por Setceb | out 5, 2026 | Uncategorized
O Ministério dos Transportes publicou a Portaria nº 805, que atualiza as regras de identificação, certificação e operação dos Pontos de Parada e Descanso (PPDs) e dos Pontos de Parada e Apoio (PPAs) voltados a motoristas profissionais do transporte rodoviário de cargas e de passageiros em todo o país.
A nova norma substitui a portaria que regulava o tema desde 2021 e entra em vigor sete dias após sua publicação oficial. A elaboração envolveu a Secretaria Nacional de Transporte Rodoviário (SNTR), o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e o Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat).
O texto detalha um processo de certificação dividido em cinco etapas — requerimento, avaliação prévia, vistoria técnica, avaliação final e emissão do certificado — com prazos definidos para cada fase: até 30 dias para a comunicação da avaliação prévia ao solicitante e até 60 dias para a realização da vistoria técnica após o pedido, com relatório a ser emitido em até 30 dias.
Uma das novidades é a criação do conceito de 'não objeção com ressalvas', mecanismo que permite ao poder público aprovar um ponto de parada de forma condicional, desde que o estabelecimento corrija pendências específicas dentro de prazo determinado, em vez de ter o pedido simplesmente negado.
A portaria também reforça que as inspeções periódicas dos pontos já certificados passam a ocorrer a cada cinco anos, e prevê que a certificação pode ser cassada em caso de não conformidade, sempre assegurado o direito ao contraditório por parte do estabelecimento responsável.
Entre os pontos de maior interesse para o setor está a proibição expressa de cobrança de tarifas nos PPDs, ressalvados os casos de contratos de concessão específicos que já prevejam esse tipo de cobrança — regra que busca garantir o acesso gratuito do motorista profissional aos pontos de descanso certificados.
A norma amplia ainda o escopo de aplicação para áreas portuárias, acessos a portos e terminais ferroviários, e autoriza a cessão de áreas em faixa de domínio de rodovias federais sem custo adicional para a instalação de novos pontos, o que tende a facilitar a expansão da rede fora dos trechos sob concessão.
Para acompanhar a implementação, o ministério prevê a criação de um módulo específico dentro do aplicativo InfraBR em até 120 dias, destinado ao acompanhamento do processo de certificação, e reforça canais já existentes — como a Ouvidoria do Governo Federal e os canais digitais da pasta — para que motoristas registrem reclamações sobre os estabelecimentos.
A atualização chega em um cenário no qual a rede de pontos de parada ainda é considerada insuficiente pelo próprio setor: levantamento da ANTT realizado no início do ano apontava 179 estabelecimentos certificados em 22 estados, somando cerca de 13,7 mil vagas de estacionamento, mas pesquisa com 620 motoristas identificou reclamações recorrentes quanto à limpeza dos banheiros, à qualidade e ao preço da alimentação e à ausência de atendimento médico nesses locais.
A Bahia já figura entre os estados com maior oferta de vagas certificadas, com cerca de 1,1 mil posições disponíveis segundo o levantamento da ANTT, mas transportadoras e motoristas baianos devem acompanhar de perto a regulamentação mais detalhada trazida pela Portaria 805, já que o fim da cobrança de tarifas e os novos prazos de certificação podem tanto acelerar a chegada de novos pontos ao estado quanto pressionar estabelecimentos já certificados a se adequarem às novas exigências dentro do prazo de vigência da norma.
Fonte: Primeira Página SC
por Setceb | out 5, 2026 | Uncategorized
Fabricantes chinesas vêm investindo em um modelo alternativo à recarga convencional de caminhões elétricos pesados: a troca rápida de baterias, sistema em que uma unidade descarregada é removida por equipamento automatizado e substituída por outra já carregada, em uma operação que leva poucos minutos, tempo comparável ao de um abastecimento convencional a diesel.
A fabricante de baterias CATL (Contemporary Amperex Technology Co. Limited) é a principal responsável por impulsionar esse modelo no mercado chinês. A empresa lançou em 2023 a solução QIJI Energy voltada a caminhões pesados e, em 2025, anunciou um bloco de bateria padronizado, batizado de 75#, além de uma proposta de rede nacional de pontos de troca.
Os números do mercado chinês ajudam a dimensionar o movimento: segundo a organização de pesquisa ICCT, foram vendidos 68,3 mil caminhões pesados compatíveis com troca de bateria na China em 2025, alta de 131% em relação a 2024. A meta da CATL é cobrir, até 2030, 80% da capacidade de transporte rodoviário de longa distância do país com infraestrutura de troca de baterias.
A Sinotruk, maior fabricante de caminhões pesados da China, está entre as montadoras que adotaram o padrão, que tem como principal atrativo evitar os longos tempos de recarga que ainda limitam a adoção de caminhões elétricos convencionais em operações de longa distância.
O modelo também abre caminho para uma mudança na forma de comercializar os veículos: ao separar a propriedade do caminhão da propriedade da bateria, transportadoras podem comprar o veículo sem precisar arcar com o custo da bateria, pagando apenas uma tarifa de uso pelo serviço de troca, o que reduz o investimento inicial necessário para eletrificar a frota.
As aplicações mais indicadas para o modelo são operações de rota fixa e alta previsibilidade, como mineração, terminais portuários e transporte interno de cargas, cenários em que a infraestrutura de troca pode ser concentrada em poucos pontos estratégicos.
O avanço chinês chega em um momento em que transportadoras brasileiras também começam a testar a eletrificação de frotas pesadas, caso da gaúcha Navarini, que acaba de adquirir 251 caminhões elétricos para rotas de longa distância ligadas ao agronegócio — um indicativo de que, se o modelo de baterias trocáveis amadurecer, ele pode eventualmente chegar também a corredores logísticos brasileiros, incluindo rotas que hoje dependem do transporte rodoviário de cargas agrícolas no oeste da Bahia.
Fonte: Frota&Cia
por Setceb | out 5, 2026 | Uncategorized
Uma pesquisa conduzida pela Fundación Mapfre, em parceria com a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) e a Universidade Federal do Paraná (UFPR), com apoio da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), identificou que a pressão por cumprir prazos e o medo de se atrasar aumentam o comportamento de risco de motoristas no trânsito.
O estudo ouviu 1.540 condutores de diferentes regiões do país e combinou modelos psicológicos com simulações baseadas em inteligência artificial para comparar o que os motoristas dizem sobre segurança viária com o que de fato fazem diante de situações reais de risco, como decisões envolvendo velocidade e sinalização.
Os pesquisadores constataram que a intenção declarada de dirigir com cautela nem sempre se traduz em comportamento real quando o motorista está sob pressão de tempo, o que indica que campanhas de conscientização baseadas apenas em mudança de atitude individual têm efeito limitado.
Os números que contextualizam o estudo são expressivos: somente no estado de São Paulo foram registradas 6.134 mortes no trânsito em 2025, das quais 1.038 em sinistros considerados graves, o segundo maior número da série histórica. Em todo o país, o custo anual dos acidentes de trânsito é estimado em US$ 61 bilhões, o equivalente a 3,8% do Produto Interno Bruto.
Para os autores do estudo, a resposta ao problema não pode se limitar ao motorista individualmente: também pesam as condições das vias, a organização urbana, a qualidade da sinalização e a própria pressão logística imposta pelas empresas e pela cadeia de transporte, fator especialmente relevante para o transporte rodoviário de cargas, onde prazos apertados de entrega são rotina.
O levantamento reforça um alerta recorrente entre transportadoras e sindicatos do setor, incluindo os baianos: metas de prazo mal dimensionadas tendem a se converter em risco operacional nas estradas, o que tem levado parte das empresas a revisar politicas internas de jornada e planejamento de rotas para reduzir a pressão sobre os motoristas de caminhão.
Fonte: Transporte Moderno
por Setceb | out 5, 2026 | Uncategorized
Operações de fiscalização apreenderam 526 mil litros de lubrificantes irregulares no Brasil em 2026, segundo balanço do Instituto Combustível Legal (ICL), que participou de cerca de metade das ações realizadas em parceria com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e órgãos de segurança e defesa do consumidor.
Do total apreendido, 247,5 mil litros — quase a metade — correspondiam a óleo lubrificante usado ou contaminado (OLUC), material que deveria passar por processo de rerrefino regulamentado antes de qualquer reaproveitamento, mas que acaba sendo comercializado de forma clandestina. Somente o estado de Goiás concentrou 230 mil litros das apreensões.
O avanço da fiscalização ocorre amparado pela Lei nº 15.517/2026, que alterou o Código Penal para criminalizar de forma mais dura o furto, o roubo e o comércio ilegal de combustíveis e lubrificantes, incluindo expressamente produtos retirados durante o transporte em dutos e em veículos de todos os modais — o que abrange diretamente caminhões-tanque utilizados no transporte rodoviário de cargas.
Pela nova legislação, as penas para esse tipo de furto podem chegar a até 10 anos de reclusão, além de multa, em um esforço para endurecer o combate a um mercado paralelo que movimenta recursos relevantes e compromete tanto a arrecadação tributária quanto a segurança dos produtos que chegam ao consumidor final.
Emerson Kapaz, presidente do ICL, afirmou que a legislação precisa ser efetivamente aplicada contra infratores e também contra os chamados receptadores da ponta, ou seja, quem compra o produto irregular sabendo de sua origem ilícita, elo muitas vezes negligenciado nas operações de fiscalização.
Para transportadoras, a nova lei amplia a responsabilidade e também a proteção em casos de desvio de carga durante o transporte de combustíveis e lubrificantes, um risco operacional conhecido do setor, especialmente em rotas de longa distância com pontos de parada menos monitorados.
A expectativa de entidades do setor, incluindo sindicatos patronais do transporte de cargas, é que a aplicação mais rigorosa da lei reduza o incentivo ao desvio de carga ao longo da cadeia de distribuição de combustíveis, problema que afeta diretamente transportadoras especializadas em cargas sensíveis, categoria que inclui empresas baianas que atuam no transporte de combustíveis e derivados entre refinarias, portos e postos de distribuição no estado.
Fonte: Transporte Moderno
por Setceb | out 2, 2026 | Uncategorized
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) formalizou a assinatura do contrato de concessão da Rota dos Sertões, que vai colocar sob gestão privada 502 quilômetros das rodovias BR-116, na Bahia e em Pernambuco, e BR-324, na Bahia, ligando o município de Salgueiro, em Pernambuco, a Feira de Santana, no interior baiano.
A assinatura foi formalizada em 29 de setembro, após a diretoria colegiada da ANTT aprovar, em reunião realizada no dia anterior, a emissão do ato de outorga que autorizou o avanço para a etapa final do processo. Pela concessionária, assinaram o contrato Renato Ribeiro Bortoletti, Marcelo Melhado Pansan e Thomas Resende Averbuck; pela ANTT, o diretor-geral Guilherme Theo Rodrigues da Rocha Sampaio.
A concessão abrange 16 municípios ao longo do trecho e ficará sob responsabilidade da Concessionária 116 Sertões S.A., formada pelo consórcio que venceu o leilão do empreendimento realizado em 28 de maio deste ano, na sede da B3, em São Paulo, com deságio de 19,60% sobre a tarifa básica de pedágio prevista no edital.
Segundo os valores contratuais estimados, o investimento ao longo dos 30 anos de concessão deve somar cerca de R$ 8,5 bilhões, divididos entre aproximadamente R$ 4,3 bilhões em obras de infraestrutura (capex) e cerca de R$ 4,4 bilhões em operação e manutenção da rodovia (opex) ao longo de todo o período contratual.
Entre as obras previstas estão a duplicação de trechos críticos, incluindo um contorno na região de Serrinha, implantação de faixas adicionais, vias marginais, passarelas e melhorias em acessos, retornos e dispositivos de interseção, além da instalação de dez bases de atendimento ao usuário e de sistema de monitoramento eletrônico ao longo da via.
A tarifa básica de pedágio para os trechos de pista simples foi fixada, em valores de abril de 2023, em R$ 0,07642 por quilômetro, com o valor final a ser pago pelos usuários variando conforme a categoria do veículo, a localização da praça e os reajustes contratuais previstos ao longo da concessão.
O contrato da Rota dos Sertões é um processo distinto de uma outra concessão também envolvendo trechos das BR-116 e BR-324 no estado, cujo leilão foi anunciado pelo governo federal para dezembro deste ano e que trata de um lote diferente de rodovias dentro do território baiano.
Para o setor de transporte de cargas da Bahia, a formalização do contrato da Rota dos Sertões representa um passo concreto rumo à modernização de um dos principais corredores de acesso ao estado vindo do Nordeste, com potencial de reduzir o tempo de viagem e os custos de manutenção de frota ao longo do trecho, à medida que as obras de duplicação e os novos dispositivos de segurança forem sendo entregues nos próximos anos.
Fonte: Diário do Transporte / Estradas.com.br
por Setceb | out 2, 2026 | Uncategorized
Empresas de logística brasileiras vêm adotando algoritmos matemáticos e inteligência artificial para planejar o carregamento de caminhões, automatizando um processo que tradicionalmente dependia de cálculos manuais de operadores em centros de distribuição.
A tecnologia foi apresentada pela empresa Easy Pallet, que desenvolveu um sistema capaz de resolver o chamado problema de "bin packing" tridimensional, levando em conta restrições físicas reais da carga, como apoio mínimo de 85% entre volumes empilhados, limite de peso por eixo e altura útil disponível dentro da carroceria ou baia de carregamento.
Segundo a empresa, o sistema testa múltiplas estratégias de empacotamento em paralelo e aprende continuamente a partir de dados operacionais reais, em um ciclo de otimização que já resultou em redução média de 1,5 hora no tempo de carregamento das operações que adotaram a tecnologia.
A ferramenta já está em uso em mais de 150 unidades de distribuição no Brasil, atendendo clientes de grande porte como Coca-Cola, Heineken, Camil e Fruki, o que indica adoção já consolidada entre grandes indústrias que dependem de transporte rodoviário para escoar sua produção.
De acordo com a empresa, o mesmo rigor de cálculo hoje aplicado ao empacotamento de uma única carga começa a ser estendido a problemas de ordem de grandeza maior, como o planejamento de rotas e a alocação de frotas inteiras, ampliando o potencial de aplicação da tecnologia para além do carregamento individual de veículos.
Para as transportadoras, o uso de inteligência artificial no planejamento de carga representa ganho direto de produtividade, ao reduzir o tempo de permanência dos caminhões nos pátios de carregamento e descarregamento, um dos principais gargalos operacionais apontados pelo setor em todo o país.
A tendência de digitalização do planejamento de carga também é relevante para as transportadoras baianas, que lidam frequentemente com cargas mistas e de diferentes volumes nas rotas entre o interior produtor e os portos do estado, e que podem se beneficiar de ganhos de eficiência semelhantes ao adotar ferramentas de otimização de carregamento, hoje ainda pouco difundidas entre empresas de menor porte.
Fonte: MundoLogística