QUANDO A INFRAESTRUTURA SE TORNA DECISIVA PARA O SUCESSO DA AUTOMAÇÃO LOGÍSTICA

A busca por mais produtividade, eficiência e previsibilidade tem acelerado os investimentos em automação nos centros de distribuição brasileiros. Sistemas robotizados, equipamentos de movimentação automática, inteligência artificial e softwares de gestão passaram a ocupar espaço estratégico nos projetos logísticos. No entanto, especialistas alertam que a tecnologia, sozinha, não garante o sucesso da operação.

À medida que empresas ampliam seus investimentos em automação, cresce também a necessidade de olhar para um aspecto muitas vezes negligenciado: a infraestrutura física que sustenta toda a operação.

Um exemplo recente vem do setor farmacêutico. Durante a expansão de sua capacidade logística, a Profarma precisou enfrentar um desafio comum a grandes operações: aumentar a produtividade e preparar a estrutura para o crescimento sem interromper o abastecimento de milhares de clientes. A experiência reforça uma discussão cada vez mais presente no mercado: antes de investir em equipamentos sofisticados, é preciso garantir que a base operacional esteja preparada para receber essa transformação.

A automação tem potencial para reduzir erros, aumentar a velocidade dos processos e melhorar o aproveitamento dos espaços. Porém, ela também eleva o nível de exigência da operação. Diferentemente de processos manuais, em que operadores conseguem corrigir pequenas falhas ao longo da rotina, sistemas automatizados trabalham com margens mínimas para desvios.

Um piso desnivelado, uma estrutura mal dimensionada ou uma posição incorreta de armazenagem podem gerar interrupções, retrabalho e perda de eficiência. O que antes passava despercebido passa a comprometer diretamente o desempenho da operação.

Por isso, especialistas defendem que projetos de automação devem começar muito antes da aquisição de robôs ou softwares. O primeiro passo é avaliar se a infraestrutura existente suporta o novo modelo operacional. Questões como capacidade estrutural, resistência do piso, layout, fluxo de movimentação e expansão futura precisam ser consideradas desde o planejamento inicial.

Outro ponto importante é compreender que a automação não elimina a necessidade de gestão. Pelo contrário. Quanto maior o grau de tecnologia embarcada, maior tende a ser a dependência de monitoramento, manutenção preventiva e acompanhamento constante dos indicadores operacionais.

A experiência mostra que muitas empresas concentram seus investimentos na parte mais visível do projeto — equipamentos, sistemas e tecnologia — mas deixam em segundo plano aspectos estruturais que podem determinar o resultado final da iniciativa. Em operações altamente automatizadas, a infraestrutura deixa de ser apenas suporte e passa a fazer parte do próprio sistema produtivo.

Além da questão técnica, existe um desafio estratégico. Automatizar não significa apenas substituir atividades manuais. Significa redesenhar processos, rever fluxos de trabalho e preparar equipes para uma nova realidade operacional. O retorno sobre o investimento depende justamente da capacidade de integrar tecnologia, pessoas e processos em uma mesma estratégia.

No transporte e na logística, onde a pressão por produtividade cresce continuamente, a tendência é que os projetos de automação avancem nos próximos anos. Porém, o principal aprendizado dos grandes cases do setor é que o sucesso não está apenas na tecnologia escolhida, mas na capacidade de construir uma operação preparada para sustentá-la no longo prazo.

Mais do que uma corrida por inovação, a automação exige planejamento, visão sistêmica e atenção aos detalhes. Afinal, em operações de alta performance, os maiores riscos nem sempre estão nos equipamentos, mas naquilo que sustenta toda a estrutura.

TRANSPORTE INTERNACIONAL DE CARGAS GANHA FORÇA E ANTT DISCUTE AVANÇOS PARA REDUZIR BARREIRAS LOGÍSTICAS

O transporte rodoviário internacional de cargas vem ampliando sua relevância para o comércio exterior brasileiro e para a integração econômica da América do Sul. Com o aumento do fluxo de mercadorias entre os países vizinhos, cresce também a necessidade de tornar as operações transfronteiriças mais ágeis, eficientes e menos burocráticas.

Esse cenário esteve em pauta durante encontro promovido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), em Brasília, reunindo representantes do setor público, transportadores e entidades ligadas à atividade. O debate teve como foco a modernização das operações internacionais e a busca por maior alinhamento entre as regras aplicadas pelos países da região.

Entre os principais desafios apontados estão a simplificação de processos, a digitalização de procedimentos e a harmonização de normas que regulam o transporte entre fronteiras. A expectativa é que essas medidas contribuam para reduzir custos operacionais, aumentar a competitividade das empresas e melhorar o desempenho dos corredores logísticos sul-americanos.

Dados apresentados durante o encontro mostram a importância crescente do segmento. O transporte rodoviário internacional registrou expansão de 12,3% entre 2024 e 2025, desempenho superior ao observado em outros modais no mesmo período. Atualmente, mais de mil empresas brasileiras estão habilitadas para atuar nesse mercado, com uma frota próxima de 100 mil veículos autorizados.

Outro destaque é a relevância estratégica das rotas internacionais para a economia nacional. Aproximadamente um terço das exportações brasileiras destinadas aos países vizinhos utiliza o modal rodoviário, reforçando a importância da infraestrutura e da integração regional para o desenvolvimento do comércio exterior.

A ampliação dos corredores bioceânicos e os investimentos em conectividade logística também foram apontados como fatores que podem impulsionar ainda mais o transporte internacional nos próximos anos. Além de facilitar o escoamento da produção brasileira, essas iniciativas fortalecem a integração econômica entre os países sul-americanos.

Segundo a ANTT, o avanço da informatização, a padronização de procedimentos e o fortalecimento da cooperação entre os países da região são passos fundamentais para aumentar a eficiência das operações e acompanhar o crescimento da demanda por transporte internacional de cargas.

MP DO FRETE AVANÇA NO CONGRESSO E AMPLIA REGRAS PARA O TRANSPORTE DE CARGAS

O setor de transporte rodoviário de cargas acompanha uma nova etapa da Medida Provisória nº 1.343/2026, aprovada recentemente pela Câmara dos Deputados e agora em análise no Senado Federal. A proposta amplia os mecanismos de fiscalização do frete mínimo e traz uma série de mudanças que podem impactar diretamente transportadoras, embarcadores e motoristas em todo o país.

Entre as principais atualizações está o fortalecimento do controle sobre o cumprimento da tabela de frete. O texto prevê regras mais rigorosas para coibir contratações abaixo dos valores mínimos definidos pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), incluindo a aplicação de multas mais elevadas para empresas reincidentes.

A proposta também amplia os critérios utilizados para a atualização da tabela do frete mínimo. Além dos custos com combustível e pedágios, poderão ser considerados fatores como manutenção dos veículos, pneus, seguros, depreciação da frota, tributos e o tempo gasto nas operações de carga e descarga. A medida busca aproximar os valores de referência da realidade operacional enfrentada pelo setor.

Outro ponto importante envolve o fortalecimento do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), que ganha papel ainda mais relevante na fiscalização das operações. A expectativa é aumentar a transparência das contratações e ampliar o controle sobre os pagamentos realizados ao longo da cadeia logística.

A medida provisória também inclui alterações nas regras relacionadas ao excesso de peso, modificando critérios de fiscalização e adequando procedimentos que afetam diretamente a operação dos transportadores. Além disso, o texto prevê um período de adaptação para que empresas e profissionais possam se adequar às novas exigências regulatórias após a regulamentação definitiva.

Representantes do setor acompanham a tramitação com atenção, já que as mudanças podem influenciar custos operacionais, processos administrativos e a forma como as operações de transporte serão fiscalizadas nos próximos anos.

Agora, a proposta segue para apreciação do Senado. Como se trata de uma medida provisória, a votação precisa ocorrer dentro do prazo legal para que as novas regras sejam efetivamente incorporadas à legislação brasileira.

PAGAMENTO DE PEDÁGIO POR LEITURA DE PLACA AVANÇA NO TRANSPORTE DE CARGAS

A digitalização das operações no transporte rodoviário de cargas pode ganhar um novo capítulo nos próximos meses. Empresas do setor estão testando uma tecnologia que permite realizar o pagamento do Vale-Pedágio Obrigatório por meio da leitura automática da placa dos caminhões, eliminando a necessidade de cartões físicos ou outros dispositivos tradicionais utilizados atualmente.

A proposta busca tornar a passagem pelas praças de pedágio mais ágil e simplificar a gestão das viagens para transportadoras, embarcadores e caminhoneiros. No novo modelo, as informações da operação são cadastradas previamente e vinculadas ao veículo. Quando o caminhão passa pelo pedágio, a identificação ocorre automaticamente por meio do reconhecimento da placa, permitindo que a cobrança seja processada sem etapas adicionais.

A iniciativa acompanha o avanço da digitalização no setor de transporte e está alinhada às mudanças regulatórias que incentivam soluções capazes de reduzir paradas e aumentar a fluidez nas rodovias. Além de agilizar a circulação dos veículos, o sistema promete ampliar o controle sobre os gastos com pedágio e oferecer maior rastreabilidade das operações.

Outro benefício esperado é a redução de problemas relacionados ao uso de meios físicos de pagamento, como perda de cartões ou dificuldades operacionais durante as viagens. Para caminhoneiros autônomos e pequenas transportadoras, a tecnologia também pode representar mais praticidade no acesso ao Vale-Pedágio Obrigatório.

A solução está sendo desenvolvida em parceria entre a Visa e a ConectCar e ainda passa por testes em ambiente controlado. A expectativa é que a ferramenta contribua para modernizar os processos de pagamento no transporte rodoviário de cargas e acompanhe a crescente transformação digital que vem ganhando espaço na logística brasileira.

LOGÍSTICA GANHA NOVO FÔLEGO COM RETOMADA DA ATIVIDADE E EXPECTATIVA DE CRÉDITO MAIS BARATO

Após um início de ano marcado por oscilações na atividade econômica, o setor de transporte voltou a demonstrar sinais de recuperação. A combinação entre maior movimentação de mercadorias, crescimento das operações logísticas e perspectivas mais favoráveis para investimentos tem contribuído para fortalecer o ambiente de negócios das empresas do segmento.

Os indicadores mais recentes mostram que a atividade transportadora registrou avanço em abril, revertendo o desempenho negativo observado no mês anterior. O resultado reforça a importância da logística para a dinâmica econômica do país e acompanha o aumento da demanda por serviços relacionados à armazenagem, distribuição e movimentação de cargas.

O cenário também é favorecido pela expansão das exportações brasileiras e pelo crescimento de setores que dependem diretamente da eficiência logística para manter suas operações. Com isso, empresas ligadas ao transporte e à armazenagem seguem ampliando sua participação na cadeia de suprimentos nacional.

Além da melhora operacional, outro fator que começa a influenciar o planejamento das transportadoras é o comportamento dos custos. A recente redução nos preços dos combustíveis trouxe um alívio momentâneo para as despesas do setor, embora os valores ainda permaneçam acima dos níveis observados há um ano.

No campo financeiro, a queda da taxa básica de juros abre espaço para uma perspectiva mais positiva em relação ao acesso ao crédito. A medida pode favorecer investimentos em modernização, ampliação da capacidade operacional e renovação de frota, temas que seguem entre as prioridades das empresas de transporte.

Mesmo diante dos desafios relacionados à inflação e às incertezas econômicas, o desempenho recente indica que a logística continua desempenhando papel estratégico para o crescimento do país. A expectativa do mercado é de que a combinação entre atividade econômica aquecida, maior eficiência operacional e melhores condições de financiamento contribua para sustentar o ritmo de recuperação ao longo dos próximos meses.

REFORMA TRIBUTÁRIA E DESAFIOS DO TRC ESTÃO NO CENTRO DOS DEBATES DO SETOR

A Reforma Tributária já deixou de ser um tema para o futuro e passou a fazer parte das decisões estratégicas das empresas de transporte rodoviário de cargas. O assunto foi um dos destaques do Rumo Brasil Summit 2026, evento que reuniu empresários, especialistas e lideranças do setor para discutir os desafios da adaptação ao novo modelo tributário brasileiro.

Entre os participantes esteve o economista e idealizador da reforma, Bernard Appy, que apresentou os principais avanços do novo sistema e destacou que a mudança representa uma transformação estrutural na economia nacional. Segundo ele, embora o período de transição exija adaptações e investimentos por parte das empresas, a expectativa é de ganhos de eficiência e maior racionalidade tributária no longo prazo.

Para o transporte rodoviário de cargas, o momento exige atenção especial. Desde o início de 2026, o setor passou a conviver com a fase de testes da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), que gradualmente substituirão tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS. A transição seguirá até 2033, período em que empresas precisarão administrar simultaneamente dois sistemas tributários distintos.

Durante o evento, especialistas alertaram que as mudanças vão além da questão fiscal. A nova estrutura tributária poderá influenciar a formação de preços, a composição dos custos operacionais, a gestão financeira e até mesmo o planejamento logístico das transportadoras. Em muitos casos, estratégias construídas ao longo dos anos para aproveitar benefícios fiscais precisarão ser reavaliadas diante do novo cenário.

O CEO da Rumo Brasil, Rafael Brito, ressaltou que o setor atravessa um dos períodos de maior transformação de sua história. Além da reforma, as empresas também enfrentam novas exigências regulatórias, mudanças econômicas e avanços tecnológicos que exigem maior capacidade de adaptação e planejamento.

A avaliação predominante entre os participantes foi de que as transportadoras que iniciarem desde já a revisão de processos, sistemas e estratégias tributárias estarão mais preparadas para aproveitar oportunidades e reduzir riscos ao longo da transição.