CAPACITAÇÃO DE EQUIPES GANHA PAPEL ESTRATÉGICO PARA AUMENTAR A EFICIÊNCIA NA LOGÍSTICA

Investir na qualificação dos profissionais tem se tornado um diferencial competitivo para empresas do setor logístico. Estudos internacionais apontam que programas estruturados de capacitação contribuem para aumentar a produtividade, reduzir falhas operacionais e diminuir custos, refletindo diretamente no desempenho das operações.

Levantamentos da Aberdeen Group e da Association for Supply Chain Management (ASCM/APICS) indicam que empresas que mantêm programas contínuos de treinamento conseguem reduzir em até 26% os erros operacionais, elevar em 17% a produtividade dos colaboradores e diminuir em até 12% os custos logísticos.

Os ganhos são percebidos em diferentes etapas da cadeia logística, como separação de pedidos, conferência de mercadorias, gestão de estoques e utilização de sistemas de gerenciamento, entre eles WMS, TMS e ERP.

QUALIFICAÇÃO TAMBÉM CONTRIBUI PARA REDUZIR CUSTOS

Além de melhorar a eficiência operacional, a capacitação favorece uma gestão mais eficiente dos recursos das empresas. A adoção de boas práticas reduz retrabalhos, minimiza perdas causadas pelo manuseio inadequado de cargas, melhora o planejamento da demanda e otimiza o uso dos modais de transporte.

Outro benefício está relacionado à gestão de pessoas. Dados da Society for Human Resource Management (SHRM) mostram que organizações que investem regularmente no desenvolvimento de seus colaboradores registram índices menores de rotatividade, além de fortalecer o engajamento das equipes e estimular a formação de novas lideranças.

RESULTADOS APARECEM NA PRÁTICA

Os efeitos da qualificação já podem ser observados em diferentes segmentos da logística.

Em uma operação nacional de comércio eletrônico, um programa de treinamento permitiu reduzir em 22% os erros de separação de pedidos, aumentar em 18% a velocidade das operações de picking e diminuir em **12% as reclamações relacionadas às entregas.

Já em uma empresa com frota própria, a capacitação de motoristas e gestores de transporte proporcionou redução de 15% no consumo de combustível, queda de 9% nas avarias e melhora nos índices de pontualidade das entregas.

SETOR EXIGE APRENDIZADO CONTÍNUO

Para Paulo Oliveira, head de Eventos da MundoLogística, acompanhar a evolução tecnológica do setor exige atualização constante dos profissionais.

Segundo ele, investimentos em automação, inteligência de dados e novas tecnologias somente geram resultados quando as equipes estão preparadas para utilizar essas ferramentas de forma estratégica.

Além dos avanços tecnológicos, os profissionais também precisam acompanhar mudanças regulatórias, novas exigências dos clientes e transformações no ambiente de negócios, fatores que influenciam diretamente a competitividade das empresas.

PROFISSIONAIS BUSCAM QUALIFICAÇÃO, MAS COBRAM MAIOR APOIO DAS EMPRESAS

Uma pesquisa realizada pela MundoLogística com mais de 3,5 mil profissionais, entre maio e junho de 2025, revelou que a maioria busca investir no próprio desenvolvimento, embora perceba pouco incentivo por parte das organizações.

Segundo o levantamento, 55% dos participantes realizaram cursos nos últimos seis meses, enquanto 58% afirmaram que as empresas onde trabalham não investem em capacitação profissional.

O estudo também mostrou que 37% dos profissionais mudaram de emprego no último ano e 23% estão há mais de cinco anos sem receber uma promoção, indicando um mercado aquecido e desafios relacionados à retenção de talentos.

Apesar desse cenário, a percepção sobre o futuro permanece positiva: 85% dos entrevistados acreditam que existem boas oportunidades na logística, sendo que 65% associam esse crescimento à qualificação profissional.

MERCADO DEMANDA PROFISSIONAIS CADA VEZ MAIS PREPARADOS

A expectativa de expansão do setor reforça a necessidade de formação contínua. De acordo com a Pesquisa de Expectativa de Emprego do ManpowerGroup (Q2 2026), 57% das empresas dos segmentos de Comércio e Logística pretendem ampliar seus quadros de funcionários.

Ao mesmo tempo, muitas organizações ainda enfrentam dificuldades para incorporar novas tecnologias, especialmente relacionadas ao uso da inteligência artificial, devido à falta de profissionais capacitados e à necessidade de desenvolver novas competências.

Nesse contexto, especialistas defendem que investir no desenvolvimento das equipes deixou de ser apenas uma ação de recursos humanos e passou a representar uma estratégia para aumentar a competitividade, melhorar a eficiência operacional e preparar as empresas para os desafios da logística moderna.

ESTUDO APONTA QUE REFORMA TRIBUTÁRIA PODE ELEVAR EM MAIS DE 400% A CARGA TRIBUTÁRIA DE TRANSPORTADORAS DO AGRO

Um levantamento realizado pela consultoria Rumo Brasil indica que empresas de transporte rodoviário especializadas no atendimento ao agronegócio poderão enfrentar um aumento médio de 414,44% na carga tributária com a implantação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), tributo previsto na Reforma Tributária.

O estudo foi elaborado com base em informações operacionais e fiscais de transportadoras associadas à Associação Nacional das Empresas Agenciadoras de Transporte de Cargas (ANATC), considerando operações realizadas ao longo de 2025. Segundo a consultoria, o impacto financeiro estimado ultrapassa R$ 144 milhões.

De acordo com o CEO da Rumo Brasil, Rafael Brito, o objetivo do levantamento foi apresentar uma análise baseada em dados reais das empresas, permitindo uma avaliação mais precisa dos possíveis efeitos da nova legislação sobre o setor de transporte rodoviário de cargas.

ANÁLISE CONSIDEROU DADOS OPERACIONAIS DAS EMPRESAS

O estudo foi desenvolvido durante três meses e utilizou documentos fiscais, demonstrações contábeis, obrigações acessórias e informações internas das empresas participantes.

Nesta etapa da pesquisa, foi avaliado apenas o impacto da CBS, tributo que substituirá o PIS e a Cofins. Os efeitos do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) não foram considerados, já que sua implementação ocorrerá de forma gradual e seguirá regras específicas para aproveitamento de créditos tributários.

As empresas analisadas somam aproximadamente R$ 6,6 bilhões em faturamento anual e movimentam cerca de R$ 5 bilhões em subcontratações, característica comum nas operações de transporte voltadas ao agronegócio.

SUBCONTRATAÇÕES ESTÃO ENTRE OS PRINCIPAIS FATORES DE IMPACTO

Segundo a consultoria, a elevada utilização de transportadores subcontratados é um dos fatores que mais influenciam o aumento projetado da carga tributária.

Com as mudanças previstas na Reforma Tributária, a forma de utilização dos créditos fiscais será alterada, o que pode elevar os custos das empresas que dependem desse modelo operacional.

Para Rafael Brito, essa mudança afeta diretamente um segmento que já trabalha com margens reduzidas e enfrenta forte pressão por eficiência e competitividade.

EMPRESAS TERÃO DE REVISAR PROCESSOS E CONTROLES

Além do impacto financeiro, o estudo aponta que a Reforma Tributária exigirá adaptações na gestão das transportadoras. O novo sistema amplia a importância do controle documental, tornando a correta emissão de documentos fiscais, a gestão das contratações e o acompanhamento das operações fatores essenciais para o aproveitamento dos créditos tributários.

Como o transporte rodoviário está presente em praticamente todas as cadeias produtivas, a expectativa é que eventuais aumentos de custos também possam alcançar embarcadores, indústrias, distribuidores e, posteriormente, o consumidor final.

Na avaliação da consultoria, as empresas que iniciarem antecipadamente o processo de adaptação às novas regras terão melhores condições de reduzir riscos, ajustar seus processos internos e preservar a competitividade diante das mudanças previstas pela Reforma Tributária.

NOVO TERMINAL DE CARGAS AÉREAS AVANÇA EM VITÓRIA DA CONQUISTA

O Aeroporto Glauber Rocha, em Vitória da Conquista, deu mais um passo para ampliar sua infraestrutura logística. O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) concedeu a licença ambiental que autoriza a implantação e a operação de um novo Terminal de Cargas Aéreas (TECA). A autorização foi publicada no Diário Oficial do Estado da Bahia na última sexta-feira (17) e terá validade até 2029.

O empreendimento contará com uma área de aproximadamente 747,5 metros quadrados e capacidade para armazenar até 162 toneladas de cargas. O terminal será instalado nas proximidades da BR-116, na região do distrito de Iguá. Até o momento, a concessionária responsável pela administração do aeroporto não informou quando as obras serão iniciadas ou concluídas.

A nova estrutura representa um avanço para a logística do sudoeste baiano e poderá ampliar a capacidade de movimentação de mercadorias na região.

IMPACTOS PARA O TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS

A implantação do terminal também deve trazer reflexos positivos para o transporte rodoviário de cargas. Como o modal aéreo depende do caminhão para a coleta e a distribuição das mercadorias, a expectativa é de aumento na movimentação de veículos que farão a ligação entre o aeroporto, centros de distribuição, indústrias e empresas da região.

Além de fortalecer a integração entre os modais rodoviário e aéreo, o novo terminal poderá gerar novas oportunidades para transportadoras que atuam na distribuição regional, principalmente no transporte de cargas de maior valor agregado ou que exigem entregas rápidas.

Outro diferencial é a localização estratégica do empreendimento, próximo à BR-116, um dos principais corredores logísticos do país. A proximidade com a rodovia deve facilitar o acesso ao terminal, reduzir o tempo de deslocamento das cargas e tornar as operações mais eficientes para empresas que atendem Vitória da Conquista e municípios vizinhos.

CARGAS AINDA SÃO TRANSPORTADAS EM VOOS COMERCIAIS

Atualmente, o Aeroporto Glauber Rocha não conta com voos exclusivos para aeronaves cargueiras. O transporte de mercadorias é realizado nos compartimentos de carga das aeronaves que operam voos de passageiros.

De acordo com dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o aeroporto movimentou 289,3 toneladas de cargas pagas e correspondências no primeiro semestre de 2026.

Desde o segundo semestre de 2024, a Latam Cargo passou a operar o transporte de cargas utilizando aeronaves que fazem a ligação com o Aeroporto Internacional de Guarulhos. Além da Latam, as companhias Gol e Azul também realizam o envio de mercadorias por meio de seus voos comerciais.

NOVA ESTRUTURA PODE ATRAIR OPERAÇÕES CARGUEIRAS

A construção do Terminal de Cargas Aéreas também reacende a expectativa pela implantação de voos dedicados exclusivamente ao transporte de mercadorias em Vitória da Conquista.

Em 2022, a Gol chegou a anunciar a intenção de operar aeronaves cargueiras na cidade, mas o projeto não foi levado adiante. Posteriormente, a companhia direcionou sua operação de carga para Salvador.

Com a futura estrutura de armazenagem e movimentação de cargas, o aeroporto passa a oferecer melhores condições para receber operações logísticas mais robustas, fortalecendo a integração entre os modais e contribuindo para o desenvolvimento econômico da região sudoeste da Bahia.

PROGRAMA DESPOLUIR ULTRAPASSA 5,3 MILHÕES DE INSPEÇÕES E REFORÇA A SUSTENTABILIDADE NO TRANSPORTE

Criado para incentivar práticas mais sustentáveis no transporte rodoviário, o Programa Despoluir atingiu um marco histórico ao superar 5,3 milhões de avaliações ambientais em veículos movidos a diesel. Prestes a completar 19 anos de atuação, a iniciativa amplia seu papel no setor ao utilizar as informações coletadas para apoiar empresas na gestão das frotas e fornecer subsídios para estudos e políticas públicas voltadas à mobilidade sustentável.

Desde o lançamento, em julho de 2007, o programa evoluiu de uma ação voltada exclusivamente ao controle das emissões para uma plataforma de apoio técnico aos transportadores. Além de monitorar o desempenho ambiental dos veículos, o Despoluir orienta empresários e motoristas sobre manutenção preventiva, eficiência operacional e redução do consumo de combustível.

Atualmente, a iniciativa está presente em todo o território nacional por meio de uma rede formada por 24 federações do transporte e 115 unidades de atendimento, que realizam os serviços diretamente em empresas, centros logísticos e pontos estratégicos das rodovias.

Em 2025, foram realizadas mais de 434 mil avaliações ambientais, contemplando aproximadamente 232 mil veículos e beneficiando 12.208 transportadores, entre empresas e caminhoneiros autônomos. Ao longo de sua trajetória, o programa já prestou atendimento a mais de 55 mil transportadores, considerando pessoas físicas e jurídicas.

SERVIÇOS AUXILIAM NA REDUÇÃO DE CUSTOS E NA PRESERVAÇÃO AMBIENTAL

Entre as principais atividades oferecidas está a Avaliação Veicular Ambiental (AVA), que verifica o nível de emissão de poluentes dos motores a diesel. A inspeção permite identificar problemas na combustão e orientar correções que ajudam a reduzir emissões, melhorar o rendimento do veículo e diminuir o consumo de combustível.

Outra frente de atuação é a Avaliação da Qualidade do Diesel (AQD), responsável por analisar se o combustível utilizado atende às especificações exigidas. O procedimento também contribui para prevenir danos mecânicos e evitar o aumento da emissão de poluentes.

Desde que esse serviço foi implantado, o programa já analisou 3.705 amostras de diesel, sendo a maior parte referente ao diesel S-10, combustível que possui menor teor de enxofre e gera menor impacto ambiental.

INFORMAÇÕES PASSAM A APOIAR A GESTÃO DO SETOR

Com milhões de registros acumulados ao longo de quase duas décadas, o Despoluir inicia uma nova fase baseada na digitalização dos processos e no uso de ferramentas de análise de dados. A proposta é transformar o banco de informações gerado pelas avaliações em uma fonte de inteligência para transportadores, entidades do setor e gestores públicos.

A estratégia inclui a integração das bases de dados, automação de processos e ampliação do uso de plataformas de Business Intelligence (BI), permitindo análises mais precisas sobre o comportamento da frota nacional e contribuindo para decisões relacionadas à eficiência operacional e à sustentabilidade.

De acordo com a diretora executiva nacional do SEST SENAT, Nicole Goulart, a evolução tecnológica permitirá que o conhecimento acumulado pelo programa seja utilizado não apenas para acompanhar indicadores ambientais, mas também para fortalecer a competitividade das empresas e apoiar a formulação de políticas públicas voltadas ao transporte.

IPTC APONTA IMPACTOS DA NOVA TABELA DE FRETE E ALERTA PARA AUMENTO DOS CUSTOS NO TRANSPORTE

O Instituto Paulista do Transporte de Cargas (IPTC) divulgou uma análise técnica sobre a nova tabela dos pisos mínimos de frete, destacando que as alterações promovidas podem elevar os custos das operações de transporte rodoviário de cargas e gerar reflexos para transportadoras, embarcadores e contratantes de frete.

De acordo com o instituto, a atualização da tabela incorpora mudanças previstas na legislação e amplia a responsabilidade dos contratantes quanto ao cumprimento dos valores mínimos estabelecidos. A avaliação é de que as empresas precisarão revisar contratos, custos operacionais e processos internos para garantir conformidade com as novas exigências.

Entre os pontos analisados pelo IPTC está o impacto financeiro das novas regras em diferentes tipos de operação. Segundo o instituto, segmentos que trabalham com margens reduzidas podem sentir de forma mais intensa o aumento dos custos logísticos, especialmente em operações de longa distância e cargas com menor valor agregado.

O estudo também chama atenção para a necessidade de planejamento por parte das transportadoras. A recomendação é que as empresas acompanhem atentamente as atualizações da tabela de frete e avaliem seus contratos comerciais para evitar desequilíbrios financeiros e possíveis autuações decorrentes do descumprimento da legislação.

Outro aspecto destacado pelo IPTC é que o piso mínimo do frete continua sendo um instrumento obrigatório nas contratações abrangidas pela Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas. Dessa forma, o instituto reforça que tanto transportadores quanto embarcadores devem observar os critérios estabelecidos pela regulamentação vigente ao negociar os serviços de transporte.

Na avaliação apresentada, o cenário exige maior atenção à gestão de custos e à negociação entre as partes, uma vez que alterações na tabela podem influenciar diretamente a formação do preço do frete e o equilíbrio econômico das operações logísticas.