por Setceb | abr 6, 2026 | Uncategorized
O crescimento da participação de pneus importados no mercado brasileiro, especialmente no segmento de veículos de carga, tem acendido um alerta na indústria nacional. Atualmente, esses produtos já representam entre 70% e 75% das vendas no país, cenário que levou a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP) a intensificar a pressão por medidas de proteção comercial.
Em manifesto encaminhado ao governo federal e assinado por cerca de 40 entidades da cadeia produtiva, o setor defende a adoção de ações imediatas para reequilibrar a concorrência. Entre as propostas estão a aceleração de investigações antidumping, com aplicação de medidas provisórias durante o andamento dos processos, além de incentivos ao consumo de pneus com produção nacional.
O pacote também prevê o alinhamento tarifário do Brasil com outros países que possuem indústria consolidada e o avanço da Política de Estímulo à Produção da Borracha, que está em fase final de desenvolvimento. Segundo o presidente da ANIP, Rodrigo Navarro, o objetivo é restabelecer condições mais equilibradas de mercado e preservar toda a cadeia produtiva, que gera milhares de empregos diretos e indiretos no país.
Na prática, o avanço dos importados está diretamente ligado ao cenário enfrentado pelas transportadoras. Com margens pressionadas, juros elevados e aumento dos custos operacionais, empresas e caminhoneiros autônomos têm priorizado opções mais baratas, o que favorece a entrada de produtos estrangeiros.
Apesar do alívio imediato no custo, a mudança preocupa o setor. O pneu é um dos principais insumos do transporte rodoviário de cargas, influenciando diretamente a segurança, a durabilidade dos veículos e o custo operacional por quilômetro rodado.
Crédito para renovação entra no radar
Como forma de estimular a demanda por produtos nacionais, a indústria também discute com o governo a criação de uma linha de crédito voltada à compra de pneus. A proposta, inspirada em programas de incentivo já existentes, busca facilitar o acesso ao financiamento, principalmente para caminhoneiros autônomos.
A ideia é permitir o parcelamento da troca de pneus, um dos principais custos da operação, reduzindo a dependência por alternativas mais baratas importadas e fortalecendo o consumo interno.
Produção nacional registra forte queda
O avanço dos importados já começa a refletir diretamente nos indicadores da indústria brasileira. Nos dois primeiros meses de 2026, as vendas de pneus produzidos no país somaram 5,5 milhões de unidades, representando uma queda de 10,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Esse desempenho é o pior registrado para um primeiro bimestre desde 2019 e evidencia uma retração significativa ao longo dos últimos anos. A redução foi observada tanto no mercado de reposição quanto nas vendas destinadas às montadoras.
Além disso, a participação da indústria nacional no mercado segue em queda. O market share caiu para 31%, distante dos 41% registrados em 2025 e dos 63% observados em 2021, indicando uma mudança estrutural no setor.
Para a ANIP, o cenário é preocupante e pode gerar impactos relevantes no médio prazo, incluindo redução de investimentos, perda de competitividade e aumento da dependência externa em um insumo essencial para o transporte rodoviário de cargas.
por Setceb | abr 6, 2026 | Uncategorized
O Brasil caminha para um cenário preocupante no transporte rodoviário de cargas. Projeções de consultorias logísticas e entidades do setor indicam que o país pode enfrentar um déficit crítico de motoristas profissionais já nos próximos anos, com risco real de colapso operacional até 2028.
A estimativa aponta que, caso nenhuma medida estrutural seja adotada, a capacidade de transporte não acompanhará o crescimento da produção, especialmente do agronegócio e da indústria. O problema não está na falta de caminhões, mas na escassez de mão de obra qualificada disposta a atuar na profissão.
Envelhecimento da categoria acende alerta
Um dos principais fatores por trás dessa crise é o envelhecimento dos profissionais. Atualmente, a idade média dos caminhoneiros brasileiros já ultrapassa os 50 anos, enquanto a entrada de novos motoristas segue em ritmo insuficiente para repor as aposentadorias.
A falta de renovação está diretamente ligada à percepção da profissão. Longos períodos longe de casa, condições de trabalho desafiadoras e riscos nas estradas têm afastado os mais jovens, criando um desequilíbrio geracional no setor.
Fatores estruturais agravam o cenário
Além da questão demográfica, outros fatores contribuem para acelerar o problema. O custo para obtenção e manutenção da CNH categoria E aumentou significativamente nos últimos anos, tornando o acesso à profissão mais difícil.
A insegurança nas rodovias também pesa na decisão de novos profissionais, diante do aumento de ocorrências de roubo de carga e violência. Paralelamente, a evolução tecnológica dos caminhões exige maior qualificação dos motoristas, sem que, em muitos casos, a remuneração acompanhe esse nível de exigência.
Déficit pode dobrar em poucos anos
As projeções indicam um crescimento acelerado no número de vagas não preenchidas. Em 2024, o déficit estimado gira em torno de 100 mil motoristas. Esse número pode chegar a 180 mil em 2026 e ultrapassar 350 mil até 2028, configurando um cenário crítico para a logística nacional.
Impacto direto no custo do frete e na economia
A falta de motoristas tende a gerar um efeito imediato no custo do transporte. Com menor oferta de profissionais, o valor do frete aumenta, impactando diretamente toda a cadeia produtiva.
Na prática, esse aumento chega ao consumidor final. Produtos básicos como alimentos e itens de consumo passam a sofrer reajustes, pressionando a inflação e reduzindo o poder de compra da população.
Experiências internacionais mostram que esse cenário não é hipotético. Países como Estados Unidos e Reino Unido já enfrentaram problemas semelhantes, com impactos no abastecimento e até falta de produtos em prateleiras.
Medidas urgentes são necessárias
Para evitar um colapso logístico, o setor aponta a necessidade de ações imediatas. Entre as principais medidas estão a melhoria da infraestrutura de pontos de parada, garantindo mais segurança e dignidade aos motoristas, além da criação de programas de incentivo para formação profissional, reduzindo o custo da habilitação.
Outro ponto relevante é a reorganização das operações logísticas, buscando reduzir o tempo que o motorista passa fora de casa, tornando a profissão mais atrativa.
Um prazo curto para uma solução estrutural
O cenário exige respostas rápidas. Sem mudanças que tornem a atividade mais segura, rentável e compatível com as novas gerações, o Brasil pode enfrentar um dos maiores desafios logísticos de sua história recente.
Mais do que uma projeção, o alerta representa um prazo real para adaptação. Caso o setor não consiga se reestruturar, o impacto poderá comprometer diretamente a eficiência da economia e o abastecimento em todo o país.
por Setceb | abr 6, 2026 | Uncategorized
O recente aumento no preço do diesel voltou a pressionar o transporte rodoviário de cargas e trouxe à tona ineficiências operacionais que já faziam parte da rotina de muitas empresas. Embora o impacto da alta atinja todo o setor, os efeitos variam conforme o nível de gestão adotado por cada transportadora.
Segundo o diretor executivo da VEIC, Rodrigo Somogyi, o custo do diesel vai além do valor apresentado nas bombas. Há componentes pouco visíveis que, somados, podem elevar significativamente o gasto das frotas.
Ágio encarece o combustível nas operações
Um dos principais fatores apontados é o uso de cartões tradicionais de abastecimento, bastante comuns no mercado. Esses modelos costumam incluir taxas adicionais — conhecidas como ágio — que impactam diretamente o valor final pago por litro.
Na prática, esse acréscimo pode chegar a cerca de 10%. Isso significa que, mesmo antes de qualquer reajuste no preço do diesel, a empresa já opera com um custo mais elevado. Quando ocorrem aumentos no mercado, o impacto é ainda mais intenso para quem utiliza esse modelo.
“Quando o diesel sobe, ele sobe para todos. A diferença está no valor que cada empresa já paga antes desse aumento”, explica o executivo.
Falhas de gestão aumentam desperdícios
Além do preço, o nível de controle operacional também influencia diretamente no custo final. Problemas como abastecimentos acima da capacidade do tanque, desvios de combustível, possíveis fraudes e falta de controle por rota são exemplos de perdas que podem comprometer o resultado financeiro.
Diferenças no desempenho entre motoristas e ausência de monitoramento do consumo também contribuem para elevar os gastos. Sem gestão adequada, esses desvios passam despercebidos e se acumulam ao longo do tempo.
Por outro lado, empresas que investem em ferramentas de controle conseguem identificar essas falhas com mais rapidez, corrigindo desperdícios e melhorando a eficiência da operação.
Redução de custos pode chegar a 30%
A combinação entre eliminação do ágio e melhoria na gestão operacional pode gerar economias relevantes. Em empresas com menor nível de controle, a redução pode atingir até 30% no custo do diesel.
Esse percentual considera aproximadamente 10% relacionados à retirada do ágio e até 20% provenientes de ganhos operacionais. Já empresas mais estruturadas também encontram oportunidades, com redução média de 10% ao eliminar taxas e ganhos adicionais de cerca de 5% com ajustes na operação.
Rede de abastecimento impacta produtividade
Outro fator relevante é a disponibilidade de postos para abastecimento. Quando o motorista precisa sair da rota para encontrar um local que aceite determinado meio de pagamento, a operação gera o chamado “quilômetro morto”.
Esse deslocamento adicional aumenta o consumo de combustível e reduz a produtividade da frota. Quanto maior a rede de aceitação, menor a necessidade desses desvios e, consequentemente, menor o custo indireto do diesel.
“Em alguns casos, o caminhão precisa rodar quilômetros extras apenas para abastecer, o que encarece ainda mais a operação”, destaca.
Pressão nos custos impulsiona mudanças
Diante da alta do diesel, transportadoras têm intensificado a busca por soluções que reduzam custos e aumentem o controle sobre o consumo. Empresas que ainda não utilizavam sistemas de gestão passaram a considerar sua adoção, enquanto aquelas mais estruturadas estão revisando processos para eliminar despesas adicionais.
Nesse cenário, o aumento do diesel não apenas pressiona as margens, mas também acelera uma transformação importante no setor. A forma como o combustível é comprado, controlado e gerenciado passa a ser um diferencial competitivo cada vez mais relevante para as transportadoras.
por Setceb | abr 6, 2026 | Uncategorized
A MundoLogística anunciou o lançamento do IPC.MLog, um indicador que acompanha em tempo real a variação do preço do diesel no Brasil. A ferramenta reúne dados de mercado, informações oficiais e registros coletados diretamente nas estradas, oferecendo uma leitura mais precisa sobre o comportamento do combustível.
O lançamento ocorre em um cenário de alta contínua do diesel, observada desde 2025, que segue impactando diretamente os custos e a rentabilidade do transporte rodoviário de cargas. Diante dessa realidade, o novo índice surge como um instrumento estratégico para transformar dados em decisões mais assertivas na operação logística.
Disponível online, o IPC.MLog apresenta a evolução diária dos preços, incluindo variações acumuladas, médias por período e análises por estado. A atualização é constante e baseada em uma base robusta, com mais de sete mil abastecimentos monitorados diariamente em tempo real.
Na prática, o indicador permite que transportadoras e motoristas identifiquem os melhores momentos e regiões para abastecimento, contribuindo para otimização de rotas e redução de custos operacionais com maior previsibilidade.
Segundo o CEO e editor da Mundo Logística, Marco Guapo, a proposta é ampliar o uso inteligente da informação no setor. “Nossa intenção é oferecer dados atualizados em um ambiente dinâmico, apoiando decisões mais eficientes. Queremos ir além da produtividade, ajudando nossos clientes a adquirir combustível de forma mais competitiva e estratégica”, afirmou.
Dados recentes do indicador apontam que o preço médio do diesel no país está em R$ 7,28 por litro, com alta acumulada superior a 27,8% nos últimos 21 dias. Estados como Bahia, Goiás e Acre registram os maiores valores, evidenciando a importância de acompanhar as oscilações regionais para minimizar impactos nas operações.
Para o setor logístico, o desafio é significativo. De acordo com a Confederação Nacional do Transporte, o diesel representa, em média, cerca de 35% dos custos operacionais. Em um ambiente de volatilidade, a gestão eficiente do abastecimento deixa de ser um diferencial e passa a ser um fator essencial para a competitividade.
Guapo reforça que o indicador foi criado para atender uma demanda histórica do setor. “O custo do combustível sempre foi um dos principais desafios do transporte. Com o IPC.MLog, buscamos apoiar todo o ecossistema logístico com dados em tempo real, contribuindo para decisões mais estratégicas”, destacou.
O indicador já está disponível no Painel do Transporte, no site da Mundo Logística, e pode ser acessado por profissionais que buscam maior controle e inteligência na gestão de custos com combustível.
por Setceb | abr 2, 2026 | Uncategorized
A combinação entre juros elevados, tensões geopolíticas e distorções no transporte rodoviário tem reduzido significativamente a capacidade de investimento do agronegócio brasileiro. O cenário já impacta diretamente a demanda por caminhões e contribui para o envelhecimento da frota no país.
Segundo Lucas Costa Beber, presidente da Aprosoja Mato Grosso, o custo financeiro tem consumido grande parte da rentabilidade do produtor. “O que seria lucro hoje está sendo direcionado para o pagamento de juros”, afirmou. Com isso, decisões de investimento, como a aquisição de veículos ou ampliação da estrutura, acabam sendo adiadas.
Em um país altamente dependente do transporte rodoviário, a pressão aumenta em períodos de safra. A combinação entre produção elevada, déficit de armazenagem e baixa oferta ferroviária intensifica a demanda por caminhões, especialmente nos picos de colheita. Ainda assim, o acesso ao crédito limitado impede que produtores invistam na compra de veículos próprios.
Esse cenário contribui para o envelhecimento da frota. De acordo com o setor, desde 2023 os investimentos vêm sendo reduzidos, ampliando uma defasagem que já era considerada preocupante.
Outro fator que pesa sobre os custos é a política de piso mínimo do frete. Na avaliação da Aprosoja, a medida, criada em 2018, não acompanhou as mudanças do mercado e passou a gerar distorções. O modelo atual encarece o transporte, limita a negociação e reduz ainda mais as margens do produtor rural.
A situação é agravada por gargalos históricos, como a falta de armazenagem. Em estados como Mato Grosso, a capacidade disponível não atende nem metade da produção, o que obriga o escoamento concentrado no pico da safra e eleva ainda mais o custo do frete.
Além disso, mudanças na dinâmica do frete de retorno também impactam os custos. Operações que antes ajudavam a equilibrar o transporte de insumos perderam eficiência, contribuindo para o aumento geral das despesas logísticas.
No cenário internacional, as tensões geopolíticas adicionam novas pressões. A instabilidade no Oriente Médio afeta diretamente o fornecimento de fertilizantes, já que grande parte dos insumos utilizados no Brasil passa por regiões estratégicas como o Estreito de Ormuz. Ao mesmo tempo, conflitos globais também influenciam o preço do petróleo, elevando o custo do diesel.
O combustível, que já representa uma parcela significativa dos custos operacionais, impacta toda a cadeia, desde a produção no campo até o transporte da safra. Esse aumento pressiona ainda mais a rentabilidade do produtor.
Mesmo com programas de incentivo, o crédito continua sendo um entrave. Relatos do setor indicam dificuldade no acesso aos recursos, o que faz com que a prioridade seja o custeio da safra. Investimentos estruturais, como renovação de frota e expansão da armazenagem, ficam em segundo plano.
A redução da rentabilidade reforça esse movimento. Em alguns casos, produtores chegaram a registrar prejuízos recentes, enquanto a margem atual é considerada baixa. Diante disso, a estratégia predominante tem sido cortar custos e adiar decisões.
Apesar da expectativa de safra recorde, o cenário atual rompe uma lógica histórica: produção elevada já não garante aumento de investimentos. A tecnificação ajudou a manter a produtividade, mas não tem sido suficiente para sustentar novas aplicações de capital.
Outro ponto de atenção é a dependência externa no setor de energia. O Brasil ainda importa parte relevante do diesel consumido, o que aumenta a exposição à volatilidade internacional e impacta diretamente os custos logísticos.
Diante desse conjunto de fatores, o setor enfrenta um ciclo mais longo de pressão. A combinação entre custos elevados, limitações estruturais e crédito restrito tende a afetar não apenas o agronegócio, mas toda a economia, refletindo no preço dos alimentos e no custo do transporte.
por Setceb | abr 2, 2026 | Uncategorized
O setor de transporte brasileiro projeta um crescimento de aproximadamente 10% na movimentação de cargas durante o período da Páscoa, impulsionado pelo aumento na demanda por produtos típicos da data, como chocolates, alimentos e itens sazonais.
A expectativa reflete o aquecimento do consumo e exige maior organização logística para garantir que os produtos cheguem ao destino dentro dos prazos, especialmente em um cenário de alta pressão operacional.
Segundo representantes do setor, o transporte não atua apenas como suporte à demanda do varejo, mas como peça fundamental para o funcionamento eficiente de toda a cadeia produtiva. A intensificação das operações neste período exige planejamento, coordenação e capacidade de resposta rápida por parte das transportadoras.
Com o aumento no volume de mercadorias, empresas têm reforçado suas estratégias logísticas para evitar atrasos e gargalos, principalmente em rotas de maior circulação. A necessidade de eficiência se torna ainda mais evidente diante de um cenário que combina crescimento da demanda com desafios estruturais já conhecidos do setor.
Além disso, a operação durante datas sazonais como a Páscoa demanda maior controle sobre prazos, distribuição e disponibilidade de frota, garantindo que o abastecimento ocorra de forma contínua e segura.
O setor destaca que, mais do que atender ao aumento pontual nas vendas, o objetivo é assegurar que toda a cadeia funcione com equilíbrio e previsibilidade, mesmo em momentos de maior pressão operacional.
A projeção positiva para o período reforça o papel estratégico do transporte rodoviário de cargas na economia brasileira, especialmente em datas comemorativas que movimentam o consumo e exigem alto desempenho logístico.