CIOT PASSA A IMPACTAR LOGÍSTICA DE MEDICAMENTOS E PRODUTOS TERMOSSENSÍVEIS

A obrigatoriedade do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) para todas as operações de transporte rodoviário remunerado de cargas, em vigor desde 24 de maio, traz novos desafios para setores que dependem de elevado controle logístico, como o farmacêutico e o de produtos termossensíveis.

Com as mudanças estabelecidas pela ANTT, o CIOT passa a estar integrado ao Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e), ampliando o nível de fiscalização e rastreabilidade das operações. A partir de agora, transportes que não estiverem devidamente regularizados poderão enfrentar impedimentos operacionais e multas que podem chegar a R$ 10,5 mil por viagem em casos de irregularidades.

Para empresas que atuam com medicamentos, vacinas, insumos hospitalares e outros produtos que exigem controle rigoroso de temperatura, a adaptação às novas exigências demanda atenção redobrada. Isso porque qualquer atraso nos processos de expedição e documentação pode impactar diretamente a cadeia fria e comprometer a integridade das cargas.

Segundo especialistas do segmento, a necessidade de inserir o CIOT antes da emissão definitiva do MDF-e acrescenta uma nova etapa ao fluxo operacional, exigindo maior planejamento para evitar atrasos e garantir a manutenção das condições ideais de transporte.

A regulamentação também amplia o alcance da exigência para empresas que utilizam transportadores terceirizados, tornando o controle documental uma responsabilidade ainda mais relevante em toda a cadeia logística.

Apesar dos desafios iniciais, representantes do setor avaliam que a medida tende a contribuir para a profissionalização do transporte rodoviário de cargas, promovendo maior transparência, rastreabilidade e segurança nas operações.

Outro ponto que ainda gera dúvidas entre os operadores logísticos envolve a aplicação das regras relacionadas ao piso mínimo de frete para veículos movidos por combustíveis alternativos, como etanol, gasolina e eletricidade. Entidades do setor aguardam esclarecimentos complementares da ANTT para uniformizar os procedimentos nesses casos.

Para o transporte farmacêutico, a avaliação é que a conformidade regulatória deixa de ser apenas um diferencial competitivo e passa a assumir papel estratégico na continuidade das operações. Com exigências cada vez maiores de rastreabilidade e controle, a eficiência logística se torna fator fundamental para garantir a qualidade dos produtos e a segurança do consumidor final.

FRETE RODOVIÁRIO REGISTRA FORTE ALTA EM ABRIL IMPULSIONADO PELO DIESEL E NOVA TABELA DA ANTT

O custo do transporte rodoviário de cargas avançou de forma significativa em abril, refletindo a combinação entre o aumento dos combustíveis e a atualização dos pisos mínimos de frete. Levantamento da Edenred Repom aponta que o valor médio pago por quilômetro rodado chegou a R$ 8,66 no mês, resultado 8,39% superior ao registrado em março.

Entre os principais fatores para a elevação está o encarecimento do diesel, que continua sendo o principal componente dos custos operacionais das transportadoras. Influenciado pelo cenário internacional e pelas oscilações do mercado de petróleo, o combustível apresentou reajustes consecutivos ao longo do período, impactando diretamente a formação dos preços do frete.

Dados do Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL) mostram que o diesel comum alcançou média nacional de R$ 7,46 por litro, enquanto o diesel S-10 chegou a R$ 7,61. Em comparação aos meses anteriores, os aumentos acumulados ultrapassaram 6%, ampliando a pressão sobre empresas de transporte e motoristas autônomos.

Outro elemento que contribuiu para a valorização do frete foi a atualização da tabela dos pisos mínimos da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Como as novas regras passaram a produzir efeitos completos apenas em abril, diversas operações logísticas e contratos precisaram ser reajustados para atender aos novos parâmetros estabelecidos pela agência.

Mesmo diante da elevação dos custos, a movimentação de cargas permaneceu aquecida. O agronegócio manteve ritmo intenso de exportações e escoamento da produção, enquanto a indústria apresentou sinais de recuperação, fortalecendo a demanda por transporte em diferentes regiões do país.

O ambiente econômico mais favorável permitiu que parte dos aumentos fosse absorvida pelo mercado, sustentando a valorização do frete rodoviário. Segundo a Edenred Mobilidade, a combinação entre atividade econômica aquecida e custos operacionais mais elevados explica o desempenho observado no período.

Para os próximos meses, o setor acompanha com atenção a evolução dos preços internacionais do petróleo e seus reflexos sobre o diesel. Caso haja uma redução nos custos dos combustíveis, a tendência é de desaceleração no ritmo de crescimento do frete. Ainda assim, a expectativa é de continuidade da demanda elevada por transporte, impulsionada principalmente pela safra agrícola e pela retomada gradual da atividade industrial brasileira.

BNDES LIBERA NOVA LINHA DE CRÉDITO DE R$ 21 BILHÕES PARA RENOVAÇÃO DE FROTA

Transportadores autônomos, cooperados e empresas do transporte rodoviário de cargas e passageiros já podem solicitar financiamento por meio da nova linha de crédito lançada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A iniciativa disponibiliza até R$ 21 bilhões para aquisição de veículos pesados e implementos, com o objetivo de estimular a modernização da frota nacional e aumentar a eficiência do setor.

A operação faz parte do programa Move Brasil 2, coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), e busca incentivar a substituição de veículos mais antigos por modelos mais modernos, seguros e menos poluentes.

Os recursos poderão ser utilizados na compra de caminhões, cavalos-mecânicos, ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários. O acesso ao financiamento será realizado por meio dos agentes financeiros credenciados pelo BNDES, responsáveis pela análise de crédito e formalização das operações.

Do montante total disponibilizado, R$ 14,5 bilhões serão provenientes de recursos do Tesouro Nacional, enquanto até R$ 6,7 bilhões serão aportados pelo próprio BNDES. Parte do orçamento também foi reservada para públicos específicos, incluindo transportadores autônomos e cooperados, além de operações destinadas ao transporte coletivo de passageiros.

As condições de financiamento variam conforme o perfil do solicitante. Para caminhoneiros autônomos, o prazo poderá chegar a dez anos, com possibilidade de carência inicial. Empresas de transporte de cargas terão prazo menor para amortização, enquanto operadores do transporte de passageiros contarão com condições mais longas para pagamento.

O programa contempla ainda a possibilidade de inclusão de despesas associadas ao financiamento, como seguros e garantias, desde que contratados em conjunto com a operação principal e observados os critérios estabelecidos pelo banco.

No caso de veículos novos, será exigido que os modelos sejam fabricados no Brasil, estejam credenciados junto ao BNDES e atendam às normas ambientais vigentes. Já para caminhões seminovos, serão aceitos veículos produzidos a partir de 2012, desde que cumpram os requisitos técnicos e de rastreabilidade fiscal previstos pelo programa.

Segundo o BNDES, a expectativa é que a iniciativa contribua para reduzir custos operacionais, aumentar a produtividade das transportadoras, melhorar a segurança nas estradas e impulsionar a indústria nacional de veículos pesados.

As propostas poderão ser encaminhadas aos agentes financeiros até o final de agosto de 2026, respeitando os prazos operacionais definidos pelo banco para formalização dos contratos.

INSTABILIDADE NO NOVO SISTEMA DO CIOT ELEVA RISCO DE DESABASTECIMENTO NO TRANSPORTE RODOVIÁRIO

A implantação das novas regras do CIOT (Código Identificador da Operação de Transporte) voltou a gerar preocupação no setor de transporte rodoviário de cargas. Entidades ligadas à logística e ao transporte alertam que falhas operacionais, instabilidades nos sistemas e dificuldades de adaptação podem comprometer a emissão das operações e aumentar o risco de paralisações e até de desabastecimento em algumas regiões do país.

As mudanças passaram a exigir validações mais rígidas relacionadas ao piso mínimo de frete, rastreabilidade das operações e integração automática de dados entre embarcadores, transportadoras e plataformas autorizadas pela ANTT. Com isso, empresas relatam dificuldades para concluir cadastros, emitir CIOTs e liberar viagens dentro do prazo operacional.

Segundo representantes do setor, o problema afeta principalmente pequenas e médias empresas, que ainda enfrentam dificuldades técnicas para adaptar sistemas internos às novas exigências regulatórias. Em alguns casos, operações chegaram a ficar paradas por inconsistências nas plataformas de emissão.

A preocupação aumentou após relatos de lentidão, falhas de comunicação entre sistemas e divergências nos processos automáticos de validação. Empresas afirmam que qualquer instabilidade acaba impactando diretamente a logística, já que o transporte rodoviário opera com alta dependência de agilidade na liberação de cargas.

Entidades do setor alertam que a situação pode afetar especialmente operações de abastecimento contínuo, como combustíveis, alimentos, insumos agrícolas e produtos de baixo valor agregado, que dependem de fluxo constante nas estradas.

Além das dificuldades operacionais, cresce também o receio em relação ao aumento de autuações. Empresas afirmam que ainda existem dúvidas sobre interpretações das regras e sobre os critérios utilizados nas validações automáticas ligadas ao piso mínimo de frete.

O setor defende um período maior de adaptação para as novas exigências, além de ajustes técnicos nos sistemas utilizados pelas operadoras de CIOT e pela fiscalização. Para representantes do transporte, a preocupação não está apenas no cumprimento regulatório, mas no risco de travamento operacional em um segmento responsável por grande parte da movimentação de cargas no Brasil.

A avaliação é que, sem estabilidade tecnológica e maior previsibilidade operacional, o endurecimento das exigências pode gerar atrasos logísticos, aumento de custos e impactos na distribuição de produtos em diferentes regiões do país.

ANTT DESTACA MONITORAMENTO 24H DE RODOVIAS E FERROVIAS DURANTE O MAIO AMARELO

Durante a campanha Maio Amarelo, voltada à conscientização sobre segurança viária, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) reforçou a atuação do Centro Nacional de Supervisão Operacional (CNSO), estrutura responsável pelo monitoramento contínuo das rodovias e ferrovias concedidas no Brasil.

Atualmente, o centro acompanha mais de 44 mil quilômetros de malha logística nacional, incluindo 30 concessões rodoviárias e 16 ferroviárias federais. O trabalho é realizado por uma equipe de 29 profissionais que atuam em regime ininterrupto, 24 horas por dia, sete dias por semana, monitorando ocorrências, interdições e situações de risco nas operações.

O sistema opera com aproximadamente 5,5 mil câmeras instaladas em diferentes pontos da infraestrutura concedida, sendo cerca de 2,3 mil acompanhadas simultaneamente. As imagens permitem à ANTT verificar o cumprimento das exigências regulatórias pelas concessionárias e acompanhar a eficiência do atendimento prestado aos usuários em casos de acidentes ou emergências.

Além da fiscalização rodoviária, o CNSO também atua em parceria com a Superintendência de Transporte Ferroviário (SUFER), utilizando imagens de passagens em nível e dados operacionais das concessionárias para ampliar o monitoramento preventivo nas ferrovias.

Segundo a ANTT, o sistema contribui para identificar padrões de comportamento de risco em cruzamentos ferroviários, além de auxiliar no acompanhamento da liberação de vias e no atendimento às vítimas em casos de sinistros.

Para o superintendente de Transporte Ferroviário da ANTT, Fernando Barbelli Feitosa, o monitoramento fortalece a segurança da população e melhora a capacidade de resposta das operações ferroviárias. De acordo com ele, a atuação permite acompanhar a rapidez no socorro às vítimas e na desobstrução das vias, reduzindo impactos à sociedade e restabelecendo as operações com maior agilidade.

A Agência também informou que acompanha continuamente a implantação do sistema em passagens de nível das ferrovias EFC e EFVM. Diferente de sistemas de controle de tráfego, a estrutura funciona exclusivamente como ferramenta de observação e registro, baseada em videomonitoramento.

As câmeras instaladas pelas concessionárias transmitem imagens diretamente ao centro operacional, permitindo análise remota das condições da infraestrutura e do comportamento de motoristas e pedestres nos cruzamentos rodoferroviários.

Segundo o gerente do CNSO, Bruno de Sá, a iniciativa amplia a capacidade de fiscalização da Agência e transforma informações operacionais em inteligência regulatória. A proposta é tornar o acompanhamento das passagens em nível mais críticas da malha ferroviária federal mais rápido e eficiente, principalmente em situações de emergência.

A ANTT avalia que o uso de tecnologia, fiscalização preventiva e monitoramento contínuo reforça os objetivos do Maio Amarelo ao contribuir para um trânsito mais seguro nas rodovias e ferrovias brasileiras.