GOVERNO APRESENTA PLANO NACIONAL DE LOGÍSTICA 2050, MAS AINDA NÃO DEFINE CUSTOS NEM QUEM VAI PAGAR

GOVERNO APRESENTA PLANO NACIONAL DE LOGÍSTICA 2050, MAS AINDA NÃO DEFINE CUSTOS NEM QUEM VAI PAGAR

O governo federal apresentou o Plano Nacional de Logística 2050 (PNL 2050), primeiro instrumento do Planejamento Integrado de Transportes (PIT) criado pelo Decreto nº 12.022/2024, estabelecendo 112 objetivos e 31 eixos prioritários de investimento em infraestrutura de transporte até 2050 — 12 deles rodoviários, oito ferroviários, quatro hidroviários e sete multimodais.

O plano foi elaborado pelo Ministério dos Transportes e pelo Ministério de Portos e Aeroportos, em conjunto com a Casa Civil, o Ministério do Planejamento e a estatal Infra S.A. Segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), que analisou o plano no Acórdão nº 1.832/2026, a principal mudança de lógica é que o PNL 2050 parte do diagnóstico dos gargalos de carga e de passageiros identificados pelo governo, e não do estoque de projetos que a administração pública já tinha em carteira — os projetos passam a nascer do planejamento, e não o contrário.

O governo estima em R$ 1,225 trilhão o investimento total necessário para executar o plano, dos quais cerca de 60% viriam de investidores privados. Mas o valor ainda pode mudar: o plano não detalha o custo de cada um dos 31 eixos prioritários, nem define se cada trecho será executado por obra pública, concessão ou autorização à iniciativa privada — decisão que caberá aos planos setoriais, com entrega prevista para dezembro.

Também não há cronograma de obras nem projeção de como ficará a matriz de transporte brasileira em 2050. O retrato mais recente, de 2023, mostra o modal rodoviário respondendo por 54% da movimentação de cargas em toneladas-quilômetro no país, seguido pela ferrovia (27%), cabotagem (13%) e hidrovias (6%).

O professor Marcus Quintella, do Centro de Estudos em Transportes da FGV, avalia que o plano acerta ao mapear onde investir, mas ainda não diz quando nem quem vai pagar. Segundo ele, 'não tem uma carteira de projetos executáveis', e o investimento público em transporte no Brasil gira em torno de 0,15% a 0,17% do PIB, bem abaixo dos 2% a 2,5% que especialistas apontam como necessários. Quintella também pondera que um plano divulgado no fim de um mandato de governo, às vésperas de eleições, tende a ter peso político limitado.

Já a secretária de Planejamento e Parcerias do Ministério dos Transportes, Gabriela Monteiro Avelino, reconhece que as definições de custo e prazo ainda estão em aberto, mas defende que começar pelo planejamento evita a repetição das mesmas listas de projetos a cada mudança de governo. Ela cita seis consultas públicas, 20 encontros técnicos regionais e a continuidade do corpo técnico de carreira como fatores que dão segurança ao processo entre diferentes gestões.

Como o modal rodoviário concentra a maior fatia do transporte de cargas no país e reúne 12 dos 31 eixos prioritários do plano, a execução do PNL 2050 interessa diretamente às transportadoras. A Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga (ANUT) informou ter participado da construção do plano e afirma que vai cobrar sua execução nos próximos anos. Para empresas baianas, o desfecho dos planos setoriais — esperados para dezembro — vai definir se e como os corredores rodoviários que cortam o estado entram nas prioridades de investimento da próxima década.

Fonte: Ministério dos Transportes, Tribunal de Contas da União (Acórdão nº 1.832/2026) e Mundo Logística

BNDES FIRMA CONTRATO PARA ESTRUTURAR CONCESSÃO DE 3.137 KM DE RODOVIAS FEDERAIS NO NORTE E NORDESTE

BNDES FIRMA CONTRATO PARA ESTRUTURAR CONCESSÃO DE 3.137 KM DE RODOVIAS FEDERAIS NO NORTE E NORDESTE

O BNDES e o Ministério dos Transportes assinaram, em 14 de outubro, no Rio de Janeiro, um contrato para estruturar a concessão de 3.137 quilômetros de rodovias federais no Norte e no Nordeste do país, dando sequência ao pacote de concessões rodoviárias e ferroviárias para 2027 já anunciado pelo governo federal.

O contrato não concede as rodovias à iniciativa privada nem autoriza o início de obras: ele contrata o banco para preparar os estudos técnicos, os projetos de engenharia e as análises de viabilidade econômica que vão subsidiar a futura licitação dos trechos.

Cinco rodovias fazem parte do pacote: a BR-153, com 775 km; a BR-226, com 717 km; a BR-104, com 494 km; a BR-116, com 473 km; e a BR-010, com 678 km. Juntas, somam os 3.137 km mencionados pelo banco e pelo ministério. A previsão é que os projetos estejam concluídos até o fim de 2030, sem data definida ainda para os leilões.

Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, a escolha dos trechos resulta de uma avaliação da malha rodoviária federal feita em conjunto com o Ministério dos Transportes desde 2025, priorizando corredores que integram regiões de expansão da produção agrícola e facilitam o escoamento de cargas até os principais portos e centros consumidores do país.

O ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou que a estruturação das concessões deve buscar reduzir o custo do pedágio para o usuário e viabilizar a instalação de internet 5G ao longo das rodovias, embora não tenha detalhado os mecanismos nem o cronograma para isso. Ele também citou a política de sustentabilidade da pasta, criada em 2024, que prevê recursos para a transição energética e para a resiliência da infraestrutura rodoviária diante de eventos climáticos extremos.

Para as transportadoras, o anúncio sinaliza continuidade no plano de concessões que o governo já vinha apresentando, mas ainda não traz definições sobre valores de pedágio, prazos de licitação ou regras de operação — pontos que o setor acompanha de perto, já que impactam diretamente o custo logístico das rotas que ligam o Nordeste e o Norte do país a outras regiões, inclusive trechos usados no escoamento de cargas com origem ou destino na Bahia.

Fonte: BNDES e Ministério dos Transportes, via Transporte Moderno

GOVERNO PREVÊ LEILÃO DA ROTA CENTRO-SUL BAIANO, NA BR-101, PARA DEZEMBRO DE 2027

GOVERNO PREVÊ LEILÃO DA ROTA CENTRO-SUL BAIANO, NA BR-101, PARA DEZEMBRO DE 2027

O Ministério dos Transportes incluiu a Rota Centro-Sul Baiano, concessão de um trecho da BR-101 na Bahia, no calendário de 11 leilões rodoviários previstos para 2027, que somam R$ 102,68 bilhões em investimentos ao longo de 4.455,68 quilômetros de rodovias federais em todo o país.

Segundo o cronograma divulgado pelo ministério, o leilão da Rota Centro-Sul Baiano está previsto para dezembro de 2027, no mesmo mês em que o governo pretende licitar também a Rota do Açu, trecho da BR-356 entre Minas Gerais e Rio de Janeiro. Ao todo, o pacote de 2027 inclui nove novos estudos de concessão, somando 3.721,38 km e R$ 47,15 bilhões em investimentos de capital (capex), além de dois processos de otimização de contratos já existentes, nas rodovias Transbrasiliana e Planalto Sul.

O leilão da rodovia baiana ainda depende de etapas anteriores, como a submissão do projeto ao Tribunal de Contas da União (TCU) e a publicação do edital, sem data definida até o momento. O Ministério dos Transportes informa que o trecho faz parte dos nove novos estudos de concessão do pacote, mas não detalhou a quilometragem exata nem o valor de investimento específico para a Rota Centro-Sul Baiano.

O anúncio integra um ciclo mais amplo de concessões rodoviárias federais: de 2023 até outubro de 2026, o governo já realizou 25 leilões de rodovias, somando 12.198 km e R$ 283,8 bilhões em investimentos de capital e operação. Somando o que já foi licitado ao que está previsto até 2027, o total projetado chega a 40 leilões, 19.415 km e R$ 440 bilhões em investimentos.

Para as transportadoras baianas, a inclusão da BR-101 no calendário de concessões de 2027 é um sinal de que o trecho pode passar, nos próximos anos, por obras de duplicação, recuperação do pavimento e reforço da fiscalização, mudanças historicamente associadas às concessões rodoviárias federais. Ainda assim, o calendário depende de aprovações regulatórias que podem mudar o prazo, e o setor deve acompanhar de perto os próximos passos do processo, incluindo a publicação do edital e as regras de pedágio que serão aplicadas ao trecho.

Fonte: Ministério dos Transportes, via Mundo Logística

PRODUÇÃO MINERAL DA BAHIA CRESCE 18% E MOVIMENTA R$ 8 BILHÕES NO PRIMEIRO SEMESTRE

PRODUÇÃO MINERAL DA BAHIA CRESCE 18% E MOVIMENTA R$ 8 BILHÕES NO PRIMEIRO SEMESTRE

A produção mineral comercializada na Bahia somou R$ 8 bilhões entre janeiro e junho de 2026, alta de 18% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE) do estado. Em 2025, o setor mineral baiano já havia crescido 32%, com faturamento total de R$ 13,4 bilhões no ano.

A Bahia é hoje o terceiro maior produtor mineral do país, com a extração de 47 bens minerais diferentes. O estado é o único produtor nacional de urânio, salgema e mármore travertino, conhecido como Bege Bahia, além de único produtor mundial de granito azul e líder da produção de vanádio nas Américas.

Em 2025, a Bahia também foi a maior produtora nacional de oito bens minerais: cromita, barita, berílio, magnesita, níquel, talco, diatomita e quartzo. No valor comercializado naquele ano, o ouro respondeu por 42,63% do total, seguido por cobre (17,23%), níquel (10%) e rochas ornamentais (5,73%).

O levantamento também mostra o avanço das pesquisas de terras raras no estado: até 30 de junho de 2026, a SDE contabilizava 1.178 requerimentos de pesquisa mineral, dos quais 1.097 já haviam sido autorizados, além de 21 direitos de lavra e uma concessão em vigor.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, João Carlos Oliveira, destacou que a Bahia é o estado mais conhecido e estudado geologicamente do país, com 100% de sua superfície coberta por levantamentos aerogeofísicos, trabalho conduzido pela Companhia Baiana de Produção Mineral (CBPM), única empresa pública estadual de pesquisa e fomento à mineração do Brasil. Segundo ele, a liderança baiana em novos requerimentos de pesquisa de terras raras reflete o ambiente favorável à expansão do setor no estado.

O setor mineral baiano emprega hoje cerca de 16 mil pessoas diretamente, distribuídas entre 489 mineradoras presentes em 210 municípios do estado. Considerando o efeito multiplicador estimado pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), de até 11 empregos indiretos para cada vaga direta, a atividade de extração e transformação mineral responde por 12% do PIB baiano.

O crescimento da produção mineral tem relação direta com a demanda por transporte rodoviário de cargas no estado, já que boa parte do minério extraído no interior da Bahia depende de caminhões para chegar até os portos e terminais ferroviários responsáveis pelo escoamento da produção. Para as transportadoras associadas ao SETCEB, a expansão do setor mineral reforça a tendência de aquecimento do frete de cargas pesadas dentro do estado, especialmente nas regiões produtoras do interior baiano.

Fonte: Alô Alô Bahia

DIESEL SOBE 6,67% NA PRIMEIRA QUINZENA DE OUTUBRO MESMO COM REFORÇO NO SUBSÍDIO AO IMPORTADO

DIESEL SOBE 6,67% NA PRIMEIRA QUINZENA DE OUTUBRO MESMO COM REFORÇO NO SUBSÍDIO AO IMPORTADO

O preço médio do diesel comum no Brasil subiu 6,67% na primeira quinzena de outubro em relação ao mesmo período do ano passado, chegando a R$ 7,20 por litro, segundo o Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), que monitora cerca de 21 mil postos de combustíveis em todo o país. O dado atualiza um tema já acompanhado pelo setor nos últimos dias: a alta do diesel levou o governo federal a ampliar, nesta semana, por 30 dias, o subsídio concedido aos importadores do combustível, mas o levantamento mostra que o reforço não foi suficiente para conter o repasse de custos ao consumidor final.

O diesel S-10 teve alta de 5,07% no mesmo comparativo, para R$ 7,46 por litro. Entre os quatro combustíveis monitorados pelo IPTL, o diesel comum foi o que mais subiu, à frente do etanol (alta de 2,38%, para R$ 4,31) e da gasolina, que ficou praticamente estável, com alta de apenas 0,15%, para R$ 6,73.

Segundo a Edenred, responsável pelo índice, a alta é atribuída à volatilidade do mercado internacional de combustíveis e à dependência brasileira de diesel importado, já que o parque de refino nacional não é suficiente para atender a todo o consumo do país. Em agosto, as importações responderam por 23,14% das vendas de diesel A no território nacional.

Para tentar conter o repasse de custos aos postos e, por consequência, às transportadoras, o Ministério da Fazenda havia decidido aumentar em R$ 1,40 por litro o subsídio pago aos importadores de diesel rodoviário, elevando o benefício de R$ 2,12 para R$ 3,52 por litro. Mesmo com o reforço, a Edenred constatou que o movimento não impediu a continuidade da alta do diesel comum no mercado.

O levantamento também mostra diferenças regionais expressivas. A região Sul registrou a maior alta do diesel comum no país, de 11,70%, para R$ 6,97 por litro, enquanto o Norte apresentou os maiores preços médios para todos os combustíveis monitorados, com o diesel comum a R$ 7,75 e o S-10 a R$ 7,80 por litro.

Entre os estados, Roraima teve o maior preço do diesel comum (R$ 8,19 por litro) e Minas Gerais, o menor (R$ 6,91). O Paraná registrou a maior alta no período, de 12,66%, com o litro chegando a R$ 6,94.

O cenário de preços ainda voláteis para o diesel, insumo que responde pela maior parcela dos custos operacionais de uma transportadora, mantém pressão direta sobre o frete em todo o país, inclusive na Bahia, onde empresas associadas ao SETCEB dependem do combustível tanto para o transporte de longa distância quanto para a distribuição regional de cargas. A expectativa do setor é que o governo avalie, ao final dos 30 dias de vigência do reforço no subsídio, se será necessário um novo ajuste para evitar repasses adicionais ao frete.

Fonte: Edenred Ticket Log (IPTL), via ES Brasil