NOVO MODELO DE PONTUAÇÃO DA CNH EXIGE ATENÇÃO REDOBRADA DE MOTORISTAS E IMPACTA OPERAÇÕES LOGÍSTICAS

A mudança no sistema de pontuação da Carteira Nacional de Habilitação segue impactando diretamente a rotina dos condutores em 2026, especialmente aqueles que atuam profissionalmente no transporte rodoviário. Desde a atualização implementada em 2021, o limite de pontos para suspensão deixou de ser fixo e passou a variar conforme o histórico de infrações gravíssimas registradas nos últimos 12 meses.

Com isso, o teto pode chegar a 40 pontos, mas também pode ser reduzido para 30 ou até 20 pontos, dependendo da conduta do motorista. Esse modelo exige maior controle por parte dos profissionais e das empresas, já que a perda da habilitação pode comprometer diretamente a continuidade das operações.

Limite variável impacta motoristas e empresas

O sistema atual considera exclusivamente a quantidade de infrações gravíssimas no período de um ano. Na prática, três cenários são aplicados.

Motoristas que não registram infrações gravíssimas podem atingir até 40 pontos antes da suspensão. Já aqueles que cometem uma infração desse tipo passam a ter limite de 30 pontos. Quando há duas ou mais infrações gravíssimas, o teto cai para 20 pontos.

Essa redução progressiva impacta diretamente empresas que dependem de motoristas ativos, podendo gerar ajustes em escalas, atrasos nas entregas e necessidade de reorganização operacional.

Exceção para motoristas profissionais com EAR

Para condutores que possuem a observação Exerce Atividade Remunerada na habilitação, há uma regra diferenciada. Nesses casos, o limite permanece fixo em 40 pontos, independentemente da quantidade de infrações gravíssimas.

A medida busca preservar a atividade profissional de quem depende da direção para trabalhar, reduzindo o risco de afastamento imediato por acúmulo de pontos.

Infrações geram impacto financeiro e operacional

O sistema de pontuação continua dividido por categorias, cada uma com penalidades específicas:

Infrações leves: 3 pontos e multa de R$ 88,38
Infrações médias: 4 pontos e multa de R$ 130,16
Infrações graves: 5 pontos e multa de R$ 195,23
Infrações gravíssimas: 7 pontos e multa de R$ 293,47

Em alguns casos, infrações gravíssimas possuem fator multiplicador, podendo elevar o valor da multa para acima de R$ 2.900.

Para o setor de transporte e logística, isso representa aumento de custos e risco de afastamento de profissionais, o que impacta diretamente a produtividade e a eficiência das operações.

Infrações que suspendem a CNH de forma imediata

Além do acúmulo de pontos, existem infrações que resultam em suspensão direta da habilitação, independentemente da pontuação acumulada.

Entre elas estão dirigir sob efeito de álcool, recusar o teste do bafômetro, exceder em mais de 50% o limite de velocidade e participar de corridas ilegais.

Nessas situações, o motorista é imediatamente afastado, exigindo rápida reorganização das operações por parte das empresas.

Monitoramento digital ganha importância

O acompanhamento da pontuação pode ser feito por meio do aplicativo Carteira Digital de Trânsito, permitindo que motoristas e empresas monitorem a situação em tempo real.

Outro ponto importante é que os pontos têm validade individual de 12 meses a partir da data da infração, não sendo zerados automaticamente no início do ano.

Como empresas e motoristas podem se adaptar

Diante desse cenário, o modelo variável de pontuação passa a influenciar diretamente o planejamento operacional das empresas de transporte.

Para reduzir riscos e manter a eficiência logística, algumas práticas se tornam essenciais:

Investimento em treinamentos de direção defensiva
Monitoramento constante da pontuação dos motoristas
Uso de tecnologias de telemetria e controle de condução
Políticas internas de prevenção de infrações
Planejamento de contingência para substituição de condutores

Mais do que uma mudança regulatória, o novo sistema reforça a importância da gestão de comportamento no trânsito como fator estratégico para a sustentabilidade das operações no transporte rodoviário.

REFORMA TRIBUTÁRIA É TEMA DE EVENTO EXCLUSIVO PARA TRANSPORTADORAS EM SALVADOR

No próximo dia 9 de abril, a cidade de Salvador será palco de um encontro estratégico voltado ao setor de transporte rodoviário de cargas. Em um momento decisivo para a economia brasileira, o evento “Next Level – Edição Reforma Tributária” reunirá empresários e profissionais do segmento para discutir, na prática, como as mudanças no sistema tributário podem impactar diretamente a rentabilidade das transportadoras.

A Reforma Tributária, considerada uma das maiores mudanças no ambiente de negócios do país, já começa a gerar preocupações no setor de transporte, especialmente pelos possíveis impactos na carga tributária, na formação de preços e na competitividade das empresas; além disso, o período de transição exigirá adaptação operacional, revisão de estratégias e maior controle financeiro, tornando essencial que empresários compreendam rapidamente o novo cenário para evitar perdas e identificar oportunidades.

A programação terá como destaque a palestra de Rafael Brito, diretor-executivo da RumoBrasil. O evento foi estruturado para oferecer insights práticos, conteúdo exclusivo e estratégias aplicáveis, permitindo que empresários e gestores se antecipem às mudanças e se posicionem de forma mais competitiva no mercado.

Além do conteúdo técnico, os participantes também terão a oportunidade de ampliar conexões e fortalecer o networking durante um coffee break ao final da programação.

Serviço
Data: 09 de abril
⏰ Horário: 14h
Local: SEST/SENAT – Av. Manoel Dias da Silva, 1052 – Pituba – Salvador/BA
️ Entrada: 2 kg de alimentos não perecíveis

O evento tem a organização da Rumo Brasil com apoio das empresas TruckPag e Raster, com participação do SETCEB e da COMJOVEM Bahia.

FRETE DISPARA COM ESCOAMENTO DA SAFRA DE SOJA E PRESSIONA RENTABILIDADE NO CAMPO

O custo do transporte rodoviário registrou forte alta durante o escoamento da safra de soja em fevereiro, com aumentos médios entre 5% e 15% em diversas regiões do país e picos superiores a 50% em áreas produtoras. O movimento elevou a pressão sobre a rentabilidade dos produtores justamente no período de colheita.

De acordo com dados do Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento, o cenário foi impulsionado pela combinação de fatores como avanço das exportações, concentração da colheita e excesso de chuvas. Esse conjunto aumentou a demanda por caminhões e dificultou as operações de carga e descarga, gerando gargalos logísticos em diferentes rotas.

Centro-Oeste concentra maiores altas

Na região Centro-Oeste, principal polo da produção de soja, os reajustes foram mais intensos. Em Mato Grosso, os fretes tiveram elevação de até 19% no período. Já em Mato Grosso do Sul, algumas rotas registraram aumentos superiores a 30%.

Em Goiás, o impacto foi ainda mais expressivo, com altas acima de 50%, principalmente na primeira quinzena do mês. As chuvas reduziram o ritmo das operações, provocaram retenção de veículos e ampliaram a pressão sobre a oferta de transporte.

Impacto se espalha por outras regiões

O aumento dos fretes também foi observado em outras partes do país. No Distrito Federal, os preços subiram até 6%, influenciados tanto pela demanda quanto pelo custo do diesel e reajustes no piso mínimo do frete.

Na Bahia, a maior concentração de caminhões no Centro-Oeste reduziu a disponibilidade local, o que pressionou os valores em cerca de 10%.

Na região do Matopiba, o início do escoamento da safra também impactou a logística. No sul do Maranhão, os fretes apresentaram alta de aproximadamente 5% na comparação anual, enquanto no Piauí o aumento foi de cerca de 11% em relação a janeiro.

Sul e Sudeste apresentam comportamento irregular

Nas regiões Sul e Sudeste, o cenário foi mais heterogêneo. Em Minas Gerais, houve elevação dos fretes acompanhando o aumento das exportações. Já no Paraná, os preços oscilaram conforme a demanda regional e a disponibilidade de cargas de retorno.

Em São Paulo, os valores permaneceram mais estáveis, com leve tendência de queda em algumas rotas, refletindo maior equilíbrio entre oferta e demanda.

Corredores logísticos seguem pressionados

O escoamento da safra continua concentrado nos principais corredores logísticos do país. O Arco Norte respondeu por 38,4% das exportações de soja e 40,8% do milho no início do ano. Já o Porto de Santos concentrou 36,8% dos embarques de soja e 33,5% do milho, mantendo o protagonismo das rotas do Sudeste.

Pressão deve continuar no curto prazo

A tendência é que o cenário de fretes elevados se mantenha no curto prazo. Com o avanço da colheita e a expectativa de safra robusta, a demanda por transporte deve permanecer aquecida, especialmente entre março e abril, período de maior intensidade no escoamento.

Além disso, fatores externos seguem influenciando o setor, como oscilações cambiais, preços do petróleo e o ambiente geopolítico, que impactam diretamente o custo do diesel e, consequentemente, o valor do frete.

Impacto direto no produtor

Para o produtor rural, o efeito é imediato. Em anos de safra cheia, o principal gargalo deixa de ser a produção e passa a ser a logística. O aumento dos custos de transporte reduz margens e pode comprometer parte dos ganhos obtidos com o maior volume colhido.

Diante desse cenário, o planejamento logístico e a contratação antecipada de frete se tornam estratégias fundamentais para reduzir riscos e preservar a rentabilidade no campo.

INDÚSTRIA DE IMPLEMENTOS RODOVIÁRIOS RECUA NO INÍCIO DE 2026, MAS MOSTRA SINAIS DE RECUPERAÇÃO EM MARÇO

A indústria de implementos rodoviários iniciou 2026 em ritmo mais moderado, mas apresentou sinais consistentes de recuperação ao longo de março. Dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários indicam que o setor registrou queda de 13,68% no primeiro trimestre, com 30.841 unidades vendidas, frente às 35.728 no mesmo período de 2025.

Apesar do recuo no acumulado do ano, o desempenho de março trouxe um indicativo positivo. Foram emplacadas 12.211 unidades no mês, crescimento de 23,7% em relação a fevereiro. Na comparação com março do ano passado, quando foram registradas 11.966 unidades, o avanço foi de aproximadamente 2%, puxado principalmente pelo segmento pesado e pela demanda do agronegócio.

De acordo com o presidente da entidade, José Carlos Spricigo, o resultado mais fraco no início do ano está diretamente ligado à base elevada de comparação. Isso porque o primeiro trimestre de 2025 ainda refletia os impactos das vendas realizadas durante a Fenatran. A expectativa é que, a partir do segundo trimestre, o mercado apresente um comportamento mais alinhado à realidade atual.

Queda atinge segmentos leve e pesado

Na análise por segmento, tanto a linha pesada quanto a leve registraram retração no acumulado do trimestre. O segmento de reboques e semirreboques somou 15.732 unidades, queda de 14,61% em relação ao ano anterior. Já as carrocerias sobre chassis atingiram 15.109 unidades, recuo de 12,69% na mesma base de comparação.

Mesmo assim, ambos os segmentos demonstraram reação ao longo de março, acompanhando a retomada da atividade econômica, especialmente impulsionada pelo escoamento da safra agrícola.

Agro e carga seca lideram demanda

O ranking dos implementos mais vendidos no período reforça a força do agronegócio na sustentação do setor. Os semirreboques graneleiros lideraram as vendas, refletindo o avanço da safra, seguidos pelos baús de carga seca sobre chassi e pelos semirreboques baú, que mantêm demanda constante na distribuição e logística geral.

Também aparecem entre os destaques as carrocerias abertas, semirreboques tanque, porta-contêineres, basculantes e implementos frigorificados, evidenciando a diversidade de aplicações no transporte rodoviário.

Juros altos e sazonalidade influenciam mercado

O desempenho do setor no início do ano é resultado de uma combinação de fatores. Além da base de comparação elevada, o ambiente de juros ainda altos continua limitando a renovação de frota. Por outro lado, a demanda sazonal do agronegócio tem sustentado a atividade no curto prazo.

Programas de incentivo, como o Move Brasil, também contribuem para manter o nível de vendas, ainda que o cenário macroeconômico imponha cautela por parte dos investidores.

Expectativa é de recuperação gradual

A Anfir projeta que o segundo trimestre trará uma leitura mais precisa do desempenho do mercado em 2026, já sem a influência direta da Fenatran nos números comparativos.

Caso o ritmo de crescimento observado em março se mantenha, especialmente no segmento pesado, o setor poderá recuperar parte das perdas registradas no início do ano. Ainda assim, fatores como juros elevados e custo de crédito seguem como pontos de atenção para a evolução da demanda ao longo do ano.

Destaques de vendas no trimestre

Entre os reboques e semirreboques, os graneleiros e implementos de carga seca lideraram as vendas, seguidos por basculantes, baús e porta-contêineres — com forte concentração em operações ligadas ao agronegócio.

Já nas carrocerias sobre chassis, os baús de alumínio e frigorificados dominaram o ranking, impulsionados pela logística urbana e pela distribuição, consolidando-se como principais soluções para o transporte de cargas em centros urbanos.

NOVAS REGRAS DA ANTT SOBRE FRETE ACENDEM ALERTA NO TRANSPORTE E ENDURECEM PENALIDADES

A Agência Nacional de Transportes Terrestres colocou em vigor novas diretrizes relacionadas ao piso mínimo de frete, gerando preocupação no setor de transporte rodoviário de cargas. Regulamentadas pelas resoluções 6.077 e 6.078, as mudanças ampliam a fiscalização, aumentam o rigor das penalidades e estabelecem novas obrigações para transportadoras, embarcadores e plataformas digitais.

Na prática, o descumprimento recorrente da tabela de frete pode resultar em sanções severas, que vão desde multas elevadas até a suspensão — ou até o cancelamento — do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas, impedindo a empresa de operar por até dois anos.

Durante uma live promovida pelo Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região, especialistas jurídicos detalharam o novo modelo de penalização e reforçaram a necessidade de atenção por parte das empresas.

A advogada Caroline Duarte explicou que a fiscalização passa a ser mais automatizada, com base em dados como o Código Identificador da Operação de Transporte e o MDF-e. Segundo ela, ao identificar frete abaixo do piso mínimo, a primeira penalidade será uma multa equivalente ao dobro da diferença entre o valor pago e o valor mínimo estabelecido.

As multas podem variar entre R$ 550 e R$ 10,5 mil por infração. No entanto, o principal ponto de atenção é a reincidência. Caso uma transportadora acumule 13 infrações em um período de seis meses, poderá sofrer suspensão cautelar do RNTRC por até 30 dias.

Se houver nova infração dentro de 12 meses após essa penalidade, a empresa pode ser novamente suspensa, desta vez de forma punitiva, por até 45 dias. Em situações mais graves, o registro pode ser cancelado por até dois anos. “O foco está na repetição das irregularidades, que pode comprometer a continuidade da operação”, destacou a especialista.

Embarcadores e plataformas entram no radar

As mudanças também ampliam a responsabilização dos embarcadores, que passam a ser penalizados diretamente ao contratar fretes abaixo do piso mínimo.

Após três autuações que totalizem R$ 50 mil, a empresa é formalmente notificada. A partir disso, novas infrações passam a ter multas progressivas, podendo alcançar até R$ 10 milhões por ocorrência. Além disso, o embarcador pode ser suspenso do direito de contratar transporte rodoviário por até 30 dias.

Outro ponto relevante é a possibilidade de responsabilização pessoal dos sócios em casos de fraude, abuso ou confusão patrimonial.

As plataformas digitais de frete também passam a ser alvo de fiscalização. A publicação de ofertas com valores abaixo do mínimo pode gerar multa inicial de R$ 4.975. Caso a irregularidade não seja corrigida em até 48 horas após notificação, a penalidade pode chegar a R$ 1 milhão em caso de reincidência.

CIOT passa a ser obrigatório em todas as operações

Uma das principais mudanças está na obrigatoriedade do CIOT para todas as operações de transporte rodoviário de cargas a partir de 24 de maio de 2026.

Antes exigido apenas em situações específicas, o código passa a ser universal, incluindo operações realizadas com frota própria. Segundo o assessor jurídico Adauto Bentivegna Filho, a medida tem como objetivo ampliar a visibilidade das operações e garantir o cumprimento do piso mínimo.

Além disso, o sistema funcionará como uma barreira operacional: não será possível emitir o CIOT para fretes abaixo do valor mínimo, o que, na prática, impede a realização desse tipo de transporte irregular.

Setor precisa se adaptar ao novo cenário

Apesar de as regras terem sido estabelecidas por medida provisória e ainda dependerem de validação definitiva pelo Congresso, elas já possuem força de lei.

Diante desse cenário, especialistas recomendam que empresas reforcem seus controles internos, revisem contratos e aprimorem processos operacionais para evitar autuações.

A expectativa é de intensificação da fiscalização nos próximos meses, com impactos diretos sobre custos, compliance e gestão de risco no transporte rodoviário de cargas.