MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES VAI APRESENTAR R$ 262,6 BILHÕES EM CONCESSÕES RODOVIÁRIAS E FERROVIÁRIAS PARA 2027

MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES VAI APRESENTAR R$ 262,6 BILHÕES EM CONCESSÕES RODOVIÁRIAS E FERROVIÁRIAS PARA 2027

O Ministério dos Transportes vai apresentar, nesta quinta-feira (15), na B3, em São Paulo, um portfólio de 29 projetos de concessões rodoviárias e ferroviárias previstos para 2027, com investimento total estimado em R$ 262,6 bilhões.

O anúncio será feito pelo ministro dos Transportes, George Santoro.

Do total, 11 contratos de concessões rodoviárias somam R$ 102,68 bilhões em investimentos previstos.

Os outros 18 projetos são ferroviários, com previsão de R$ 160 bilhões em aportes.

Na mesma data, o governo lançará a Política Nacional de Conectividade para rodovias federais concedidas, desenvolvida em parceria com o Ministério das Comunicações.

Entre os objetivos da política estão a ampliação do acesso à internet e a tecnologias digitais nas rodovias, a melhoria da segurança viária, do atendimento a emergências e do monitoramento do tráfego, a comunicação mais rápida sobre acidentes, interdições e condições climáticas adversas, e o reforço à prevenção de roubos e furtos de carga.

O lançamento do pacote de concessões para 2027 interessa diretamente às transportadoras baianas, já que rodovias federais que cruzam o estado — caso das BRs 116 e 324 — costumam figurar nos lotes de concessão do programa federal. A expansão da conectividade digital nas estradas concedidas também tende a beneficiar o monitoramento de cargas e a segurança de motoristas que trafegam por rodovias federais na Bahia, um dos pontos mais sensíveis para o setor em termos de roubo de carga. Os detalhes de cada projeto — incluindo eventuais trechos baianos — devem ser conhecidos na apresentação de quinta-feira.

Fonte: Transporte Moderno

GOVERNO AMPLIA SUBSÍDIO AO DIESEL IMPORTADO POR 30 DIAS PARA CONTER ALTA NOS PREÇOS

GOVERNO AMPLIA SUBSÍDIO AO DIESEL IMPORTADO POR 30 DIAS PARA CONTER ALTA NOS PREÇOS

O governo federal publicou nesta terça-feira (13) o decreto que formaliza a ampliação do subsídio ao diesel rodoviário A importado, anunciada na sexta-feira (9) pelo Ministério de Minas e Energia (MME). A partir de agora, os importadores do combustível passam a receber um valor extra de R$ 1,40 por litro, somado ao subsídio já existente de R$ 2,12, totalizando R$ 3,52 por litro durante os próximos 30 dias.

A medida se apoia na Medida Provisória (MP) 1.391, publicada em 11 de setembro, e será operacionalizada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), responsável pelo credenciamento dos participantes, pelo acompanhamento de preços e pelo repasse dos pagamentos. Segundo o MME, o objetivo é manter o fluxo de importações e o abastecimento nacional de diesel em um cenário de tensões geopolíticas e oferta internacional mais restrita, já que as importações respondem por 33% do consumo brasileiro do combustível.

O custo estimado da ampliação do subsídio para os cofres públicos é de R$ 1,6 bilhão ao longo dos 30 dias de vigência.

De acordo com o MME, o abastecimento de diesel está garantido em outubro. A demanda estimada para o mês é de 3,95 milhões de m³, enquanto a oferta confirmada soma 4,184 milhões de m³, dos quais cerca de 33% vêm de importações já confirmadas por distribuidoras, pela Petrobras e por empresas associadas à Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom). Os estoques nacionais somam 1,937 milhão de m³, suficientes para cerca de 15 dias de consumo ou mais de 40 dias caso seja necessário recorrer apenas às importações.

Desde março deste ano, o ministério mantém uma Mesa de Monitoramento do Abastecimento de Combustíveis, que acompanha semanalmente as condições internacionais com uma janela de dois meses de antecedência. Participam da mesa a ANP, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor (Senacon) e representantes do setor privado, como importadoras, refinarias, distribuidoras, produtores de biocombustíveis e revendedores.

O mesmo pacote de medidas prorroga por mais um mês a desoneração tributária sobre a gasolina e o etanol hidratado e amplia o subsídio pago aos produtores de etanol. Segundo o governo, as mudanças respondem à alta do petróleo no mercado internacional, ao aumento das margens de refino e à maior diferença entre o preço de paridade de importação e o preço doméstico ao produtor.

O Decreto 13.116/2026, que venceria em 9 de outubro, zera as alíquotas de PIS/Pasep, Cofins e Cide sobre a gasolina A. Com a prorrogação, a desoneração sobe de R$ 0,63 para R$ 0,89 por litro — nível equivalente ao de fevereiro deste ano, antes da escalada do conflito no Oriente Médio —, sendo R$ 0,79 referentes a PIS/Pasep e Cofins e R$ 0,10 à Cide. A medida vale por 30 dias, com possibilidade de nova prorrogação.

Para o etanol hidratado, ficam zeradas por mais um mês as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins, equivalentes a R$ 0,19 por litro, com base na Lei Complementar 235/2026, de forma a manter a competitividade do combustível frente à gasolina. Já o subsídio pago a produtores e cooperativas de etanol sobe de R$ 0,251 para R$ 0,4287 por litro, por meio do Decreto 13.119/2026 — compensação necessária, segundo o governo, porque a desoneração integral da gasolina reduziria a vantagem tributária do etanol.

O impacto fiscal total do pacote é estimado em R$ 3,6 bilhões em 2026, valor que o governo diz compensar com receitas extraordinárias da exploração de petróleo, o que tornaria as medidas neutras para as contas públicas. Todas têm caráter temporário e vigência restrita a este ano.

Para as transportadoras baianas, a manutenção do subsídio ao diesel importado tende a evitar repasses abruptos de preço nas bombas nos próximos 30 dias, em um momento de pressão internacional sobre os custos dos combustíveis. Como o diesel representa a maior parcela dos custos operacionais do transporte rodoviário de cargas, qualquer oscilação no preço afeta diretamente o frete praticado na Bahia, estado com forte dependência do modal rodoviário para escoar produção industrial e agrícola. A expectativa do setor é que o governo sinalize, nas próximas semanas, se a medida será prorrogada além dos 30 dias iniciais.Fonte: Blog do Caminhoneiro

GOVERNO FEDERAL ASSINA APORTE DE R$ 3 BILHÕES PARA A PONTE SALVADOR-ITAPARICA

GOVERNO FEDERAL ASSINA APORTE DE R$ 3 BILHÕES PARA A PONTE SALVADOR-ITAPARICA

O governo federal assinou, nesta terça-feira (13), o aporte de R$ 3 bilhões destinado à construção da Ponte Salvador-Itaparica, anúncio feito pelo senador Jaques Wagner (PT) após reunião na Casa Civil, em Brasília.

"É a garantia de que o processo agora não para mais", disse Wagner, que participou do encontro ao lado do governador Jerônimo Rodrigues (PT), do senador Otto Alencar e do senador eleito Rui Costa, entre outras lideranças políticas baianas.

O aporte federal é um dos repasses necessários para viabilizar o empreendimento, estruturado como parceria público-privada (PPP) e inserido no Novo PAC. O investimento total da obra é estimado em R$ 11,6 bilhões, dos quais R$ 3 bilhões vêm do governo federal, R$ 3,1 bilhões do governo do Estado da Bahia e R$ 5,5 bilhões de investidores privados.

O projeto prevê uma ponte de 12,4 km sobre o mar, ligada ao Sistema Viário Oeste. Em Salvador, serão construídos 4,4 km de estruturas viárias, incluindo viadutos e túneis nas proximidades da Calçada e de Água de Meninos. Já na Ilha de Itaparica, estão previstos 22 km de via expressa e a duplicação de um trecho de 8 km da BA-001, entre Tairu e a Ponte do Funil.

A obra é executada pela Concessionária Dois de Julho, formada pelas construtoras chinesas China Civil Engineering Construction Corporation (CCECC) e China Communications Construction Company (CCCC).

Já foram cravadas 15 estacas na Baía de Todos os Santos para sustentar uma usina de concreto destinada ao vão central da ponte, que terá 682 metros de extensão e foi projetado para permitir a passagem de embarcações de grande porte. O navio Tie Jian Da Qiao Zhuang 1, com 130,5 metros de comprimento e estrutura de cravação de 156 metros capaz de erguer até 700 toneladas, já deixou a China e tem chegada ao Brasil prevista para novembro.

Em terra, está em construção uma plataforma linear provisória no sítio Vera Cruz, na Ilha de Itaparica, enquanto o sítio da Jequitaia, em Salvador, é mobilizado como base administrativa e operacional, e o sítio de São Roque do Paraguaçu, em Maragogipe, abriga a preparação e o armazenamento de materiais e equipamentos.

A assinatura do aporte federal remove um dos principais entraves financeiros do projeto e sinaliza o avanço de uma obra considerada estratégica para o transporte rodoviário de cargas na Bahia, já que a ponte deve reduzir a dependência do sistema de ferries entre Salvador e a Ilha de Itaparica e encurtar o acesso de caminhões ao Baixo Sul e ao Recôncavo. Para as transportadoras baianas, a confirmação dos recursos aumenta a expectativa de que o cronograma da obra avance sem novas interrupções nos próximos meses.

Fonte: A Tarde

ESPECIALISTAS ALERTAM QUE EL NIÑO PODE TRAVAR LOGÍSTICA DE CARGAS NO BRASIL

ESPECIALISTAS ALERTAM QUE EL NIÑO PODE TRAVAR LOGÍSTICA DE CARGAS NO BRASIL

Especialistas em logística, meteorologia e infraestrutura alertaram que a chegada de um episódio forte do fenômeno El Niño, ainda neste fim de 2026, pode comprometer de forma significativa o transporte de cargas no país, com hidrovias mais secas no Norte e rodovias sujeitas a alagamentos no Sul.

O alerta foi reunido pelo portal especializado Frota&Cia, que ouviu pesquisadores, entidades do setor de transporte e empresas de logística sobre os riscos climáticos para a movimentação de cargas nos próximos meses. Segundo os especialistas consultados, a preocupação central é a falta de preparo da infraestrutura brasileira para eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes.

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o El Niño já foi confirmado, e a agência americana NOAA estima em pelo menos 90% a probabilidade de que o fenômeno se torne um dos mais fortes desde 1950, com pico esperado entre o final de 2026 e o início de 2027.

Na avaliação da economista Ana Jarrouge, do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga do Estado de São Paulo (Setcesp), a estiagem associada ao fenômeno tende a reduzir o nível dos rios usados para escoamento de cargas no Norte do país. A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) estima que, em cenários de seca semelhantes, os custos logísticos de granéis podem subir entre 30% e 40%.

Já a consultoria MoveInfra projeta um custo adicional de R$ 500 milhões a R$ 800 milhões em 2026 caso as hidrovias do Norte sejam interrompidas pela seca, impacto que tende a pressionar o frete de insumos e commodities transportados por aquela região.

No sentido oposto, a Climatempo prevê chuvas acima da média, tempestades, granizo e ventos fortes na região Sul do país, enquanto Sudeste e Centro-Oeste devem enfrentar calor persistente e umidade relativa muito baixa — condições que também afetam rodovias, operações de carga e descarga e a conservação de produtos transportados.

O professor Joni Matos Incheglu, da Universidade de Mogi das Cruzes, afirmou que parte das normas técnicas usadas hoje na engenharia de rodovias e de infraestrutura logística ainda se baseia em dados climáticos desatualizados. Segundo ele, boa parte dos desastres registrados nos últimos anos está mais relacionada à escolha inadequada de locais para construção do que à fragilidade das próprias estruturas.

Levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que apenas 24,5% dos municípios brasileiros utilizam soluções de drenagem baseadas na natureza, enquanto 57,5% não adotam esse tipo de solução. A limitação de recursos financeiros foi apontada como o principal obstáculo por 2.872 municípios consultados.

O setor de cadeia fria também está no radar. Liana Montemor, do Grupo Polar, alertou que atrasos e congestionamentos provocados por eventos climáticos podem reduzir a eficácia de medicamentos sensíveis à temperatura durante o transporte.

No agronegócio, estudo do Insper Agro Global apontou que o principal risco indireto do fenômeno é o atraso no plantio da soja, o que pode encurtar a janela da safrinha de milho e algodão. A advogada Cristiane Secco, do escritório Albuquerque Melo Advogados, recomendou que empresas do setor revisem contratos de transporte e armazenagem para esse cenário.

O setor de fertilizantes já sente efeitos semelhantes: as entregas ao Brasil somaram 3,16 milhões de toneladas em maio de 2026, queda de 14,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior, enquanto a produção nacional de fertilizantes intermediários recuou 26,2% em maio e 17,1% no acumulado do ano.

Para especialistas em infraestrutura, o episódio reforça a necessidade de que rodovias, portos e demais elos da cadeia logística sejam planejados considerando riscos climáticos, e não apenas a demanda de tráfego. A gerente de projetos Mariana Pontes, da consultoria Aries, defendeu que o planejamento logístico passe a tratar de forma integrada riscos de enchente, escassez de água e demanda de energia. Para transportadoras e caminhoneiros da Bahia, o alerta chega em um momento de atenção redobrada: o estado concentra trechos de rodovias federais sensíveis a chuvas intensas, como partes da BR-101 e da BR-116, e qualquer agravamento do regime de chuvas no período pode se somar aos desafios já enfrentados nas estradas baianas, reforçando a importância de planos de contingência e de rotas alternativas para quem transporta cargas pelo estado.

Fonte: Frota&Cia

SENADO ENTRA EM SEMANA DECISIVA PARA VOTAR PEC QUE ACABA COM A ESCALA 6X1

SENADO ENTRA EM SEMANA DECISIVA PARA VOTAR PEC QUE ACABA COM A ESCALA 6X1

Esta é uma atualização de um tema já noticiado: no início de outubro, o Senado iniciou a discussão da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que acaba com a escala de trabalho 6x1, com o setor de transporte de cargas acompanhando de perto o possível impacto bilionário da mudança sobre os custos operacionais das empresas. Agora, a proposta entra na semana que deve definir sua votação no plenário do Senado.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), agendou sessões de discussão da matéria para esta terça-feira (13), quarta-feira (14) e quinta-feira (15) de outubro. A PEC, de autoria do deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas em todo o país.

Pelo cronograma informado por Alcolumbre, a sessão de terça-feira corresponde à quarta rodada de discussão do texto. Na quarta-feira, ocorre a quinta e última sessão de debate; encerrada essa etapa, a proposta fica apta para votação em primeiro turno, que o presidente do Senado afirmou que deve ocorrer no mesmo dia.

A votação em segundo turno, no entanto, só deve ocorrer na quarta-feira se as lideranças governistas apresentarem um requerimento de quebra de interstício — prazo mínimo exigido entre as duas votações — com a assinatura de ao menos 54 senadores. Caso o pedido seja aprovado pelo plenário, a votação final da PEC pode ser concluída no mesmo dia.

Partidos de oposição já declararam que pretendem obstruir a votação e sinalizaram a possibilidade de apresentar destaques — emendas a trechos específicos do texto — que, se aprovados, obrigariam a proposta a retornar à Câmara dos Deputados para nova análise antes de seguir para sanção.

Outro fator que deve pesar nas negociações é o formato semipresencial das sessões no Senado, que reduz a eficácia de uma eventual estratégia de esvaziamento do plenário por parte de senadores contrários ao texto, prática usada em votações anteriores para impedir quórum.

A proposta tramita desde 2019, mas ganhou força nos últimos meses em meio ao debate público sobre jornada de trabalho e qualidade de vida, e o tema também entrou na pauta da campanha eleitoral em curso, a cerca de duas semanas do segundo turno das eleições presidenciais de 2026.

Caso seja aprovada, a mudança constitucional não altera diretamente a jornada dos motoristas profissionais, que já seguem regime próprio de horas de direção e descanso previsto na Lei do Motorista. No entanto, a redução da jornada padrão de 44 para 40 horas semanais deve afetar diretamente funcionários administrativos, operacionais, de pátio e de armazéns das transportadoras, com potencial impacto sobre escalas de trabalho e custos de mão de obra em todo o país, incluindo as empresas do setor sediadas na Bahia, que precisarão se preparar para eventuais ajustes em contratos e escalas caso o texto seja promulgado nos próximos dias.

Fonte: Bahia Notícias

PRODUÇÃO DE CAMINHÕES E ÔNIBUS CAI NO ANO E ANFAVEA PROJETA PRIMEIRO DÉFICIT COMERCIAL DO SETOR EM ANOS

PRODUÇÃO DE CAMINHÕES E ÔNIBUS CAI NO ANO E ANFAVEA PROJETA PRIMEIRO DÉFICIT COMERCIAL DO SETOR EM ANOS

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgou que a produção de caminhões no Brasil somou 92.305 unidades entre janeiro e setembro de 2026, queda de 6,4% em relação ao mesmo período de 2025 — resultado que, somado a uma retração ainda maior na produção de ônibus, levou a entidade a revisar para baixo sua projeção para o segmento de veículos pesados neste ano.

Os números fazem parte do balanço mensal do setor automotivo divulgado pela Anfavea e foram repercutidos pelos portais especializados Blog do Caminhoneiro e Frota&Cia. Um recorte desse mesmo balanço, referente às vendas de caminhões, já havia sido tratado em notícia publicada pelo SETCEB na semana passada; esta nota amplia o quadro para o lado da produção e do comércio exterior do setor.

Em setembro, a produção de caminhões foi de 11.625 unidades, praticamente estável frente às 11.773 de agosto (recuo de 1,3%) e 15% acima das 10.107 unidades produzidas em setembro de 2025. No acumulado do ano, porém, a queda de 6,4% reflete dificuldades concentradas principalmente nos primeiros meses de 2026.

A produção de ônibus teve retração ainda mais acentuada: 21.343 unidades entre janeiro e setembro, ante 24.030 no mesmo período de 2025, queda de 11,2%.

Diante desses resultados, a Anfavea revisou sua projeção para o mercado de veículos pesados: em junho, a entidade previa queda de 6% no ano, para 143,2 mil unidades; agora, a expectativa é de retração de 8,2%, para cerca de 139,8 mil unidades.

O cenário contrasta com o desempenho do mercado de automóveis e comerciais leves, que segue em forte expansão e deve fechar 2026 com 3,1 milhões de emplacamentos, alta de 15,2% — o maior volume desde 2014, segundo a entidade.

O presidente da Anfavea, Igor Calvet, chamou atenção para o aumento das importações, a queda das exportações e a maior participação de veículos montados a partir de kits importados (CKD e SKD) na produção nacional, o que reduz o uso da cadeia brasileira de autopeças e de mão de obra.

As exportações da indústria automotiva devem recuar 17,7% em 2026. De janeiro a setembro, somaram 334 mil unidades, queda de 23%, e já são seis meses consecutivos abaixo de 40 mil veículos exportados por mês — resultado atribuído à retração do mercado argentino e à presença maior de modelos chineses e mexicanos na América do Sul.

Na direção oposta, as importações de veículos cresceram 30,4% no ano, somando 463,9 mil unidades, das quais 55% são modelos chineses — hoje responsáveis por 11,3% de todo o mercado nacional. Com isso, a balança comercial do setor automotivo registrou déficit em 2026, revertendo um histórico recente de superávit.

Para as transportadoras baianas, o dado mais sensível é a reversão de tendência no segmento de pesados: a combinação de produção em queda, projeção revisada para baixo e maior dependência de insumos importados pode se refletir em prazos de entrega mais longos e preços menos competitivos na renovação de frota ao longo de 2027, em um momento em que o mercado de usados segue pressionado pelo custo do crédito.

Fonte: Frota&Cia