por Setceb | ago 11, 2026 | Uncategorized
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) deu início a uma pesquisa nacional destinada a atualizar os custos operacionais que compõem a tabela de piso mínimo do frete rodoviário de cargas. O levantamento, direcionado a transportadores autônomos e empresas de todo o país, ficará aberto para respostas até o dia 21 de agosto de 2026. A iniciativa está relacionada a um tema já tratado por este boletim, o do recente reforço da fiscalização do piso mínimo previsto na nova lei do frete, e traz agora um desdobramento técnico específico sobre a metodologia de cálculo dos valores.
A informação foi divulgada pela própria ANTT, por meio de formulário eletrônico disponibilizado a transportadores em todo o território nacional. Segundo a agência, as respostas coletadas serão utilizadas nos estudos que subsidiam a metodologia de cálculo da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas, com o objetivo de manter os valores da tabela alinhados aos custos reais de operação do setor.
O levantamento ocorre na sequência da sanção da legislação originária da Medida Provisória nº 1.343/2026, que reforçou a política de piso mínimo e intensificou a fiscalização sobre o cumprimento da tabela da ANTT, com endurecimento de sanções para casos de descumprimento.
A tabela de piso mínimo considera um conjunto de despesas operacionais, entre elas combustível, manutenção, pneus, seguros, tributos, salários e tempo de carga e descarga. Esses itens formam a base de cálculo usada pela agência para definir os valores mínimos que devem ser pagos aos transportadores em cada tipo de operação.
As atualizações da tabela ocorrem semestralmente, mas há previsão de revisões adicionais sempre que o preço do diesel variar 5% ou mais, o que permite à ANTT publicar novas tabelas em até três dias úteis após a constatação da oscilação.
O formulário de pesquisa coleta dados sobre o perfil do transportador, características veiculares como tipo, ano, número de eixos, combustível utilizado e rendimento, além de informações sobre a operação, incluindo horas trabalhadas, dias de operação e quilometragem, e custos específicos como manutenção, seguros e alimentação. A ANTT afirma garantir a proteção das informações fornecidas, que serão utilizadas exclusivamente para fins estatísticos e técnicos.
O prazo para participação segue aberto até 21 de agosto, e a expectativa é de que os dados coletados subsidiem eventuais ajustes na metodologia de cálculo do piso mínimo nos próximos ciclos de revisão. Para transportadoras e caminhoneiros, inclusive os que atuam na Bahia, a participação na pesquisa tende a ser relevante, já que os parâmetros levantados podem influenciar diretamente os valores mínimos pagos nas rotas de longa distância que ligam o estado a outras regiões do país, afetando tanto a remuneração dos motoristas quanto a viabilidade econômica das empresas do setor.
Fonte: Mundo Logística
por Setceb | ago 11, 2026 | Uncategorized
A evolução do transporte rodoviário de cargas trouxe novos desafios para a gestão das empresas do setor. Se antes as negociações comerciais giravam principalmente em torno do preço do diesel e do valor do frete, hoje a realidade é muito mais complexa. Custos com mão de obra, tecnologia, segurança, seguros e exigências regulatórias passaram a representar uma parcela importante das despesas operacionais, exigindo uma nova forma de estruturar os contratos entre transportadoras e clientes.
Apesar dessa mudança no ambiente de negócios, muitas empresas ainda utilizam contratos elaborados há vários anos, quando a composição dos custos era diferente. Na prática, isso faz com que despesas que surgiram ou ganharam relevância ao longo do tempo sejam absorvidas pelas transportadoras, sem previsão de mecanismos para reequilibrar financeiramente a relação comercial.
Dados do Departamento de Custos Operacionais da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística mostram que combustível, veículos e mão de obra representam mais de 90% dos custos das transportadoras brasileiras. O diesel responde por 43,2% desse total, seguido pelos veículos (29,1%) e pela mão de obra (19,5%).
Para o advogado Cristiano José Baratto, especialista em Direito do Transporte e Logística, esse cenário demonstra que a gestão contratual precisa acompanhar a evolução da operação.
Segundo ele, durante muito tempo os contratos concentraram suas cláusulas de reajuste apenas nas variações do combustível. Atualmente, porém, essa prática já não reflete a realidade das empresas, que convivem com custos crescentes em diversas áreas.
Na avaliação do especialista, investimentos em rastreamento, tecnologia, sistemas de gestão, compliance, seguros e qualificação profissional passaram a fazer parte da rotina das transportadoras e deveriam ser considerados nas negociações comerciais.
Baratto ressalta que muitas empresas investem na modernização da frota e na melhoria dos processos operacionais, mas deixam de atualizar o principal instrumento que disciplina a relação com seus clientes.
"Sem uma revisão contratual periódica, a empresa acaba assumindo despesas que não estavam previstas originalmente, reduzindo sua margem de rentabilidade", explica.
O advogado também destaca que contratos bem estruturados deixam de ser apenas documentos jurídicos e passam a funcionar como ferramentas estratégicas de gestão. Cláusulas que definem critérios claros para revisão de preços e distribuição de riscos ajudam a reduzir conflitos e oferecem maior previsibilidade para ambas as partes.
Segundo Baratto, ainda é comum encontrar transportadoras preocupadas em reduzir pequenos custos operacionais, enquanto mantêm contratos que concentram praticamente todos os riscos financeiros sobre a própria empresa.
Para ele, a profissionalização do setor depende não apenas de investimentos em veículos e tecnologia, mas também da modernização das relações comerciais. Revisar contratos periodicamente, adequando-os às mudanças econômicas e operacionais, tornou-se uma medida importante para preservar a sustentabilidade financeira das transportadoras e construir parcerias mais equilibradas ao longo do tempo.
Fonte: Bem Paraná
por Setceb | ago 11, 2026 | Uncategorized
O Banco Central divulgou nesta segunda-feira, dia 10 de agosto, o Boletim Focus, pesquisa semanal que consolida as expectativas de instituições financeiras para os principais indicadores da economia brasileira. O documento mostrou nova redução na projeção de inflação para 2026 e um corte marginal na estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto, enquanto as previsões para a taxa Selic e para o câmbio permaneceram estáveis.
O levantamento é produzido a partir de respostas enviadas por bancos, corretoras e consultorias a cada semana e serve como termômetro oficial do mercado para orientar decisões de política monetária do Comitê de Política Monetária, o Copom. A divulgação ocorre sempre às segundas-feiras, e o resultado desta edição confirma uma trajetória de desaceleração gradual da inflação ao longo do ano.
Segundo o boletim, a expectativa para o IPCA de 2026 recuou para 5,02%, na sexta queda semanal consecutiva do indicador. Para os anos seguintes, o mercado projeta inflação de 4,20% em 2027, 3,80% em 2028 e 3,50% em 2029, mostrando convergência gradual em direção à meta perseguida pelo Banco Central.
A estimativa de crescimento da economia também foi revisada para baixo. A projeção do PIB para 2026 caiu de 1,99% para 1,98%, e a de 2027 recuou de 1,57% para 1,52%. Para 2028 e 2029, a expectativa dos analistas permanece em 2,00% de expansão.
A taxa básica de juros, a Selic, teve sua projeção mantida em 13,75% ao ano para o fechamento de 2026, com queda esperada para 12% em 2027 e 10,50% em 2028. O câmbio também não sofreu alteração relevante, com o dólar projetado em R$ 5,20 para o fim de 2026 e em R$ 5,28 para 2027 e 2028.
A manutenção da Selic em patamar ainda elevado, mesmo com a inflação em trajetória de queda, indica que o custo do crédito deve seguir pressionado no curto prazo, afetando diretamente o financiamento de frotas, a renovação de veículos e o capital de giro das transportadoras de cargas. Para o setor rodoviário na Bahia, a combinação de câmbio estável e juros ainda altos reforça a necessidade de planejamento financeiro cuidadoso, já que peças, pneus e insumos importados seguem atrelados à cotação do dólar, enquanto o custo do crédito para expansão de frotas permanece elevado até que o ciclo de cortes avance com mais intensidade.
Fonte: Exame
por Setceb | ago 11, 2026 | Uncategorized
O dólar e os preços internacionais do petróleo subiram nesta segunda-feira, 10 de agosto, em meio a novas incertezas sobre a reabertura plena do Estreito de Ormuz, rota marítima por onde passa cerca de um quinto da produção mundial de petróleo. A moeda americana operava com alta de 0,34% ante o real, cotada a R$ 5,10, enquanto o índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, avançava 0,18%.
A informação circulou ao longo do dia entre operadores do mercado financeiro e agências internacionais, que acompanham as tratativas entre Estados Unidos e Irã sobre a normalização do tráfego na região. Segundo os relatos, Teerã teria exigido, ao longo do fim de semana, uma indenização de Washington como condição para destravar por completo a passagem, o que reacendeu a aversão a risco entre investidores.
O barril do petróleo tipo Brent, referência internacional, era negociado a US$ 85,17, com alta de 1,94%, enquanto o WTI, referência americana, avançava 2,02%, para US$ 79,76. A escalada nos preços da commodity é o principal canal de transmissão da tensão geopolítica para os mercados financeiros globais, dado o peso da região no fornecimento mundial de energia.
No mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuava 0,24%, cotado perto dos 172,1 mil pontos, refletindo a cautela dos investidores diante do cenário externo mais tenso. O movimento se soma à semana de negócios que já havia fechado em queda na sexta-feira anterior, com o principal índice da bolsa brasileira acumulando perdas.
A valorização do petróleo internacional tende a pressionar, com defasagem, o preço do diesel no mercado brasileiro, uma vez que a política de preços da Petrobras acompanha as referências internacionais da commodity. Para o transporte rodoviário de cargas, cuja estrutura de custos é fortemente concentrada no combustível, a combinação de dólar mais caro e petróleo em alta representa um risco duplo: encarece tanto o diesel quanto peças e insumos importados usados na manutenção das frotas. Transportadoras baianas devem monitorar de perto o desdobramento das negociações entre Estados Unidos e Irã, já que uma escalada da tensão no Oriente Médio pode se traduzir em reajustes de combustível nas próximas semanas.
Fonte: Metrópoles
por Setceb | ago 10, 2026 | Uncategorized
A entrada em vigor da Lei nº 15.485 trouxe mudanças importantes para caminhoneiros autônomos e pequenos transportadores que enfrentam situações de pagamento abaixo do piso mínimo estabelecido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Além de ampliar os mecanismos de fiscalização sobre a contratação do transporte, a legislação fortalece o conjunto de documentos que pode ser utilizado para comprovar irregularidades e buscar o ressarcimento de valores.
Entre os principais instrumentos está o Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), que passa a ter papel ainda mais relevante no registro das operações de transporte rodoviário remunerado de cargas. O documento reúne informações sobre a contratação e pode se tornar uma das principais provas caso haja divergência entre o valor acordado e o pagamento efetivamente realizado.
Na avaliação da advogada Loyanna Menezes, CEO do Abi Ackel Advogados e líder da área regulatória do escritório, o cuidado do transportador deve começar antes mesmo de colocar o caminhão na estrada. A orientação é verificar se o CIOT foi emitido corretamente e conferir se o valor registrado corresponde ao piso mínimo aplicável àquela operação.
O documento deve reunir dados como identificação do contratante, contratado e eventual subcontratado, informações sobre a carga, locais de origem e destino, forma de pagamento e prazo para quitação. Conforme a especialista, o pagamento deverá respeitar o limite estabelecido pela legislação, que prevê prazo de até 30 dias úteis.
A conferência antecipada é importante porque eventuais problemas encontrados somente depois da realização do transporte podem dificultar a comprovação da negociação. Por isso, a documentação relacionada ao frete deve ser preservada durante todo o processo, desde a contratação até o recebimento.
Entre os registros que podem ajudar a comprovar as condições da operação estão o contrato ou ordem de frete, o CIOT, o Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-e) ou documento fiscal relacionado ao serviço e o comprovante do pagamento. O Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e) também pode servir como evidência de que o transporte foi realizado, embora, isoladamente, não seja suficiente para demonstrar qual valor foi negociado.
Caso o transportador receba um valor inferior ao piso correspondente à viagem realizada, a legislação mantém a possibilidade de buscar uma indenização equivalente a até duas vezes a diferença entre o valor mínimo previsto e o montante efetivamente pago.
Em uma situação hipotética, se o piso da operação fosse de R$ 6 mil e o caminhoneiro recebesse R$ 5 mil, a diferença seria de R$ 1 mil. Nesse caso, considerando a regra apresentada pela especialista, a indenização poderia alcançar R$ 2 mil.
A cobrança pode ocorrer por meio de uma denúncia administrativa à ANTT ou diretamente pela Justiça. Em ambos os casos, entretanto, a comprovação documental da operação é fundamental. É justamente nesse ponto que o CIOT ganha importância, já que permite registrar formalmente as características e os valores relacionados ao transporte.
A nova legislação também prevê que a ANTT disponibilize uma ferramenta pública para consulta e simulação dos valores correspondentes ao piso mínimo. O mecanismo pode ajudar o transportador a verificar previamente se a proposta apresentada pelo contratante está compatível com o valor mínimo previsto para aquela operação.
Se houver diferença, a recomendação é não descartar nenhuma evidência da negociação. Mensagens, contratos, documentos fiscais, CIOT e comprovantes de pagamento podem ajudar a demonstrar posteriormente quais eram as condições acordadas e quanto foi efetivamente recebido.
Outro aspecto relevante está relacionado às penalidades para quem descumprir as regras. A nova legislação estabelece mecanismos relacionados à reincidência e à contumácia nas infrações futuras. Segundo Loyanna Menezes, isso não significa, por si só, que penalidades anteriores tenham sido automaticamente agravadas.
Para o caminhoneiro, portanto, uma das principais mudanças está justamente na necessidade de acompanhar de perto as informações registradas em cada operação. O CIOT deixa de ser apenas um instrumento utilizado no controle e na fiscalização do transporte e passa a assumir importância também na defesa dos interesses do próprio transportador.
Na prática, a recomendação é conferir o CIOT antes de iniciar a viagem, verificar se o valor informado está de acordo com o piso vigente e manter arquivados os documentos que comprovem a contratação e o pagamento. Em caso de descumprimento, esse conjunto de informações pode ser determinante para que o transportador consiga apresentar uma denúncia ou buscar judicialmente os valores que entende serem devidos.
Fonte: Transporte Moderno
por Setceb | ago 10, 2026 | Uncategorized
A regulamentação do piso mínimo do frete rodoviário, que voltou ao centro das discussões em 2026 com a Medida Provisória nº 1.343 e sua posterior sanção, tem provocado mudanças na forma como transportadoras e embarcadores estruturam suas operações. Mais do que uma obrigação de cumprimento, a nova realidade regulatória também tem levado empresas a rever processos, buscar eficiência e encontrar alternativas para manter a competitividade.
Na avaliação de Edson Arthur da Costa, diretor de Negócios e Operações da Cootravale, uma das principais diferenças está na forma como cada empresa se preparou para lidar com as novas exigências. Em entrevista à MundoLogística, ele afirma que a organização interna permitiu à cooperativa identificar oportunidades em meio às mudanças.
Para Costa, a preparação antecipada fez diferença. A Cootravale já trabalhava com os procedimentos relacionados ao CIOT e com a estrutura sistêmica necessária para as operações quando a nova medida provisória foi publicada. Isso permitiu que a empresa direcionasse seus esforços para questões que ainda geravam dificuldades, principalmente em determinadas rotas e operações de contrafluxo.
O cenário mudou de maneira mais significativa quando a legislação passou a responsabilizar também os embarcadores pelo cumprimento das regras. Na visão do executivo, esse foi um dos fatores que aumentaram a pressão sobre toda a cadeia para adequar os valores praticados.
A experiência levou a cooperativa a reforçar uma conclusão: antecipar-se às mudanças pode ser mais eficiente do que esperar a regulamentação entrar em vigor para começar a fazer ajustes. “O que todo mundo acabou sofrendo para ter que correr para arrumar, nós já estávamos de certa forma bem ajustados”, afirmou Costa.
Em vez de tratar o piso mínimo exclusivamente como uma elevação do custo do transporte, a Cootravale passou a analisar a operação de maneira mais ampla. A estratégia envolveu avaliar o custo total das rotas, organizar corredores logísticos e combinar diferentes modelos de operação e de frota.
A proposta, segundo o executivo, não é criar mecanismos para contornar a fiscalização, mas utilizar ferramentas que já fazem parte da própria lógica de eficiência do transporte. A partir dessa análise, a cooperativa passou a trabalhar junto aos embarcadores para identificar os pontos de maior impacto e construir alternativas capazes de atender às exigências sem comprometer a operação.
Uma dessas alternativas está relacionada ao aproveitamento dos chamados retornos ou operações de backhaul. O problema é conhecido no transporte rodoviário: em determinadas rotas, o caminhão consegue transportar uma carga no trajeto de ida, mas encontra dificuldade para conseguir uma nova carga na volta. O veículo retorna vazio, gerando custo sem produzir receita.
Essa situação é especialmente relevante em operações de curta e média distância e em determinados corredores do agronegócio. Dados citados pela Forbes, com base em informações da Uber Freight, apontam que aproximadamente 35% dos caminhões circulam vazios entre uma operação e outra no mundo. No Brasil, estimativas do setor indicam que essa ociosidade pode ser ainda maior.
Para a Cootravale, encontrar uma carga para o retorno pode mudar completamente a rentabilidade de uma viagem. Em vez de considerar somente o valor de cada trecho individualmente, a empresa passou a avaliar como o mesmo veículo poderia ser utilizado ao longo de toda a cadeia.
A lógica é aumentar a utilização do ativo, reduzir quilômetros percorridos sem carga e distribuir os custos da operação de maneira mais eficiente. Segundo Costa, essa estratégia também ajudou a cooperativa a ampliar negócios com alguns clientes.
Apesar das possibilidades criadas pela nova dinâmica, a aplicação do piso mínimo ainda apresenta dificuldades. Um dos principais obstáculos apontados pelo executivo é a interpretação das regras, especialmente diante das diferentes características das operações de transporte e da necessidade de adequação dos sistemas utilizados pelas empresas.
Outro problema está na maneira como alguns embarcadores interpretam o próprio conceito de piso mínimo. Costa afirma que ainda existem empresas que enxergam o valor estabelecido pela legislação como um limite máximo a ser pago, quando, na realidade, trata-se de uma referência mínima para a contratação do transporte.
A intensidade da fiscalização também aumentou. Até junho de 2026, a ANTT havia registrado R$ 932,4 milhões em multas relacionadas ao descumprimento do piso mínimo, distribuídas em mais de 270 mil autos de infração. O volume supera amplamente o total registrado nos primeiros anos da política, embora a Agência ressalte que os valores correspondem às autuações e ainda estão sujeitos aos processos administrativos, que podem resultar na manutenção, alteração ou cancelamento das penalidades.
Ao mesmo tempo, um levantamento da Confederação Nacional da Indústria apontou que a política de pisos mínimos representa, em média, um aumento de 16,4% nos custos de frete para a indústria. O estudo também mostrou que uma parcela significativa das empresas considera que os critérios utilizados para calcular os pisos não refletem integralmente a realidade das operações.
Diante desse cenário, Costa defende que as empresas tratem as mudanças regulatórias como parte de um processo mais amplo de transformação do setor. Para ele, organizações que possuem processos estruturados, tecnologia e equipes preparadas conseguem reagir com mais rapidez quando novas regras entram em vigor.
Na Cootravale, o modelo cooperativista também contribui para essa capacidade de adaptação. O compartilhamento de conhecimento, estrutura e escala entre os cooperados permite, segundo o executivo, ampliar a capacidade de resposta diante das novas demandas do mercado.
A avaliação é que o piso mínimo não deve ser analisado de maneira isolada. O setor de transporte passa por uma sequência de mudanças regulatórias e operacionais, incluindo novas exigências relacionadas a seguros e fiscalização. Nesse ambiente, empresas que acompanham antecipadamente as transformações podem reduzir o impacto das adaptações e, ao mesmo tempo, identificar oportunidades para tornar suas operações mais eficientes.
Para Costa, a principal lição deixada pela experiência da Cootravale é justamente essa: cumprir a legislação não precisa significar apenas absorver novos custos. Com planejamento e reorganização da operação, mudanças regulatórias também podem estimular empresas a rever processos, eliminar desperdícios e buscar modelos mais eficientes de transporte.
Fonte: Mundo Logística