GOVERNO CRIA CATEGORIA “LOCAL DE REPOUSO E DESCANSO” E MIRA AMPLIAR REDE DE PARADAS PARA CAMINHONEIROS

Às vésperas do início das restrições do calendário eleitoral, que passam a valer neste sábado, os ministérios dos Transportes e da Justiça aceleraram a tramitação de uma portaria interministerial que cria uma nova categoria de parada para caminhoneiros, batizada de Local de Repouso e Descanso (LRD). Em apenas dez dias, o texto passou por alinhamento com a Casa Civil, recebeu aval das consultorias jurídicas dos dois ministérios e foi aprovado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) — uma tramitação-relâmpago que mostra o interesse do governo em fechar o pacote antes do prazo.

A mudança também carrega um componente político explícito: soma-se à Medida Provisória editada em março, que endureceu a fiscalização do piso mínimo do frete, dentro de uma estratégia do governo Lula de se aproximar de uma categoria historicamente identificada com o bolsonarismo. Se antes a resposta mirou o bolso do caminhoneiro, agora a aposta é resolver uma reivindicação antiga e mais estrutural: a falta de locais adequados para cumprir a Lei dos Caminhoneiros, em vigor desde 2015 mas nunca plenamente respeitada por falta de infraestrutura.

Até então, o sistema reconhecia só duas categorias de parada: os PPA (Pontos de Parada e Apoio), certificados a pedido de estabelecimentos comerciais, e os PPD (Pontos de Parada e Descanso), implantados por concessionárias de rodovias ou pelo próprio poder público. A LRD cria uma terceira via, mais rápida: em vez de depender de solicitação e certificação direta do Ministério dos Transportes, a PRF passa a identificar e credenciar diretamente postos de combustíveis, hotéis e restaurantes que já oferecem estacionamento, banheiro, alimentação e iluminação adequados, mas que nunca haviam entrado no sistema oficial — apesar de já serem usados diariamente por milhares de motoristas.

A verificação em campo cabe à própria PRF, vinculada ao Ministério da Justiça: os policiais checam se o estabelecimento atende aos requisitos mínimos de segurança, higiene e conforto exigidos pela legislação antes de incluí-lo em um cadastro nacional público, que vai reunir nome, localização, coordenadas geográficas, número de vagas para caminhões e serviços disponíveis — de restaurante e hospedagem a borracharia, oficina, troca de óleo e loja de conveniência. A ideia é que motoristas e transportadoras usem essas informações para planejar rotas com paradas seguras já mapeadas, em vez de descobri-las na marra ao longo da viagem. A portaria também institui um Comitê Técnico de Acompanhamento das Áreas de Repouso e Descanso, reunindo Ministério dos Transportes, ANTT, DNIT, Ministério da Justiça e PRF, encarregado de consolidar os dados e acompanhar a expansão da rede.

Em números, a rede oficial soma hoje 194 pontos — 184 PPAs certificados e 10 PPDs em rodovias federais concedidas —, espalhados por 44 rodovias e 146 municípios em 23 estados. É pouco diante do tamanho da malha rodoviária brasileira, e é aí que mora o problema que a mudança tenta resolver: motoristas obrigados por lei a cumprir 11 horas de descanso a cada 24 horas de jornada, sob pena de autuação, mas sem locais suficientes e bem distribuídos para fazê-lo com segurança — um vácuo de infraestrutura apontado há anos como um dos fatores por trás de acidentes ligados à fadiga ao volante, como os registrados com frequência em corredores de tráfego pesado, caso da BR-364 em Rondônia.

Com a nova categoria, o governo estima incorporar rapidamente mais de 160 locais já identificados pela PRF, o que praticamente dobraria a rede num intervalo curto. Em paralelo, outros 42 pontos de parada e descanso já contratados dentro de concessões rodoviárias devem entrar em operação até 2028, ampliando a rede também pela via tradicional de investimento em infraestrutura nova — e não apenas pelo aproveitamento de estruturas já existentes.

EL NIÑO ACENDE ALERTA PARA A LOGÍSTICA DO AGRONEGÓCIO

Há 63% de chance de o El Niño atingir intensidade muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027 — bem no momento em que a safra de verão brasileira mais precisa de previsibilidade climática. O número vem do Centro de Previsão Climática da NOAA, órgão meteorológico americano, e foi incorporado pelo INMET ao primeiro boletim do Painel El Niño 2026-2027, documento produzido também por INPE, ANA, Cemaden, Serviço Geológico do Brasil e Defesa Civil Nacional. A leitura regional já aponta uma divisão: chuvas acima da média no Sul e precipitações abaixo do normal no centro-norte do país.

Para quem opera a logística do agronegócio, o alerta vai muito além da lavoura. Atrasos no plantio, na colheita ou no transporte tendem a se propagar pela cadeia toda, e o primeiro sintoma costuma aparecer na armazenagem: quando o escoamento trava, cresce de imediato a necessidade de áreas temporárias para guardar grãos, fertilizantes e outras commodities. É esse movimento que a Tópico, empresa com mais de 3 milhões de metros quadrados de armazéns no país — 70% deles em regiões portuárias e retroportuárias —, já acompanha de perto. Seu diretor comercial, Sergio Gallucci, resume o problema: eventos climáticos extremos obrigam a cadeia logística a reagir em prazos muito mais curtos do que qualquer planejamento convencional prevê.

Um dos elos mais expostos é o de fertilizantes, insumo do qual o Brasil importa cerca de 85% do que consome — qualquer alteração no calendário agrícola pode tanto antecipar a formação de estoques quanto prolongar a permanência de cargas em portos e centros de distribuição, pressionando uma infraestrutura que já opera no limite em períodos de pico. Café e açúcar também entram na conta: chuvas fora de hora durante a colheita alteram o ritmo de embarque e aumentam a pressão por espaço de estocagem em usinas, cooperativas e terminais.

O transporte rodoviário sente o fenômeno de forma desigual pelo mapa. No Sul, o excesso de chuva aumenta o risco de interdições em rodovias e acessos às áreas produtoras; no Norte, é a estiagem que preocupa, ameaçando a navegabilidade das hidrovias que escoam a produção pelos portos do Arco Norte — um dos corredores de exportação mais importantes do país.

SETCEB CELEBRA 62 ANOS DE HISTÓRIA, REPRESENTATIVIDADE E COMPROMISSO COM O TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS

Nesta segunda-feira, 6 de julho, o Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Estado da Bahia (SETCEB) celebra 62 anos de uma trajetória marcada pela defesa do Transporte Rodoviário de Cargas, pelo fortalecimento do setor e pela representatividade das empresas transportadoras baianas.

Fundado em 6 de julho de 1964, o SETCEB nasceu da iniciativa de empresários visionários que compreenderam a importância da união para enfrentar os desafios da atividade e contribuir para o desenvolvimento do transporte de cargas na Bahia. Desde então, a entidade tem desempenhado um papel fundamental na defesa dos interesses da categoria, atuando junto aos poderes públicos, instituições e demais entidades representativas.

Ao longo de mais de seis décadas, o SETCEB acompanhou as transformações do setor, participou de importantes debates, contribuiu para o avanço de pautas estratégicas e consolidou-se como uma referência na representação sindical, sempre pautado pela ética, pelo diálogo e pelo compromisso com seus associados.

Essa história foi construída por diferentes diretorias, colaboradores, parceiros e empresários que, ao longo dos anos, dedicaram seu trabalho para fortalecer a entidade e impulsionar o desenvolvimento do transporte rodoviário de cargas no estado.

Atualmente, sob a presidência de George Freire, o SETCEB mantém o compromisso de ampliar a representatividade do setor, promover a integração entre os empresários e atuar em defesa de um ambiente cada vez mais favorável ao crescimento do transporte e da logística.

Neste aniversário, o SETCEB agradece a confiança de todos os associados, diretores, colaboradores e parceiros que fazem parte dessa trajetória. Mais do que celebrar os 62 anos de história, este é um momento para renovar o compromisso com o futuro, fortalecendo o associativismo e trabalhando pelo desenvolvimento do transporte rodoviário de cargas na Bahia.

SETCEB, 62 anos de dedicação, conquistas e representatividade. Que essa história continue sendo construída com união, inovação e compromisso com o setor.

IBOVESPA FECHA ACIMA DOS 174 MIL PONTOS E DÓLAR RECUA COM APOSTA EM CORTE DA SELIC

A bolsa brasileira encerrou a sexta-feira (3) com alta de 0,74%, aos 174.070,27 pontos — o maior fechamento desde 2 de junho — enquanto o dólar comercial recuou 0,76%, cotado a R$ 5,168. O movimento ocorreu em um dia de feriado nos Estados Unidos (Dia da Independência), o que reduziu a liquidez dos mercados globais e limitou a formação de tendências mais consistentes, segundo analistas consultados pela Agência Brasil.

O principal gatilho para o otimismo na bolsa foi a divulgação, pelo IBGE, de que a produção industrial brasileira recuou 0,2% em maio frente a abril, resultado pior do que o esperado pelo mercado. O dado reforçou as apostas de que o Banco Central iniciará um ciclo de flexibilização monetária já na reunião de agosto do Copom, com corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic — expectativa que beneficiou especialmente as ações de empresas mais sensíveis ao custo do crédito.

No câmbio, o real acompanhou o movimento de fortalecimento das moedas emergentes globalmente, em meio a dados mais fracos do mercado de trabalho americano, que reduziram as apostas em uma política monetária mais restritiva do Federal Reserve. No acumulado do ano, o dólar já acumula queda de 5,83% frente ao real, favorecendo a previsibilidade de custos para empresas que dependem de insumos e peças importadas, caso de parte da indústria de veículos pesados e autopeças.

Também no cenário interno, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, admitiu a possibilidade de novas intervenções do Tesouro Nacional no mercado de títulos públicos, o que ajudou a reduzir os juros futuros e favoreceu o desempenho da bolsa de valores na sessão. O giro financeiro do dia somou R$ 12,6 bilhões, bem abaixo da média diária, refletindo a ausência de negociações relevantes em Wall Street.

Para o setor de transporte de cargas, a perspectiva de corte de juros e a relativa estabilidade cambial são sinais bem-vindos, na medida em que reduzem o custo de capital para financiamento de frota — como o observado no Programa Move Brasil — e ajudam a conter a pressão inflacionária sobre insumos como pneus, peças e combustíveis, ainda que o efeito prático sobre o caixa das transportadoras deva se manifestar apenas nos próximos meses, conforme as decisões do Copom forem confirmadas.

BAHIA ENTREGA RODOVIAS BA-649 E BA-502, REFORÇANDO CORREDORES LOGÍSTICOS DO SUL DO ESTADO E DE FEIRA DE SANTANA

O governador Jerônimo Rodrigues (PT), acompanhado do senador Jaques Wagner (PT-BA), entregou nesta sexta-feira (3) duas obras rodoviárias estaduais na Bahia: a primeira etapa do Sistema Viário da BA-649 — batizada de Rodovia Gabriela —, entre Ilhéus e Itabuna, no Sul do Estado, e a duplicação e restauração da BA-502, no trecho entre o bairro Tomba, em Feira de Santana, e o distrito de Tapera, em São Gonçalo dos Campos, no Recôncavo Baiano.

A etapa entregue da BA-649 liberou ao tráfego 18 quilômetros de uma nova ligação entre Ilhéus e Itabuna, dois municípios com intensa circulação de trabalhadores, estudantes, turistas, cargas e serviços. Durante a solenidade, Jaques Wagner chamou a via de “Rodovia da Coragem”, em referência a entraves que atribuiu ao governo federal anterior, sob Jair Bolsonaro, que segundo o senador teria interrompido o financiamento da obra e exigido a devolução de recursos ao governo federal antes de permitir a continuidade do projeto — episódio usado pelo senador para contrastar o modelo de cooperação federativa associado ao presidente Lula.

Já a BA-502 recebeu obras de duplicação, restauração de pista, urbanização e nova iluminação pública ornamental no trecho entre Feira de Santana e São Gonçalo dos Campos. A rodovia concentra fluxo de veículos particulares, transporte intermunicipal, cargas e trabalhadores que utilizam o corredor para acessar áreas produtivas e conexões logísticas do Recôncavo Baiano. Feira de Santana ocupa posição central na malha rodoviária baiana e funciona como um dos principais entroncamentos logísticos do Nordeste, de modo que melhorias nas vias estaduais que partem do município tendem a impactar diretamente a circulação regional de cargas.

Apesar da entrega, a BA-502 segue associada a cobranças públicas por uma integração mais ampla com a BR-101 Sul, rodovia federal que atravessa a região — reivindicação antiga de usuários e de operadores logísticos locais que reclamam de uma ligação plena entre Feira de Santana, São Gonçalo dos Campos, Conceição da Feira e o corredor federal. A ausência dessa conexão completa é apontada como um gargalo remanescente para o escoamento de cargas no Recôncavo, mesmo após a conclusão das obras estaduais anunciadas nesta sexta-feira.

Do ponto de vista político, as entregas reforçam a estratégia do Governo da Bahia de associar investimentos em infraestrutura rodoviária a desenvolvimento regional: a BA-649 tem impacto direto sobre a economia, o turismo e o transporte de cargas do Sul do Estado, enquanto a BA-502 dialoga com a centralidade logística de Feira de Santana. Para transportadoras que operam no Sul da Bahia e no Recôncavo, a conclusão dessas obras deve reduzir custos de deslocamento e tempos de viagem, ainda que a demanda histórica por uma ligação direta e completa com a BR-101 continue como pauta em aberto.

EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS AOS ESTADOS UNIDOS CRESCEM PELA PRIMEIRA VEZ DESDE O TARIFAÇO DE TRUMP

O valor das exportações brasileiras aos Estados Unidos cresceu 3,7% em junho de 2026 na comparação com junho de 2025, marcando a primeira alta desde julho do ano passado, quando o governo de Donald Trump impôs uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e representam um alívio pontual para exportadores e para a cadeia logística que atende o comércio exterior brasileiro.

Segundo o diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do ministério, Herlon Brandão, o avanço foi puxado pelo aumento médio de 11% nos preços dos produtos exportados, já que o volume físico embarcado para o mercado norte-americano ainda caiu 6,6% no período. Em números absolutos, as exportações somaram US$ 3,472 bilhões em junho, contra importações de US$ 3,471 bilhões, resultando em um superávit simbólico de apenas US$ 1 milhão — praticamente um equilíbrio na corrente de comércio bilateral.

Apesar da recuperação mensal, o acumulado do primeiro semestre ainda mostra retração nas vendas brasileiras aos Estados Unidos: US$ 17,428 bilhões exportados entre janeiro e junho, queda de 13% frente ao mesmo período de 2025, resultando em déficit comercial de US$ 1,522 bilhão com o país norte-americano. Em contrapartida, a China ampliou a liderança como principal parceiro comercial do Brasil, com exportações de US$ 12,291 bilhões em junho (alta de 24,4%) e superávit mensal de US$ 4,490 bilhões, enquanto a União Europeia também registrou expansão de 32,4% nas compras de produtos brasileiros no mês, ainda sob avaliação dos efeitos do acordo Mercosul-União Europeia, em vigor provisório desde maio.

Para o setor de transporte de cargas, esses movimentos no comércio exterior têm efeito direto sobre a demanda por fretes rodoviários até portos e terminais, sobre a ocupação de armazéns alfandegados e sobre o planejamento logístico de exportadores que precisam se adaptar rapidamente a mudanças na geografia dos parceiros comerciais do Brasil. A recuperação parcial do fluxo com os Estados Unidos, ainda que modesta, é acompanhada de perto por transportadoras que atendem corredores de exportação voltados ao mercado norte-americano, especialmente nos portos do Sudeste e do Sul do país.