BAHIA DISCUTE POTENCIAL LOGÍSTICO DA BAÍA DE TODOS-OS-SANTOS E DESAFIOS PARA AVANÇO DA INFRAESTRUTURA

A infraestrutura portuária e o potencial logístico da Baía de Todos-os-Santos estiveram no centro dos debates durante o Bahia Export 2026, realizado na sede da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), em Salvador. O evento reuniu autoridades públicas, executivos e lideranças empresariais para discutir como a economia azul e os investimentos em logística podem impulsionar o desenvolvimento econômico da região.

Durante painel promovido no encontro, a secretária de Desenvolvimento Econômico, Emprego e Renda de Salvador, Mila Paes, comparou a Baía de Todos-os-Santos ao modelo logístico de Singapura e destacou a posição estratégica da capital baiana como ponto de conexão entre América, África e Europa.

Segundo a secretária, a localização privilegiada e a eficiência dos portos locais colocam Salvador em posição favorável para ampliar sua relevância logística nacional e internacional, especialmente no escoamento da produção agrícola do oeste baiano.

A representante também defendeu que a economia do mar seja um dos principais vetores de crescimento da capital, afirmando que o desenvolvimento econômico da cidade precisa estar diretamente ligado à exploração de seu potencial marítimo.

Especialistas do setor apontaram, porém, que para transformar esse potencial em realidade será necessário um planejamento de longo prazo e investimentos estruturais robustos.

Entre os principais desafios citados estão a necessidade de melhoria dos acessos rodoviários, ampliação da multimodalidade, desenvolvimento de corredores logísticos mais eficientes e qualificação da mão de obra voltada ao transporte e exportação.

Representantes do setor destacaram ainda a importância de fortalecer a conexão entre Salvador e o oeste da Bahia, considerada estratégica para consolidar a capital como um dos principais polos logísticos do Matopiba.

Além disso, foi reforçada a necessidade de investimentos ferroviários e retomada de projetos estruturantes para ampliar a competitividade logística da região.

No setor produtivo, empresários ressaltaram que o transporte rodoviário segue desempenhando papel fundamental no escoamento da produção agrícola, especialmente do algodão, cuja participação nas exportações via Salvador vem crescendo de forma consistente.

Apesar do otimismo com o potencial logístico da Baía de Todos-os-Santos, o debate também foi marcado por críticas à lentidão histórica na execução de projetos estruturais, com cobranças por ações mais práticas e menos discussões teóricas sobre o desenvolvimento da região.

SALVADOR RECEBE EVENTO “NEXT LEVEL – EDIÇÃO REFORMA TRIBUTÁRIA” E REÚNE LIDERANÇAS DO TRANSPORTE PARA DISCUTIR IMPACTOS NO SETOR

A cidade de Salvador foi palco, no último dia 9 de abril, de um importante encontro voltado ao setor de transporte rodoviário de cargas. O evento “Next Level – Edição Reforma Tributária” reuniu empresários, gestores e profissionais do segmento para debater, de forma prática, os impactos das mudanças no sistema tributário brasileiro na operação e rentabilidade das transportadoras.

Realizado no SEST/SENAT, o encontro aconteceu em um momento estratégico para o setor, diante do avanço da Reforma Tributária e das incertezas que ainda cercam sua implementação. Ao longo da programação, os participantes tiveram acesso a conteúdos direcionados à realidade do transporte, com foco em formação de preços, carga tributária, competitividade e adaptação ao novo modelo fiscal.

Um dos destaques do evento foi a palestra de Rafael Brito, diretor-executivo da Rumo Brasil, que trouxe uma abordagem prática e estratégica sobre como as empresas podem se preparar para o período de transição, minimizando riscos e identificando oportunidades dentro do novo cenário tributário.

Além do conteúdo técnico, o evento também proporcionou um ambiente propício para networking e troca de experiências entre os participantes, fortalecendo conexões e incentivando o desenvolvimento do setor na região.

A presença da COMJOVEM Bahia também marcou o encontro, reforçando o engajamento das novas lideranças no debate sobre temas estratégicos para o transporte. Para a coordenação da entidade, iniciativas como essa são fundamentais para preparar o setor para os desafios que estão por vir.

“Eventos como o Next Level são essenciais para aproximar os empresários das mudanças que estão acontecendo no país. A Reforma Tributária exige atenção e preparo, e esse tipo de encontro contribui diretamente para que o transportador tenha mais clareza e segurança na tomada de decisões”, destacou a coordenação da COMJOVEM Bahia.

O evento foi organizado pela Rumo Brasil, com apoio das empresas TruckPag e Raster, e contou com a participação do SETCEB e da COMJOVEM Bahia, consolidando-se como uma importante iniciativa para o fortalecimento e atualização do transporte rodoviário de cargas na região.

CAMINHÕES TÊM LIMITE DE QUILOMETRAGEM? ENTENDA O QUE MUDA COM O PASSAR DOS KM

Diferente do que muitos imaginam, caminhões não possuem um “limite oficial” de quilômetros rodados que determine o fim da sua vida útil. Na prática, o que existe é um ciclo de desgaste progressivo, que exige manutenção cada vez mais frequente e, em determinado ponto, pode tornar a operação economicamente inviável.

Motores a diesel, por exemplo, são projetados para longa durabilidade e podem ultrapassar facilmente centenas de milhares de quilômetros — chegando, em alguns casos, a mais de 1 milhão de km quando bem mantidos.

No entanto, atingir essa quilometragem não significa que o caminhão esteja “no fim”, mas sim que ele entra em uma nova fase: a de maior custo operacional.

Manutenção passa a ser o fator decisivo
Ao longo da vida útil, componentes como motor, câmbio, suspensão e sistema de injeção começam a apresentar desgaste natural. Por isso, a manutenção preventiva, que normalmente ocorre a cada 10 mil a 15 mil km, torna-se ainda mais crítica para evitar falhas maiores.

Quando o caminhão ultrapassa altas quilometragens, aumentam as chances de intervenções mais caras, como retífica de motor, troca de componentes estruturais e revisões completas do sistema mecânico.

O limite, na prática, é econômico — não técnico
Não existe um ponto exato em que o caminhão “não pode mais rodar”. O que define isso é o custo por quilômetro. Quando o valor gasto com manutenção, consumo e paradas começa a superar o retorno gerado pelo frete, o veículo deixa de ser viável.

Esse conceito é amplamente utilizado na gestão de frotas: mais importante do que o total de quilômetros rodados é o custo operacional por km.

Por isso, muitas transportadoras optam por renovar a frota antes de atingir quilometragens muito elevadas, evitando custos imprevisíveis e perda de produtividade.

Alta quilometragem não significa baixa qualidade
Um caminhão com muitos quilômetros rodados pode estar em melhores condições do que outro com menor uso, dependendo do histórico de manutenção, tipo de operação e forma de condução.

Fatores como excesso de carga, direção agressiva, uso em rotas ruins e falta de revisões impactam muito mais a vida útil do que a quilometragem isoladamente.

Quando vale a pena parar
O momento de “parar” ou substituir o caminhão acontece quando:

o custo de manutenção se torna frequente e elevado
há aumento de consumo de combustível
o veículo passa mais tempo parado do que rodando
há perda de confiabilidade nas operações

Nesse cenário, a troca por um caminhão mais novo tende a ser mais vantajosa do que continuar investindo em um ativo desgastado.

Sem prazo final, mas com limite financeiro
Na prática, o caminhão não tem prazo de validade definido em quilômetros. Ele pode continuar rodando por muitos anos — desde que haja manutenção adequada.

O verdadeiro limite está no bolso: quando o custo para manter o veículo supera o retorno que ele gera, é sinal de que chegou a hora de renovar a frota.

FALTA DE CAMINHÕES ELÉTRICOS EXPÕE DESAFIOS PARA DESCARBONIZAÇÃO DO TRANSPORTE NO BRASIL

A transição energética no transporte rodoviário de cargas ainda enfrenta um obstáculo relevante no Brasil: a baixa disponibilidade de caminhões elétricos. Apesar do avanço do debate sobre descarbonização e das metas ambientais cada vez mais presentes no setor, a oferta limitada desses veículos tem dificultado a adoção em larga escala pelas transportadoras.

Na prática, o problema não está apenas na tecnologia, mas principalmente no acesso. O número reduzido de modelos disponíveis no mercado, somado ao alto custo de aquisição, acaba restringindo a renovação de frota com foco em eletrificação. Mesmo empresas interessadas em migrar para soluções mais sustentáveis encontram barreiras financeiras e operacionais.

Outro ponto crítico envolve a infraestrutura. A ausência de uma rede robusta de recarga, especialmente fora dos grandes centros urbanos, limita o uso dos caminhões elétricos em rotas de longa distância — que representam uma parcela significativa do transporte de cargas no país.

Além disso, o custo total de operação ainda gera dúvidas entre transportadoras. Embora o veículo elétrico apresente vantagens como menor gasto com manutenção e combustível, o investimento inicial elevado e a incerteza sobre a vida útil das baterias impactam a tomada de decisão.

O cenário também é influenciado pela falta de políticas públicas mais estruturadas para incentivar a eletrificação no transporte pesado. Diferentemente de outros países, onde subsídios e incentivos fiscais aceleram a adoção, o Brasil ainda avança de forma mais lenta nesse processo.

Diante disso, a descarbonização do transporte rodoviário segue dependendo de alternativas intermediárias, como o uso de biocombustíveis e melhorias de eficiência operacional. Enquanto isso, a eletrificação permanece como uma tendência de longo prazo, ainda distante de se tornar realidade em grande escala no setor de cargas.

PASSIVOS TRABALHISTAS AVANÇAM E VIRAM RISCO ESTRUTURAL NO TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS

Responsável por mais da metade da movimentação de mercadorias no país, o transporte rodoviário de cargas segue em expansão, mas convive com um risco cada vez mais relevante: os passivos trabalhistas. Mesmo com mais de 1,2 milhão de trabalhadores envolvidos na atividade e crescimento recente na geração de empregos, grande parte das empresas ainda não monitora adequadamente essas obrigações, o que amplia a exposição a prejuízos financeiros e jurídicos.

Levantamentos do setor indicam que a maioria das empresas contratantes não acompanha os passivos gerados por transportadoras e motoristas autônomos, e uma parcela já foi obrigada a assumir dívidas trabalhistas de terceiros. O problema ganha complexidade devido à diversidade de vínculos existentes na operação, que inclui motoristas contratados via CLT, transportadores autônomos agregados e independentes.

Na prática, a linha entre prestação de serviço e vínculo empregatício nem sempre é clara. Situações em que há controle de jornada, exigência de exclusividade ou subordinação direta podem levar ao reconhecimento de vínculo pela Justiça do Trabalho, gerando custos retroativos com encargos, férias, 13º salário e horas extras.

O cenário se tornou ainda mais desafiador após mudanças recentes na legislação. A decisão do STF sobre a jornada dos motoristas trouxe novas exigências, como a obrigatoriedade de 11 horas contínuas de descanso e a inclusão do tempo de espera na jornada de trabalho. Além disso, a atualização do Código Civil passou a corrigir passivos pela Taxa Selic, o que pode elevar significativamente o valor das dívidas ao longo do tempo.

Outro ponto de atenção é a responsabilidade dos embarcadores. Mesmo não sendo empregadores diretos, empresas contratantes podem ser acionadas judicialmente e obrigadas a arcar com débitos trabalhistas caso a transportadora não cumpra suas obrigações. Prazos apertados e exigências operacionais que levem ao descumprimento da legislação também podem ampliar esse risco.

O impacto financeiro é relevante. Dependendo do regime tributário, os encargos trabalhistas podem elevar em mais de 60% o custo de um colaborador. Somado a isso, o setor ainda precisa lidar com exigências específicas, como controle rigoroso de jornada, pagamento de horas extras e cumprimento das normas da Lei do Motorista.

A entrada em vigor das novas exigências da NR-1 adiciona mais uma camada de complexidade. A norma passa a exigir que empresas identifiquem e gerenciem riscos psicossociais, como estresse, pressão por resultados e desgaste emocional, incorporando esses fatores ao Programa de Gerenciamento de Riscos.

Diante desse cenário, especialistas apontam que a gestão preventiva é o principal caminho para reduzir a exposição. O uso de tecnologia para controle de jornada, contratos bem estruturados com transportadores autônomos, adequação às normas trabalhistas e apoio jurídico especializado estão entre as principais medidas recomendadas.

Com crescimento da demanda, aumento dos custos e maior rigor regulatório, o transporte rodoviário de cargas entra em uma fase em que eficiência operacional e compliance trabalhista passam a caminhar lado a lado. Ignorar esse movimento pode representar não apenas perda financeira, mas também riscos à continuidade das operações.

MOVE BRASIL DEVE IMPACTAR VENDAS DE CAMINHÕES ATÉ MAIO, AVALIA ANFAVEA

Os efeitos do programa Move Brasil sobre o mercado de caminhões devem se estender pelos próximos meses, com impacto mais evidente nos dados de emplacamento entre abril e maio. A avaliação é do presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, Igor Calvet.

Segundo o executivo, embora os recursos destinados às empresas transportadoras já tenham sido praticamente esgotados — com cerca de R$ 9 bilhões já utilizados e aproximadamente R$ 1 bilhão ainda disponível para caminhoneiros autônomos —, os efeitos do programa ainda não foram totalmente refletidos nos números mais recentes.

“Março marcou o início dessa atenuação, mas ainda não captura todo o impacto. Esse efeito deve aparecer de forma mais clara em abril e possivelmente em maio”, afirmou Calvet.

Programa ajudou a reduzir ritmo de queda

De acordo com a entidade, o Move Brasil teve papel relevante ao suavizar a retração do mercado, especialmente em um ambiente ainda desafiador para o setor de transporte.

“O segmento continua em queda, mas em um ritmo menor. O programa ajudou a dar esse fôlego”, destacou o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores.

Além do incentivo direto, a melhora nas condições de crédito também contribuiu para o desempenho recente. A redução das taxas de juros facilitou o acesso ao financiamento, fator decisivo para o segmento de caminhões, tradicionalmente mais sensível ao custo do dinheiro.

Projeções são mantidas com cautela

Apesar do impacto positivo do programa, a Anfavea optou por manter suas projeções para 2026. A expectativa é de produção de 154 mil veículos pesados, alta de 1,4% em relação às 152 mil unidades registradas no ano passado.

Já as vendas devem alcançar 137 mil unidades, o que representa uma leve queda de 0,5% na comparação anual.

A decisão reflete o nível de incerteza ainda presente no cenário macroeconômico, que dificulta revisões mais assertivas no curto prazo.

Cenário externo segue como fator de risco

Entre os principais pontos de atenção, Igor Calvet destacou a volatilidade dos preços do petróleo, o aumento dos custos no setor agrícola — especialmente fertilizantes e diesel — e a possibilidade de manutenção de juros elevados por um período mais longo.

“Se analisarmos apenas o Move Brasil, o cenário seria mais positivo. Mas há outras variáveis que geram instabilidade e tornam difícil mensurar o impacto total sobre o mercado”, explicou.

Possibilidade de novos estímulos

O executivo também não descartou a possibilidade de novos incentivos ao setor, seja por meio da prorrogação do programa atual ou da criação de novas iniciativas.

No caso do Move Brasil, existem tratativas com o governo federal para eventual renovação. No entanto, segundo Calvet, a medida precisaria ser implementada ainda em maio para que o efeito positivo sobre os emplacamentos se prolongue nos meses seguintes.

Mercado segue em compasso de cautela

Por enquanto, a leitura da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores é de cautela. A combinação entre estímulos pontuais e pressões externas continua sendo determinante para o ritmo do mercado de caminhões em 2026.