por Setceb | maio 20, 2026 | Uncategorized
A Comissão de Infraestrutura do Senado Federal deverá analisar nas próximas sessões um projeto que altera as regras do vale-pedágio obrigatório no transporte rodoviário de cargas. A proposta busca modernizar o modelo atual de pagamento dos pedágios e reduzir processos burocráticos nas operações logísticas em todo o país.
O texto prevê que a comprovação do pagamento antecipado dos pedágios possa ser vinculada diretamente ao documento eletrônico de transporte, tornando o processo mais integrado e digital. Se aprovado na comissão sem necessidade de votação em plenário, o projeto seguirá para análise da Câmara dos Deputados.
A discussão acontece em um momento em que o transporte rodoviário continua sendo o principal responsável pela movimentação de cargas no Brasil. Hoje, mais da metade da logística nacional depende das rodovias, o que amplia a importância de medidas voltadas à eficiência operacional e redução de custos no setor.
Criada em 2001, a Lei do Vale-Pedágio Obrigatório estabeleceu que o pagamento das tarifas deve ser responsabilidade do embarcador, evitando que o custo recaia sobre caminhoneiros e transportadores. A legislação surgiu principalmente para proteger os transportadores autônomos, que historicamente acabavam absorvendo parte dessas despesas dentro do valor do frete.
Mesmo com as mudanças implementadas nos últimos anos, o setor ainda enfrenta dificuldades operacionais relacionadas ao sistema. Entre os principais desafios estão a utilização de meios eletrônicos específicos, integração de dados e acesso dos transportadores às ferramentas de pagamento.
A proposta em discussão no Senado pretende justamente ampliar a flexibilidade do sistema, permitindo novas formas eletrônicas de pagamento, incluindo modalidades digitais já utilizadas no mercado, como o Pix.
O relator do projeto na comissão, senador Laércio Oliveira, apresentou parecer favorável à proposta. O texto também prevê que o valor referente ao vale-pedágio seja discriminado separadamente na nota fiscal da operação de transporte, reforçando que esse custo não integra o valor do frete.
Nos últimos anos, a Agência Nacional de Transportes Terrestres já iniciou um processo de modernização do sistema, com a implementação de identificação eletrônica obrigatória e a substituição gradual de modelos físicos de pagamento.
Para representantes do setor, a expectativa é que as novas mudanças contribuam para tornar o processo mais simples, transparente e alinhado às tecnologias atualmente utilizadas nas operações logísticas brasileiras.
Além da redução da burocracia, o mercado avalia que a integração digital pode melhorar o controle das operações, ampliar a rastreabilidade das viagens e facilitar o cumprimento da legislação por embarcadores, transportadoras e caminhoneiros autônomos.
por Setceb | maio 19, 2026 | Uncategorized
Os investimentos em infraestrutura de transportes no Brasil apresentaram crescimento nos últimos anos, impulsionados principalmente pelo avanço das concessões e pela maior participação da iniciativa privada em projetos logísticos. Dados do Ministério dos Transportes indicam que os aportes no setor chegaram a 0,71% do Produto Interno Bruto (PIB) entre 2023 e 2026.
O movimento acompanha a ampliação de projetos rodoviários e ferroviários, além da criação de novos corredores logísticos e da retomada de obras consideradas estratégicas para integração nacional.
Segundo levantamento da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base, o ano de 2025 registrou recorde de investimentos em infraestrutura pelo segundo ano consecutivo. Ao todo, foram aproximadamente R$ 280 bilhões aplicados no setor, sendo a maior parte oriunda de investimentos privados.
Mesmo com o avanço recente, entidades ligadas ao transporte e à infraestrutura avaliam que o volume ainda está distante do necessário para reduzir os gargalos logísticos do País.
Estudo elaborado pelo Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro aponta que o Brasil investiu cerca de 2,22% do PIB em infraestrutura durante 2024. O percentual, segundo o levantamento, permanece abaixo da taxa de depreciação dos ativos existentes.
As entidades defendem que o País precisaria manter investimentos superiores a 4% do PIB por vários anos consecutivos para alcançar níveis de infraestrutura considerados compatíveis com padrões internacionais.
Para a Associação Brasileira de Transporte e Logística de Produtos Perigosos, a retomada dos investimentos representa um avanço importante, principalmente pela maior presença da iniciativa privada nas concessões. Ainda assim, o setor avalia que o planejamento de longo prazo e a ampliação dos investimentos públicos continuam sendo fundamentais para aumentar a eficiência logística brasileira.
Segundo o presidente da entidade, Oswaldo Caixeta, melhorias em rodovias, ferrovias e portos impactam diretamente os custos operacionais do transporte de cargas e a competitividade nacional.
Além dos desafios relacionados aos investimentos, a situação das rodovias brasileiras segue sendo um dos principais pontos de atenção do setor. Dados da Confederação Nacional do Transporte mostram que parte significativa da malha rodoviária ainda apresenta condições consideradas regulares, ruins ou péssimas, cenário que gera aumento de custos operacionais e desgaste da frota.
O setor também defende avanços em áreas como fiscalização, qualificação profissional, modernização regulatória e integração logística entre os diferentes modais de transporte.
Para representantes da área, os investimentos em tecnologia e renovação de frota precisam ser acompanhados por melhorias efetivas na infraestrutura viária para que os ganhos operacionais sejam plenamente aproveitados pelas transportadoras e operadores logísticos.
A avaliação das entidades é que o atual momento representa uma evolução importante para a infraestrutura nacional, mas que o País ainda enfrenta um longo caminho para reduzir gargalos históricos e ampliar a eficiência do transporte rodoviário de cargas.
por Setceb | maio 19, 2026 | Uncategorized
O controle de infrações e da documentação da frota tem se tornado um desafio cada vez mais relevante para as transportadoras brasileiras. Segundo análise da Frota 162, falhas relacionadas ao excesso de velocidade e pendências administrativas dos veículos estão entre os fatores que mais geram prejuízos operacionais no transporte rodoviário de cargas.
Além das penalidades aplicadas durante fiscalizações, as irregularidades também afetam o desempenho da operação. Custos adicionais com manutenção, aumento no consumo de combustível e perda de produtividade estão entre os impactos apontados pela empresa especializada em rastreamento e gestão de veículos pesados.
O transporte rodoviário continua sendo o principal responsável pela movimentação de cargas no País, cenário que amplia a necessidade de controle sobre as operações. Informações da Polícia Rodoviária Federal mostram que uma parcela significativa dos caminhões fiscalizados nas rodovias apresenta algum tipo de infração.
Entre as ocorrências mais frequentes aparecem excesso de velocidade, atrasos em licenciamento e problemas com documentação obrigatória. Para especialistas do setor, esse tipo de situação normalmente está associado à ausência de processos preventivos e monitoramento contínuo das frotas.
Em operações maiores, onde há grande quantidade de veículos e motoristas circulando simultaneamente, o gerenciamento de prazos, comportamento de condução e conformidade documental se torna ainda mais complexo.
Segundo Marcelo Lemos, CEO da Frota 162, muitas empresas ainda tratam as multas apenas como custo operacional, sem analisar os fatores que originam essas ocorrências.
“O excesso de infrações normalmente revela falhas na gestão da frota. Quando não existe acompanhamento constante das operações, o risco aumenta e os prejuízos acabam se repetindo com frequência”, explicou.
O setor de transporte tem ampliado os investimentos em tecnologias de telemetria, rastreamento e análise de dados justamente para reduzir esse tipo de problema. Sistemas de monitoramento em tempo real permitem acompanhar padrões de condução, controlar vencimentos de documentos e identificar riscos operacionais antes que eles gerem impactos financeiros maiores.
Além de reduzir multas, as empresas buscam melhorar a eficiência logística, aumentar a segurança nas estradas e preservar a disponibilidade operacional dos veículos.
por Setceb | maio 19, 2026 | Uncategorized
Apesar de o programa Move Brasil já estar oficialmente regulamentado pelo governo federal, os caminhoneiros autônomos ainda não conseguem acessar as linhas de financiamento disponibilizadas pela iniciativa. A previsão é que os sistemas bancários destinados a esse público sejam liberados apenas no fim de maio.
A informação foi divulgada pela Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos, que explicou que instituições financeiras e agentes de crédito ainda realizam adaptações operacionais para atender as exigências específicas voltadas aos transportadores autônomos.
O Move Brasil foi criado para estimular a renovação da frota nacional e ampliar os investimentos no transporte rodoviário de cargas e passageiros. O programa reúne mais de R$ 21 bilhões em recursos públicos e privados, incluindo verbas do Tesouro Nacional e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
A nova etapa do programa ampliou o alcance das linhas de crédito, que anteriormente eram concentradas apenas em caminhões. Agora, também poderão ser financiados ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários.
Entre os principais públicos contemplados estão caminhoneiros autônomos, cooperativas e empresas de transporte. A proposta do governo é incentivar a modernização da frota brasileira, reduzir a emissão de poluentes e melhorar as condições de segurança nas rodovias.
No caso dos transportadores autônomos, o financiamento poderá ter prazo de até dez anos, incluindo carência de até 12 meses para início dos pagamentos. Já para empresas do setor, os contratos poderão chegar a cinco anos.
Outro ponto previsto na regulamentação envolve incentivos para retirada de veículos antigos de circulação. Caminhões com mais de 20 anos poderão ser destinados à reciclagem ou desmontagem autorizada, permitindo acesso a condições de juros mais vantajosas.
Além disso, os veículos financiados deverão seguir critérios relacionados à eficiência energética, sustentabilidade e nacionalização da produção. No caso dos seminovos, apenas modelos fabricados a partir de 2012 e alinhados às exigências ambientais do Proconve 7 poderão participar do programa.
Para ampliar o acesso ao crédito, principalmente entre pequenos transportadores, o governo também autorizou a utilização do Fundo Garantidor de Investimentos (FGI), mecanismo que busca reduzir riscos nas operações financeiras.
A renovação da frota é considerada um dos principais desafios do transporte rodoviário brasileiro. Segundo dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres, uma parcela significativa dos caminhões em circulação no País possui mais de duas décadas de uso, o que impacta diretamente custos operacionais, consumo de combustível e segurança viária.
por Setceb | maio 19, 2026 | Uncategorized
O transporte rodoviário de cargas registrou forte valorização no início do segundo trimestre de 2026. Levantamento da Edenred Repom aponta que o valor médio do frete por quilômetro rodado avançou 8,39% em abril, chegando a R$ 8,66. No mês anterior, a média estava em R$ 7,99.
O movimento foi influenciado principalmente pela alta do diesel e pela atualização da tabela dos pisos mínimos de frete da Agência Nacional de Transportes Terrestres, que passou a produzir efeitos integrais nas operações ao longo de abril.
O aumento do combustível voltou a pressionar diretamente os custos das transportadoras e caminhoneiros. Dados do Índice de Preços Edenred Ticket Log mostram que o diesel comum encerrou abril com média nacional de R$ 7,46, enquanto o diesel S-10 alcançou R$ 7,61.
No acumulado do período, os reajustes ultrapassaram 6%, elevando o impacto sobre operações de longa distância e segmentos com maior demanda logística, como agronegócio, indústria e distribuição urbana.
Além do diesel, o setor também sentiu os reflexos da nova tabela de frete da ANTT. Como os novos coeficientes começaram a valer na segunda metade de março, abril foi o primeiro mês com aplicação completa dos reajustes nos contratos e negociações de transporte.
Com isso, operadores logísticos e embarcadores passaram a absorver custos maiores nas movimentações de carga, acelerando o repasse para os preços do frete em diferentes regiões do País.
Mesmo diante desse cenário de pressão operacional, a demanda por transporte permaneceu aquecida. O agronegócio continuou impulsionando o fluxo logístico com o avanço da safra e o crescimento das exportações brasileiras.
Ao mesmo tempo, indicadores da atividade industrial também mostraram recuperação. O Índice de Gerentes de Compras (PMI), divulgado pela S&P Global, registrou crescimento em abril e atingiu o maior nível dos últimos 14 meses.
Segundo Vinicios Fernandes, diretor da Edenred Mobilidade, a combinação entre cenário internacional, combustíveis mais caros e atividade econômica aquecida explica a valorização do frete rodoviário no período.
Para os próximos meses, o setor acompanha principalmente os desdobramentos do mercado internacional de petróleo e os impactos das tensões geopolíticas sobre o preço dos combustíveis.
A expectativa é que uma possível estabilização do diesel possa reduzir a pressão sobre os custos logísticos. Ainda assim, especialistas avaliam que a demanda por transporte deverá seguir elevada com a continuidade da safra agrícola e a recuperação gradual da indústria brasileira.