GOVERNO FEDERAL DEVE APRESENTAR NOVO PLANO NACIONAL DE LOGÍSTICA EM JUNHO COM FOCO NA INTEGRAÇÃO ENTRE MODAIS

O governo federal deve apresentar em junho o novo Plano Nacional de Logística (PNL 2050), documento que irá orientar os investimentos em infraestrutura e transporte no Brasil nas próximas décadas. A informação foi divulgada durante o Fórum Esfera Brasil 2026, realizado no Guarujá (SP), pelo ministro dos Transportes, George Santoro.

Segundo o ministro, o novo plano terá como principal objetivo ampliar a integração entre os modais rodoviário, ferroviário, hidroviário e portuário, buscando reduzir gargalos logísticos históricos e aumentar a competitividade do transporte nacional.

“A gente está trabalhando no novo Plano Nacional de Logística, que vai sair agora em junho, e todo o conceito dele é integração e interoperabilidade entre os modais rodoviário, ferroviário e hidroviário”, afirmou Santoro durante o evento.

O novo PNL substituirá o antigo PNL 2035 e deverá consolidar uma estratégia logística de longo prazo até 2050, em um momento em que o governo federal tenta acelerar concessões e ampliar a participação da iniciativa privada nos investimentos em infraestrutura.

De acordo com o Ministério dos Transportes, o plano servirá como base técnica para futuras concessões rodoviárias, projetos ferroviários, corredores hidroviários e investimentos portuários em todo o país.

O governo também pretende reorganizar os corredores logísticos brasileiros com foco na nova dinâmica econômica do País, especialmente no avanço do agronegócio nas regiões Centro-Oeste e Norte.

“A nossa intenção é que a carga que saia de Sinop chegue a Santos a um custo menor que a de Santos para Xangai”, declarou o ministro ao defender a redução do chamado “Custo Brasil”.

A expectativa é de que o Brasil alcance 35 concessões rodoviárias até dezembro, além da ampliação da carteira de projetos ferroviários nacionais.

O plano está sendo estruturado com apoio técnico do CAF – Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe, responsável pelos estudos de demanda, diagnósticos regionais e análises de integração logística entre os estados brasileiros.

VISÃO DE LONGO PRAZO

Especialistas do setor avaliam que o PNL 2050 pode representar uma mudança importante no histórico de descontinuidade dos grandes programas de infraestrutura no Brasil.

Segundo Paulo Resende, professor de logística e transporte da Fundação Dom Cabral, o principal diferencial do novo plano está justamente na visão de longo prazo.

“Esse tipo de infraestrutura exige planejamento de décadas. O plano coloca o Brasil no radar de investidores globais ao sinalizar claramente quais modais e corredores serão priorizados”, afirmou.

O especialista destacou ainda que o sucesso do projeto dependerá da transformação do PNL em uma política permanente de Estado, e não apenas de governo.

Outro ponto considerado positivo é a maior participação do setor produtivo durante a elaboração do plano. De acordo com especialistas, o PNL 2050 incorporou demandas logísticas de aproximadamente 40 setores econômicos, incluindo embarcadores, operadores logísticos e representantes de diversas cadeias produtivas.

INTEGRAÇÃO ENTRE MODAIS

A integração multimodal é considerada um dos pilares centrais do novo plano logístico. O objetivo é reduzir a dependência histórica do modal rodoviário, fortalecendo também ferrovias, hidrovias, cabotagem e portos integrados em corredores logísticos estratégicos.

Na avaliação do setor, essa reorganização pode reduzir custos operacionais, aumentar a eficiência logística e minimizar gargalos no escoamento da produção agrícola e industrial brasileira.

Além disso, especialistas defendem que o plano incorpore critérios de resiliência climática e transição energética, diante dos impactos crescentes de eventos extremos sobre a infraestrutura nacional, como enchentes, secas severas e interrupções em rodovias estratégicas.

O PNL 2050 é o primeiro plano elaborado dentro das diretrizes do Planejamento Integrado de Transportes (PIT). Agora, o principal desafio apontado pelo setor será garantir continuidade política e capacidade efetiva de execução ao longo das próximas décadas.

DEPUTADO COBRA RECUPERAÇÃO URGENTE DA BR-242 NA BAHIA

O deputado estadual Hilton Coelho apresentou, na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), uma indicação direcionada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva solicitando medidas urgentes para obras de recapeamento asfáltico e recuperação da BR-242, uma das principais rodovias federais que cortam o território baiano.

Segundo o parlamentar, o estado de deterioração da rodovia tem comprometido a segurança dos usuários, aumentado os riscos de acidentes e provocado prejuízos econômicos em diferentes regiões do estado.

“A BR-242 é uma via estratégica para a Bahia, fundamental para o escoamento da produção agrícola, para o transporte de mercadorias e para a integração regional. O abandono da rodovia coloca vidas em risco diariamente”, afirmou Hilton Coelho.

Conhecida como Rodovia Milton Santos, a BR-242 atravessa importantes regiões econômicas da Bahia, incluindo a Chapada Diamantina e o oeste baiano, sendo considerada um corredor estratégico para o agronegócio, o turismo e o transporte rodoviário de cargas.

Na justificativa apresentada à ALBA, o deputado afirmou que a precarização da estrada reflete anos de insuficiência de investimentos em infraestrutura viária.

“Não estamos falando apenas de buracos no asfalto. Estamos falando de uma política de abandono que afeta diretamente a economia popular, a mobilidade e a segurança de milhares de pessoas”, declarou.

O parlamentar também destacou o intenso fluxo de veículos pesados na rodovia, fator que acelera o desgaste do pavimento e exige manutenção constante ao longo do trecho.

“A recuperação da BR-242 é uma necessidade urgente. O governo federal precisa agir com rapidez para garantir condições dignas de trafegabilidade e evitar que mais acidentes aconteçam nessa importante rodovia baiana”, afirmou.

Hilton Coelho defendeu ainda que o Ministério dos Transportes e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes realizem obras estruturais de recuperação e manutenção contínua da BR-242.

“A Bahia não pode continuar convivendo com uma das suas principais rodovias em situação precária. Investir na BR-242 é investir na vida do povo, no desenvolvimento regional e na integração do estado”, concluiu o deputado.

NOVAS REGRAS DO CIOT ENTRARAM EM VIGOR NESTE DOMINGO E AMPLIAM FISCALIZAÇÃO NO TRANSPORTE RODOVIÁRIO

As novas regras do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) passaram a valer neste domingo (24), às 18h, ampliando o controle sobre as operações de transporte rodoviário remunerado de cargas em todo o país. A medida reforça os mecanismos de rastreabilidade, fiscalização e verificação do cumprimento do Piso Mínimo de Frete.

Com a mudança, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) ampliou a obrigatoriedade do CIOT para praticamente todas as operações de transporte remunerado de cargas, fortalecendo o monitoramento eletrônico das informações registradas nas viagens.

Para auxiliar transportadoras, embarcadores, operadores logísticos e caminhoneiros na adaptação às novas exigências, a ANTT disponibilizou em seu portal uma área específica chamada “CIOT Para Todos”, reunindo documentos técnicos, orientações operacionais e respostas às dúvidas mais frequentes sobre o novo modelo.

O material inclui informações sobre integração de sistemas, emissão do código, modalidades de transporte, responsabilidades dos contratantes e regras operacionais aplicadas ao novo formato do CIOT.

A Agência informou ainda que a documentação técnica necessária para integração dos sistemas foi liberada cerca de 30 dias antes do início oficial da operação. Desde então, instituições homologadas e empresas do setor vinham realizando testes e ajustes operacionais junto ao ambiente disponibilizado pela ANTT.

As Instituições de Pagamento (IPs) autorizadas já estão aptas para operar dentro do novo modelo, enquanto transportadoras também iniciaram processos de integração utilizando a API fornecida pela Agência.

O QUE É O CIOT

O CIOT é o Código Identificador da Operação de Transporte utilizado para registrar eletronicamente operações de transporte rodoviário remunerado de cargas junto à ANTT.

O sistema reúne dados como contratante do frete, transportador responsável, veículos utilizados, origem e destino da carga, valor do frete e modalidade da operação.

Cada transporte registrado gera um código individual, permitindo maior rastreabilidade das operações e reforçando o controle sobre os pagamentos realizados aos transportadores.

O QUE MUDOU COM AS NOVAS REGRAS

Com a entrada em vigor do novo modelo, o CIOT passou a ser exigido em todas as operações de transporte remunerado de cargas, exceto em casos específicos previstos na regulamentação, como operações com veículos não emplacados e determinados tipos de cargas especiais.

Além disso, o sistema passa a realizar validações mais rígidas sobre as informações declaradas, incluindo a verificação automática do Piso Mínimo de Frete nas operações em que a regra é aplicável.

As mudanças estão previstas na Medida Provisória nº 1.343/2026, na Resolução ANTT nº 6.078/2026 e na Portaria SUROC nº 6/2026, que estabeleceram os novos procedimentos para emissão, retificação, cancelamento e encerramento do CIOT.

BAHIA REGISTRA FORTE ALTA NOS PREJUÍZOS COM ROUBO DE CARGAS E ENTRA EM ALERTA NO SETOR LOGÍSTICO

A Bahia passou a ocupar posição de destaque no cenário nacional de roubos de cargas no primeiro trimestre de 2026. Levantamento divulgado pela empresa nstech aponta que o estado teve crescimento expressivo na participação dos prejuízos financeiros registrados em operações monitoradas pelas gerenciadoras de risco BRK, Buonny e Opentech.

De acordo com o estudo, a participação baiana no valor total das perdas nacionais saltou de 0,7% para 9,2% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Com isso, a Bahia passou a ocupar a terceira posição entre os estados com maiores prejuízos relacionados ao roubo de cargas, atrás apenas de Rio de Janeiro e São Paulo.

O relatório também mostra avanço da criminalidade em toda a região Nordeste. A participação regional nos prejuízos nacionais subiu de 13,7% para 20,2% no período analisado.

Segundo a análise da nstech, o perfil das quadrilhas vem mudando nos últimos anos. Em vez de grandes volumes, os criminosos passaram a priorizar cargas com maior valor agregado e facilidade de revenda no mercado ilegal.

Entre os produtos mais visados, os medicamentos passaram a ocupar posição de destaque. Em 2025, esse segmento representava apenas 1,7% dos prejuízos monitorados. Já no primeiro trimestre de 2026, a participação subiu para 22,3%, ficando atrás apenas das cargas diversas e fracionadas, responsáveis por 36,6% das perdas. O setor alimentício aparece logo em seguida, com 21,9%.

Para Cristiano Tanganelli, vice-presidente de Inteligência de Mercado da nstech, o comportamento das quadrilhas mudou significativamente. Segundo ele, os criminosos passaram a focar em cargas com maior liquidez e retorno financeiro mais rápido, o que amplia os riscos principalmente nas operações urbanas e de distribuição.

O estudo revela ainda que 40,4% dos prejuízos registrados no trimestre envolveram cargas avaliadas acima de R$ 1 milhão. Dentro desse grupo, quase metade das perdas estava ligada ao transporte de medicamentos.

Rodovias baianas entram no radar das operações criminosas

O levantamento aponta que os trechos urbanos concentraram 38,5% dos prejuízos nacionais no período, percentual mais que o dobro do registrado no ano anterior.

Entre as rodovias com maior incidência aparecem a BR-101, responsável por 21,6% dos prejuízos monitorados, e a BR-116, com 13%. A BA-093 também entrou no levantamento, registrando 3,7% das perdas nacionais.

Na análise específica do mês de janeiro, a BA-093 chegou a concentrar 13,6% dos prejuízos monitorados em todo o país, ficando atrás apenas da BR-101.

As rodovias BR-101 e BR-116 são consideradas corredores estratégicos para o transporte de mercadorias na Bahia, conectando regiões industriais, polos de consumo e centros de distribuição com outros estados brasileiros.

A preocupação com o aumento das ocorrências também já mobiliza operações policiais. Em fevereiro deste ano, a Polícia Rodoviária Federal intensificou ações de fiscalização e combate ao roubo de cargas em trechos da BR-101, no sul da Bahia, especialmente entre os municípios de Gandu e Itabuna, após investigações relacionadas a veículos suspeitos de participação em crimes na região.

TESLA APRESENTA CAMINHÃO ELÉTRICO SEMI COM ATÉ 800 KM DE AUTONOMIA E APOSTA EM NOVA FASE NO TRANSPORTE

A Tesla voltou a movimentar o mercado de veículos pesados ao apresentar oficialmente o caminhão elétrico Semi, modelo que promete ampliar a presença da fabricante no transporte rodoviário de cargas. Com autonomia de até 800 quilômetros e preço inicial de US$ 290 mil na versão de maior alcance, o veículo chega como uma das principais apostas da empresa para o segmento logístico.

O lançamento acontece em um momento estratégico para a montadora, que busca repetir o sucesso comercial alcançado com o Model Y, lançado em 2020. As primeiras avaliações do mercado indicam que o Semi pode representar um novo avanço da Tesla no setor de veículos comerciais.

CAMINHÃO TERÁ DUAS VERSÕES DE AUTONOMIA

O Tesla Semi será comercializado em duas configurações. A principal delas terá capacidade para rodar até 800 quilômetros com uma única carga. Já a segunda opção contará com autonomia de aproximadamente 560 quilômetros, oferecendo uma alternativa mais acessível para operações regionais.

Segundo a fabricante, os dois modelos superam a autonomia atualmente oferecida por outros caminhões elétricos disponíveis no mercado. O fator é considerado estratégico para acelerar a adoção desse tipo de veículo pelas empresas de transporte e logística.

Hoje, um dos principais desafios do setor ainda é o alto custo de aquisição dos caminhões elétricos, que podem custar mais que o dobro dos modelos movidos a diesel. Além disso, a limitação de autonomia ainda gera preocupação em operações de longa distância.

TESLA AMPLIA PRODUÇÃO EM NEVADA

Até o momento, a Tesla vinha produzindo o Semi em pequena escala para clientes específicos, entre eles empresas como Pepsi e Nevoya. Porém, recentemente a companhia confirmou o início de uma nova linha de montagem em Sparks, no estado de Nevada, nos Estados Unidos.

A estrutura foi projetada para fabricar até 50 mil caminhões por ano. Caso a capacidade máxima seja atingida, o Semi poderá movimentar bilhões de dólares em receitas para a montadora nos próximos anos.

Mesmo assim, analistas destacam que o caminhão elétrico ainda representa apenas uma parte das ambições da Tesla, que segue investindo fortemente em tecnologias como táxis autônomos e robôs humanoides.

MERCADO AINDA ENFRENTA DESAFIOS

Apesar do crescimento do interesse por caminhões elétricos, a presença desses veículos ainda está concentrada em alguns estados norte-americanos, principalmente regiões que oferecem incentivos fiscais e programas de estímulo à eletrificação.

Grande parte das operações atuais ocorre em trajetos urbanos ou regionais, onde a infraestrutura de recarga é mais acessível e as distâncias são menores.

Especialistas avaliam que a viabilidade econômica do Tesla Semi dependerá diretamente do tipo de operação realizada, da disponibilidade de infraestrutura energética e do custo operacional em comparação aos caminhões movidos a diesel.

No Brasil, o avanço desse tipo de tecnologia ainda depende da expansão da infraestrutura de recarga, incentivos ao setor e redução dos custos de aquisição para as transportadoras.

1º ENCONTRO DO TRIC REUNIRÁ SETOR DE TRANSPORTE INTERNACIONAL EM BRASÍLIA

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) realizará, no dia 23 de junho, em Brasília (DF), o 1º Encontro do Transporte Rodoviário Internacional de Cargas (TRIC). O evento foi construído em parceria com entidades representativas do setor privado, entre elas a Associação Brasileira de Transportadores Internacionais (ABTI), além do apoio da CNT e da NTC&Logística.

A iniciativa nasce com a proposta de criar um espaço permanente de discussão voltado exclusivamente ao transporte rodoviário internacional de cargas, ampliando o debate técnico e institucional sobre os desafios da logística entre países do Mercosul.

A programação está prevista para ocorrer das 9h às 17h e deve reunir autoridades públicas, lideranças do transporte e representantes internacionais ligados ao setor logístico e aduaneiro.

Segundo a ABTI, o encontro representa um passo importante para fortalecer a integração regional, estimular o diálogo entre setor público e iniciativa privada e contribuir para a evolução das políticas públicas e da regulamentação do TRIC no Brasil.

A entidade também reforçou a importância da participação presencial das empresas e operadores do segmento nesta primeira edição, considerada estratégica para ampliar a representatividade do transporte internacional perante os órgãos reguladores e instituições envolvidas.

Novas informações sobre inscrições e programação completa deverão ser divulgadas nos próximos dias.