INVESTIMENTOS EM INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES AVANÇAM, MAS SETOR AINDA APONTA DEFASAGEM NO BRASIL

Os investimentos em infraestrutura de transportes no Brasil apresentaram crescimento nos últimos anos, impulsionados principalmente pelo avanço das concessões e pela maior participação da iniciativa privada em projetos logísticos. Dados do Ministério dos Transportes indicam que os aportes no setor chegaram a 0,71% do Produto Interno Bruto (PIB) entre 2023 e 2026.

O movimento acompanha a ampliação de projetos rodoviários e ferroviários, além da criação de novos corredores logísticos e da retomada de obras consideradas estratégicas para integração nacional.

Segundo levantamento da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base, o ano de 2025 registrou recorde de investimentos em infraestrutura pelo segundo ano consecutivo. Ao todo, foram aproximadamente R$ 280 bilhões aplicados no setor, sendo a maior parte oriunda de investimentos privados.

Mesmo com o avanço recente, entidades ligadas ao transporte e à infraestrutura avaliam que o volume ainda está distante do necessário para reduzir os gargalos logísticos do País.

Estudo elaborado pelo Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro aponta que o Brasil investiu cerca de 2,22% do PIB em infraestrutura durante 2024. O percentual, segundo o levantamento, permanece abaixo da taxa de depreciação dos ativos existentes.

As entidades defendem que o País precisaria manter investimentos superiores a 4% do PIB por vários anos consecutivos para alcançar níveis de infraestrutura considerados compatíveis com padrões internacionais.

Para a Associação Brasileira de Transporte e Logística de Produtos Perigosos, a retomada dos investimentos representa um avanço importante, principalmente pela maior presença da iniciativa privada nas concessões. Ainda assim, o setor avalia que o planejamento de longo prazo e a ampliação dos investimentos públicos continuam sendo fundamentais para aumentar a eficiência logística brasileira.

Segundo o presidente da entidade, Oswaldo Caixeta, melhorias em rodovias, ferrovias e portos impactam diretamente os custos operacionais do transporte de cargas e a competitividade nacional.

Além dos desafios relacionados aos investimentos, a situação das rodovias brasileiras segue sendo um dos principais pontos de atenção do setor. Dados da Confederação Nacional do Transporte mostram que parte significativa da malha rodoviária ainda apresenta condições consideradas regulares, ruins ou péssimas, cenário que gera aumento de custos operacionais e desgaste da frota.

O setor também defende avanços em áreas como fiscalização, qualificação profissional, modernização regulatória e integração logística entre os diferentes modais de transporte.

Para representantes da área, os investimentos em tecnologia e renovação de frota precisam ser acompanhados por melhorias efetivas na infraestrutura viária para que os ganhos operacionais sejam plenamente aproveitados pelas transportadoras e operadores logísticos.

A avaliação das entidades é que o atual momento representa uma evolução importante para a infraestrutura nacional, mas que o País ainda enfrenta um longo caminho para reduzir gargalos históricos e ampliar a eficiência do transporte rodoviário de cargas.

INFRAÇÕES DE TRÂNSITO E FALHAS DOCUMENTAIS ELEVAM CUSTOS DAS TRANSPORTADORAS

O controle de infrações e da documentação da frota tem se tornado um desafio cada vez mais relevante para as transportadoras brasileiras. Segundo análise da Frota 162, falhas relacionadas ao excesso de velocidade e pendências administrativas dos veículos estão entre os fatores que mais geram prejuízos operacionais no transporte rodoviário de cargas.

Além das penalidades aplicadas durante fiscalizações, as irregularidades também afetam o desempenho da operação. Custos adicionais com manutenção, aumento no consumo de combustível e perda de produtividade estão entre os impactos apontados pela empresa especializada em rastreamento e gestão de veículos pesados.

O transporte rodoviário continua sendo o principal responsável pela movimentação de cargas no País, cenário que amplia a necessidade de controle sobre as operações. Informações da Polícia Rodoviária Federal mostram que uma parcela significativa dos caminhões fiscalizados nas rodovias apresenta algum tipo de infração.

Entre as ocorrências mais frequentes aparecem excesso de velocidade, atrasos em licenciamento e problemas com documentação obrigatória. Para especialistas do setor, esse tipo de situação normalmente está associado à ausência de processos preventivos e monitoramento contínuo das frotas.

Em operações maiores, onde há grande quantidade de veículos e motoristas circulando simultaneamente, o gerenciamento de prazos, comportamento de condução e conformidade documental se torna ainda mais complexo.

Segundo Marcelo Lemos, CEO da Frota 162, muitas empresas ainda tratam as multas apenas como custo operacional, sem analisar os fatores que originam essas ocorrências.

“O excesso de infrações normalmente revela falhas na gestão da frota. Quando não existe acompanhamento constante das operações, o risco aumenta e os prejuízos acabam se repetindo com frequência”, explicou.

O setor de transporte tem ampliado os investimentos em tecnologias de telemetria, rastreamento e análise de dados justamente para reduzir esse tipo de problema. Sistemas de monitoramento em tempo real permitem acompanhar padrões de condução, controlar vencimentos de documentos e identificar riscos operacionais antes que eles gerem impactos financeiros maiores.

Além de reduzir multas, as empresas buscam melhorar a eficiência logística, aumentar a segurança nas estradas e preservar a disponibilidade operacional dos veículos.

CRÉDITO DO MOVE BRASIL PARA CAMINHONEIROS AUTÔNOMOS DEVE SER LIBERADO ATÉ O FIM DE MAIO

Apesar de o programa Move Brasil já estar oficialmente regulamentado pelo governo federal, os caminhoneiros autônomos ainda não conseguem acessar as linhas de financiamento disponibilizadas pela iniciativa. A previsão é que os sistemas bancários destinados a esse público sejam liberados apenas no fim de maio.

A informação foi divulgada pela Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos, que explicou que instituições financeiras e agentes de crédito ainda realizam adaptações operacionais para atender as exigências específicas voltadas aos transportadores autônomos.

O Move Brasil foi criado para estimular a renovação da frota nacional e ampliar os investimentos no transporte rodoviário de cargas e passageiros. O programa reúne mais de R$ 21 bilhões em recursos públicos e privados, incluindo verbas do Tesouro Nacional e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

A nova etapa do programa ampliou o alcance das linhas de crédito, que anteriormente eram concentradas apenas em caminhões. Agora, também poderão ser financiados ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários.

Entre os principais públicos contemplados estão caminhoneiros autônomos, cooperativas e empresas de transporte. A proposta do governo é incentivar a modernização da frota brasileira, reduzir a emissão de poluentes e melhorar as condições de segurança nas rodovias.

No caso dos transportadores autônomos, o financiamento poderá ter prazo de até dez anos, incluindo carência de até 12 meses para início dos pagamentos. Já para empresas do setor, os contratos poderão chegar a cinco anos.

Outro ponto previsto na regulamentação envolve incentivos para retirada de veículos antigos de circulação. Caminhões com mais de 20 anos poderão ser destinados à reciclagem ou desmontagem autorizada, permitindo acesso a condições de juros mais vantajosas.

Além disso, os veículos financiados deverão seguir critérios relacionados à eficiência energética, sustentabilidade e nacionalização da produção. No caso dos seminovos, apenas modelos fabricados a partir de 2012 e alinhados às exigências ambientais do Proconve 7 poderão participar do programa.

Para ampliar o acesso ao crédito, principalmente entre pequenos transportadores, o governo também autorizou a utilização do Fundo Garantidor de Investimentos (FGI), mecanismo que busca reduzir riscos nas operações financeiras.

A renovação da frota é considerada um dos principais desafios do transporte rodoviário brasileiro. Segundo dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres, uma parcela significativa dos caminhões em circulação no País possui mais de duas décadas de uso, o que impacta diretamente custos operacionais, consumo de combustível e segurança viária.

PREÇO DO FRETE RODOVIÁRIO SOBE MAIS DE 8% EM ABRIL E REFORÇA PRESSÃO NOS CUSTOS LOGÍSTICOS

O transporte rodoviário de cargas registrou forte valorização no início do segundo trimestre de 2026. Levantamento da Edenred Repom aponta que o valor médio do frete por quilômetro rodado avançou 8,39% em abril, chegando a R$ 8,66. No mês anterior, a média estava em R$ 7,99.

O movimento foi influenciado principalmente pela alta do diesel e pela atualização da tabela dos pisos mínimos de frete da Agência Nacional de Transportes Terrestres, que passou a produzir efeitos integrais nas operações ao longo de abril.

O aumento do combustível voltou a pressionar diretamente os custos das transportadoras e caminhoneiros. Dados do Índice de Preços Edenred Ticket Log mostram que o diesel comum encerrou abril com média nacional de R$ 7,46, enquanto o diesel S-10 alcançou R$ 7,61.

No acumulado do período, os reajustes ultrapassaram 6%, elevando o impacto sobre operações de longa distância e segmentos com maior demanda logística, como agronegócio, indústria e distribuição urbana.

Além do diesel, o setor também sentiu os reflexos da nova tabela de frete da ANTT. Como os novos coeficientes começaram a valer na segunda metade de março, abril foi o primeiro mês com aplicação completa dos reajustes nos contratos e negociações de transporte.

Com isso, operadores logísticos e embarcadores passaram a absorver custos maiores nas movimentações de carga, acelerando o repasse para os preços do frete em diferentes regiões do País.

Mesmo diante desse cenário de pressão operacional, a demanda por transporte permaneceu aquecida. O agronegócio continuou impulsionando o fluxo logístico com o avanço da safra e o crescimento das exportações brasileiras.

Ao mesmo tempo, indicadores da atividade industrial também mostraram recuperação. O Índice de Gerentes de Compras (PMI), divulgado pela S&P Global, registrou crescimento em abril e atingiu o maior nível dos últimos 14 meses.

Segundo Vinicios Fernandes, diretor da Edenred Mobilidade, a combinação entre cenário internacional, combustíveis mais caros e atividade econômica aquecida explica a valorização do frete rodoviário no período.

Para os próximos meses, o setor acompanha principalmente os desdobramentos do mercado internacional de petróleo e os impactos das tensões geopolíticas sobre o preço dos combustíveis.

A expectativa é que uma possível estabilização do diesel possa reduzir a pressão sobre os custos logísticos. Ainda assim, especialistas avaliam que a demanda por transporte deverá seguir elevada com a continuidade da safra agrícola e a recuperação gradual da indústria brasileira.

BYD AVANÇA NOS TESTES DE CAMINHÕES ELÉTRICOS PESADOS E AMPLIA APOSTA NO TRANSPORTE DE CARGAS NO BRASIL

A montadora chinesa BYD iniciou testes com caminhões elétricos pesados no Brasil e amplia sua atuação no segmento de transporte rodoviário de cargas. A empresa já opera dez cavalos mecânicos elétricos 6×2 em atividades internas na fábrica de Camaçari, na Bahia, em um movimento que antecipa os planos de expansão da marca no mercado brasileiro de veículos pesados eletrificados.

Os testes fazem parte da estratégia da fabricante de avançar além dos ônibus e caminhões leves e médios, entrando em um segmento considerado mais desafiador por conta das exigências de autonomia, infraestrutura de recarga e capacidade operacional.

Atualmente, os veículos estão em fase de validação operacional e ainda não possuem previsão oficial de lançamento comercial no País. Segundo a empresa, o objetivo é avaliar desempenho, autonomia e viabilidade prática em aplicações reais de transporte de cargas.

De acordo com Bruno Paiva, diretor de vendas de caminhões e chassis de ônibus da BYD, os modelos estão sendo utilizados na movimentação interna de cargas dentro da unidade baiana. A configuração 6×2 escolhida pela montadora posiciona a marca em um dos nichos mais complexos da eletrificação no transporte rodoviário.

A iniciativa reforça o avanço da eletrificação no setor logístico brasileiro, principalmente em operações urbanas e de média distância. Hoje, os caminhões elétricos da BYD disponíveis no mercado nacional estão concentrados nos segmentos leve e médio, voltados principalmente para distribuição urbana e operações de última milha.

Os modelos atuais possuem autonomia próxima de 220 quilômetros, característica considerada adequada para rotas com retorno diário às bases operacionais. A próxima etapa da estratégia da fabricante prevê ampliar o uso desses veículos em trajetos regionais e operações entre centros de distribuição e polos logísticos.

Outro ponto que chama atenção é o investimento da empresa em tecnologias de recarga ultrarrápida. A BYD apresentou recentemente uma nova geração de baterias e sistemas capazes de reduzir significativamente o tempo de carregamento. A expectativa é que futuros caminhões elétricos utilizem tecnologias que permitam recargas em cerca de dez minutos, reduzindo o impacto das paradas operacionais nas transportadoras.

Além dos testes com pesados, a fabricante também prepara mudanças no portfólio brasileiro. O modelo T5 deverá ser substituído pelo T75, com previsão de entregas no segundo semestre de 2026. Já os modelos T18 e T23 devem receber atualizações nos próximos anos.

A operação brasileira da BYD ganhou força após a inauguração da fábrica de Camaçari, na Bahia, instalada no antigo complexo industrial da Ford. A unidade iniciou a montagem de veículos eletrificados em 2025 e faz parte da estratégia da empresa de ampliar a nacionalização da produção no Brasil.

O mercado de caminhões elétricos no País ainda é considerado inicial, mas começa a atrair maior concorrência de fabricantes chinesas como Foton, Sany e XCMG, que também ampliam investimentos no segmento.

Para especialistas do setor, a expansão dos caminhões elétricos dependerá não apenas do custo de aquisição dos veículos, mas também da evolução da infraestrutura de recarga, da autonomia operacional, da disponibilidade de peças e da capacidade de suporte técnico às transportadoras.

ANTT REFORÇA AÇÕES DE SEGURANÇA VIÁRIA EM RODOVIAS FEDERAIS CONCEDIDAS

Garantir viagens mais seguras nas rodovias federais vai além da qualidade do pavimento. O trabalho envolve fiscalização, monitoramento, engenharia, tecnologia e ações educativas voltadas à redução de riscos e à melhoria da experiência dos usuários nas estradas concedidas.

A atuação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) inclui o acompanhamento constante das condições operacionais das rodovias, análise de indicadores de sinistros, fluxo de veículos e identificação de trechos considerados críticos. Com base nesses dados, são direcionadas às concessionárias intervenções como reforço de sinalização, implantação de áreas de escape, adequações geométricas e construção de passarelas e travessias em desnível.

Segundo a Agência, o objetivo é ampliar a segurança viária e reduzir a ocorrência de acidentes graves nas rodovias federais concedidas.

O diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres, Lucas Asfor Rocha, destacou que a segurança precisa ser percebida de forma prática pelos usuários das rodovias.

Além do acompanhamento dos contratos de concessão, a atuação da Agência envolve ações integradas com a Polícia Rodoviária Federal, concessionárias e outros órgãos públicos, incluindo fiscalizações e campanhas educativas voltadas à conscientização dos motoristas.

MAIO AMARELO INTENSIFICA AÇÕES EDUCATIVAS

Durante a campanha Maio Amarelo, as ações de conscientização nas rodovias são ampliadas. As equipes promovem abordagens educativas sobre comportamentos de risco no trânsito, como excesso de velocidade, uso do celular ao volante, distrações e ultrapassagens indevidas.

Dentro da programação do mês, a ANTT também realizou o 4º Workshop Vias Seguras, em Brasília, reunindo especialistas, pesquisadores, concessionárias e forças de fiscalização para discutir medidas de prevenção de acidentes e melhoria da segurança viária.

TECNOLOGIA GANHA ESPAÇO NAS ESTRADAS

A tecnologia também vem sendo utilizada como ferramenta de apoio à segurança no transporte rodoviário. Por meio dos Recursos para Desenvolvimento Tecnológico (RDT), previstos nos contratos de concessão, a Agência incentiva pesquisas e soluções aplicadas diretamente à operação das rodovias.

Entre os projetos em desenvolvimento estão sistemas para monitoramento de freios de veículos pesados, avaliação automatizada de sinalização e estudos voltados à redução de derrapagens em pistas molhadas.

Além disso, programas de educação para o trânsito vêm sendo realizados em municípios próximos às rodovias federais, ampliando o alcance das campanhas de conscientização.

Mesmo com os avanços em infraestrutura e fiscalização, especialistas destacam que o comportamento dos usuários continua sendo um dos principais fatores associados aos acidentes graves nas estradas brasileiras.

A combinação entre fiscalização, investimentos em infraestrutura, uso de tecnologia e conscientização dos motoristas segue como uma das principais estratégias para ampliar a segurança nas rodovias federais do país.