por Setceb | out 19, 2026 | Uncategorized
O governo federal apresentou o Plano Nacional de Logística 2050 (PNL 2050), primeiro instrumento do Planejamento Integrado de Transportes (PIT) criado pelo Decreto nº 12.022/2024, estabelecendo 112 objetivos e 31 eixos prioritários de investimento em infraestrutura de transporte até 2050 — 12 deles rodoviários, oito ferroviários, quatro hidroviários e sete multimodais.
O plano foi elaborado pelo Ministério dos Transportes e pelo Ministério de Portos e Aeroportos, em conjunto com a Casa Civil, o Ministério do Planejamento e a estatal Infra S.A. Segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), que analisou o plano no Acórdão nº 1.832/2026, a principal mudança de lógica é que o PNL 2050 parte do diagnóstico dos gargalos de carga e de passageiros identificados pelo governo, e não do estoque de projetos que a administração pública já tinha em carteira — os projetos passam a nascer do planejamento, e não o contrário.
O governo estima em R$ 1,225 trilhão o investimento total necessário para executar o plano, dos quais cerca de 60% viriam de investidores privados. Mas o valor ainda pode mudar: o plano não detalha o custo de cada um dos 31 eixos prioritários, nem define se cada trecho será executado por obra pública, concessão ou autorização à iniciativa privada — decisão que caberá aos planos setoriais, com entrega prevista para dezembro.
Também não há cronograma de obras nem projeção de como ficará a matriz de transporte brasileira em 2050. O retrato mais recente, de 2023, mostra o modal rodoviário respondendo por 54% da movimentação de cargas em toneladas-quilômetro no país, seguido pela ferrovia (27%), cabotagem (13%) e hidrovias (6%).
O professor Marcus Quintella, do Centro de Estudos em Transportes da FGV, avalia que o plano acerta ao mapear onde investir, mas ainda não diz quando nem quem vai pagar. Segundo ele, 'não tem uma carteira de projetos executáveis', e o investimento público em transporte no Brasil gira em torno de 0,15% a 0,17% do PIB, bem abaixo dos 2% a 2,5% que especialistas apontam como necessários. Quintella também pondera que um plano divulgado no fim de um mandato de governo, às vésperas de eleições, tende a ter peso político limitado.
Já a secretária de Planejamento e Parcerias do Ministério dos Transportes, Gabriela Monteiro Avelino, reconhece que as definições de custo e prazo ainda estão em aberto, mas defende que começar pelo planejamento evita a repetição das mesmas listas de projetos a cada mudança de governo. Ela cita seis consultas públicas, 20 encontros técnicos regionais e a continuidade do corpo técnico de carreira como fatores que dão segurança ao processo entre diferentes gestões.
Como o modal rodoviário concentra a maior fatia do transporte de cargas no país e reúne 12 dos 31 eixos prioritários do plano, a execução do PNL 2050 interessa diretamente às transportadoras. A Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga (ANUT) informou ter participado da construção do plano e afirma que vai cobrar sua execução nos próximos anos. Para empresas baianas, o desfecho dos planos setoriais — esperados para dezembro — vai definir se e como os corredores rodoviários que cortam o estado entram nas prioridades de investimento da próxima década.
Fonte: Ministério dos Transportes, Tribunal de Contas da União (Acórdão nº 1.832/2026) e Mundo Logística
por Setceb | out 19, 2026 | Uncategorized
O BNDES e o Ministério dos Transportes assinaram, em 14 de outubro, no Rio de Janeiro, um contrato para estruturar a concessão de 3.137 quilômetros de rodovias federais no Norte e no Nordeste do país, dando sequência ao pacote de concessões rodoviárias e ferroviárias para 2027 já anunciado pelo governo federal.
O contrato não concede as rodovias à iniciativa privada nem autoriza o início de obras: ele contrata o banco para preparar os estudos técnicos, os projetos de engenharia e as análises de viabilidade econômica que vão subsidiar a futura licitação dos trechos.
Cinco rodovias fazem parte do pacote: a BR-153, com 775 km; a BR-226, com 717 km; a BR-104, com 494 km; a BR-116, com 473 km; e a BR-010, com 678 km. Juntas, somam os 3.137 km mencionados pelo banco e pelo ministério. A previsão é que os projetos estejam concluídos até o fim de 2030, sem data definida ainda para os leilões.
Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, a escolha dos trechos resulta de uma avaliação da malha rodoviária federal feita em conjunto com o Ministério dos Transportes desde 2025, priorizando corredores que integram regiões de expansão da produção agrícola e facilitam o escoamento de cargas até os principais portos e centros consumidores do país.
O ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou que a estruturação das concessões deve buscar reduzir o custo do pedágio para o usuário e viabilizar a instalação de internet 5G ao longo das rodovias, embora não tenha detalhado os mecanismos nem o cronograma para isso. Ele também citou a política de sustentabilidade da pasta, criada em 2024, que prevê recursos para a transição energética e para a resiliência da infraestrutura rodoviária diante de eventos climáticos extremos.
Para as transportadoras, o anúncio sinaliza continuidade no plano de concessões que o governo já vinha apresentando, mas ainda não traz definições sobre valores de pedágio, prazos de licitação ou regras de operação — pontos que o setor acompanha de perto, já que impactam diretamente o custo logístico das rotas que ligam o Nordeste e o Norte do país a outras regiões, inclusive trechos usados no escoamento de cargas com origem ou destino na Bahia.
Fonte: BNDES e Ministério dos Transportes, via Transporte Moderno
por Setceb | out 19, 2026 | Uncategorized
O Ministério dos Transportes incluiu a Rota Centro-Sul Baiano, concessão de um trecho da BR-101 na Bahia, no calendário de 11 leilões rodoviários previstos para 2027, que somam R$ 102,68 bilhões em investimentos ao longo de 4.455,68 quilômetros de rodovias federais em todo o país.
Segundo o cronograma divulgado pelo ministério, o leilão da Rota Centro-Sul Baiano está previsto para dezembro de 2027, no mesmo mês em que o governo pretende licitar também a Rota do Açu, trecho da BR-356 entre Minas Gerais e Rio de Janeiro. Ao todo, o pacote de 2027 inclui nove novos estudos de concessão, somando 3.721,38 km e R$ 47,15 bilhões em investimentos de capital (capex), além de dois processos de otimização de contratos já existentes, nas rodovias Transbrasiliana e Planalto Sul.
O leilão da rodovia baiana ainda depende de etapas anteriores, como a submissão do projeto ao Tribunal de Contas da União (TCU) e a publicação do edital, sem data definida até o momento. O Ministério dos Transportes informa que o trecho faz parte dos nove novos estudos de concessão do pacote, mas não detalhou a quilometragem exata nem o valor de investimento específico para a Rota Centro-Sul Baiano.
O anúncio integra um ciclo mais amplo de concessões rodoviárias federais: de 2023 até outubro de 2026, o governo já realizou 25 leilões de rodovias, somando 12.198 km e R$ 283,8 bilhões em investimentos de capital e operação. Somando o que já foi licitado ao que está previsto até 2027, o total projetado chega a 40 leilões, 19.415 km e R$ 440 bilhões em investimentos.
Para as transportadoras baianas, a inclusão da BR-101 no calendário de concessões de 2027 é um sinal de que o trecho pode passar, nos próximos anos, por obras de duplicação, recuperação do pavimento e reforço da fiscalização, mudanças historicamente associadas às concessões rodoviárias federais. Ainda assim, o calendário depende de aprovações regulatórias que podem mudar o prazo, e o setor deve acompanhar de perto os próximos passos do processo, incluindo a publicação do edital e as regras de pedágio que serão aplicadas ao trecho.
Fonte: Ministério dos Transportes, via Mundo Logística
por Setceb | out 16, 2026 | Uncategorized
A produção mineral comercializada na Bahia somou R$ 8 bilhões entre janeiro e junho de 2026, alta de 18% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE) do estado. Em 2025, o setor mineral baiano já havia crescido 32%, com faturamento total de R$ 13,4 bilhões no ano.
A Bahia é hoje o terceiro maior produtor mineral do país, com a extração de 47 bens minerais diferentes. O estado é o único produtor nacional de urânio, salgema e mármore travertino, conhecido como Bege Bahia, além de único produtor mundial de granito azul e líder da produção de vanádio nas Américas.
Em 2025, a Bahia também foi a maior produtora nacional de oito bens minerais: cromita, barita, berílio, magnesita, níquel, talco, diatomita e quartzo. No valor comercializado naquele ano, o ouro respondeu por 42,63% do total, seguido por cobre (17,23%), níquel (10%) e rochas ornamentais (5,73%).
O levantamento também mostra o avanço das pesquisas de terras raras no estado: até 30 de junho de 2026, a SDE contabilizava 1.178 requerimentos de pesquisa mineral, dos quais 1.097 já haviam sido autorizados, além de 21 direitos de lavra e uma concessão em vigor.
O secretário de Desenvolvimento Econômico, João Carlos Oliveira, destacou que a Bahia é o estado mais conhecido e estudado geologicamente do país, com 100% de sua superfície coberta por levantamentos aerogeofísicos, trabalho conduzido pela Companhia Baiana de Produção Mineral (CBPM), única empresa pública estadual de pesquisa e fomento à mineração do Brasil. Segundo ele, a liderança baiana em novos requerimentos de pesquisa de terras raras reflete o ambiente favorável à expansão do setor no estado.
O setor mineral baiano emprega hoje cerca de 16 mil pessoas diretamente, distribuídas entre 489 mineradoras presentes em 210 municípios do estado. Considerando o efeito multiplicador estimado pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), de até 11 empregos indiretos para cada vaga direta, a atividade de extração e transformação mineral responde por 12% do PIB baiano.
O crescimento da produção mineral tem relação direta com a demanda por transporte rodoviário de cargas no estado, já que boa parte do minério extraído no interior da Bahia depende de caminhões para chegar até os portos e terminais ferroviários responsáveis pelo escoamento da produção. Para as transportadoras associadas ao SETCEB, a expansão do setor mineral reforça a tendência de aquecimento do frete de cargas pesadas dentro do estado, especialmente nas regiões produtoras do interior baiano.
Fonte: Alô Alô Bahia
por Setceb | out 16, 2026 | Uncategorized
O preço médio do diesel comum no Brasil subiu 6,67% na primeira quinzena de outubro em relação ao mesmo período do ano passado, chegando a R$ 7,20 por litro, segundo o Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), que monitora cerca de 21 mil postos de combustíveis em todo o país. O dado atualiza um tema já acompanhado pelo setor nos últimos dias: a alta do diesel levou o governo federal a ampliar, nesta semana, por 30 dias, o subsídio concedido aos importadores do combustível, mas o levantamento mostra que o reforço não foi suficiente para conter o repasse de custos ao consumidor final.
O diesel S-10 teve alta de 5,07% no mesmo comparativo, para R$ 7,46 por litro. Entre os quatro combustíveis monitorados pelo IPTL, o diesel comum foi o que mais subiu, à frente do etanol (alta de 2,38%, para R$ 4,31) e da gasolina, que ficou praticamente estável, com alta de apenas 0,15%, para R$ 6,73.
Segundo a Edenred, responsável pelo índice, a alta é atribuída à volatilidade do mercado internacional de combustíveis e à dependência brasileira de diesel importado, já que o parque de refino nacional não é suficiente para atender a todo o consumo do país. Em agosto, as importações responderam por 23,14% das vendas de diesel A no território nacional.
Para tentar conter o repasse de custos aos postos e, por consequência, às transportadoras, o Ministério da Fazenda havia decidido aumentar em R$ 1,40 por litro o subsídio pago aos importadores de diesel rodoviário, elevando o benefício de R$ 2,12 para R$ 3,52 por litro. Mesmo com o reforço, a Edenred constatou que o movimento não impediu a continuidade da alta do diesel comum no mercado.
O levantamento também mostra diferenças regionais expressivas. A região Sul registrou a maior alta do diesel comum no país, de 11,70%, para R$ 6,97 por litro, enquanto o Norte apresentou os maiores preços médios para todos os combustíveis monitorados, com o diesel comum a R$ 7,75 e o S-10 a R$ 7,80 por litro.
Entre os estados, Roraima teve o maior preço do diesel comum (R$ 8,19 por litro) e Minas Gerais, o menor (R$ 6,91). O Paraná registrou a maior alta no período, de 12,66%, com o litro chegando a R$ 6,94.
O cenário de preços ainda voláteis para o diesel, insumo que responde pela maior parcela dos custos operacionais de uma transportadora, mantém pressão direta sobre o frete em todo o país, inclusive na Bahia, onde empresas associadas ao SETCEB dependem do combustível tanto para o transporte de longa distância quanto para a distribuição regional de cargas. A expectativa do setor é que o governo avalie, ao final dos 30 dias de vigência do reforço no subsídio, se será necessário um novo ajuste para evitar repasses adicionais ao frete.
Fonte: Edenred Ticket Log (IPTL), via ES Brasil