CANDIDATOS À PRESIDÊNCIA APRESENTAM PROPOSTAS PARA TRANSPORTE E LOGÍSTICA NA CORRIDA ELEITORAL DE 2026

CANDIDATOS À PRESIDÊNCIA APRESENTAM PROPOSTAS PARA TRANSPORTE E LOGÍSTICA NA CORRIDA ELEITORAL DE 2026

Pré-candidatos à Presidência da República já divulgam propostas específicas para a área de transportes e logística, tema que ganha peso na corrida eleitoral de 2026 diante da relevância do setor para o funcionamento da economia nacional e para o escoamento da produção do país.

O levantamento das propostas foi divulgado em meio a uma pesquisa BTG/Nexus realizada em 24 de agosto, que mostrou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 41% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro (PL) com 37%, Ronaldo Caiado (PSD) com 5%, Renan Santos (Missão) com 3%, Romeu Zema (Novo) com 3% e Augusto Cury (Avante) com 2%. A pesquisa ouviu 2.006 pessoas e tem margem de erro de dois pontos percentuais.

Augusto Cury (Avante) propõe a criação de cinco "Corredores Estratégicos de Exportação", contemplando os estados do Ceará, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul — projeto que colocaria a Bahia entre as prioridades de investimento logístico de um eventual governo Cury.

Flávio Bolsonaro (PL) promete R$ 900 bilhões em investimentos em infraestrutura de transportes, com a criação de "Corredores Logísticos Inteligentes" e a retomada de projetos ferroviários como a Ferrogrão, a Transnordestina e o Trem do Nordeste — este último com potencial impacto direto sobre a integração ferroviária da Bahia com o restante da região.

Lula (PT) defende a ampliação do Novo PAC, combinando concessões à iniciativa privada com investimento público direto em rodovias, ferrovias e portos, na linha do que já vem sendo executado pelo atual governo.

Renan Santos (Missão) propõe uma meta de expansão da malha ferroviária nacional dos atuais 30 mil quilômetros para 40 mil quilômetros, além de elevar o investimento em infraestrutura de transportes de 2% para 4% do PIB.

Ronaldo Caiado (PSD) defende a construção de corredores ferroviários voltados ao escoamento do agronegócio e a criação de um calendário permanente de leilões de concessões rodoviárias e ferroviárias, para dar previsibilidade a investidores do setor.

Já Romeu Zema (Novo) aposta em concessões, parcerias público-privadas e maior uso do mercado de capitais para financiar obras de infraestrutura, com o objetivo declarado de reduzir a dependência do setor de bancos públicos.

Apesar das diferenças de modelo, há um ponto de convergência entre praticamente todos os pré-candidatos: a intenção de ampliar a participação do modal ferroviário na matriz de transportes do país, hoje fortemente concentrada no rodoviário. Para o setor de TRC na Bahia, o tema é sensível dos dois lados — o estado aparece citado nominalmente em propostas como as de Cury e Bolsonaro, o que pode significar novos investimentos em corredores logísticos baianos, mas o avanço do modal ferroviário também representa, no médio prazo, concorrência direta com o transporte rodoviário de cargas em rotas de longa distância hoje dominadas pelos caminhões.

Fonte: Transporte Moderno

EXPORTAÇÕES DO AGRONEGÓCIO CRESCEM 9,8% EM AGOSTO, IMPULSIONADAS POR SOJA, CAFÉ E FRANGO

EXPORTAÇÕES DO AGRONEGÓCIO CRESCEM 9,8% EM AGOSTO, IMPULSIONADAS POR SOJA, CAFÉ E FRANGO

As exportações do agronegócio brasileiro cresceram 9,8% até a terceira semana de agosto de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior, somando R$ 26,8 bilhões em vendas externas do setor.

O crescimento foi puxado por alguns dos principais produtos da pauta exportadora nacional: a soja avançou 11,4%, o café não torrado subiu 26%, animais vivos dispararam 141,9%, as carnes de aves e miudezas cresceram 44,1% e o farelo de soja e outros produtos usados na alimentação animal avançaram 38,9%.

Nem todos os produtos, porém, tiveram desempenho positivo no período. O milho recuou 23% nas exportações, a carne bovina caiu 18,6% e o grupo de açúcares e melaços teve a maior retração, de 45,4%. Do lado das importações, chamou atenção a queda de 31,2% nas compras de fertilizantes e adubos químicos em relação ao mesmo período do ano passado.

O desempenho do agronegócio no comércio exterior é um indicador direto de demanda para o setor de transporte rodoviário de cargas, já que praticamente toda a produção agrícola brasileira destinada à exportação passa, em algum trecho da cadeia, pelo transporte em caminhões até portos, ferrovias ou unidades de processamento.

Para a Bahia, o cenário é misto: o avanço da soja e das aves favorece o volume de carga a ser escoado pelas rodovias do oeste baiano em direção aos portos de Salvador, Aratu e Ilhéus, enquanto a forte queda nas exportações de milho pode reduzir, na margem, a demanda por frete em rotas historicamente usadas para esse grão durante a safrinha. Já a retração nas importações de fertilizantes tende a se refletir, com alguma defasagem, em menor movimento de cargas no sentido inverso, dos portos para o interior produtor.

Fonte: Expressão Notícias

TRANSPORTADORAS PASSAM A INCORPORAR INDICADORES DE CARBONO À GESTÃO DA FROTA

TRANSPORTADORAS PASSAM A INCORPORAR INDICADORES DE CARBONO À GESTÃO DA FROTA

Indicadores de emissões de gases de efeito estufa começam a ganhar espaço na gestão das transportadoras rodoviárias de cargas brasileiras, ao lado de métricas tradicionais como consumo de combustível, desgaste de pneus, manutenção, gastos com pedágio e quilometragem rodada.

A mudança foi mapeada em reportagem publicada pelo portal da NTC&Logística, associação que representa transportadoras de cargas no país, e reflete a pressão crescente de grandes contratantes por fornecedores alinhados a critérios ambientais, sociais e de governança.

A indústria de papel e celulose Klabin, por exemplo, já inclui 91% de seus fornecedores críticos em seu Programa de Responsabilidade Socioambiental, com meta de alcançar 100% de adesão até 2030. Já a mineradora Vale identificou, entre seus fornecedores ativos no Brasil, 1.389 de um total de 5.268 classificados em nível de risco ESG alto ou muito alto — parcela expressiva que inclui prestadores de serviços de transporte.

Do ponto de vista regulatório, a Lei nº 15.042, de 2024, instituiu o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões. Pela norma, instalações que emitem mais de 10 mil toneladas de CO2 equivalente por ano precisam manter plano de monitoramento de emissões, e as que ultrapassam 25 mil toneladas por ano ficam sujeitas também a processos periódicos de conciliação.

No âmbito setorial, a Agência Nacional de Transportes Terrestres retomou neste ano a etapa de participação social do Selo ESG Cargas, reconhecimento voluntário concedido a transportadores autônomos, empresas e cooperativas que atendam a critérios ambientais, sociais e de governança definidos pela agência reguladora.

Para apoiar as empresas associadas nessa transição, a NTC&Logística firmou parceria com a Domani Global, oferecendo inventário de emissões nos escopos 1, 2 e 3, plataforma digital de gestão, diagnóstico ESG, plano de descarbonização, treinamentos e um selo de carbono neutro, com desconto para empresas filiadas à entidade.

A tendência indica que, cada vez mais, a competitividade de uma transportadora no mercado brasileiro vai depender não apenas de preço e prazo, mas também da capacidade de comprovar práticas sustentáveis exigidas por grandes embarcadores. Para as empresas baianas do setor, especialmente as que atendem indústrias com metas ambientais mais rígidas, acompanhar esse movimento e organizar dados básicos de emissões desde já pode se tornar um diferencial competitivo nos próximos contratos.

Fonte: NTC&Logística

ESTUDO DA USP APONTA DISTORÇÕES NO CÁLCULO DO PISO MÍNIMO DO FRETE E ENCERRA-SE PRAZO DE CONTRIBUIÇÕES NA ANTT

ESTUDO DA USP APONTA DISTORÇÕES NO CÁLCULO DO PISO MÍNIMO DO FRETE E ENCERRA-SE PRAZO DE CONTRIBUIÇÕES NA ANTT

Um estudo do Esalq-Log, núcleo de pesquisa em logística da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, ligada à Universidade de São Paulo, identificou 17 possíveis aperfeiçoamentos na metodologia usada para calcular os pisos mínimos de frete no transporte rodoviário de cargas. Segundo o levantamento, a fórmula atual tende a superestimar de forma sistemática os custos regulatórios do setor, principalmente em operações de maior produtividade e menor distância.

O estudo foi divulgado pela Agência da Frente Parlamentar da Agropecuária no mesmo dia em que se encerrou, na Agência Nacional de Transportes Terrestres, o prazo para envio de contribuições à revisão da metodologia de cálculo dos pisos mínimos, prevista na Resolução ANTT nº 5.867/2020. A tomada de subsídios nº 003/2026 ficou aberta das 9h do dia 17 de agosto às 18h desta quarta-feira, 26 de agosto.

As propostas do Esalq-Log estão organizadas em quatro eixos: jornada de trabalho e consumo de combustível; custo de capital e da frota; frete de alto desempenho e retorno vazio da carga; e novas modalidades de contratação no setor.

Um dos pontos centrais do diagnóstico é a defesa de que a carga horária mensal usada no cálculo suba de 181 para 220 horas, mudança que reduziria os pisos mínimos em cerca de 7,6% no cômputo geral, com impacto de 6,38% a 11,04% especificamente no transporte de grãos.

O estudo também recomenda que a vida econômica do veículo considerada na fórmula passe de 7 para 16 anos, valor mais próximo da idade média real da frota nacional, estimada pela própria ANTT em 16,4 anos. Segundo os pesquisadores, esse ajuste reduziria os pisos aplicados ao transporte de grãos entre 6% e 10%.

Paralelamente ao estudo acadêmico, o setor produtivo protocolou 15 contribuições formais junto à ANTT na data final da tomada de subsídios. Entre os pedidos estão a adoção do conceito de "custo operacional efetivo" na metodologia e a alteração na forma de contagem do prazo de 30 dias úteis para pagamento do frete, que passaria a ser contado a partir da entrega da carga, e não da data de contratação do serviço.

A discussão sobre os pisos mínimos ganhou novo capítulo em agosto, com a sanção da Lei nº 15.485/2026, que tornou permanente a política de pisos mínimos após articulação da Frente Parlamentar da Agropecuária no Congresso. A senadora Tereza Cristina, vice-presidente da frente, participou das negociações que resultaram no texto final aprovado no Senado, que ainda aguarda a análise de vetos presidenciais a trechos negociados durante a tramitação.

Encerrada a etapa de recebimento de contribuições, cabe agora à ANTT avaliar as sugestões recebidas e decidir se, e como, a metodologia de cálculo será revisada — processo que deve se estender pelos próximos meses. Para as transportadoras baianas, o desfecho da revisão é especialmente relevante: qualquer mudança na fórmula do piso mínimo afeta diretamente a viabilidade econômica das operações de longa distância que ligam a Bahia a outras regiões do país, sobretudo no transporte de grãos e outras commodities agrícolas escoadas pelo estado.

Fonte: Agência FPA

IPCA-15 REGISTRA PRIMEIRA DEFLAÇÃO DO ANO EM AGOSTO, COM QUEDA DE 1% NOS TRANSPORTES

IPCA-15 REGISTRA PRIMEIRA DEFLAÇÃO DO ANO EM AGOSTO, COM QUEDA DE 1% NOS TRANSPORTES

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), prévia oficial da inflação, recuou 0,40% em agosto, resultado que superou a expectativa do mercado, que previa queda de 0,31%, e representa a primeira deflação do indicador registrada em 2026. O dado atualiza o panorama de custos do setor de transportes, tema já acompanhado a partir dos números do IPCA fechado de julho.

Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e repercutidos por veículos de economia nesta quarta-feira, servindo de termômetro antecipado para o resultado oficial do mês, que costuma ser divulgado nas primeiras semanas do mês seguinte.

Em julho, o índice havia ficado estável, com variação de 0,00%. Já em agosto de 2025, o IPCA-15 também havia recuado, mas em ritmo menor, de 0,14%, o que indica uma queda de preços mais intensa neste ano.

Entre os grupos pesquisados, o maior recuo veio de Habitação, com queda de 1,41%. O grupo Transportes, item que inclui combustíveis e passagens e é acompanhado de perto pelo setor de cargas, teve retração de 1,00% no mês. Alimentação e bebidas caiu 0,57%, e Vestuário recuou 0,20%.

Na direção oposta, o único grupo com alta relevante foi o de Despesas pessoais, que subiu 0,66% em agosto. Com o resultado do mês, o IPCA-15 acumula alta de 3,09% no ano e de 4,24% em 12 meses, ante os 4,52% acumulados nos 12 meses imediatamente anteriores.

A desaceleração da inflação, puxada em parte pela queda nos custos de transporte, tende a aliviar a pressão sobre o orçamento das famílias e sobre a estrutura de custos das transportadoras, que já haviam sido beneficiadas pela retração de combustíveis registrada em julho. Para as empresas do setor na Bahia, a continuidade desse movimento nos próximos meses pode representar folga adicional em um dos itens mais sensíveis da planilha de custos operacionais, ainda que o resultado oficial do IPCA de agosto só deva ser confirmado nas primeiras semanas de setembro.

Fonte: CNN Brasil

CNT REÚNE MINISTROS DO STF EM EVENTO SOBRE SEGURANÇA JURÍDICA NO TRANSPORTE

CNT REÚNE MINISTROS DO STF EM EVENTO SOBRE SEGURANÇA JURÍDICA NO TRANSPORTE

A Confederação Nacional do Transporte promoveu a segunda edição nacional do evento Conexão Legal, reunindo empresários, executivos, diretores jurídicos, lideranças sindicais e ministros do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior do Trabalho para debater segurança jurídica e previsibilidade regulatória no setor de transportes.

O evento, realizado em parceria com o Instituto Iter e patrocínio da ferroviária Rumo, integra o Sistema Transporte, estrutura que reúne a CNT e as demais entidades nacionais representativas do setor. A proposta foi inverter a lógica jurídica tradicional, partindo dos problemas concretos enfrentados pelas empresas no dia a dia para, só então, buscar as respostas cabíveis no campo do direito.

Na abertura, o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa, defendeu que o conhecimento da legislação e de sua interpretação pelos tribunais é condição para atrair investimentos ao setor. Segundo ele, "conhecendo a legislação brasileira, conhecendo como essa legislação está sendo interpretada, dá mais segurança para podermos promover o investimento".

Um dos temas centrais discutidos no evento foi o Tema 1.389 de repercussão geral do STF, relatado pelo ministro Gilmar Mendes, que trata da contratação de profissionais autônomos e pessoas jurídicas para prestação de serviços — modelo amplamente usado no transporte rodoviário de cargas por meio de motoristas autônomos e transportadores individuais. O ministro defendeu uma análise ampla da questão, afirmando que "não se pode olhar apenas um pedaço, é preciso olhar o todo".

Também participou o ministro André Mendonça, do STF, que discutiu a compatibilização entre os valores sociais do trabalho e a livre iniciativa, princípios previstos no artigo 1º, inciso IV, da Constituição Federal. Para o ministro, "a livre iniciativa é um valor social", argumento usado para defender espaço de conciliação entre proteção ao trabalhador e liberdade de organização produtiva das empresas.

A definição jurisprudencial sobre contratação de autônomos e pessoas jurídicas no transporte é acompanhada de perto pelo setor, já que boa parte da frota de caminhões do país é operada por transportadores autônomos e pequenas empresas prestadoras de serviço, modelo comum também entre transportadoras baianas. O desfecho do julgamento do Tema 1.389, ainda sem data definida, deve balizar a forma como contratos de frete e prestação de serviço são estruturados juridicamente pelo setor nos próximos anos.

Fonte: NTC&Logística / Agência CNT Transporte Atual