por Setceb | out 9, 2026 | Uncategorized
O Brasil registrou em setembro o menor nível já observado no Logistics Growth Index, indicador elaborado pelo World Research Institute (WRI) para medir a atividade logística em 42 economias. O índice brasileiro caiu de 50,5 pontos em agosto para 49,5 pontos em setembro, ficando abaixo da linha de 50 pontos que separa expansão de contração.
O resultado foi divulgado em 7 de outubro, dentro do calendário mensal do indicador, que é ponderado pelo Produto Interno Bruto de cada país e também aponta valores por região e para o conjunto da economia mundial. A próxima leitura está prevista para 7 de novembro.
A queda de 0,9 ponto no Brasil foi a mais acentuada entre todas as 42 economias acompanhadas pelo WRI no mês. O país ficou em 32º lugar no ranking global e em último lugar entre os cinco países das Américas incluídos no levantamento, cujo índice regional somou 52,6 pontos, acima da média mundial de 51,6 pontos.
Segundo o WRI, a piora reflete a redução do volume de negócios e o enfraquecimento da confiança empresarial, somados à perda de força da produção industrial, com empresas reduzindo investimentos em um cenário de juros elevados e incertezas ligadas ao período eleitoral.
O economista-chefe do WRI, Stephen Poh, afirmou que "os portos brasileiros permaneceram movimentados em setembro, mas o indicador de logística entrou em contração" — referência ao fato de que os terminais portuários tiveram volume recorde de cargas no mês, o que não foi suficiente para compensar a perda de ritmo em outros elos da cadeia logística nacional.
A leitura geral do indicador sugere menor demanda por movimentação de cargas no período, na esteira da desaceleração da produção de bens observada no país, embora o resultado não detalhe o desempenho por modal de transporte.
Nos meses anteriores, o índice brasileiro vinha oscilando perto da estabilidade, com o resultado de agosto pouco acima da linha de 50 pontos — o que reforça a leitura de que setembro marcou uma inflexão negativa mais clara na atividade logística do país.
Para o setor de transporte de cargas na Bahia, a notícia reforça um cenário de cautela para o curto prazo: menos atividade industrial tende a significar menos volume de carga disponível para transportar, mesmo com os portos do país operando em ritmo elevado. Transportadoras baianas que dependem de cargas industriais podem sentir com mais força essa desaceleração nos próximos meses, enquanto o segmento agrícola, puxado pela safra recorde esperada para o fim do ano, deve seguir como contrapeso importante para a demanda de frete no estado.
Fonte: Transporte Moderno
por Setceb | out 9, 2026 | Uncategorized
O resultado das eleições para o Congresso Nacional trouxe renovação parcial entre os parlamentares que atuam diretamente com pautas de infraestrutura de transporte, com a saída de nomes que relatavam projetos estratégicos para o setor e a permanência de outros ligados a temas como piso mínimo do frete, concessões rodoviárias e regulação da ANTT.
O levantamento foi divulgado em blog especializado em infraestrutura, que mapeou os deputados e senadores reeleitos e os que deixarão o Congresso a partir do próximo ano, com base no resultado das urnas.
Entre os reeleitos na Câmara dos Deputados estão Cláudio Cajado (PP-BA), ex-presidente da Comissão de Viação e Transportes (CVT), colegiado que trata de concessões rodoviárias e ferroviárias, portos, aeroportos e temas correlatos; e Zé Trovão (PL-SC), que atuou na política de piso mínimo de frete para o transporte rodoviário de cargas e liderou negociações em torno da Medida Provisória do Frete, pauta que afeta diretamente caminhoneiros, transportadoras e produtores.
Também foram reeleitos Paulo Alexandre Barbosa (PSD-SP), vice-presidente da CVT e presidente da Frente Parlamentar de Portos e Aeroportos, que acompanha de perto o projeto do Tecon Santos 10, capaz de ampliar em cerca de 50% a capacidade de contêineres do Porto de Santos; e Hugo Leal (PSD-RJ), que participou de debates da CVT sobre infraestrutura e logística e é citado como um dos autores da atual lei das debêntures de infraestrutura.
Do lado das saídas, dois nomes se destacam: Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), que não concorreu à reeleição após nove mandatos e foi relator do projeto de reformulação do marco legal de concessões e PPPs — proposta hoje parada no Congresso, que ele afirmou que deve voltar a tramitar no Senado após as eleições —, e Arthur Maia (União-BA), não reeleito, que relatava o novo marco legal dos portos, também travado desde meados do ano por falta de acordo entre trabalhadores portuários e empresas privadas.
No Senado, a renovação foi ainda mais expressiva: de 54 cadeiras em disputa, 32 senadores concorreram à reeleição e 18 não conseguiram se reeleger. Entre as baixas está Esperidião Amin (PP-SC), que atuava na Comissão de Infraestrutura (CI) em pautas de rodovias e concessões em Santa Catarina.
Permanecem no Senado até 2031 nomes como Wellington Fagundes (PL-MT), presidente da Frente Parlamentar de Logística e Infraestrutura (Frenlogi) e relator das indicações de três diretores da ANTT, e Tereza Cristina (PP-MS), que se dedica à logística da produção agrícola no Centro-Oeste e participou de discussões sobre política de frete — ambos nomes que devem seguir influenciando diretamente a agenda regulatória do transporte rodoviário de cargas no próximo mandato.
Para o setor de transporte de cargas na Bahia, a recomposição do Congresso importa de perto por dois motivos: a reeleição de Cláudio Cajado mantém um baiano em posição de influência sobre a pauta de concessões rodoviárias que inclui o próprio estado, enquanto a saída de Arthur Maia retira do debate um relator que acompanhava de perto o marco dos portos, com potencial impacto sobre projetos portuários baianos. Transportadoras e embarcadores do estado devem acompanhar como a nova composição da Câmara e do Senado recompõe as comissões de infraestrutura e retoma, ou não, propostas como o marco das concessões e dos portos a partir de 2027.
Fonte: CNN Brasil, blog de Jenifer Ribeiro
por Setceb | out 9, 2026 | Uncategorized
A Confederação Nacional do Transporte (CNT) questionou o Ministério dos Transportes sobre uma mudança na metodologia de cálculo das tarifas de pedágio cobradas de caminhões e ônibus nos projetos da sexta etapa do programa federal de concessões rodoviárias. A entidade pede que o governo apresente os estudos técnicos, econômicos e regulatórios que embasaram a alteração.
A reivindicação foi formalizada pela CNT junto ao ministério e reforça uma crítica que já havia sido apresentada em julho pela Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga (ANUT), entidade que representa embarcadores e transportadoras usuárias das rodovias concedidas.
O cerne da mudança está no multiplicador usado para calcular a Tarifa Básica de Pedágio (TBP) por eixo de veículos comerciais, que passa de duas para três vezes o valor cobrado de um automóvel de passeio. Na prática, isso eleva o valor pago por caminhões e ônibus nos pedágios dos trechos concedidos nessa nova etapa.
Segundo a CNT, o Ministério dos Transportes justificou a mudança afirmando que o novo multiplicador busca refletir de forma mais precisa o impacto que os veículos comerciais causam na infraestrutura das rodovias, já que cargas mais pesadas tendem a acelerar o desgaste do pavimento.
A ANUT, que já havia contestado a alteração em julho, estimou, com base em sete projetos de concessão analisados, um custo adicional de R$ 42 bilhões em pedágios ao longo da vigência dos contratos — valor que a entidade considera capaz de pressionar fretes, custos logísticos e, em última instância, os preços de produtos transportados por rodovia.
O presidente da CNT, Vander Costa, afirmou que "mudanças na política tarifária precisam considerar a realidade operacional do setor", defendendo que qualquer alteração nesse tipo de cálculo leve em conta os efeitos práticos sobre transportadoras e embarcadores que dependem das rodovias concedidas para movimentar cargas.
Até o momento, o pedido de explicações da CNT ao Ministério dos Transportes segue sem resposta pública, e não há prazo definido para a divulgação dos estudos solicitados nem indicação de que o multiplicador será revisto antes da assinatura dos contratos da sexta etapa das concessões.
A discussão tem relevância direta para a Bahia, que deve ganhar pelo menos um novo trecho concedido nos próximos leilões rodoviários federais, com a Rota 2 de Julho (BR-116/324/BA) entre os projetos cotados para a nova fase do programa. Caso o multiplicador de três vezes seja mantido, transportadoras baianas que operam ou vierem a operar em trechos pedagiados do estado podem enfrentar custo adicional relevante nas viagens, o que reforça a importância de o setor acompanhar de perto o desfecho da cobrança feita pela CNT ao governo federal.
Fonte: Agência iNFRA
por Setceb | out 8, 2026 | Uncategorized
Especialistas em tributação e logística orientaram transportadoras de cargas e caminhoneiros autônomos sobre os efeitos práticos da Reforma Tributária, durante painel no evento "Logística do Futuro", alertando que as mudanças no sistema de impostos sobre o consumo já exigem planejamento das empresas ainda em 2026.
Participaram do painel o diretor comercial da Roadcard, Everton Kaghofer, e o advogado tributarista Fernando Bittencourt, do escritório Law For Business. Segundo Bittencourt, a reforma substituirá o PIS e a Cofins pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) já em 2027, enquanto o ICMS e o ISS serão gradualmente substituídos pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) entre 2029 e 2033, período de transição de sete anos em que os dois sistemas tributários coexistirão, com a carga efetiva mudando ano a ano.
Um dos pontos de maior atenção, segundo os especialistas, é o chamado "split payment": o novo modelo prevê a retenção do tributo sobre o consumo no momento do pagamento, o que elimina, na prática, o intervalo de cerca de um mês que as transportadoras hoje usam como capital de giro entre a prestação do serviço e o recolhimento do imposto. Kaghofer destacou que essa mudança coincide com uma regra que já exige o pagamento do frete em até 30 dias úteis, em um mercado onde contratantes costumam esticar o prazo para 60, 90 ou até 120 dias.
A reforma também altera a lógica de formalização dos transportadores autônomos de cargas (TACs), responsáveis por cerca de 40% da subcontratação no setor, segundo Kaghofer. O crédito presumido de IBS/CBS na contratação de um TAC só será aplicado se o motorista tiver CNPJ, emitir documento fiscal e estar registrado no RNTRC (Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas); sem essa formalização, a cadeia de créditos se rompe, elevando o custo tributário para quem contrata.
Para as transportadoras optantes pelo Simples Nacional, a reforma impõe uma escolha entre manter o modelo atual, que repassa apenas créditos parciais aos clientes, ou migrar para o pagamento da CBS "por fora", repassando o crédito integral. Bittencourt alertou que essa decisão, válida a partir de 2027, precisa ser tomada já em setembro de 2026, e não em janeiro, como muitos empresários supõem, e vale especialmente para empresas com margens mais estreitas, faturamento próximo do teto de R$ 4,8 milhões do Simples, ou que atendem clientes que exigem fornecedores com pagamento de CBS em separado.
Entre as recomendações práticas, Bittencourt listou a atualização da contabilidade para as novas obrigações já em vigor, o cálculo do efeito da reforma na carga tributária efetiva da empresa ano a ano até 2033, a renegociação de contratos em vigor com clientes e fornecedores, o registro de créditos de PIS e Cofins acumulados até dezembro de 2026, que poderão compensar a CBS a partir de 2027, e a revisão de processos tributários em curso, que podem representar tanto créditos quanto riscos relevantes.
Kaghofer resumiu a reforma como a transformação mais profunda enfrentada pelo setor de transporte em décadas, defendendo que as transportadoras precisam profissionalizar a gestão administrativa e buscar parceiros qualificados para atravessar os próximos anos. Para as empresas baianas associadas ao SETCEB, o alerta é direto: o prazo para decisões tributárias importantes, como a opção de saída do Simples Nacional ou de pagamento separado da CBS, vence ainda este ano, antes mesmo de a reforma entrar oficialmente em vigor.
Fonte: Blog do Caminhoneiro
por Setceb | out 8, 2026 | Uncategorized
O Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex) publicou a Resolução Gecex nº 974, de 6 de outubro, incluindo um conjunto de baterias para ônibus elétricos na lista de autopeças sem produção nacional equivalente com Imposto de Importação zerado, além de alterar as regras para outros componentes eletrônicos usados também em caminhões pesados.
A resolução foi publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (7) e altera a lista de autopeças da Resolução Gecex nº 284, de 2021. O ato foi assinado por Márcio Fernando Elias Rosa, presidente do colegiado, após reunião realizada em 24 de setembro, e entra em vigor em 14 de outubro.
Embora o foco principal da norma seja um conjunto de baterias de 90 kWh destinado a ônibus elétricos, a resolução também altera a descrição de itens que atendem caminhões: um eixo traseiro elétrico de 13 toneladas de capacidade e 650 volts, com dois motores trifásicos, aplicável tanto a chassis de ônibus quanto a caminhões; um inversor para sistemas de 12 e 48 volts também usado em veículos de carga; câmeras, monitores e sistemas de monitoramento de pneus voltados a "veículos comerciais pesados"; e uma unidade de refrigeração para veículos pesados movidos a diesel.
Na prática, a inclusão desses itens na lista de importação com alíquota zero reduz o custo de aquisição de peças e sistemas que ainda não têm produção equivalente no Brasil, especialmente para empresas que operam ou pretendem operar veículos elétricos, híbridos ou equipados com tecnologia mais recente de monitoramento.
Para as transportadoras baianas, o efeito direto é mais restrito, já que a norma concentra o benefício principal em ônibus elétricos. Ainda assim, empresas que avaliam a aquisição de caminhões com eixos elétricos, sistemas de monitoramento de pneus ou unidades de refrigeração importadas podem se beneficiar da redução de custo desses componentes específicos, em um momento em que o crédito para renovação de frota segue mais caro por conta da Selic elevada.
Fonte: Diário do Transporte, com base na Resolução Gecex nº 974/2026 (Diário Oficial da União)