BR-324 TEM NOVO AFUNDAMENTO EM SIMÕES FILHO E É INTERDITADA PELA TERCEIRA VEZ EM TRÊS SEMANAS

A BR-324 voltou a ser parcialmente interditada na manhã desta segunda-feira, 27 de julho, no quilômetro 604, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, no sentido Feira de Santana. Por volta das 7h50, equipes do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e da Polícia Rodoviária Federal constataram um novo afundamento no pavimento, no mesmo ponto que já havia causado transtornos ao longo do mês. A faixa da esquerda foi bloqueada e o tráfego passou a ser desviado para a faixa da direita e para uma via marginal próxima ao Corpo de Bombeiros do município.

Este é o terceiro episódio de instabilidade na pista em menos de três semanas no mesmo trecho. O primeiro ocorreu em 7 de julho, quando uma cratera se abriu no local, provocando congestionamentos de até 7 quilômetros e levando a uma interdição que durou cerca de 13 dias, até a reabertura completa em 19 de julho. Poucos dias depois, em 24 de julho, um novo problema — desta vez o rompimento de uma tubulação da rede de drenagem — reabriu uma cratera na pista, exigindo nova intervenção emergencial e novo fechamento parcial da via. Agora, em 27 de julho, um novo afundamento reacende o problema pela terceira vez.

Segundo o Dnit, a causa é um processo erosivo sob o aterro da rodovia, provocado por falha estrutural em uma antiga tubulação de drenagem enterrada sob a pista. Diante da gravidade da situação, o governo federal chegou a decretar estado de emergência para o trecho em 14 de julho, publicado em Diário Oficial, para agilizar as intervenções necessárias — mas o Dnit ainda não apresentou prazo definitivo para uma solução permanente. A Polícia Rodoviária Federal orienta os motoristas a reduzirem a velocidade ao passar pelo local, respeitarem a sinalização e, sempre que possível, utilizarem rotas alternativas, como a BA-526 (Estrada do Aeroporto/CIA), para evitar a região crítica.

FRETE RODOVIÁRIO ACUMULA ALTA DE 16,8% E CUSTOS CONTINUAM DESAFIANDO TRANSPORTADORAS

O custo do transporte rodoviário de cargas segue em trajetória de alta no Brasil. De acordo com o Índice Frete.com de Preços (IFP), o valor médio do frete aumentou 16,8% nos últimos 12 meses, reflexo do crescimento das despesas operacionais enfrentadas pelas transportadoras.

Na prática, esse cenário significa que transportar mercadorias ficou mais caro. Entre os fatores que mais pressionam os custos estão o preço do diesel, manutenção da frota, pneus, peças, pedágios, seguros e mão de obra, itens que impactam diretamente a formação do frete.

Em abril, os caminhões com carroceria baú apresentaram o maior valor médio entre as categorias avaliadas pelo levantamento, alcançando R$ 0,677 por tonelada por quilômetro rodado. O indicador representa o custo médio para transportar uma tonelada de carga ao longo de um quilômetro.

O estudo também identificou diferenças entre as regiões do país. O Sudeste registrou o maior valor médio do frete, chegando a R$ 0,472 por tonelada/km, resultado associado ao elevado volume de cargas movimentadas, à forte atividade industrial e à intensa demanda logística.

REAJUSTE DO FRETE NEM SEMPRE REPRESENTA MAIS RENTABILIDADE

Apesar da alta registrada pelo índice, o aumento no valor do frete não significa, necessariamente, ganho financeiro para as transportadoras.

Segundo José Alberto Panzan, diretor da Anacirema Transportes e vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas de Campinas e Região (SINDICAMP), grande parte dos reajustes apenas acompanha a elevação dos custos operacionais acumulados nos últimos anos.

De acordo com o executivo, o transporte rodoviário trabalha com margens cada vez mais apertadas e depende de uma remuneração compatível com os investimentos necessários para manter a operação funcionando com qualidade e segurança.

DIESEL CONTINUA ENTRE OS PRINCIPAIS FATORES DE PRESSÃO

O combustível permanece como um dos maiores componentes do custo operacional das empresas de transporte. Como o diesel representa uma parcela significativa das despesas de cada viagem, qualquer alteração em seu preço influencia diretamente o cálculo do frete.

Além do combustível, gastos com manutenção preventiva, reposição de peças, pneus, salários, seguros e infraestrutura operacional continuam pressionando o orçamento das transportadoras.

Diante desse cenário, muitas empresas vêm reforçando investimentos em tecnologia, automação de processos, monitoramento das operações e gestão de dados para reduzir desperdícios e aumentar a produtividade.

REPASSE DOS CUSTOS SEGUE COMO DESAFIO

Mesmo com a elevação dos custos, nem sempre as transportadoras conseguem reajustar seus contratos na mesma velocidade.

A forte concorrência no setor faz com que muitas empresas absorvam parte das despesas para manter clientes, reduzindo suas margens de lucro e limitando a capacidade de investir em renovação da frota, inovação, manutenção e expansão da estrutura.

Segundo Panzan, quando o frete não acompanha a realidade dos custos operacionais, a saúde financeira das transportadoras acaba sendo comprometida gradualmente.

PARCERIAS CONTRIBUEM PARA MAIOR PREVISIBILIDADE

Para enfrentar esse cenário, especialistas defendem relações comerciais mais duradouras entre transportadoras, embarcadores e fornecedores.

Contratos de longo prazo proporcionam maior previsibilidade financeira, facilitam o planejamento operacional e permitem negociações mais equilibradas ao longo da cadeia logística.

Como o transporte rodoviário está presente em praticamente todas as atividades econômicas, oscilações no valor do frete acabam refletindo também sobre a indústria, o agronegócio, o comércio e, consequentemente, sobre o consumidor.

IMPACTO PARA O TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS NA BAHIA

Na Bahia, onde o transporte rodoviário é fundamental para conectar polos industriais, o agronegócio, os portos e os centros de distribuição, o aumento dos custos operacionais reforça a necessidade de uma gestão cada vez mais eficiente das frotas.

Para manter a competitividade, as transportadoras baianas precisam investir em planejamento, tecnologia, controle de custos e produtividade, buscando equilibrar a sustentabilidade financeira da operação sem comprometer a qualidade dos serviços prestados. O desafio é encontrar um ponto de equilíbrio entre a remuneração adequada do frete e a manutenção da competitividade em um mercado cada vez mais exigente.

NO DIA DO MOTORISTA, VETERANOS DA ESTRADA COM QUASE MEIO SÉCULO DE PROFISSÃO RELEMBRAM A PAIXÃO PELO VOLANTE

O dia 25 de julho marca, no calendário brasileiro, o Dia do Motorista e a festa de São Cristóvão, padroeiro da categoria. Para celebrar a data, a Revista Caminhoneiro — publicação especializada em transporte rodoviário de cargas há mais de quatro décadas — reuniu os relatos de dois motoristas veteranos da transportadora Bravo Serviços Logísticos, ilustrando a trajetória de quem sustenta o transporte de cargas no país.

José Carlos Caldas soma 48 anos de casa na empresa, sendo 46 deles como motorista profissional dedicado ao transporte de defensivos agrícolas. Segundo ele, o que o move todos os dias é “o amor genuíno que sinto pela profissão” e o compromisso de longa data com a empresa. Seu recado aos colegas de estrada é direto: priorizar a segurança, seguir os procedimentos operacionais e ter orgulho do trabalho realizado.

Já Paulo Cesar dos Santos acumula 37 anos de estrada, 33 deles na Bravo. Para ele, a motivação está no desafio diário de “alcançar metas difíceis e ver o impacto positivo” do trabalho, resumindo a profissão como a arte de “conectar pessoas, cargas e sonhos” — uma atividade que, em suas palavras, exige “resistência, coragem e responsabilidade”.

A homenagem reforça um retrato que vem se tornando cada vez mais discutido no setor: o encolhimento e o envelhecimento da categoria. Levantamentos recentes do mercado (com base em dados da CNT e do InfoJobs) mostram que o Brasil perdeu cerca de 1,2 milhão de motoristas habilitados na última década — caindo de 5,6 milhões para 4,4 milhões de profissionais — e que 88% das transportadoras relatam dificuldade para contratar. Mais de 71% dos motoristas em atividade têm entre 41 e 70 anos, sinal de baixa renovação geracional. Como contraponto, o Programa Mais Motoristas, iniciativa que oferece qualificação gratuita e mudança de categoria da CNH, já soma 138.586 inscrições, um crescimento de 150% em relação ao primeiro edital, de 2023. Histórias como a de José Carlos e Paulo Cesar dão rosto a esse cenário: mostram o valor de quem já construiu décadas de estrada, ao mesmo tempo em que reforçam por que atrair e formar uma nova geração de motoristas virou prioridade para transportadoras e embarcadores de todo o país, inclusive na Bahia.

FIM DA “TAXA DAS BLUSINHAS” FAZ COMPRAS INTERNACIONAIS DISPARAREM 118% NO BRASIL

A Receita Federal registrou 28,36 milhões de encomendas internacionais em junho de 2026, o primeiro mês completo sem a cobrança do imposto de importação sobre compras de até US$ 50 no exterior — a chamada “taxa das blusinhas”. O volume representa alta de 118% frente a junho de 2025, quando foram 13,02 milhões de remessas, de 72% em relação a abril de 2026 (mês anterior ao fim da cobrança, com 16,51 milhões) e de 84% acima da média dos quatro primeiros meses do ano, de 15,42 milhões.

A tarifa de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 foi criada em agosto de 2024 e revogada em maio de 2026 por Medida Provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com o fim da cobrança, consumidores voltaram a importar em volume roupas, eletrônicos, acessórios e itens de beleza em plataformas como Shein, AliExpress e Shopee. O Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV) teme redução nas vendas do comércio nacional e impacto sobre empregos, enquanto a Amobitec, que representa as plataformas internacionais, considera o crescimento “natural e esperado”. O salto nas encomendas também aparece como capítulo de uma queda de braço mais ampla entre varejo físico nacional e plataformas estrangeiras, que já motivou discussões no Congresso sobre novas formas de tributação do comércio eletrônico internacional.

Um volume de encomendas nessa escala movimenta, na ponta final, uma cadeia logística inteira dentro do país: da chegada dos pacotes aos centros de distribuição e aeroportos até a última milha rumo ao consumidor, trecho em que entram operadores rodoviários de carga fracionada e transportadoras regionais — inclusive na Bahia, onde esse tipo de entrega vem crescendo fora dos grandes centros.

CONSTRUTORA PORTUGUESA MOTA-ENGIL NEGOCIA COMPRA DE 40% DA ODEBRECHT, EMPRESA COM ATIVOS ESTRATÉGICOS NA BAHIA

Segundo informação divulgada pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, e replicada pelo portal Bahia Econômica na manhã deste domingo (26/07), a construtora portuguesa Mota-Engil — descrita como a maior empreiteira de Portugal e uma das maiores da Europa — está negociando a compra de 40% da baiana Odebrecht. A movimentação integra o processo de reestruturação financeira da Odebrecht, que deixou a recuperação judicial em março deste ano.

A Mota-Engil atua nos setores de construção civil, obras públicas, operações portuárias, gestão de resíduos, águas e logística. Seu controle acionário é dividido entre a Mota — Gestão e Participações, holding familiar portuguesa, e a China Communications Construction Company (CCCC), estatal chinesa que também integra o consórcio responsável pela construção da ponte Salvador–Itaparica. Além do negócio com a Odebrecht, a companhia portuguesa também está em processo de aquisição da Bamin Mineração, incluindo o trecho 1 da Ferrovia Oeste-Leste (Fiol) e o Porto Sul — ambos ativos logísticos estratégicos para o escoamento de minério e cargas no interior baiano.

A aproximação entre as duas empresas não é isolada: um consórcio batizado “116 Sertões”, formado por Odebrecht e Mota-Engil, venceu recentemente a concessão de aproximadamente 502 km de rodovias federais que cortam a Bahia e Pernambuco — sendo cerca de 429 km da BR-116 na Bahia, 66 km da BR-116 em território pernambucano e 7,2 km da BR-324/BA, no anel viário de Feira de Santana. A proposta vencedora previu redução de 19,60% sobre a tarifa básica de pedágio, além de obras como a implantação de um contorno viário na travessia urbana de Serrinha e a duplicação de 108 km da BR-116. São justamente essas duas rodovias — BR-116 e BR-324 — as principais rotas de escoamento de carga do estado, e a própria BR-324 vem sofrendo interdições recorrentes nas últimas semanas por problemas de infraestrutura no km 604, em Simões Filho. Um eventual fortalecimento de capital da concessionária responsável por parte dessas vias pode se traduzir em mais recursos para manutenção, duplicação e obras de segurança nesses trechos, com reflexo direto no custo e no prazo do frete rodoviário na região.