vez & Voz, iniciativa do SETCESP – Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de São Paulo e Região, que atua para a ampliação da presença e da permanência das mulheres no setor de transporte rodoviário de cargas, manifesta seu mais profundo e veemente repúdio aos crescentes casos de violência de gênero registrados em todo o país. O caso recente da agressão brutal sofrida por Juliana Garcia dos Santos, no dia 26 de julho de 2025, em Natal (RN), é mais uma representação trágica de um cenário alarmante, que exige ação imediata, coletiva e permanente de todos os setores da sociedade.

A violência contra a mulher no Brasil é estrutural, complexa e multifacetada. Em 2024, o país registrou 1.492 feminicídios — o maior número desde que a tipificação penal foi criada em 2015 —, além de 71.892 casos de estupro, uma média de 196 por dia, sendo 65% ocorridos dentro de casa e 76,8% classificados como estupro de vulnerável. Mulheres negras representam 68% das vítimas de homicídio, reforçando a interseccionalidade entre racismo e machismo que potencializa as desigualdades e os riscos. Apesar de pequenas reduções em alguns índices gerais de homicídio, a violência letal contra mulheres segue em crescimento e tende a se agravar diante da omissão ou ineficácia das políticas públicas. Além disso, a violência se expressa em outras formas igualmente destrutivas, como a violência psicológica, moral, patrimonial, institucional, digital e simbólica, que muitas vezes são invisibilizadas, mas impactam profundamente a saúde, a autonomia e a dignidade das mulheres.

Esse cenário exige respostas imediatas, firmes e integradas. É dever das autoridades públicas garantir que as leis sejam cumpridas com rigor, que a Lei Maria da Penha seja fortalecida e que sua recente ampliação chegue de fato à ponta do atendimento. É preciso aprimorar o funcionamento das redes de proteção, acelerar o acesso à justiça e assegurar que nenhuma vítima fique desamparada.

Reafirmamos também que a responsabilidade pelo enfrentamento à violência contra a mulher não é apenas do Estado. As empresas têm papel decisivo nessa transformação. Devem fomentar uma cultura organizacional ética, inclusiva e segura, promovendo ações efetivas de prevenção, acolhimento e combate ao assédio e à violência. Precisam entender que esse é também um tema estratégico para os negócios. O impacto da violência doméstica e do assédio no ambiente de trabalho resulta em afastamentos, perda de produtividade, adoecimento mental e financeiro, aumento da rotatividade e danos reputacionais. Valorizar a presença das mulheres nas empresas, em todos os níveis, não é apenas uma questão de justiça social, é também um caminho comprovado para o crescimento sustentável, inovação e perenidade das organizações. As mulheres movimentam a economia, lideram equipes, tomam decisões e fortalecem cadeias produtivas inteiras. E, quando são silenciadas ou afastadas por medo ou violência, toda a sociedade perde.

O Vez & Voz acompanha de perto essa realidade por meio do Índice de Equidade de Gênero, desenvolvido em parceria com o IPTC – Instituto Paulista do Transporte de Cargas, que avalia empresas do setor em diversos aspectos. Desde 2022, o índice passou a incluir o acompanhamento de iniciativas voltadas ao enfrentamento da violência doméstica como um de seus pilares. Nos últimos três anos, 30% das empresas participantes já demonstram algum tipo de ação ou monitoramento sobre o tema — um avanço importante, mas ainda insuficiente diante da urgência que o tema exige.

É importante lembrar que a violência não acontece apenas nos momentos extremos que ganham as manchetes. Ela começa muitas vezes com uma fala desrespeitosa, com um comportamento que humilha ou intimida, com a tentativa de calar ou desacreditar uma mulher. E é por isso que o enfrentamento precisa começar nos pequenos gestos, nas posturas do dia a dia, na forma como cada pessoa escolhe se posicionar diante das injustiças. Precisamos falar sobre isso em casa, nas ruas, nas escolas, nas empresas e nas mesas de tomada de decisão. Precisamos envolver homens e mulheres nessa conversa. Homens que compreendem a gravidade do problema e que rejeitam qualquer tipo de violência devem ser nossos aliados, rompendo o silêncio e contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa, respeitosa e segura para todas.

Reforçamos, ainda, que a culpa nunca é da vítima. Denunciar é um ato de coragem e um passo fundamental para romper o ciclo da violência. Por isso, incentivamos que qualquer sinal de agressão, seja ela física, psicológica, moral, sexual ou patrimonial, seja imediatamente denunciado por meio da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, com funcionamento gratuito, sigiloso e 24 horas por dia em todo o território nacional.

O Movimento Vez & Voz reafirma sua solidariedade a todas as vítimas e suas famílias. Seguiremos atuando com firmeza e comprometimento para promover ações de esclarecimento, acolhimento e transformação no setor de transporte rodoviário de cargas e na sociedade como um todo. Não há mais espaço para omissão. É tempo de ação, de escuta ativa, de mudança.

Vamos juntas — e juntos.

Movimento Vez & Voz

www.vezevoz.org

MÊS DO CAMINHONEIRO E DA CAMINHONEIRA: MENOS CONVERSA, MAIS ATITUDE

Caminhoneiros e caminhoneiras apontam o que precisa mudar para a profissão tornar-se novamente atrativa.

Nelson Bortolin

Enquanto a maioria da população segue sua rotina nas cidades, uma legião de heróis e heroínas encara uma realidade bem puxada: jornadas exaustivas, estradas cheias de buracos, paradas inseguras e banheiros que mais parecem um castigo. Muitos ainda têm que pagar para dormir mal. Comem onde dá, quando dá. E tudo isso por um frete que, muitas vezes, não cobre nem o desgaste do caminhão — nem do corpo.

Julho chegou, e junto com ele vêm as homenagens aos caminhoneiros e caminhoneiras. É vídeo bonito para cá, post nas redes para lá… Mas quem vive na boleia sabe: mais do que palavras bonitas, o que essa turma quer mesmo é atitude. Eles estão longe de casa, longe da família, enfrentando perrengue para manter o Brasil abastecido — e o mínimo que merecem é dignidade para trabalhar.

Neste mês do caminhoneiro e da caminhoneira, a Revista Carga Pesada foi pra estrada perguntar para eles: O que precisa mudar para que ser a profissão volte a ser atrativa para os mais jovens? Dá uma olhada no que eles disseram.

Alessandro Barbosa, 44 anos, do sertão de Sergipe, afirma que o que falta é “uma área de parada com segurança e banheiro limpo”. Dono de um Scania P 320, 2004, ele conta que muitas vezes dorme em postos desconhecidos, sentindo-se vulnerável. Além disso, recusa fretes que julga mal pagos, mesmo que isso implique passar longos períodos longe da família. “Tem viagem que passo 15 dias fora. A mais longa que fiz agora durou 53 dias.” Apesar da saudade das filhas, declara: “Gosto não, eu amo a minha profissão. Meu pai era caminhoneiro. Meus irmãos também. Já vem de família.” Alessandro vê o amor pelo trabalho como o que o sustenta na estrada. “Se eu não amasse, já teria parado. Mas enquanto eu puder, vou seguir.”

Mais união na categoria

Para José Carlos Medeiros Júnior, 57 anos, de Guaíba (RS), a situação da categoria é crítica. “Tá tão bom o serviço que meu caminhão tá parado dentro da oficina. O motor quebrou e eu não consegui consertar.” Com quase três décadas de estrada, hoje sobrevive de “bicos de empregado”. Um dos principais problemas, segundo ele, é o comportamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF). “Eles te param e, se não acham nada, inventam alguma coisa pra multar.”

A estrutura nas rodovias também é alvo de críticas: “Às vezes a gente paga R$10 num banheiro e ainda tá sujo.” Além disso, o sistema de fretes é desleal e marcado pela desunião. “A transportadora me deu a carga, mas depois cancelou. Achou outro que cobrou mais barato. É a desunião da classe.” José Carlos é enfático: “Se fosse pra começar hoje, eu não começaria.”

Mais recente nas estradas, Pablo Cristóvão Garcia, 42 anos, de Cambé (PR), está há apenas oito meses como caminhoneiro. Mesmo assim, já identificou o principal entrave da profissão: “A gente precisa de lugar para parar, descansar e comer com dignidade.” Por incrível que pareça, ele diz que foi para a boleia em busca de qualidade de vida. Ex-vigilante, largou dois empregos exaustivos após um desmaio no trabalho. “Peguei meu acerto, comprei o caminhão (um Mercedes-Benz 1519) e comecei do zero.” Hoje, diz ter mais qualidade de vida e tempo com a família. No entanto, aponta os custos altos em postos e a falta de banheiros limpos como obstáculos. “Mesmo pagando, tem lugar que tá bem sujo.” Para ele, áreas de descanso seguras fariam diferença: “Com mais respeito e estrutura, a vida do caminhoneiro pode ser muito melhor.”

Noemy Nascimento dos Santos

Na visão de Noemy Nascimento dos Santos, caminhoneira paulista, o que falta é estrutura, respeito e dignidade. “Pagamos pedágio e praticamente não temos nada em troca.” Ela aponta que há poucos pontos oficiais de apoio a caminhoneiros em todo o país. As condições ruins das estradas afetam a saúde dos motoristas, e muitas empresas tratam os profissionais com desumanidade. “Tem lugar que a gente não pode nem cozinhar, mas também não tem restaurante acessível.” Ela relata casos em que são proibidos até de usar gás de cozinha: “Como é que você quer que um motorista tenha qualidade de vida se ele não consegue nem tomar um café ou fazer uma janta?”

Mais respeito no embarque

Com mais de 50 anos de estrada, o caminhoneiro autônomo mineiro Wellington da Torre conhece de perto os principais problemas da profissão — e aponta o que precisa mudar para que ela volte a ser atrativa. Ele critica a falta de estrutura nas rodovias, especialmente a escassez de pontos de parada adequados e a exigência de consumo nos postos para poder pernoitar. “Não é acolhimento, é interesse comercial”, resume.

Outro ponto que chama atenção é o tratamento recebido nas empresas durante carga e descarga. Segundo ele, muitos motoristas são recebidos com desconfiança, como se fossem criminosos. “O mínimo seria treinamento para nos tratarem com dignidade”, afirma. Wellington também denuncia a prática comum de ameaças: “Se reclamar, dizem que você nunca mais carrega ali”.

O sistema de fretes é outro gargalo. Ele critica o chamado “leilão de frete”, em que as empresas oferecem valores baixos e fingem ter outros motoristas prontos para aceitar. A desunião entre os próprios caminhoneiros, principalmente os autônomos, agrava o problema. “Alguns aceitam qualquer valor, o que puxa todo o mercado para baixo.”

A distância da família também precisa ser repensada, segundo Wellington. Para ele, ficar mais de uma semana longe de casa é prejudicial, especialmente para quem tem filhos pequenos. “Os filhos precisam de referência. Caminhoneiro também tem família, e isso deveria ser levado em conta.”

AUMENTO DO PERCENTUAL DO BIODIESEL NO DIESEL IMPACTA A DURABILIDADE DOS CAMINHÕES

Mesmo com preocupações do setor de transporte rodoviário, governo aumenta quantidade obrigatória do biodiesel para 15%.

Fonte energética com baixa emissão de carbono, o uso do biodiesel vive momento de atenção e debate entre produtores, governo e setores consumidores. Em 2025, a demanda por biodiesel deve alcançar 9,6 bilhões de litros, crescimento de 5,9% em relação ao ano anterior. Os dados foram divulgados em pesquisa realizada pela consultoria StoneX em junho deste ano, e registram um cenário complexo nas operações do transporte rodoviário de cargas, responsável por movimentar mais de 65% de tudo que é produzido no Brasil.

Apesar das preocupações do setor, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aumentou o porcentual obrigatório do biodiesel no diesel de 14% para 15%, com vigência a partir de 1º de agosto. A decisão, embora defendida como avanço sustentável pelo governo, acende um alerta para os transportadores rodoviários, que já enfrentam custos elevados com manutenção em decorrência das atuais proporções de biodiesel, além de outros desafios como burocracia jurídica, falta de segurança e infraestrutura insuficiente.

Desde que a mistura obrigatória de biodiesel foi elevada para 14% em fevereiro de 2024, as transportadoras têm enfrentado um aumento expressivo nos custos de manutenção. De acordo com estudo da NTC&Logística, o prazo para troca dos filtros de combustível caiu pela metade, o que elevou em mais de 7% os custos de manutenção por veículo. Esse acréscimo, que representa mais de 0,5% no custo total das operações, tem impacto direto na rentabilidade do setor. Em uma frota com 100 caminhões, o prejuízo anual equivale ao valor de um veículo novo.

Carlos Panzan, presidente da Federação de Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP), faz um alerta quanto aos custos operacionais do biodiesel. “Reconhecemos a importância de políticas voltadas à sustentabilidade ambiental, mas é necessário ponderar os impactos técnicos e econômicos que o aumento do teor de biodiesel pode gerar para a operação das frotas”, diz o presidente.

Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), cerca de 70% do biodiesel é derivado do óleo de soja. As características físico-químicas diferentes do diesel mineral, como maior absorção de água, maior viscosidade e presença de impurezas naturais, contribuem para um desgaste maior nos veículos. “Teores mais elevados de biodiesel causam maior desgaste nos sistemas de injeção, filtros e motores dos veículos, o que leva a aumento no custo de manutenção e redução da vida útil de alguns componentes”, afirma o presidente.

Para o representante da federação, existem outras maneiras de promover e incentivar práticas ecológicas. A FETCESP atua ativamente pela sustentabilidade com seu apoio ao Programa Despoluir, iniciativa criada pelo SEST SENAT. O programa é reconhecido pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) e oferece avaliações veiculares ambientais gratuitas às transportadoras, incentivando a redução da emissão de poluentes e promovendo a melhoria da qualidade do ar e economia de combustível. Caso o veículo esteja dentro dos padrões estabelecidos, o Selo de Aprovação do Despoluir é colado no para-brisa do automóvel.

“Queremos contribuir com um transporte rodoviário mais verde e eficiente. Avaliar os prós e contras do biodiesel é fundamental. Já observamos, em outras ocasiões, que variações na composição e no controle da cadeia de distribuição podem impactar negativamente o desempenho dos veículos. O ideal é aliar o avanço ambiental com responsabilidade técnica e segurança operacional”, finaliza Carlos Panzan.

REALIZAM PESQUISA NACIONAL PARA MAPEAR SITUAÇÃO ECONÔMICA DO TRC NO 1º SEMESTRE DE 2025

Resultado será apresentado durante o CONET&Intersindical, no dia 21 de agosto, em Bento Gonçalves (RS), com o objetivo de orientar ações estratégicas para o setor.

A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), em parceria com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), lançou uma importante pesquisa voltada às empresas transportadoras de carga de todo o Brasil. A iniciativa tem como objetivo avaliar a situação econômica do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) no primeiro semestre de 2025, identificando os principais desafios enfrentados, além de oportunidades e tendências que impactam o desenvolvimento e a sustentabilidade do setor.

A coleta de dados será feita por meio de um questionário objetivo, com perguntas de múltipla escolha, o que garante uma participação ágil por parte das empresas. O envolvimento do setor é fundamental para que a pesquisa reflita a realidade do transporte de cargas no país e apresente dados qualificados para o embasamento de políticas públicas e estratégias.

Os resultados serão divulgados durante a segunda edição de 2025 do CONET&Intersindical (Conselho Nacional de Estudos em Transporte, Custos, Tarifas e Mercado), que ocorrerá no dia 21 de agosto, na cidade de Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul.

Para o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, a iniciativa reforça o compromisso de a entidade ouvir o setor e construir caminhos eficientes. “Precisamos de dados reais para tomar decisões assertivas. Essa pesquisa é uma ferramenta essencial para traduzir a realidade do nosso setor, contribuindo na formulação de estratégias que favoreçam o desenvolvimento, a competitividade e sustentabilidade do Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil.”

Clique aqui e participe: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSeNx5LUopo-Rf3qKj2x-C-SvQu35lhGrxfhzr1T4w-UGjXWAA/viewform