MUDANÇA NA REGRA DE CÁLCULO PODE DEIXAR PEDÁGIO ATÉ 50% MAIS CARO PARA CAMINHÕES EM NOVAS CONCESSÕES

MUDANÇA NA REGRA DE CÁLCULO PODE DEIXAR PEDÁGIO ATÉ 50% MAIS CARO PARA CAMINHÕES EM NOVAS CONCESSÕES

O Ministério dos Transportes decidiu alterar a metodologia usada para calcular o valor do pedágio cobrado de caminhões e ônibus nas novas concessões rodoviárias federais, elevando em 50% o multiplicador aplicado sobre a tarifa-base desses veículos.

A mudança foi divulgada por veículos de imprensa nesta segunda-feira e gerou reação imediata de entidades do setor de transporte de cargas, que alertam para o impacto da medida sobre o custo do frete rodoviário no país.

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) emitiu alerta de que o aumento no valor do pedágio pago por caminhões tende a se refletir no custo do frete e, em cadeia, nos preços de produtos transportados por rodovia até o consumidor final.

Luis Baldez, presidente da Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga (ANUT), questionou a forma como a mudança foi conduzida, apontando a ausência de uma análise de impacto regulatório e de audiência pública específica sobre a alteração do multiplicador.

A nova metodologia vale apenas para concessões rodoviárias federais ainda não leiloadas — ou seja, não altera o valor do pedágio em rodovias já concedidas atualmente. Rodovias sob concessão estadual também não são afetadas: a Artesp, agência reguladora de São Paulo, confirmou que a regra federal não impacta os contratos de concessão do estado.

A decisão ocorre em um momento em que o governo federal amplia seu programa de concessões rodoviárias e estuda, em paralelo, reduzir ou isentar veículos leves do pagamento de pedágio em alguns dos novos projetos — o que, na prática, concentra proporcionalmente mais do custo da tarifa sobre caminhões e ônibus.

Para as transportadoras baianas, a mudança de metodologia é um sinal de atenção para os próximos leilões de rodovias federais que cortam o estado, já que um multiplicador 50% maior tende a elevar o custo operacional das viagens em eixos que vierem a ser concedidos sob as novas regras, pressionando ainda mais a margem de transportadoras e caminhoneiros autônomos que já lidam com o aumento do dólar e do custo do diesel.

Fonte: Cruzeiro FM

DÓLAR FECHA EM ALTA DE 8,36% E IBOVESPA TEM MAIOR QUEDA EM UM DIA DESDE 2020 APÓS REELEIÇÃO DE LULA

DÓLAR FECHA EM ALTA DE 8,36% E IBOVESPA TEM MAIOR QUEDA EM UM DIA DESDE 2020 APÓS REELEIÇÃO DE LULA

O dólar fechou a sessão desta segunda-feira (26) cotado a R$ 5,4066, alta de 8,36% ante o fechamento da sexta-feira anterior — a maior valorização diária da moeda americana frente ao real em 23 anos. O Ibovespa, por sua vez, recuou 13,88%, a 176.608,23 pontos, a maior queda percentual em um pregão desde 16 de março de 2020.

O movimento foi uma reação do mercado financeiro à confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições, realizado no domingo (25). Lula venceu com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do candidato Flávio Bolsonaro (PL), resultado que boa parte dos investidores não esperava.

A volatilidade levou a B3 a acionar o circuit breaker logo na abertura dos negócios e a ampliar, ao longo do dia, os limites de variação diária para os contratos futuros: o limite inferior para o Ibovespa futuro passou de 10% para 15%, e o limite superior para os futuros de dólar, de 6% para 8,4%. Pela manhã, a cotação do dólar chegou a romper a marca de R$ 5,60 antes de recuar ao longo do pregão.

A última vez que o dólar havia fechado em patamar tão elevado foi em 2 de janeiro deste ano. Em termos de variação diária, a alta registrada ontem só fica atrás da verificada em 5 de março de 2003, de 10,4%.

Diante da turbulência, o Banco Central chamou à cautela. Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas da autarquia, afirmou que "é muito cedo para afirmar algum impacto hoje" sobre o balanço de pagamentos do país, e ponderou que parte da depreciação cambial registrada pode reverter nos próximos dias, enquanto outra parte pode ser mais permanente.

O Boletim Focus mais recente, com dados coletados antes do resultado eleitoral, já havia reduzido a projeção para o dólar ao fim de 2026 de R$ 5,13 para R$ 5,05, e para o fim de 2027, de R$ 5,22 para R$ 5,15 — projeções que tendem a ser revisadas para cima nas próximas semanas diante do novo patamar da moeda.

Nesta terça-feira (27), o Banco Central tem agenda carregada para tentar conter a volatilidade: às 11h, o presidente da instituição, Gabriel Galípolo, concede coletiva de imprensa sobre o Relatório de Estabilidade Financeira; às 11h30, está previsto um leilão de rolagem de swap cambial de até US$ 4 bilhões; e, às 12h, uma operação compromissada de até R$ 5 bilhões em títulos públicos.

No pré-mercado desta terça, ativos ligados ao Brasil no exterior, como o ETF iShares MSCI Brazil (EWZ) e os recibos de ações (ADRs) de Petrobras, Bradesco e Itaú, operavam em alta, sinalizando possível correção no pregão local — sem garantia, porém, de que o movimento se confirme ao longo do dia.

No cenário político, o presidente eleito busca apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta, e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para viabilizar sua agenda em um Congresso de maioria considerada desafiadora para a governabilidade em 2027.

Para as transportadoras da Bahia, a disparada do dólar e a instabilidade nos mercados mantêm o setor em compasso de espera quanto a reajustes de frete e ao custo do capital para renovação de frotas: caminhões, implementos, pneus e peças com componentes importados tendem a ficar mais caros, assim como o financiamento bancário, enquanto o próprio Banco Central reconhece que ainda é cedo para dimensionar o tamanho real do impacto.

Fonte: InfoMoney, com informações de O Tempo/Folhapress

ANTT FIRMA ACORDO COM A INFRA S.A. PARA MONITORAR EMISSÕES DO TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS

ANTT FIRMA ACORDO COM A INFRA S.A. PARA MONITORAR EMISSÕES DO TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aprovou, em reunião de diretoria realizada na quinta-feira (22), um acordo de cooperação técnica com a Infra S.A. para ampliar o monitoramento ambiental do transporte rodoviário de cargas no país.

Pelo acordo, as duas instituições vão compartilhar dados do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) e integrar seus sistemas ao Observatório Nacional de Transporte e Logística (ONTL), com o objetivo de produzir estudos e indicadores sobre o desempenho ambiental do setor.

Segundo a ANTT, a iniciativa busca ampliar as informações disponíveis sobre as emissões dos veículos de carga e subsidiar a atuação regulatória da agência, que manterá autonomia para tomar suas próprias decisões sobre o tema.

A parceria vai permitir o uso de dados do Programa MelhorAR, instituído pelo Ministério dos Transportes em fevereiro de 2025, para avaliar iniciativas de redução de poluentes atmosféricos no transporte rodoviário de cargas.

O programa prevê avaliações periódicas das emissões realizadas por empresas credenciadas pela própria Infra S.A. Essas medições resultam em laudos que classificam os veículos por faixas de emissão e permitem a concessão do chamado Selo MelhorAR.

Com o novo acordo, o Selo MelhorAR passa a ser aceito como forma de comprovação do atendimento aos critérios ambientais exigidos pelo Selo ESG Cargas, certificação da própria ANTT que avalia critérios ambientais, sociais e de governança das transportadoras. A agência poderá, ainda, estabelecer outras formas de comprovação desses requisitos.

Para transportadoras baianas, a medida sinaliza um movimento mais amplo de exigências ambientais no setor, que tende a se somar a outros critérios já cobrados por embarcadores e financiadores — e reforça a importância de empresas do estado acompanharem de perto os programas de certificação ambiental, já que o cumprimento desses selos pode se tornar, cada vez mais, um diferencial competitivo e até um requisito para acesso a determinados contratos e linhas de crédito voltadas à sustentabilidade do transporte de cargas.

Fonte: Agência iNFRA

DÍVIDA A CAMINHO DE 95% DO PIB E CRESCIMENTO MAIS LENTO: O QUE ANALISTAS ESPERAM DA ECONOMIA NO NOVO MANDATO DE LULA

DÍVIDA A CAMINHO DE 95% DO PIB E CRESCIMENTO MAIS LENTO: O QUE ANALISTAS ESPERAM DA ECONOMIA NO NOVO MANDATO DE LULA

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para um quarto mandato, confirmada no segundo turno de domingo (25), levou analistas e consultorias a revisar as projeções para a economia brasileira nos próximos quatro anos, com destaque para o crescimento da dívida pública e a perspectiva de juros altos por mais tempo.

A consultoria britânica Capital Economics projeta que a dívida pública bruta suba dos atuais 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB) para cerca de 95% até o fim do novo mandato, em 2030. Segundo William Jackson, economista-chefe de mercados emergentes da consultoria, "a vitória de Lula colocará os problemas das finanças públicas do Brasil em evidência".

Para a Capital Economics, déficits elevados somados ao custo dos juros devem seguir pressionando as contas públicas, e o arcabouço fiscal introduzido em 2023 carece de credibilidade suficiente para conter o crescimento real das despesas — o que pode aumentar o incentivo a mais gastos públicos diante da desaceleração da atividade econômica.

A consultoria projeta a manutenção da Selic em 13,75% ao ano nas duas reuniões restantes do Comitê de Política Monetária (Copom) em 2026 — a próxima está marcada para o dia 3 de novembro —, e só vê espaço para cortes em 2027 caso haja sinais concretos de melhora fiscal. A expectativa de crescimento médio recua para 1,3% ao ano no novo mandato, ante 2,7% no mandato atual.

A principal incógnita do novo governo é a escolha do ministro da Fazenda. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) desponta como o nome mais cotado para o posto, em meio a sinalizações de compromisso fiscal ao mercado financeiro. Lula elogiou publicamente a lealdade e a qualidade do vice na noite da eleição, e o presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que a escolha recairá sobre alguém de confiança estrita do presidente e que o governo não vai abrir mão do superávit primário.

Uma ala do PT, porém, defende o governador do Piauí, Rafael Fonteles, ex-secretário de Fazenda do estado, para o cargo. Caso Alckmin assuma a Fazenda, o nome de Dario Durigan é cotado para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), enquanto Camilo Santana é mencionado para a Casa Civil ou para a Educação. Até a divulgação desta reportagem, não havia anúncio oficial de Lula sobre a equipe econômica.

Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos, avalia que o ajuste fiscal do novo governo deveria mirar um superávit primário de 2% do PIB, incluindo medidas como a revisão de gastos tributários e, possivelmente, mudanças na indexação do salário mínimo e nos pisos constitucionais de saúde e educação.

Analistas consultados pela imprensa atribuem parte da forte reação do mercado na segunda-feira à surpresa do resultado: o mercado chegou a apostar com confiança na vitória de Flávio Bolsonaro (PL) após o primeiro turno, levando o Ibovespa a mais de 209 mil pontos em 5 de outubro. Segundo a professora Carla Beni, da FGV e do Corecon-SP, essa "lua de mel" foi rápida, e a tensão tende a se acomodar nos próximos dias.

Já o professor Marcos Piellusch, da FIA Business School, afirma que o mercado passou a cobrar um prêmio de risco fiscal maior para o governo Lula nos próximos quatro anos, e que a alta do dólar reflete saída de capital estrangeiro — o que pode pressionar a inflação e reduzir o espaço do Banco Central para cortar os juros. Ele pondera, no entanto, que um único dia de forte estresse nos mercados não define necessariamente uma tendência de longo prazo.

Para o setor de transporte rodoviário de cargas, o cenário de juros elevados por mais tempo e de ajuste fiscal ainda incerto é motivo de atenção direta: encarece o financiamento de frotas, mantém pressão sobre o custo do diesel e da logística de forma geral, e torna mais imprevisível o ritmo de investimentos públicos em rodovias e portos nos próximos anos. Para as transportadoras baianas, a recomendação de analistas é acompanhar de perto a definição da equipe econômica e os primeiros sinais da política fiscal do novo mandato, já que esse desenho deve influenciar diretamente o custo do crédito e o planejamento de investimentos do setor até 2027.

Fonte: Money Times, com informações de Mix Vale e Metrópoles

LULA É REELEITO PRESIDENTE COM 51,75% DOS VOTOS NO 2º TURNO; VEJA O QUE MUDA PARA O TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS

LULA É REELEITO PRESIDENTE COM 51,75% DOS VOTOS NO 2º TURNO; VEJA O QUE MUDA PARA O TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarou, às 21h10 deste domingo (25), a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República para o mandato de 2027 a 2030. Segundo o resultado oficial, Lula obteve 51,75% dos votos válidos, equivalente a 63.771.027 votos, contra 48,25% de Flávio Bolsonaro (PL), que somou 59.463.756 votos.

A diferença entre os dois candidatos foi de 4.307.271 votos, o equivalente a cerca de 3,5 pontos percentuais. Ao longo da apuração da noite, boletins parciais chegaram a mostrar a disputa tecnicamente empatada, com a vantagem alternando entre os dois candidatos até a consolidação do resultado final.

Com a reeleição confirmada, o setor de transporte rodoviário de cargas passa a acompanhar a aplicação de normas já em vigor e as propostas apresentadas por Lula para o novo mandato. A principal referência recente é a chamada Lei do Frete, sancionada em agosto deste ano a partir da Medida Provisória 1.343/2026, que alterou as regras do piso mínimo do frete rodoviário.

A norma manteve a tabela de referência da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), mas passou a incorporar ao cálculo custos como combustível, manutenção, pneus, seguros, tributos e tempo de carga e descarga. Pela lei, sempre que o preço do diesel variar 5% ou mais, a ANTT tem até três dias úteis para publicar novos valores de referência, com apoio da estatal Infra S.A. nos cálculos.

A legislação também endureceu a fiscalização sobre transportadoras: empresas com mais de quatro infrações em seis meses podem ter o registro suspenso, e as multas para reincidentes passaram a variar de R$ 100 mil a R$ 1 milhão, podendo dobrar em casos mais graves. Em contrapartida, a mesma lei anistiou caminhoneiros multados pelos bloqueios de rodovias em 2022 e previu que o programa de crédito federal Procargas possa financiar renovação de frota, capacitação e ações de saúde e segurança para o setor.

Ficou fora da versão final da lei, por decisão do Senado, a proposta de um piso salarial nacional de R$ 5 mil mensais para motoristas de longa distância. A remuneração desses profissionais segue, portanto, definida por acordos e convenções coletivas.

Para o mandato de 2027 a 2030, o plano de governo apresentado por Lula prevê a ampliação do programa Novo PAC, combinando investimento público com concessões, além da intensificação de leilões e repactuações de contratos em rodovias e ferrovias e maior integração com hidrovias. Um levantamento da Folha de S.Paulo apontou que ao menos R$ 204 bilhões em projetos de infraestrutura originalmente previstos para leilão em 2026 foram adiados para 2027 ou anos seguintes, devendo compor a agenda do próximo governo.

Entre os projetos adiados estão R$ 154,9 bilhões em ferrovias — como o Anel Ferroviário do Sudeste (EF-118), a Malha Oeste, a Ferrogrão (EF-170) e sete ramais menores —, R$ 28,8 bilhões em rodovias — incluindo a otimização da Transbrasiliana e as rotas Planalto Sul e Litoral Sul — e ao menos R$ 20,8 bilhões em portos, com destaque para o Tecon Santos 10 e a concessão do canal de acesso ao Porto de Santos.

Na Bahia, um dos projetos desse ciclo de concessões já leiloado é a Rota dos Sertões, que abrange trechos rodoviários do estado e de Pernambuco. Outros trechos de perfil semelhante, como as Rotas Gerais, em Minas Gerais, também já foram concedidos antes da definição do resultado eleitoral deste domingo.

Nos próximos meses, transportadoras e caminhoneiros devem acompanhar dois pontos diretamente ligados à sua operação: a forma como a ANTT aplicará, na prática, a atualização periódica do piso do frete diante da volatilidade recente do diesel, e o cronograma efetivo dos projetos de rodovias, ferrovias e portos que ficaram para o próximo mandato. Para as empresas baianas, que dependem da malha rodoviária federal para escoar cargas até os portos de Salvador, Aratu e Ilhéus, esses dois pontos devem ser acompanhados de perto nos primeiros meses de 2027.

Fonte: TSE, Agência Transporte Moderno, Exame e Folha de S.Paulo (via Brasil247)