DAF AMPLIA PRESENÇA NO BRASIL COM APOIO DA PACCAR FINANCIAL

A expansão da DAF Caminhões no mercado brasileiro vem sendo acompanhada pelo fortalecimento de sua operação financeira. Desde que iniciou suas atividades no Brasil, em 2019, a PACCAR Financial tem ampliado a oferta de crédito para aquisição de caminhões da marca, apostando em soluções desenvolvidas especificamente para o transporte rodoviário de cargas.

Atualmente, a instituição administra uma carteira superior a R$ 8 bilhões e já financiou cerca de 18 mil caminhões DAF no país. Em 2025, a financeira respondeu por 54% das vendas da fabricante, que soma mais de 52 mil veículos em circulação no mercado brasileiro.

CRÉDITO ADAPTADO À REALIDADE DO TRANSPORTE

Segundo a empresa, a análise para concessão de financiamento vai além dos indicadores financeiros tradicionais. O processo leva em consideração aspectos como o perfil da operação, o fluxo de caixa da transportadora, o tipo de carga transportada, as rotas percorridas e até a sazonalidade de determinados segmentos.

A proposta é oferecer condições de financiamento alinhadas à realidade de cada cliente, considerando que o transporte rodoviário está sujeito a fatores como oscilações no preço do diesel, variações do frete e mudanças no cenário econômico.

CONHECER O CLIENTE É PARTE DA ESTRATÉGIA

De acordo com a PACCAR Financial, equipes especializadas acompanham de perto a rotina das transportadoras para compreender as necessidades de cada operação antes da definição das condições de crédito.

Esse modelo busca proporcionar maior segurança tanto para a instituição quanto para o cliente, além de contribuir para a continuidade dos investimentos mesmo em períodos de maior instabilidade no mercado.

EXPERIÊNCIA INTERNACIONAL APLICADA AO MERCADO BRASILEIRO

A financeira utiliza metodologias de gestão de risco e análise de crédito desenvolvidas pelo grupo PACCAR em países como Estados Unidos, Canadá, México, Austrália e diversas nações da Europa. Esses processos foram adaptados às características do transporte rodoviário brasileiro, levando em conta as particularidades da atividade no país.

Além da oferta de financiamento, a empresa investe na modernização de seus serviços e na digitalização dos processos, mantendo como foco o atendimento especializado ao setor.

EXPECTATIVA É ACOMPANHAR O CRESCIMENTO DA DAF

Com a expansão da participação da DAF no segmento de caminhões pesados, a expectativa da PACCAR Financial é ampliar sua atuação no financiamento de veículos e continuar oferecendo soluções voltadas às necessidades de transportadoras e caminhoneiros que investem na renovação da frota.

A estratégia acompanha o avanço da marca no Brasil e reforça a importância do crédito especializado como ferramenta para impulsionar o desenvolvimento do transporte rodoviário de cargas.

ANUT CONTESTA MUDANÇA NOS MULTIPLICADORES TARIFÁRIOS E ESTIMA IMPACTO DE R$ 42 BILHÕES NO TRANSPORTE

A Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga (ANUT) entrou em rota de colisão com o Ministério dos Transportes por causa de uma mudança na fórmula de cálculo do pedágio para veículos comerciais. O ministério alterou o multiplicador tarifário aplicado por eixo de 1:2 para 1:3 — na prática, um caminhão de 8 eixos passa a ser cobrado como se tivesse 12 eixos, e um de 9 eixos, como se tivesse 13,5 eixos.

Segundo a ANUT, a mudança foi feita sem análise de impacto regulatório ou audiência pública específica sobre o tema. Em nota, o presidente da entidade afirmou que “não se pode alterar uma regra de uma política pública sem fazer análise de impacto regulatório”. A entidade estima que o novo multiplicador deve gerar R$ 42 bilhões em custos adicionais de pedágio ao longo da vigência de sete projetos de concessão rodoviária afetados: Rotas Gerais, Sertões, 2 de Julho, Portuária do Sul, Santa Catarina e Café.

O impacto tende a recair com mais força sobre o frete de produtos de baixo valor agregado, como arroz, sal, papel e celulose — casos em que o custo do pedágio pode chegar a dobrar ou até quintuplicar em relação ao preço final do produto transportado, segundo a associação. Para embarcadores e transportadoras, a mudança se soma a uma lista já longa de pressões de custo, como o diesel e os reajustes de pedágios regionais (a exemplo da BR-163), sobre a formação do frete.

Para as empresas associadas ao SETCEB, o caso é um lembrete de que reajustes tarifários feitos por decisão administrativa do Ministério dos Transportes — sem consulta pública prévia — podem alterar substancialmente a conta do pedágio de uma hora para outra, o que reforça a importância de acompanhar de perto as movimentações regulatórias em cada corredor rodoviário utilizado.

AVANÇO DO E-COMMERCE CRIA NOVO CICLO VIRTUOSO NA DEMANDA POR TRANSPORTE DE CARGAS LEVES

O crescimento do comércio eletrônico está gerando o que executivos do setor vêm chamando de “ciclo virtuoso” na demanda por transporte de cargas leves. Segundo Alexandre Clemes, executivo do setor automotivo/logístico, a expansão das entregas de última milha (last mile) tem impulsionado a demanda por veículos comerciais leves, como o Fiat Fiorino, com projeção de salto na produção de vans do tipo Ducato de cerca de 3.800 para 5.100 unidades por ano.

Um fenômeno notado é que muitos entregadores autônomos — pessoas físicas que começam fazendo entregas com veículo próprio como fonte de renda extra — acabam evoluindo para pequenos empresários do transporte, comprando veículos de carga usados para ampliar sua capacidade de entrega. Esse movimento realimenta a demanda por veículos comerciais leves e aquece toda a cadeia de revenda, manutenção e financiamento desses veículos.

Embora o comércio tradicional ainda responda pela maior fatia das entregas, a tendência de crescimento acelerado do last mile é vista como um dos fatores estruturais que devem sustentar a demanda por veículos de carga leve nos próximos anos.

Para transportadoras associadas ao SETCEB que atuam também com distribuição urbana e last mile na Região Metropolitana de Salvador e no interior baiano, a tendência sinaliza uma janela de oportunidade de diversificação de receita, ainda que a maior parte da frota de cargas do sindicato esteja concentrada em veículos pesados voltados ao transporte de longa distância.

EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS AO MÉXICO CAEM 42,5% NO PRIMEIRO SEMESTRE, APONTA CNI

Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado nesta quinta-feira (23/07), mostra que as exportações brasileiras para o México caíram 42,5% no primeiro semestre de 2026 em comparação com a média dos três anos anteriores — uma perda estimada em US$ 91,5 milhões. Com o resultado, o Brasil passou a figurar entre os cinco países mais afetados no mundo entre aqueles que não têm acordo de livre comércio com o México.

A causa apontada pela CNI é o “Programa de Protección para las Industrias Estratégicas”, implementado pelo governo mexicano em janeiro de 2026, que elevou os impostos de importação em 1.463 códigos tarifários, com alíquotas superando 50% em alguns casos.

Os setores mais afetados foram veículos automotores (-51,8%), produtos de borracha e plástico (-9,1%), metalurgia (-8%), couros e calçados (-7,4%), químicos (-5,9%), celulose e papel (-5,8%) e máquinas e equipamentos (-5,6%). A CNI destaca que 78,1% da queda correspondem a bens intermediários — insumos usados por outras indústrias ao longo da cadeia produtiva —, o que amplia o efeito cascata sobre a produção interna.

A entidade defende a isenção dos produtos brasileiros nesse programa mexicano e o avanço em negociações para um acordo comercial bilateral, que segundo estimativas poderia adicionar US$ 13,8 bilhões ao PIB conjunto dos dois países.

Para o transporte rodoviário de cargas, o dado interessa porque reflete o quadro mais amplo de comércio exterior brasileiro: quedas de exportação em cadeias industriais como automotiva, química e de celulose tendem a reduzir, com alguma defasagem, o volume de cargas que essas indústrias despacham para portos e centros de distribuição — outro sinal, ao lado do tarifaço americano, de que o comércio exterior segue como ponto de atenção para o volume de fretes nos próximos meses.

SIMPAR VENDE TERMINAL CS PORTO ARATU, NA BAHIA, POR R$ 1,8 BILHÃO

O Grupo Simpar, uma das maiores holdings de transporte e logística do país (controladora de empresas como JSL e Vamos), anunciou a venda de 100% da HSIM Participações e Holding Ltda., empresa que controla o terminal portuário CS Porto Aratu, na Baía de Todos os Santos, na Bahia. A compradora é a ICTSI Americas B.V., subsidiária do grupo filipino International Container Terminal Services.

O valor da operação é de R$ 1,8 bilhão (enterprise value), sendo R$ 750 milhões referentes ao valor do patrimônio (equity value). Do total, R$ 650 milhões serão pagos no fechamento do negócio e R$ 100 milhões ficam condicionados ao cumprimento de metas de desempenho em até 18 meses (mecanismo de earn-out). A conclusão da venda ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do poder concedente do terminal.

Segundo a Simpar, o grupo investiu cerca de R$ 900 milhões na modernização do terminal nos últimos anos, o que multiplicou por cinco sua capacidade operacional, hoje em 9,5 milhões de toneladas por ano. O CS Porto Aratu atua como uma plataforma voltada ao corredor agrícola do Matopiba (região que engloba partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), funcionando como um dos principais canais de escoamento de grãos e outras cargas do agronegócio do Nordeste para o mercado externo.

Para o setor de transporte rodoviário de cargas da Bahia, a mudança de controle de um terminal tão relevante quanto o de Aratu é um ponto de atenção direto: qualquer alteração na estratégia comercial ou operacional do porto sob o novo controlador — a ICTSI, que já opera terminais em outros países — pode afetar volumes de carga, prioridades de atendimento e negociações com as transportadoras que hoje fazem o transporte rodoviário até o terminal.