ESCASSEZ DE MOTORISTAS JÁ LIMITA CAPACIDADE DAS TRANSPORTADORAS E AMEAÇA EXPANSÃO DO SETOR

ESCASSEZ DE MOTORISTAS JÁ LIMITA CAPACIDADE DAS TRANSPORTADORAS E AMEAÇA EXPANSÃO DO SETOR

O transporte rodoviário de cargas enfrenta um gargalo que vai muito além da disponibilidade de caminhões: faltam profissionais para conduzir os veículos. Embora empresas tenham cargas para transportar e continuem investindo na ampliação de suas frotas, a dificuldade de contratação vem impedindo que parte dessa capacidade seja efetivamente colocada em operação.

Uma pesquisa da NTC&Logística mostra que 88% das transportadoras têm dificuldade para contratar motoristas e agregados. Entre as empresas que mantêm veículos parados, a média chega a oito caminhões sem operar por transportadora. O problema também aparece nos dados da CNT: 65,1% das empresas do transporte rodoviário de cargas relatam falta de motoristas profissionais.

O cenário se torna ainda mais preocupante quando observado pela perspectiva da oferta de mão de obra. Dados da Senatran analisados pelo Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS) apontam que o número de condutores habilitados nas categorias C e E caiu de aproximadamente 5,6 milhões em 2015 para 4,4 milhões em 2025, uma redução de 22%.

Ao mesmo tempo, a categoria está envelhecendo. Em 2023, a idade média desses profissionais era de 53,5 anos, enquanto 29% tinham mais de 60 anos. A dificuldade de atrair novos motoristas está relacionada a fatores como longos períodos longe da família, insegurança nas estradas, condições inadequadas de descanso, infraestrutura rodoviária deficiente e percepção de baixa remuneração.

O impacto chega diretamente à capacidade operacional das transportadoras. Comprar um caminhão deixou de ser suficiente para ampliar a oferta de transporte quando não existe profissional qualificado para conduzi-lo. Com isso, empresas podem ter ativos disponíveis, mas sem capacidade de transformá-los em faturamento.

A questão também ultrapassa as empresas. Cerca de 65% das mercadorias transportadas no país passam pelas rodovias, fazendo com que a disponibilidade de motoristas tenha relação direta com o abastecimento de supermercados, indústrias, hospitais e postos de combustíveis.

A experiência da greve dos caminhoneiros de 2018 mostrou a dimensão desse risco. A paralisação provocou impactos no abastecimento e na produção e teve prejuízo econômico estimado em R$ 15,9 bilhões.

Diante desse cenário, a escassez de motoristas deixa de ser apenas um problema de recursos humanos e passa a representar um gargalo estratégico para o crescimento do transporte rodoviário de cargas. Renovação de frota, tecnologia e aumento da demanda podem perder parte de seu efeito se o setor não conseguir formar, atrair e reter profissionais para colocar os caminhões na estrada.

Fonte: Brasil no Trecho

TRANSPORTADORAS INTENSIFICAM PROGRAMAS DE FORMAÇÃO INTERNA PARA ENFRENTAR ESCASSEZ DE MOTORISTAS CARRETEIROS

TRANSPORTADORAS INTENSIFICAM PROGRAMAS DE FORMAÇÃO INTERNA PARA ENFRENTAR ESCASSEZ DE MOTORISTAS CARRETEIROS

O setor de transporte rodoviário de cargas no Brasil vem ampliando programas internos de capacitação para tentar suprir a falta crônica de motoristas carreteiros, problema que levantamento da Secretaria Nacional de Trânsito, a Senatran, atribui à perda de aproximadamente 1,2 milhão de motoristas de caminhão na última década.

A informação foi divulgada por veículos especializados em transporte, que destacaram iniciativas de empresas como a West Cargo, que criou o programa Motorista Trainee Carreteiro para qualificar internamente condutores de veículos menores e prepará-los para a condução de composições de carga pesada.

Pelo programa da West Cargo, a empresa financia a mudança de categoria da CNH, de categoria C para E, e oferece treinamento com acompanhamento de instrutores, cursos especializados e avaliações práticas em parceria com a FABET, a Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte. A companhia também mantém um sistema de bonificação por telemetria que distribui cerca de R$ 180 mil por ano a motoristas com melhor desempenho em condução segura, economia de combustível e produtividade.

Dados de pesquisa do setor de comércio e logística, citados na mesma cobertura, mostram que 79% dos empregadores do segmento relataram dificuldade para encontrar mão de obra qualificada em 2026, percentual próximo aos 80% registrados no mercado brasileiro como um todo. Ainda assim, operadores como Maersk, Rodonaves, Santos Brasil e DHL contrataram mais de 26 mil profissionais em 2025, com 61,1% das empresas pesquisadas aumentando o ritmo de contratação frente a períodos anteriores.

Programas de formação de base também têm ganhado força: a iniciativa Formare, mantida pela Fundação Iochpe em parceria com companhias como Rodonaves, Santos Brasil e Maersk, qualificou 177 jovens em 2025 em seis empresas do setor, com taxa geral de empregabilidade de 89% entre os concluintes. Executivos ouvidos pela reportagem descrevem a formação de motoristas e operadores como uma estratégia de negócio, e não mais apenas uma ação de responsabilidade social, diante da crescente exigência de qualificação trazida pela automação e digitalização das operações logísticas.

O quadro de escassez de mão de obra qualificada tende a pressionar custos operacionais e prazos de entrega em todas as regiões do país, inclusive nos corredores que abastecem e escoam a produção baiana, onde transportadoras associadas ao SETCEB também disputam motoristas experientes num mercado de trabalho cada vez mais apertado. Investir em trilhas de capacitação interna, no modelo adotado por empresas de outros estados, desponta como alternativa para transportadoras da Bahia reterem talentos e reduzirem a dependência de contratações externas num cenário de renovação constante da frota nacional.

Fonte: Frota&Cia, com dados complementares do Blog do Caminhoneiro

SUPERÁVIT COMERCIAL DO BRASIL SOBE 29,2% NO ANO E AGROPECUÁRIA PUXA EXPORTAÇÕES QUE DEPENDEM DO CAMINHÃO

SUPERÁVIT COMERCIAL DO BRASIL SOBE 29,2% NO ANO E AGROPECUÁRIA PUXA EXPORTAÇÕES QUE DEPENDEM DO CAMINHÃO

O superávit da balança comercial brasileira acumulado entre janeiro e a segunda semana de agosto de 2026 chegou a 52,08 bilhões de dólares, alta de 29,2% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado é puxado por exportações do agronegócio, setor cuja logística depende fortemente do transporte rodoviário de cargas até portos e terminais.

Os números foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e repercutidos por veículos especializados em economia e agronegócio nesta semana. A publicação periódica faz parte do acompanhamento semanal oficial do comércio exterior brasileiro.

Somente na segunda semana de agosto, o saldo comercial ficou em 3,05 bilhões de dólares, avanço de 7% na comparação com igual semana do ano passado. As exportações somaram 16,09 bilhões de dólares (alta de 14,3%), enquanto as importações totalizaram 13,05 bilhões de dólares (alta de 16,2%).

No acumulado do ano até meados de agosto, as exportações somam 234,64 bilhões de dólares, crescimento de 10,5%, e as importações chegam a 182,56 bilhões de dólares, alta de 6,1%. O fluxo comercial total do país avançou 8,5%, para 417,20 bilhões de dólares.

Por setor, a agropecuária cresceu 10,4% nas exportações da semana, destacando-se a soja (alta de 13,2%), o café (alta de 22%) e animais vivos (alta de 180,7%), enquanto o milho recuou 25,6%. A indústria extrativa avançou 27,8%, puxada por minérios de cobre e metais preciosos, e a indústria de transformação subiu 8,8%, com destaque para carne de aves e farelo de soja.

A expectativa do próprio MDIC é de que o superávit de 2026 feche em torno de 90 bilhões de dólares, alta de 32,3% sobre 2025, com exportações projetadas em 394,4 bilhões de dólares. Para as transportadoras de cargas da Bahia, esse ritmo de exportação é sinal direto de demanda: cada tonelada de soja, café ou farelo embarcada no porto precisa primeiro rodar em caminhão até lá, e um ano de recorde de exportações tende a sustentar fretes de longa distância nos corredores do oeste baiano rumo aos portos de Salvador, Ilhéus e do Sudeste, ainda que a alta simultânea das importações também pressione o custo de peças e insumos importados usados pela frota.

Fonte: Agrolink, com dados do MDIC

DIESEL EM SALVADOR CUSTA R$ 7,64 O LITRO, BEM ACIMA DA MÉDIA NACIONAL, E PRESSIONA CUSTO DO FRETE NA BAHIA

DIESEL EM SALVADOR CUSTA R$ 7,64 O LITRO, BEM ACIMA DA MÉDIA NACIONAL, E PRESSIONA CUSTO DO FRETE NA BAHIA

O litro do diesel S10 vendido em Salvador custava em média R$ 7,64 no levantamento mais recente divulgado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), valor 70 centavos acima da média nacional de R$ 6,94. A capital baiana aparece entre as mais caras do país para o combustível que move a frota de caminhões.

Os dados são da pesquisa semanal da ANP referente ao período de 2 a 8 de agosto de 2026, divulgada em 15 de agosto, com base em amostragem de postos revendedores em todo o território nacional. O levantamento é feito para acompanhar a formação de preços de combustíveis e subsidiar políticas públicas do setor.

Segundo o boletim, o preço médio nacional do diesel S10 recuou apenas 0,14% na semana, mantendo-se praticamente estável havia meses: R$ 6,94 em meados de julho, R$ 6,95 no início de agosto e de volta a R$ 6,94 na pesquisa mais recente. Em janeiro deste ano, porém, o litro custava R$ 6,11, o que mostra uma alta acumulada relevante ao longo do primeiro semestre.

Salvador ficou atrás apenas de Rio Branco (R$ 8,05) no ranking das capitais mais caras, à frente de Boa Vista (R$ 7,42), Teresina (R$ 7,32) e Porto Velho (R$ 7,29). Na outra ponta, São Paulo registrou o menor valor entre as capitais citadas, R$ 6,91.

O governo federal mantém uma subvenção econômica de R$ 0,32 por litro de diesel rodoviário, instituída por medida provisória em vigor neste ano, mas o benefício não foi suficiente para aproximar o preço baiano da média do país. Para o caminhoneiro autônomo, o diesel é o item de maior peso na composição de custos, e a defasagem entre reajuste de frete e alta de combustível tende a comprimir a margem operacional.

Não há previsão de novo levantamento estadual detalhado antes da próxima pesquisa semanal da ANP, mas a tendência de estabilidade em patamar elevado deve se manter enquanto persistirem os fatores que sustentam o preço, como tributação estadual e formação de preços da Petrobras. Para as transportadoras associadas ao SETCEB, o dado reforça a necessidade de repasse mais ágil do adicional de combustível nos contratos de frete na Bahia, já que o Estado segue pagando um dos diesel mais caros do país, encarecendo especialmente as rotas de longa distância que ligam o interior baiano aos portos.

Fonte: Brasil do Trecho, com dados da ANP

ALCOLUMBRE DESTRAVA NO SENADO A PEC DO FIM DA ESCALA 6X1; SETOR DE TRANSPORTE ALERTA PARA AUMENTO DE CUSTOS E FALTA DE MOTORISTAS

ALCOLUMBRE DESTRAVA NO SENADO A PEC DO FIM DA ESCALA 6X1; SETOR DE TRANSPORTE ALERTA PARA AUMENTO DE CUSTOS E FALTA DE MOTORISTAS

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), assinou nesta quinta-feira despachos que destravam a tramitação da PEC 221/2019, que extingue a escala de trabalho 6x1 no país. A proposta estava parada na Casa desde 28 de maio de 2026, após ter sido aprovada pela Câmara dos Deputados em dois turnos.

A movimentação foi divulgada pelo Diário do Transporte e ocorre em meio a uma reaproximação política entre Alcolumbre e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, depois de um período de desgaste na relação motivado por indicações ao Supremo Tribunal Federal.

O texto da PEC estabelece jornada máxima de 40 horas semanais, com cinco dias de trabalho e dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial. A proposta prevê regimes diferenciados para atividades consideradas essenciais, caso do transporte, permitindo compensações de jornada por meio de acordos e convenções coletivas de trabalho.

Pelo cronograma da PEC, a redução da jornada ocorre em duas etapas: 60 dias após a promulgação, o limite semanal cai para 42 horas; em 14 meses, chega a 40 horas. Por se tratar de emenda constitucional, o texto não depende de sanção presidencial e precisa de 49 votos favoráveis em cada um dos dois turnos de votação no plenário do Senado.

A Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) estima aumento de até 15% nos gastos com motoristas caso a mudança seja aprovada sem ajustes, já que a mão de obra responde por 43,1% dos custos totais das operadoras. Segundo a entidade, as empresas precisariam contratar mais motoristas para manter a mesma frota circulando, pressionando tarifas e a necessidade de subsídios públicos.

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) projeta a necessidade de mais de 250 mil novas contratações em todo o setor de transporte brasileiro, incluindo caminhoneiros e borracheiros, caso a redução de jornada avance da forma como está proposta. A entidade defende uma transição gradual, com redução de uma hora por ano ao longo de quatro anos, e cita que 53,4% das empresas urbanas e metropolitanas já enfrentam falta de motoristas, e 63,2% relatam escassez de mecânicos.

Do lado dos trabalhadores, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) argumenta que jornadas mais curtas podem atrair novos profissionais para a categoria, hoje afastada pelo desgaste físico e por salários considerados insuficientes. A entidade estima geração inicial de 4,5 mil empregos no transporte urbano com a mudança. No transporte rodoviário de cargas, o déficit de motoristas já é estimado em cerca de 30%, o equivalente a aproximadamente 26 mil vagas não preenchidas no país, segundo dados citados pela CNT.

A PEC agora segue para análise na Comissão de Constituição e Justiça do Senado antes de ir a plenário, sem prazo definido para votação. Para transportadoras e caminhoneiros da Bahia, o tema tem peso direto: o déficit de mão de obra já pressiona o setor rodoviário de cargas no estado, e uma redução de jornada sem regras claras de compensação para atividades essenciais pode elevar ainda mais o custo do frete e agravar a disputa por motoristas qualificados nas rotas baianas.

Fonte: Diário do Transporte