NOVAS REGRAS DO CIOT ENTRARAM EM VIGOR NESTE DOMINGO E AMPLIAM FISCALIZAÇÃO NO TRANSPORTE RODOVIÁRIO

As novas regras do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) passaram a valer neste domingo (24), às 18h, ampliando o controle sobre as operações de transporte rodoviário remunerado de cargas em todo o país. A medida reforça os mecanismos de rastreabilidade, fiscalização e verificação do cumprimento do Piso Mínimo de Frete.

Com a mudança, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) ampliou a obrigatoriedade do CIOT para praticamente todas as operações de transporte remunerado de cargas, fortalecendo o monitoramento eletrônico das informações registradas nas viagens.

Para auxiliar transportadoras, embarcadores, operadores logísticos e caminhoneiros na adaptação às novas exigências, a ANTT disponibilizou em seu portal uma área específica chamada “CIOT Para Todos”, reunindo documentos técnicos, orientações operacionais e respostas às dúvidas mais frequentes sobre o novo modelo.

O material inclui informações sobre integração de sistemas, emissão do código, modalidades de transporte, responsabilidades dos contratantes e regras operacionais aplicadas ao novo formato do CIOT.

A Agência informou ainda que a documentação técnica necessária para integração dos sistemas foi liberada cerca de 30 dias antes do início oficial da operação. Desde então, instituições homologadas e empresas do setor vinham realizando testes e ajustes operacionais junto ao ambiente disponibilizado pela ANTT.

As Instituições de Pagamento (IPs) autorizadas já estão aptas para operar dentro do novo modelo, enquanto transportadoras também iniciaram processos de integração utilizando a API fornecida pela Agência.

O QUE É O CIOT

O CIOT é o Código Identificador da Operação de Transporte utilizado para registrar eletronicamente operações de transporte rodoviário remunerado de cargas junto à ANTT.

O sistema reúne dados como contratante do frete, transportador responsável, veículos utilizados, origem e destino da carga, valor do frete e modalidade da operação.

Cada transporte registrado gera um código individual, permitindo maior rastreabilidade das operações e reforçando o controle sobre os pagamentos realizados aos transportadores.

O QUE MUDOU COM AS NOVAS REGRAS

Com a entrada em vigor do novo modelo, o CIOT passou a ser exigido em todas as operações de transporte remunerado de cargas, exceto em casos específicos previstos na regulamentação, como operações com veículos não emplacados e determinados tipos de cargas especiais.

Além disso, o sistema passa a realizar validações mais rígidas sobre as informações declaradas, incluindo a verificação automática do Piso Mínimo de Frete nas operações em que a regra é aplicável.

As mudanças estão previstas na Medida Provisória nº 1.343/2026, na Resolução ANTT nº 6.078/2026 e na Portaria SUROC nº 6/2026, que estabeleceram os novos procedimentos para emissão, retificação, cancelamento e encerramento do CIOT.

BAHIA REGISTRA FORTE ALTA NOS PREJUÍZOS COM ROUBO DE CARGAS E ENTRA EM ALERTA NO SETOR LOGÍSTICO

A Bahia passou a ocupar posição de destaque no cenário nacional de roubos de cargas no primeiro trimestre de 2026. Levantamento divulgado pela empresa nstech aponta que o estado teve crescimento expressivo na participação dos prejuízos financeiros registrados em operações monitoradas pelas gerenciadoras de risco BRK, Buonny e Opentech.

De acordo com o estudo, a participação baiana no valor total das perdas nacionais saltou de 0,7% para 9,2% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Com isso, a Bahia passou a ocupar a terceira posição entre os estados com maiores prejuízos relacionados ao roubo de cargas, atrás apenas de Rio de Janeiro e São Paulo.

O relatório também mostra avanço da criminalidade em toda a região Nordeste. A participação regional nos prejuízos nacionais subiu de 13,7% para 20,2% no período analisado.

Segundo a análise da nstech, o perfil das quadrilhas vem mudando nos últimos anos. Em vez de grandes volumes, os criminosos passaram a priorizar cargas com maior valor agregado e facilidade de revenda no mercado ilegal.

Entre os produtos mais visados, os medicamentos passaram a ocupar posição de destaque. Em 2025, esse segmento representava apenas 1,7% dos prejuízos monitorados. Já no primeiro trimestre de 2026, a participação subiu para 22,3%, ficando atrás apenas das cargas diversas e fracionadas, responsáveis por 36,6% das perdas. O setor alimentício aparece logo em seguida, com 21,9%.

Para Cristiano Tanganelli, vice-presidente de Inteligência de Mercado da nstech, o comportamento das quadrilhas mudou significativamente. Segundo ele, os criminosos passaram a focar em cargas com maior liquidez e retorno financeiro mais rápido, o que amplia os riscos principalmente nas operações urbanas e de distribuição.

O estudo revela ainda que 40,4% dos prejuízos registrados no trimestre envolveram cargas avaliadas acima de R$ 1 milhão. Dentro desse grupo, quase metade das perdas estava ligada ao transporte de medicamentos.

Rodovias baianas entram no radar das operações criminosas

O levantamento aponta que os trechos urbanos concentraram 38,5% dos prejuízos nacionais no período, percentual mais que o dobro do registrado no ano anterior.

Entre as rodovias com maior incidência aparecem a BR-101, responsável por 21,6% dos prejuízos monitorados, e a BR-116, com 13%. A BA-093 também entrou no levantamento, registrando 3,7% das perdas nacionais.

Na análise específica do mês de janeiro, a BA-093 chegou a concentrar 13,6% dos prejuízos monitorados em todo o país, ficando atrás apenas da BR-101.

As rodovias BR-101 e BR-116 são consideradas corredores estratégicos para o transporte de mercadorias na Bahia, conectando regiões industriais, polos de consumo e centros de distribuição com outros estados brasileiros.

A preocupação com o aumento das ocorrências também já mobiliza operações policiais. Em fevereiro deste ano, a Polícia Rodoviária Federal intensificou ações de fiscalização e combate ao roubo de cargas em trechos da BR-101, no sul da Bahia, especialmente entre os municípios de Gandu e Itabuna, após investigações relacionadas a veículos suspeitos de participação em crimes na região.

TESLA APRESENTA CAMINHÃO ELÉTRICO SEMI COM ATÉ 800 KM DE AUTONOMIA E APOSTA EM NOVA FASE NO TRANSPORTE

A Tesla voltou a movimentar o mercado de veículos pesados ao apresentar oficialmente o caminhão elétrico Semi, modelo que promete ampliar a presença da fabricante no transporte rodoviário de cargas. Com autonomia de até 800 quilômetros e preço inicial de US$ 290 mil na versão de maior alcance, o veículo chega como uma das principais apostas da empresa para o segmento logístico.

O lançamento acontece em um momento estratégico para a montadora, que busca repetir o sucesso comercial alcançado com o Model Y, lançado em 2020. As primeiras avaliações do mercado indicam que o Semi pode representar um novo avanço da Tesla no setor de veículos comerciais.

CAMINHÃO TERÁ DUAS VERSÕES DE AUTONOMIA

O Tesla Semi será comercializado em duas configurações. A principal delas terá capacidade para rodar até 800 quilômetros com uma única carga. Já a segunda opção contará com autonomia de aproximadamente 560 quilômetros, oferecendo uma alternativa mais acessível para operações regionais.

Segundo a fabricante, os dois modelos superam a autonomia atualmente oferecida por outros caminhões elétricos disponíveis no mercado. O fator é considerado estratégico para acelerar a adoção desse tipo de veículo pelas empresas de transporte e logística.

Hoje, um dos principais desafios do setor ainda é o alto custo de aquisição dos caminhões elétricos, que podem custar mais que o dobro dos modelos movidos a diesel. Além disso, a limitação de autonomia ainda gera preocupação em operações de longa distância.

TESLA AMPLIA PRODUÇÃO EM NEVADA

Até o momento, a Tesla vinha produzindo o Semi em pequena escala para clientes específicos, entre eles empresas como Pepsi e Nevoya. Porém, recentemente a companhia confirmou o início de uma nova linha de montagem em Sparks, no estado de Nevada, nos Estados Unidos.

A estrutura foi projetada para fabricar até 50 mil caminhões por ano. Caso a capacidade máxima seja atingida, o Semi poderá movimentar bilhões de dólares em receitas para a montadora nos próximos anos.

Mesmo assim, analistas destacam que o caminhão elétrico ainda representa apenas uma parte das ambições da Tesla, que segue investindo fortemente em tecnologias como táxis autônomos e robôs humanoides.

MERCADO AINDA ENFRENTA DESAFIOS

Apesar do crescimento do interesse por caminhões elétricos, a presença desses veículos ainda está concentrada em alguns estados norte-americanos, principalmente regiões que oferecem incentivos fiscais e programas de estímulo à eletrificação.

Grande parte das operações atuais ocorre em trajetos urbanos ou regionais, onde a infraestrutura de recarga é mais acessível e as distâncias são menores.

Especialistas avaliam que a viabilidade econômica do Tesla Semi dependerá diretamente do tipo de operação realizada, da disponibilidade de infraestrutura energética e do custo operacional em comparação aos caminhões movidos a diesel.

No Brasil, o avanço desse tipo de tecnologia ainda depende da expansão da infraestrutura de recarga, incentivos ao setor e redução dos custos de aquisição para as transportadoras.

1º ENCONTRO DO TRIC REUNIRÁ SETOR DE TRANSPORTE INTERNACIONAL EM BRASÍLIA

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) realizará, no dia 23 de junho, em Brasília (DF), o 1º Encontro do Transporte Rodoviário Internacional de Cargas (TRIC). O evento foi construído em parceria com entidades representativas do setor privado, entre elas a Associação Brasileira de Transportadores Internacionais (ABTI), além do apoio da CNT e da NTC&Logística.

A iniciativa nasce com a proposta de criar um espaço permanente de discussão voltado exclusivamente ao transporte rodoviário internacional de cargas, ampliando o debate técnico e institucional sobre os desafios da logística entre países do Mercosul.

A programação está prevista para ocorrer das 9h às 17h e deve reunir autoridades públicas, lideranças do transporte e representantes internacionais ligados ao setor logístico e aduaneiro.

Segundo a ABTI, o encontro representa um passo importante para fortalecer a integração regional, estimular o diálogo entre setor público e iniciativa privada e contribuir para a evolução das políticas públicas e da regulamentação do TRIC no Brasil.

A entidade também reforçou a importância da participação presencial das empresas e operadores do segmento nesta primeira edição, considerada estratégica para ampliar a representatividade do transporte internacional perante os órgãos reguladores e instituições envolvidas.

Novas informações sobre inscrições e programação completa deverão ser divulgadas nos próximos dias.

CNT REFORÇA IMPORTÂNCIA DA SEGURANÇA VIÁRIA DURANTE O MAIO AMARELO

Dando seguimento à série de entrevistas especiais do Maio Amarelo promovidas pelo SETCEB, chegou a vez da Confederação Nacional do Transporte (CNT), por meio de Jean Michel Brault, gerente de Promoção Social do SEST SENAT, que respondeu a uma série de perguntas realizadas por nossa equipe sobre a importância da campanha, o engajamento do setor e os desafios relacionados à segurança viária no transporte rodoviário de cargas.

• Qual a importância para o Sistema Transporte abraçar a campanha junto ao ONSV?
O Sistema Transporte é parceiro direto do ONSV dentro do movimento Maio Amarelo e de outras iniciativas relacionadas à segurança viária, especialmente por sermos mantenedores do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV). Mais do que interesse, temos o compromisso e a responsabilidade de fortalecer essa união para ampliar o alcance da mensagem de conscientização e promover um trânsito mais seguro para todos.

• O Sistema Transporte já tem um planejamento estruturado para o Maio Amarelo deste ano?
Sim. Por meio do programa Mobilizações Nacionais, estamos com uma agenda estruturada em mais de 150 pontos de mobilização em todo o Brasil durante o mês de maio, levando ações de conscientização e atendimentos à população.

• Existe algum material, campanha ou apoio que a CNT disponibiliza para empresas do setor utilizarem internamente?
Hoje, utilizamos amplamente as artes e materiais produzidos pelo ONSV, dentro da parceria institucional estabelecida como mantenedores do movimento. Além disso, a CNT também produz conteúdos relevantes para o setor, como o Guia de Viagem Segura, a Pesquisa CNT de Rodovias e estudos voltados à segurança viária, que auxiliam na conscientização e no desenvolvimento de ações preventivas.
Nas mobilizações, também apresentamos todo o portfólio de ações nacionais desenvolvidas pelo Sistema Transporte, fortalecendo a conscientização e o cuidado com a saúde e segurança dos trabalhadores do setor.
A campanha deste ano reforça temas como visibilidade, distância segura, velocidade adequada, previsibilidade e atenção, elementos essenciais para reduzir riscos e proteger vidas nas vias brasileiras. O apoio institucional e a continuidade do mote “Desacelere” fortalecem ainda mais a mensagem da campanha.

• Existe alguma meta ou indicador que o setor de transporte precisa melhorar com urgência?
Hoje, utilizamos como referência pesquisas produzidas internamente pela CNT, além dos dados do Anuário da PRF de 2025, que constroem bases comparativas ano a ano e apoiam nossa tomada de decisão na definição de ações e programas voltados à segurança viária. Nossa meta é atuar como um importante agente de contribuição para a redução dos sinistros no trânsito.
Dessa forma, buscamos trabalhar de maneira integrada com todas as instituições parceiras e com o Sistema Transporte para reduzir o número de sinistros e fortalecer uma cultura cada vez mais consciente e segura no trânsito.

• Qual tem sido a adesão das empresas às campanhas do Maio Amarelo?
Temos observado excelente adesão das empresas e do público às ações realizadas durante o Maio Amarelo. Até o momento, já ultrapassamos 145 mil pessoas atendidas nas mobilizações realizadas em todo o Brasil, e as ações continuam ao longo de todo o mês de maio. Nossa expectativa é superar a marca de 300 mil atendimentos.

• O que ainda falta para o setor de transporte abraçar mais fortemente essa pauta?
Acreditamos que a divulgação e o engajamento contínuo são fundamentais para fortalecer ainda mais o movimento, não apenas durante o Maio Amarelo, mas em todas as ações voltadas à prevenção de acidentes e sinistros nas estradas.

O Maio Amarelo vai muito além de uma campanha pontual. No transporte rodoviário de cargas, a conscientização sobre segurança viária precisa fazer parte da rotina das empresas, dos motoristas e de toda a sociedade. Promover atitudes responsáveis no trânsito é preservar vidas, reduzir acidentes e fortalecer um setor mais humano, seguro e comprometido com o futuro das estradas brasileiras.