NOVA CONCESSÃO DAS BR-116 E BR-324 PROMETE MODERNIZAR CORREDOR LOGÍSTICO DO NORDESTE

As rodovias BR-116 e BR-324 terão uma nova administradora pelos próximos 30 anos. O Consórcio 116 Sertões foi o vencedor do leilão realizado na B3, em São Paulo, e ficará responsável pela operação de cerca de 502 quilômetros de vias federais que cortam importantes regiões da Bahia e de Pernambuco.

A proposta vencedora apresentou desconto de 19,60% sobre a tarifa de pedágio prevista no edital. Ao longo do período de concessão, o grupo deverá aplicar aproximadamente R$ 4,3 bilhões em melhorias estruturais, ampliação da capacidade viária e serviços operacionais.

O trecho concedido integra um dos principais corredores de transporte do Nordeste, utilizado diariamente por veículos de carga responsáveis pelo abastecimento de centros urbanos, polos industriais e áreas produtoras do interior. A rota também exerce papel importante na conexão com portos estratégicos da Bahia, fundamentais para o escoamento da produção regional.

Entre as intervenções previstas estão obras de duplicação, implantação de faixas adicionais, adequações geométricas, construção de passarelas e melhorias em travessias urbanas. A expectativa é aumentar a segurança viária, reduzir congestionamentos e tornar o transporte mais eficiente.

A nova concessão marca ainda o encerramento de um período de insatisfação de usuários e empresas de transporte com a gestão anterior. Nos últimos anos, o trecho acumulou reclamações relacionadas à qualidade da infraestrutura e ao ritmo de execução dos investimentos previstos em contrato.

Para o setor logístico, a expectativa é que as melhorias contribuam para reduzir custos operacionais, aumentar a produtividade das viagens e garantir maior previsibilidade no transporte de cargas. A modernização das rodovias também poderá favorecer o acesso a importantes polos industriais e terminais portuários da região.

O projeto faz parte da estratégia do governo federal de ampliar a participação da iniciativa privada na infraestrutura de transportes, buscando acelerar investimentos e fortalecer corredores considerados essenciais para o desenvolvimento econômico do país.

CIOT PASSA A IMPACTAR LOGÍSTICA DE MEDICAMENTOS E PRODUTOS TERMOSSENSÍVEIS

A obrigatoriedade do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) para todas as operações de transporte rodoviário remunerado de cargas, em vigor desde 24 de maio, traz novos desafios para setores que dependem de elevado controle logístico, como o farmacêutico e o de produtos termossensíveis.

Com as mudanças estabelecidas pela ANTT, o CIOT passa a estar integrado ao Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e), ampliando o nível de fiscalização e rastreabilidade das operações. A partir de agora, transportes que não estiverem devidamente regularizados poderão enfrentar impedimentos operacionais e multas que podem chegar a R$ 10,5 mil por viagem em casos de irregularidades.

Para empresas que atuam com medicamentos, vacinas, insumos hospitalares e outros produtos que exigem controle rigoroso de temperatura, a adaptação às novas exigências demanda atenção redobrada. Isso porque qualquer atraso nos processos de expedição e documentação pode impactar diretamente a cadeia fria e comprometer a integridade das cargas.

Segundo especialistas do segmento, a necessidade de inserir o CIOT antes da emissão definitiva do MDF-e acrescenta uma nova etapa ao fluxo operacional, exigindo maior planejamento para evitar atrasos e garantir a manutenção das condições ideais de transporte.

A regulamentação também amplia o alcance da exigência para empresas que utilizam transportadores terceirizados, tornando o controle documental uma responsabilidade ainda mais relevante em toda a cadeia logística.

Apesar dos desafios iniciais, representantes do setor avaliam que a medida tende a contribuir para a profissionalização do transporte rodoviário de cargas, promovendo maior transparência, rastreabilidade e segurança nas operações.

Outro ponto que ainda gera dúvidas entre os operadores logísticos envolve a aplicação das regras relacionadas ao piso mínimo de frete para veículos movidos por combustíveis alternativos, como etanol, gasolina e eletricidade. Entidades do setor aguardam esclarecimentos complementares da ANTT para uniformizar os procedimentos nesses casos.

Para o transporte farmacêutico, a avaliação é que a conformidade regulatória deixa de ser apenas um diferencial competitivo e passa a assumir papel estratégico na continuidade das operações. Com exigências cada vez maiores de rastreabilidade e controle, a eficiência logística se torna fator fundamental para garantir a qualidade dos produtos e a segurança do consumidor final.

FRETE RODOVIÁRIO REGISTRA FORTE ALTA EM ABRIL IMPULSIONADO PELO DIESEL E NOVA TABELA DA ANTT

O custo do transporte rodoviário de cargas avançou de forma significativa em abril, refletindo a combinação entre o aumento dos combustíveis e a atualização dos pisos mínimos de frete. Levantamento da Edenred Repom aponta que o valor médio pago por quilômetro rodado chegou a R$ 8,66 no mês, resultado 8,39% superior ao registrado em março.

Entre os principais fatores para a elevação está o encarecimento do diesel, que continua sendo o principal componente dos custos operacionais das transportadoras. Influenciado pelo cenário internacional e pelas oscilações do mercado de petróleo, o combustível apresentou reajustes consecutivos ao longo do período, impactando diretamente a formação dos preços do frete.

Dados do Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL) mostram que o diesel comum alcançou média nacional de R$ 7,46 por litro, enquanto o diesel S-10 chegou a R$ 7,61. Em comparação aos meses anteriores, os aumentos acumulados ultrapassaram 6%, ampliando a pressão sobre empresas de transporte e motoristas autônomos.

Outro elemento que contribuiu para a valorização do frete foi a atualização da tabela dos pisos mínimos da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Como as novas regras passaram a produzir efeitos completos apenas em abril, diversas operações logísticas e contratos precisaram ser reajustados para atender aos novos parâmetros estabelecidos pela agência.

Mesmo diante da elevação dos custos, a movimentação de cargas permaneceu aquecida. O agronegócio manteve ritmo intenso de exportações e escoamento da produção, enquanto a indústria apresentou sinais de recuperação, fortalecendo a demanda por transporte em diferentes regiões do país.

O ambiente econômico mais favorável permitiu que parte dos aumentos fosse absorvida pelo mercado, sustentando a valorização do frete rodoviário. Segundo a Edenred Mobilidade, a combinação entre atividade econômica aquecida e custos operacionais mais elevados explica o desempenho observado no período.

Para os próximos meses, o setor acompanha com atenção a evolução dos preços internacionais do petróleo e seus reflexos sobre o diesel. Caso haja uma redução nos custos dos combustíveis, a tendência é de desaceleração no ritmo de crescimento do frete. Ainda assim, a expectativa é de continuidade da demanda elevada por transporte, impulsionada principalmente pela safra agrícola e pela retomada gradual da atividade industrial brasileira.

INSTABILIDADE NO NOVO SISTEMA DO CIOT ELEVA RISCO DE DESABASTECIMENTO NO TRANSPORTE RODOVIÁRIO

A implantação das novas regras do CIOT (Código Identificador da Operação de Transporte) voltou a gerar preocupação no setor de transporte rodoviário de cargas. Entidades ligadas à logística e ao transporte alertam que falhas operacionais, instabilidades nos sistemas e dificuldades de adaptação podem comprometer a emissão das operações e aumentar o risco de paralisações e até de desabastecimento em algumas regiões do país.

As mudanças passaram a exigir validações mais rígidas relacionadas ao piso mínimo de frete, rastreabilidade das operações e integração automática de dados entre embarcadores, transportadoras e plataformas autorizadas pela ANTT. Com isso, empresas relatam dificuldades para concluir cadastros, emitir CIOTs e liberar viagens dentro do prazo operacional.

Segundo representantes do setor, o problema afeta principalmente pequenas e médias empresas, que ainda enfrentam dificuldades técnicas para adaptar sistemas internos às novas exigências regulatórias. Em alguns casos, operações chegaram a ficar paradas por inconsistências nas plataformas de emissão.

A preocupação aumentou após relatos de lentidão, falhas de comunicação entre sistemas e divergências nos processos automáticos de validação. Empresas afirmam que qualquer instabilidade acaba impactando diretamente a logística, já que o transporte rodoviário opera com alta dependência de agilidade na liberação de cargas.

Entidades do setor alertam que a situação pode afetar especialmente operações de abastecimento contínuo, como combustíveis, alimentos, insumos agrícolas e produtos de baixo valor agregado, que dependem de fluxo constante nas estradas.

Além das dificuldades operacionais, cresce também o receio em relação ao aumento de autuações. Empresas afirmam que ainda existem dúvidas sobre interpretações das regras e sobre os critérios utilizados nas validações automáticas ligadas ao piso mínimo de frete.

O setor defende um período maior de adaptação para as novas exigências, além de ajustes técnicos nos sistemas utilizados pelas operadoras de CIOT e pela fiscalização. Para representantes do transporte, a preocupação não está apenas no cumprimento regulatório, mas no risco de travamento operacional em um segmento responsável por grande parte da movimentação de cargas no Brasil.

A avaliação é que, sem estabilidade tecnológica e maior previsibilidade operacional, o endurecimento das exigências pode gerar atrasos logísticos, aumento de custos e impactos na distribuição de produtos em diferentes regiões do país.

ÍNDICE CNT DE CONFIANÇA DO TRANSPORTADOR RODOVIÁRIO DE CARGAS ESTÁ EM ANDAMENTO

A nova edição do Índice CNT de Confiança do Transportador Rodoviário de Cargas já está sendo realizada e busca medir as expectativas dos empresários do setor em relação ao cenário econômico e às perspectivas para os próximos seis meses.

A pesquisa acontece em parceria com as federações estaduais de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo.

A participação pode ser feita até o dia 14 de junho e contribui para a construção de um panorama mais estratégico sobre os desafios, tendências e expectativas do transporte rodoviário de cargas no Brasil.

O levantamento é rápido, leva menos de cinco minutos para ser respondido, e está disponível no site da CNT: cnt.org.br/ict

ANTT DESTACA MONITORAMENTO 24H DE RODOVIAS E FERROVIAS DURANTE O MAIO AMARELO

Durante a campanha Maio Amarelo, voltada à conscientização sobre segurança viária, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) reforçou a atuação do Centro Nacional de Supervisão Operacional (CNSO), estrutura responsável pelo monitoramento contínuo das rodovias e ferrovias concedidas no Brasil.

Atualmente, o centro acompanha mais de 44 mil quilômetros de malha logística nacional, incluindo 30 concessões rodoviárias e 16 ferroviárias federais. O trabalho é realizado por uma equipe de 29 profissionais que atuam em regime ininterrupto, 24 horas por dia, sete dias por semana, monitorando ocorrências, interdições e situações de risco nas operações.

O sistema opera com aproximadamente 5,5 mil câmeras instaladas em diferentes pontos da infraestrutura concedida, sendo cerca de 2,3 mil acompanhadas simultaneamente. As imagens permitem à ANTT verificar o cumprimento das exigências regulatórias pelas concessionárias e acompanhar a eficiência do atendimento prestado aos usuários em casos de acidentes ou emergências.

Além da fiscalização rodoviária, o CNSO também atua em parceria com a Superintendência de Transporte Ferroviário (SUFER), utilizando imagens de passagens em nível e dados operacionais das concessionárias para ampliar o monitoramento preventivo nas ferrovias.

Segundo a ANTT, o sistema contribui para identificar padrões de comportamento de risco em cruzamentos ferroviários, além de auxiliar no acompanhamento da liberação de vias e no atendimento às vítimas em casos de sinistros.

Para o superintendente de Transporte Ferroviário da ANTT, Fernando Barbelli Feitosa, o monitoramento fortalece a segurança da população e melhora a capacidade de resposta das operações ferroviárias. De acordo com ele, a atuação permite acompanhar a rapidez no socorro às vítimas e na desobstrução das vias, reduzindo impactos à sociedade e restabelecendo as operações com maior agilidade.

A Agência também informou que acompanha continuamente a implantação do sistema em passagens de nível das ferrovias EFC e EFVM. Diferente de sistemas de controle de tráfego, a estrutura funciona exclusivamente como ferramenta de observação e registro, baseada em videomonitoramento.

As câmeras instaladas pelas concessionárias transmitem imagens diretamente ao centro operacional, permitindo análise remota das condições da infraestrutura e do comportamento de motoristas e pedestres nos cruzamentos rodoferroviários.

Segundo o gerente do CNSO, Bruno de Sá, a iniciativa amplia a capacidade de fiscalização da Agência e transforma informações operacionais em inteligência regulatória. A proposta é tornar o acompanhamento das passagens em nível mais críticas da malha ferroviária federal mais rápido e eficiente, principalmente em situações de emergência.

A ANTT avalia que o uso de tecnologia, fiscalização preventiva e monitoramento contínuo reforça os objetivos do Maio Amarelo ao contribuir para um trânsito mais seguro nas rodovias e ferrovias brasileiras.