TECNOLOGIA INTEGRADA PODE REDUZIR CUSTOS DE FROTAS EM ATÉ 20% NO TRANSPORTE

O avanço da digitalização no transporte rodoviário de cargas tem reposicionado a gestão de frotas como um dos pilares estratégicos para ganho de eficiência e redução de custos no setor. Em um cenário de crescimento da logística global, impulsionado principalmente pelo e-commerce e pela diversificação de produtos, empresas passam a depender cada vez mais de inteligência operacional para manter competitividade.

De acordo com projeções de mercado, o setor global de transporte e logística deve ultrapassar US$ 14 trilhões até 2030. No Brasil, a atividade representa cerca de 6,5% do PIB, com forte protagonismo do transporte rodoviário, responsável por mais de 60% da movimentação de cargas no país.

Nesse contexto, a gestão de frotas ganha relevância ao atuar diretamente na eficiência das operações. Estudos indicam que empresas que adotam soluções tecnológicas integradas — reunindo controle de manutenção, consumo de combustível, gestão de pneus, despesas e estoque em uma única plataforma — podem reduzir custos operacionais em até 20%, além de melhorar a produtividade e a previsibilidade financeira.

Apesar da ampla oferta de ferramentas no mercado, especialistas alertam que o principal desafio não está na coleta de dados, mas na integração das informações. Sistemas isolados e que não se comunicam entre si acabam gerando decisões reativas, desperdícios e falhas de planejamento.

A tendência, segundo o setor, é a migração para plataformas completas, capazes de transformar dados em decisões estratégicas. A integração entre diferentes áreas da operação permite identificar gargalos com mais precisão, otimizar recursos e aumentar a vida útil dos veículos.

Com a digitalização acelerada da logística, empresas que permanecem com modelos fragmentados tendem a perder competitividade. Por outro lado, aquelas que adotam soluções integradas passam a tratar a frota não apenas como um centro de custo, mas como um ativo estratégico, capaz de impulsionar resultados e sustentar o crescimento no longo prazo.

GOVERNO DA BAHIA AVANÇA COM PAVIMENTAÇÃO DE MAIS DE 70 KM DE RODOVIAS EM QUATRO MUNICÍPIOS

O Governo da Bahia vai ampliar a infraestrutura viária com a pavimentação de mais de 70 quilômetros de rodovias em diferentes regiões do estado. As obras, coordenadas pela Secretaria de Infraestrutura (Seinfra), já estão em fase de licitação, após a publicação dos avisos no Diário Oficial do Estado no último fim de semana.

Entre os destaques está a pavimentação da BA-335, no município de Pilão Arcado, no trecho que liga os povoados de Poço Dantas e Lagoa do Padre. A obra, com cerca de 30 quilômetros na primeira etapa, promete reduzir significativamente o tempo de deslocamento na região, passando de aproximadamente 1h30 para 45 minutos. A intervenção deve beneficiar cerca de 35 mil moradores, além de fortalecer atividades econômicas como a caprinocultura no Vale do São Francisco.

No oeste baiano, o município de Cocos também será contemplado com melhorias na BA-594. Serão 18,5 quilômetros de pavimentação divididos em dois trechos estratégicos, facilitando o escoamento da produção agrícola e pecuária, especialmente soja, milho e algodão, com destino a estados como Goiás e Minas Gerais. A obra deve impactar diretamente cerca de 19 mil moradores da região.

Já em Ponto Novo, no Centro Norte do estado, será realizada a pavimentação do acesso ao povoado de Angico, em um trecho de 9,2 quilômetros que conecta a localidade à BR-407. A melhoria deve facilitar o transporte de pessoas e mercadorias, além de impulsionar o desenvolvimento da agricultura local, beneficiando mais de 17 mil moradores.

No extremo sul, o município de Itanhém também será atendido com a pavimentação de 16,8 quilômetros da BA-290, no trecho que liga o povoado de Vila Rezende até Bertópolis, já na divisa com Minas Gerais. A obra representa a etapa final para a completa pavimentação da rodovia.

De acordo com o secretário de Infraestrutura da Bahia, Saulo Pontes, as intervenções fazem parte de um programa estratégico do governo estadual para integrar distritos e povoados à malha rodoviária pavimentada. Segundo ele, a iniciativa contribui diretamente para a melhoria da mobilidade, redução de custos logísticos e fortalecimento das economias locais.

A abertura das propostas das empresas interessadas na execução das obras está prevista para ocorrer entre os dias 29 e 30 de abril.

FRETE RODOVIÁRIO SOBE 5,01% EM MARÇO E REVERTE QUEDA DO INÍCIO DO ANO

O valor médio do frete rodoviário no Brasil registrou alta de 5,01% em março na comparação com fevereiro, indicando uma retomada após o desempenho mais fraco observado nos primeiros meses de 2026.

De acordo com levantamento do setor, o preço médio do frete chegou a aproximadamente R$ 0,39 por tonelada por quilômetro rodado no período. O resultado representa uma recuperação frente às quedas registradas em janeiro e fevereiro, quando o mercado foi impactado por menor demanda e ajustes operacionais típicos do início do ano.

A elevação em março está diretamente ligada à retomada gradual da movimentação de cargas no país, impulsionada pelo aumento da atividade econômica e pela normalização de setores produtivos após o início mais lento do ano.

Além da demanda, o cenário de custos também influencia o comportamento do frete. Fatores como preço do diesel, que segue com volatilidade, e despesas operacionais continuam pressionando o setor, impactando diretamente a formação dos preços.

Outro ponto relevante é que o transporte rodoviário segue como o principal modal logístico do Brasil, o que faz com que oscilações na oferta e na demanda tenham reflexo imediato nos valores praticados.

Mesmo com a alta registrada em março, o setor ainda opera em um ambiente de cautela, acompanhando variáveis como consumo, produção industrial e custos operacionais, que devem seguir determinando o ritmo do mercado ao longo dos próximos meses.

A expectativa é que, com a consolidação da retomada econômica e maior previsibilidade nos custos, o frete rodoviário mantenha uma trajetória de ajuste ao longo de 2026, refletindo o equilíbrio entre oferta de transporte e volume de cargas movimentadas no país.

SISTEMA TRANSPORTE DEFENDE RENOVAÇÃO DE FROTA E INTERMODALIDADE COMO CAMINHOS PARA DESCARBONIZAÇÃO DO SETOR

A renovação da frota, o incentivo ao transporte coletivo e a modernização dos modelos de cobrança de pedágio estão entre as principais propostas defendidas pelo Sistema Transporte para acelerar a descarbonização da mobilidade no Brasil. As medidas foram apresentadas nesta terça-feira (14), durante a 30ª edição da Intermodal South America, realizada em São Paulo.

Segundo o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa, a transição para um setor mais sustentável exige estratégias adaptadas à realidade de cada modal e às condições atuais da infraestrutura nacional. Para ele, diferentes desafios demandam soluções específicas e complementares.

Durante a abertura do evento, Vander destacou que o Brasil vive um momento favorável para investimentos estruturais, impulsionado pelo aumento dos aportes em infraestrutura de transporte, que já ultrapassam R$ 400 bilhões em projetos de concessão e privatização.

Entre as prioridades apontadas pela entidade está a renovação da frota circulante, considerada a principal medida de curto prazo para reduzir emissões no transporte rodoviário. Isso porque veículos mais modernos apresentam índices significativamente menores de emissão de poluentes quando comparados aos modelos antigos.

Atualmente, a idade média da frota brasileira de caminhões ultrapassa 15 anos, podendo chegar a mais de 22 anos entre transportadores autônomos. Segundo dados apresentados pelo Sistema Transporte, mais da metade dos caminhões de frete em circulação no país possui mais de 15 anos de fabricação.

Diante desse cenário, a entidade propõe a criação de um modelo de IPVA progressivo, com cobrança maior para veículos mais antigos, como forma de estimular financeiramente a renovação da frota e desestimular a permanência de caminhões envelhecidos em operação.

Outro ponto debatido foi a eletrificação da mobilidade. Apesar de reconhecer avanços da eletromobilidade, o Sistema Transporte avalia que a tecnologia ainda enfrenta limitações importantes para aplicações de longa distância, especialmente no transporte pesado, devido à necessidade de infraestrutura de recarga e disponibilidade de energia limpa em escala nacional.

Nesse contexto, a entidade defende que a eletrificação é atualmente mais viável para operações leves e urbanas, enquanto o transporte de média e longa distância ainda depende de soluções complementares e de maior amadurecimento tecnológico.

Além da renovação e eletrificação, o Sistema Transporte também reforçou a importância de estimular o uso do transporte coletivo, destacando seu menor impacto ambiental quando comparado ao transporte individual.

A intermodalidade também foi apresentada como peça-chave para uma logística mais eficiente e sustentável. A proposta envolve ampliar a integração entre diferentes modais, como rodoviário, ferroviário e hidroviário, para otimizar o escoamento de cargas e reduzir a dependência exclusiva das rodovias.

Segundo representantes do setor, o transporte ferroviário pode emitir entre 30% e 40% menos dióxido de carbono por tonelada transportada em comparação ao modal rodoviário, enquanto o transporte hidroviário apresenta eficiência energética significativamente superior, especialmente em operações de grande volume.

O Sistema Transporte também ressaltou a necessidade de ampliar o debate sobre o uso estratégico das hidrovias brasileiras, destacando o potencial ainda pouco explorado da malha navegável nacional.

Por fim, a entidade reforçou que já mantém iniciativas voltadas à sustentabilidade, como o programa Despoluir, voltado à avaliação ambiental de frotas, e a Coalizão do Transporte pela Descarbonização, que reúne empresas e instituições em torno de metas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa do setor até 2050.

Segundo o Sistema Transporte, a combinação entre renovação de frota, diversificação modal, incentivo ao coletivo e investimentos em infraestrutura será essencial para que o Brasil avance em direção a um transporte mais eficiente, competitivo e ambientalmente sustentável.

ANTT DESTACA AVANÇO DA INFRAESTRUTURA E APRESENTA PROJETOS PARA IMPULSIONAR INVESTIMENTOS NO BRASIL

O Brasil possui estrutura e projetos concretos para sustentar um novo ciclo de crescimento econômico e expansão logística. Essa foi a principal mensagem apresentada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) durante reunião realizada nesta terça-feira (14), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), em São Paulo.

Durante o encontro com empresários e representantes da indústria, o diretor-geral da ANTT, Guilherme Theo Sampaio, apresentou a chamada Agenda ANTT 2026, destacando o papel da agência na viabilização de investimentos e no fortalecimento da infraestrutura nacional.

Atualmente, o país conta com mais de 18 mil quilômetros de rodovias concedidas à iniciativa privada, com previsão de aproximadamente R$ 306 bilhões em investimentos voltados à expansão da infraestrutura e outros R$ 219 bilhões destinados à operação e manutenção das vias.

No setor ferroviário, o Brasil possui cerca de 15 mil quilômetros de malha operacional, além de novos projetos em desenvolvimento e expansões planejadas para os próximos anos.

Segundo a ANTT, o ritmo recente de concessões reforça a capacidade de execução do país. Entre 2023 e 2025, foram realizados 19 leilões rodoviários, totalizando mais de 7 mil quilômetros concedidos e cerca de R$ 230 bilhões em investimentos contratados.

Para 2026, a previsão é de novos leilões que devem somar mais de 3.200 quilômetros de rodovias e movimentar aproximadamente R$ 71,6 bilhões em novos aportes.

Na área ferroviária, a agenda também contempla novos leilões, renovações contratuais e projetos estratégicos considerados fundamentais para o escoamento da produção nacional, como a Ferrogrão e a EF-118, além da ampliação da malha já existente.

A ANTT destacou ainda que a previsibilidade regulatória vem sendo um dos principais fatores para atrair investidores ao setor. Atualmente, somente no segmento ferroviário, os investimentos previstos ultrapassam R$ 227 bilhões, considerando contratos em vigor e novos projetos autorizados.

De acordo com a agência, os impactos desse movimento vão além da expansão física da infraestrutura. A expectativa é de geração de mais de 1,5 milhão de empregos entre postos diretos, indiretos e efeitos econômicos secundários, além de benefícios como aumento da segurança viária, redução de custos logísticos e maior competitividade para o setor produtivo nacional.

A apresentação reforçou o posicionamento da ANTT como agente de estruturação do ambiente regulatório e operacional necessário para viabilizar investimentos de longo prazo no setor de transportes.

Segundo a agência, o avanço da infraestrutura logística representa não apenas novos contratos e obras, mas melhorias concretas na eficiência do transporte, segurança nas rodovias e ampliação da capacidade do Brasil de sustentar seu crescimento econômico nos próximos anos.

PLACAS DE CARGAS PERIGOSAS EM CAMINHÕES GANHAM IMPORTÂNCIA E REFORÇAM SEGURANÇA NAS RODOVIAS

A identificação de cargas perigosas em caminhões é uma das principais ferramentas de segurança no transporte rodoviário brasileiro. As placas instaladas nas laterais e na traseira dos veículos não servem apenas para atender exigências legais, mas desempenham papel fundamental na prevenção de acidentes e na atuação rápida de equipes de emergência em situações críticas.

Regulamentadas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e padronizadas conforme normas internacionais, essas sinalizações permitem identificar rapidamente o tipo de substância transportada e os riscos envolvidos. Além dos códigos numéricos, as placas contam com cores e símbolos específicos que ajudam na leitura imediata da natureza do material.

Cada cor representa um tipo diferente de perigo. As placas na cor vermelha, por exemplo, identificam produtos inflamáveis, como combustíveis e líquidos que apresentam alto risco de combustão. Já a cor verde é utilizada para gases não inflamáveis, normalmente substâncias armazenadas sob pressão que podem oferecer riscos em caso de vazamento.

Materiais explosivos são identificados pela cor laranja, utilizada para substâncias que podem reagir de forma violenta em situações de calor, impacto ou atrito. O amarelo aparece em produtos oxidantes, materiais que podem intensificar incêndios e acelerar processos de combustão mesmo sem serem inflamáveis diretamente.

As placas na cor azul indicam substâncias que podem reagir perigosamente quando entram em contato com água, enquanto o branco com símbolo de caveira representa materiais tóxicos, capazes de causar danos graves à saúde humana por inalação, contato ou ingestão.

Produtos corrosivos, como certos ácidos e químicos industriais, utilizam placas em preto e branco, alertando para o risco de queimaduras químicas e danos severos a superfícies e materiais. Já materiais radioativos possuem identificação própria com o tradicional símbolo de radiação em destaque.

Além das cores, cada painel também possui números de identificação que especificam exatamente qual produto está sendo transportado, facilitando ainda mais o trabalho de bombeiros, socorristas e órgãos de fiscalização.

A importância desse sistema fica evidente diante dos números do setor. Somente no estado de São Paulo, foram registradas 862 ocorrências envolvendo transporte de produtos perigosos em 2023, entre acidentes e incidentes. Parte desses casos resultou em vazamentos e contaminações ambientais, atingindo solo, vegetação e cursos de água.

Por isso, especialistas reforçam que conhecer o significado dessas placas ajuda não apenas profissionais do setor, mas também motoristas e demais usuários das rodovias, permitindo maior consciência sobre os riscos e a necessidade de manter distância segura desses veículos em circulação.

Mais do que uma formalidade regulatória, a sinalização de cargas perigosas é um recurso essencial para reduzir danos, agilizar respostas emergenciais e aumentar a segurança de todos nas estradas brasileiras.