ANTT PUBLICA REAJUSTE EXTRAORDINÁRIO NOS PISOS MÍNIMOS DE FRETE

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicou, em 20 de março de 2026, a Portaria SUROC nº 04, que estabelece um reajuste extraordinário nos coeficientes dos pisos mínimos de frete. A medida foi motivada pelo acionamento do chamado “gatilho do diesel”, mecanismo previsto na Lei nº 13.703/2018, que determina a atualização da tabela sempre que houver variação igual ou superior a 5% no preço do combustível.

De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio do diesel S10 passou de R$ 6,89 para R$ 7,35 por litro entre os dias 15 e 21 de março de 2026, representando um aumento de R$ 0,46 no período. Essa elevação foi suficiente para acionar automaticamente a revisão dos valores do frete em todo o país.

Com a atualização, o coeficiente de deslocamento (CCD) teve reajuste, passando de R$ 6,368 por quilômetro para R$ 6,585 por quilômetro, considerando a média geral das tabelas. Já o coeficiente de carga e descarga (CC) permaneceu inalterado, mantendo o valor fixo de R$ 478,76.

A análise dos dados mostra que a maior variação média ocorreu na Tabela D, que contempla operações de alto desempenho com contratação apenas da unidade de tração, registrando aumento de 3,80%. No consolidado geral, o impacto médio do reajuste para o setor de transporte rodoviário de cargas ficou em 3,25%.

Quando analisadas as categorias de carga de forma isolada, o transporte de cargas frigorificadas ou aquecidas apresentou o maior impacto, com variação de até 4,19%, também dentro da Tabela D. Esse comportamento reflete a maior sensibilidade dessas operações aos custos operacionais, especialmente ao consumo de combustível.

Por outro lado, as operações de carga a granel pressurizada, enquadradas na Tabela A, tiveram o menor reajuste entre as categorias analisadas, com variação média de 1,25%, indicando menor impacto relativo frente às demais modalidades.

A nova tabela entrou em vigor imediatamente após sua publicação e deve ser aplicada em todo o território nacional. Para transportadores e empresas que seguem rigorosamente a política de piso mínimo, os novos valores já podem ser utilizados como base para cálculo do frete, inclusive por meio de ferramentas digitais específicas disponíveis no mercado.

PRESSÃO SOBRE O TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS POR ALTA DO DIESEL

A combinação de atrasos na entrega, limitação no abastecimento em postos e alta no preço do diesel já começa a pressionar o transporte rodoviário de cargas no Brasil. O cenário é resultado de uma oferta mais restrita, demanda aquecida e impactos do mercado internacional, gerando relatos de falta pontual, racionamento para grandes consumidores e dificuldades operacionais — embora ainda não haja desabastecimento generalizado no país.

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam que o preço médio do diesel S-10 atingiu R$ 7,35 na semana de 15 a 21 de março, acumulando alta de 19,5% desde o fim de fevereiro. Apenas na última semana, o aumento foi de 6,68%, refletindo a forte valorização do petróleo no mercado internacional.

Esse movimento está diretamente ligado ao agravamento dos conflitos no Oriente Médio, que elevaram o preço do barril e encareceram o diesel importado — responsável por cerca de 30% do consumo nacional. Com o combustível chegando ao Brasil até R$ 2,50 mais caro do que o praticado internamente pela Petrobras, importadores reduziram as compras, o que contribuiu para a diminuição da oferta no mercado interno.

Nos primeiros dias de março, o volume de diesel importado caiu cerca de 60% na comparação anual, segundo a ANP, reduzindo significativamente a disponibilidade do produto. Ao mesmo tempo, a demanda segue elevada, impulsionada principalmente pela colheita da safra de soja, o que aumenta o consumo no transporte rodoviário e intensifica o desequilíbrio entre oferta e demanda.

Diante desse cenário, técnicos da ANP classificam o momento como de risco para o abastecimento nacional, especialmente caso a retração nas importações continue nas próximas semanas. A avaliação é de que, embora ainda não haja uma crise instalada, o mercado já opera sob pressão e com menor margem de segurança na distribuição do combustível.

ANTT ATUALIZA TABELA DO PISO MÍNIMO DO FRETE DIANTE DA PRESSÃO DO DIESEL

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) voltou a atualizar a tabela do piso mínimo do frete rodoviário poucos dias após a última revisão, evidenciando a forte pressão exercida pelo diesel sobre o setor. A nova atualização foi publicada na sexta-feira (20) e ocorre na sequência de um reajuste recente, refletindo a rápida variação no preço do combustível e a necessidade de manter os valores do frete alinhados aos custos operacionais.

O curto intervalo entre as revisões está previsto na legislação, que determina a atualização sempre que o preço do diesel varia 5% ou mais. Esse mecanismo, conhecido como “gatilho do diesel”, foi criado para evitar defasagens e garantir que o piso mínimo acompanhe o principal custo da atividade, protegendo transportadores de oscilações bruscas no mercado.

Com a nova alta do combustível, o gatilho foi novamente acionado, exigindo a recalibração dos coeficientes do frete. Segundo a ANTT, o objetivo da atualização é ajustar os valores à realidade do setor e corrigir distorções acumuladas, considerando variáveis como tipo de carga, número de eixos e modelo de operação.

A tabela estabelece valores mínimos obrigatórios para diferentes categorias, como carga geral, granel e frigorificada, impactando diretamente a remuneração dos caminhoneiros, o planejamento das transportadoras e os custos logísticos das empresas contratantes.

A atualização ocorre em paralelo à implementação da Medida Provisória nº 1.343/2026, que altera de forma estrutural o modelo de fiscalização do transporte rodoviário de cargas. Entre as principais mudanças está a obrigatoriedade do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), que passa a funcionar como ferramenta de controle prévio das operações.

Com essa nova lógica, fretes contratados abaixo do piso mínimo deixam de ser realizados, já que o sistema bloqueia automaticamente operações irregulares ainda na fase de contratação, deslocando o foco da fiscalização para antes da execução do serviço.

Trégua no setor após risco de paralisação

As medidas foram adotadas em um contexto recente de tensão no setor, marcado pelo risco de uma nova paralisação de caminhoneiros diante da alta do diesel e do descumprimento recorrente da tabela de frete. A edição da medida provisória e o endurecimento das regras contribuíram para uma trégua momentânea, com lideranças recuando de movimentos de paralisação.

Nesse cenário, a atualização da tabela vai além de um ajuste técnico e passa a integrar uma estratégia mais ampla do governo, baseada em dois pilares principais: a correção rápida dos valores do frete por meio do gatilho do diesel e a garantia de cumprimento das regras por meio de fiscalização digital.

A avaliação do mercado é que essas ações fazem parte de um esforço para dar efetividade à política de pisos mínimos, criada após a greve de 2018, além de reduzir distorções concorrenciais entre empresas que operam dentro e fora da legalidade.

Cenário ainda instável e sujeito a novas revisões

Apesar do alívio momentâneo, o setor segue sob pressão. A volatilidade no preço do diesel pode continuar acionando o gatilho em curtos intervalos, o que pode levar a novas atualizações da tabela ao longo de 2026.

Ao mesmo tempo, o sucesso das medidas dependerá da capacidade de implementação do novo modelo de fiscalização e do cumprimento efetivo das regras na ponta, fatores que ainda geram cautela entre transportadores e empresas do setor.

Diante desse contexto, a sequência de reajustes no frete deixa claro que o transporte rodoviário de cargas continua enfrentando um ambiente desafiador, em que a estabilidade ainda depende da evolução dos custos e da eficácia das medidas regulatórias adotadas.

TECNOLOGIA DE HIDROGÊNIO EMBARCADO GANHA ESPAÇO PARA REDUZIR CONSUMO DE DIESEL

Uma solução baseada na geração de hidrogênio embarcado começa a ganhar espaço no mercado brasileiro como alternativa para reduzir o consumo de diesel em veículos pesados. Desenvolvido pela Economexim, o sistema pode ser instalado em caminhões, ônibus, vans e máquinas agrícolas, com o objetivo de aumentar a eficiência da combustão e reduzir os custos operacionais.

De acordo com a empresa, a tecnologia funciona por meio da geração de hidrogênio, que é injetado diretamente no sistema de combustão do motor a diesel. Esse processo promove uma queima mais eficiente do combustível, o que pode resultar em economia entre 25% e 40%, dependendo do tipo de veículo e das condições de operação.

Além da redução no consumo, o sistema também está associado a melhorias no desempenho do motor e na manutenção dos equipamentos. Entre os benefícios apontados estão maior eficiência na performance, redução do desgaste de componentes, menor necessidade de intervenções mecânicas e até a limpeza interna do sistema de combustão.

A aplicação da tecnologia tem se concentrado principalmente em operações com alto consumo de combustível, como o transporte rodoviário de cargas, o transporte coletivo e atividades do agronegócio. Nesses segmentos, o diesel representa uma parcela significativa dos custos, o que amplia o potencial de impacto de soluções voltadas à eficiência energética.

Segundo a Economexim, os equipamentos já acumulam mais de 3 milhões de quilômetros rodados em testes e aplicações práticas, com uma média de economia próxima a 37%. A empresa também informa que o sistema está disponível em diferentes configurações, adaptadas a variados perfis de veículos e operações.

PRESSÃO SOBRE O DIESEL AFETA TRANSPORTE RODOVIÁRIO NO BRASIL

A combinação de oferta mais restrita, demanda aquecida e pressões do mercado internacional já começa a afetar o abastecimento de diesel no Brasil. Relatos de falta pontual em postos, atrasos nas entregas e até racionamento para grandes consumidores indicam um cenário de tensão no transporte rodoviário, embora ainda não haja desabastecimento generalizado no país.

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) apontam que o preço médio do diesel S-10 chegou a R$ 7,35 na semana de 15 a 21 de março, acumulando alta de 19,5% desde o fim de fevereiro. Apenas na última semana, o avanço foi de 6,68%, refletindo diretamente a escalada das cotações do petróleo no mercado internacional.

O movimento está ligado ao agravamento dos conflitos no Oriente Médio, que elevou o preço do barril e encareceu o diesel importado — responsável por cerca de 30% do consumo nacional. Com o combustível chegando ao Brasil até R$ 2,50 mais caro do que o praticado internamente pela Petrobras, importadores reduziram as compras, pressionando ainda mais a oferta disponível.

Nos primeiros dias de março, o volume importado caiu cerca de 60% na comparação anual, segundo a ANP, reduzindo significativamente a disponibilidade do produto. Ao mesmo tempo, a demanda segue elevada, impulsionada principalmente pelo escoamento da safra de soja, o que aumenta o consumo no transporte rodoviário de cargas e intensifica o desequilíbrio entre oferta e demanda.

Diante desse cenário, técnicos da ANP classificam o momento como de risco para o abastecimento nacional, especialmente se a retração nas importações continuar nas próximas semanas.

Gargalos na distribuição já aparecem nas estradas

Na prática, os primeiros sinais de restrição já são percebidos nas bombas. Caminhoneiros relatam episódios de falta temporária de diesel e necessidade de aguardar reposição para conseguir seguir viagem, o que evidencia dificuldades na logística de distribuição.

Os relatos indicam que o país enfrenta, neste momento, mais um problema de descompasso logístico do que uma ruptura total no abastecimento, com atrasos nas entregas e, em alguns casos, limitação no volume comercializado.

Segundo fontes do setor, a situação ainda é descentralizada, mas já atinge diferentes regiões do país, incluindo estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Há registros de atrasos em bases de distribuição e dificuldades de fornecimento em estados como São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Mato Grosso.

A restrição também tem impacto desigual entre os agentes do mercado. Empresas com contratos diretos com grandes distribuidoras continuam sendo atendidas com mais regularidade, enquanto transportadores que dependem de fornecedores intermediários enfrentam maior dificuldade para garantir o abastecimento.

Além disso, já há sinais de mudança de comportamento no mercado, com postos limitando o volume abastecido por veículo e agentes retendo produto diante da expectativa de novos aumentos de preços. Em algumas regiões, o diesel já ultrapassa R$ 8 por litro, ampliando a pressão sobre os custos operacionais.

O impacto financeiro é significativo, especialmente para transportadores autônomos e pequenas empresas. Viagens que consomem grandes volumes de combustível passaram a ter custos muito mais elevados, sem repasse proporcional no valor do frete, comprimindo as margens do setor.

Mercado reage, mas cenário ainda inspira atenção

Apesar das dificuldades, entidades do setor ainda classificam o cenário como controlado, com o abastecimento funcionando, embora com restrições pontuais. No entanto, há registros mais concretos de escassez em algumas regiões, como no Rio Grande do Sul, onde municípios já enfrentam falta de diesel e priorizam serviços essenciais.

Outras regiões também apresentam sinais de restrição, como o Rio de Janeiro, especialmente na Região dos Lagos, e o litoral de São Paulo, onde alguns postos passaram a limitar o abastecimento como forma de gerenciar estoques diante da incerteza na reposição.

Diante da pressão sobre a oferta, distribuidoras têm buscado alternativas para garantir o abastecimento. A Vibra Energia, por exemplo, ampliou o volume de importação de diesel para abril e afirma que não haverá falta do combustível em sua rede de postos com bandeira Petrobras.

Segundo a companhia, embora os estoques estejam mais baixos, eles vêm sendo recompostos por meio de compras no exterior, mesmo com custos mais elevados. Esse movimento ocorre após alertas do próprio setor ao governo e à ANP sobre os riscos ao abastecimento nacional.

Os efeitos da situação já começam a se espalhar pela economia, com impacto direto sobre o transporte de cargas e atividades que dependem intensamente do combustível. Entidades como Fecombustíveis, Abicom e Sindicom alertam para o risco de agravamento caso a redução das importações persista.

O governo federal anunciou medidas emergenciais, como concessão de crédito extraordinário e redução de tributos federais, além de discutir alternativas envolvendo o ICMS com os estados. Ainda assim, agentes do mercado avaliam que as ações podem não ser suficientes diante da velocidade das mudanças no cenário internacional.

A Petrobras informou que mantém suas refinarias operando em capacidade máxima e que está ajustando a logística para ampliar a oferta. Mesmo assim, com o mercado global ainda instável, o Brasil segue exposto a oscilações de preços e riscos na cadeia de suprimento.

Por enquanto, o país não enfrenta um desabastecimento generalizado, mas já convive com um mercado mais apertado, marcado por alta de preços, atrasos na distribuição e episódios pontuais de falta de diesel em diferentes regiões.