NO DIA DO MOTORISTA, VETERANOS DA ESTRADA COM QUASE MEIO SÉCULO DE PROFISSÃO RELEMBRAM A PAIXÃO PELO VOLANTE

O dia 25 de julho marca, no calendário brasileiro, o Dia do Motorista e a festa de São Cristóvão, padroeiro da categoria. Para celebrar a data, a Revista Caminhoneiro — publicação especializada em transporte rodoviário de cargas há mais de quatro décadas — reuniu os relatos de dois motoristas veteranos da transportadora Bravo Serviços Logísticos, ilustrando a trajetória de quem sustenta o transporte de cargas no país.

José Carlos Caldas soma 48 anos de casa na empresa, sendo 46 deles como motorista profissional dedicado ao transporte de defensivos agrícolas. Segundo ele, o que o move todos os dias é “o amor genuíno que sinto pela profissão” e o compromisso de longa data com a empresa. Seu recado aos colegas de estrada é direto: priorizar a segurança, seguir os procedimentos operacionais e ter orgulho do trabalho realizado.

Já Paulo Cesar dos Santos acumula 37 anos de estrada, 33 deles na Bravo. Para ele, a motivação está no desafio diário de “alcançar metas difíceis e ver o impacto positivo” do trabalho, resumindo a profissão como a arte de “conectar pessoas, cargas e sonhos” — uma atividade que, em suas palavras, exige “resistência, coragem e responsabilidade”.

A homenagem reforça um retrato que vem se tornando cada vez mais discutido no setor: o encolhimento e o envelhecimento da categoria. Levantamentos recentes do mercado (com base em dados da CNT e do InfoJobs) mostram que o Brasil perdeu cerca de 1,2 milhão de motoristas habilitados na última década — caindo de 5,6 milhões para 4,4 milhões de profissionais — e que 88% das transportadoras relatam dificuldade para contratar. Mais de 71% dos motoristas em atividade têm entre 41 e 70 anos, sinal de baixa renovação geracional. Como contraponto, o Programa Mais Motoristas, iniciativa que oferece qualificação gratuita e mudança de categoria da CNH, já soma 138.586 inscrições, um crescimento de 150% em relação ao primeiro edital, de 2023. Histórias como a de José Carlos e Paulo Cesar dão rosto a esse cenário: mostram o valor de quem já construiu décadas de estrada, ao mesmo tempo em que reforçam por que atrair e formar uma nova geração de motoristas virou prioridade para transportadoras e embarcadores de todo o país, inclusive na Bahia.

FIM DA “TAXA DAS BLUSINHAS” FAZ COMPRAS INTERNACIONAIS DISPARAREM 118% NO BRASIL

A Receita Federal registrou 28,36 milhões de encomendas internacionais em junho de 2026, o primeiro mês completo sem a cobrança do imposto de importação sobre compras de até US$ 50 no exterior — a chamada “taxa das blusinhas”. O volume representa alta de 118% frente a junho de 2025, quando foram 13,02 milhões de remessas, de 72% em relação a abril de 2026 (mês anterior ao fim da cobrança, com 16,51 milhões) e de 84% acima da média dos quatro primeiros meses do ano, de 15,42 milhões.

A tarifa de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 foi criada em agosto de 2024 e revogada em maio de 2026 por Medida Provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com o fim da cobrança, consumidores voltaram a importar em volume roupas, eletrônicos, acessórios e itens de beleza em plataformas como Shein, AliExpress e Shopee. O Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV) teme redução nas vendas do comércio nacional e impacto sobre empregos, enquanto a Amobitec, que representa as plataformas internacionais, considera o crescimento “natural e esperado”. O salto nas encomendas também aparece como capítulo de uma queda de braço mais ampla entre varejo físico nacional e plataformas estrangeiras, que já motivou discussões no Congresso sobre novas formas de tributação do comércio eletrônico internacional.

Um volume de encomendas nessa escala movimenta, na ponta final, uma cadeia logística inteira dentro do país: da chegada dos pacotes aos centros de distribuição e aeroportos até a última milha rumo ao consumidor, trecho em que entram operadores rodoviários de carga fracionada e transportadoras regionais — inclusive na Bahia, onde esse tipo de entrega vem crescendo fora dos grandes centros.

CONSTRUTORA PORTUGUESA MOTA-ENGIL NEGOCIA COMPRA DE 40% DA ODEBRECHT, EMPRESA COM ATIVOS ESTRATÉGICOS NA BAHIA

Segundo informação divulgada pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, e replicada pelo portal Bahia Econômica na manhã deste domingo (26/07), a construtora portuguesa Mota-Engil — descrita como a maior empreiteira de Portugal e uma das maiores da Europa — está negociando a compra de 40% da baiana Odebrecht. A movimentação integra o processo de reestruturação financeira da Odebrecht, que deixou a recuperação judicial em março deste ano.

A Mota-Engil atua nos setores de construção civil, obras públicas, operações portuárias, gestão de resíduos, águas e logística. Seu controle acionário é dividido entre a Mota — Gestão e Participações, holding familiar portuguesa, e a China Communications Construction Company (CCCC), estatal chinesa que também integra o consórcio responsável pela construção da ponte Salvador–Itaparica. Além do negócio com a Odebrecht, a companhia portuguesa também está em processo de aquisição da Bamin Mineração, incluindo o trecho 1 da Ferrovia Oeste-Leste (Fiol) e o Porto Sul — ambos ativos logísticos estratégicos para o escoamento de minério e cargas no interior baiano.

A aproximação entre as duas empresas não é isolada: um consórcio batizado “116 Sertões”, formado por Odebrecht e Mota-Engil, venceu recentemente a concessão de aproximadamente 502 km de rodovias federais que cortam a Bahia e Pernambuco — sendo cerca de 429 km da BR-116 na Bahia, 66 km da BR-116 em território pernambucano e 7,2 km da BR-324/BA, no anel viário de Feira de Santana. A proposta vencedora previu redução de 19,60% sobre a tarifa básica de pedágio, além de obras como a implantação de um contorno viário na travessia urbana de Serrinha e a duplicação de 108 km da BR-116. São justamente essas duas rodovias — BR-116 e BR-324 — as principais rotas de escoamento de carga do estado, e a própria BR-324 vem sofrendo interdições recorrentes nas últimas semanas por problemas de infraestrutura no km 604, em Simões Filho. Um eventual fortalecimento de capital da concessionária responsável por parte dessas vias pode se traduzir em mais recursos para manutenção, duplicação e obras de segurança nesses trechos, com reflexo direto no custo e no prazo do frete rodoviário na região.

DAF AMPLIA PRESENÇA NO BRASIL COM APOIO DA PACCAR FINANCIAL

A expansão da DAF Caminhões no mercado brasileiro vem sendo acompanhada pelo fortalecimento de sua operação financeira. Desde que iniciou suas atividades no Brasil, em 2019, a PACCAR Financial tem ampliado a oferta de crédito para aquisição de caminhões da marca, apostando em soluções desenvolvidas especificamente para o transporte rodoviário de cargas.

Atualmente, a instituição administra uma carteira superior a R$ 8 bilhões e já financiou cerca de 18 mil caminhões DAF no país. Em 2025, a financeira respondeu por 54% das vendas da fabricante, que soma mais de 52 mil veículos em circulação no mercado brasileiro.

CRÉDITO ADAPTADO À REALIDADE DO TRANSPORTE

Segundo a empresa, a análise para concessão de financiamento vai além dos indicadores financeiros tradicionais. O processo leva em consideração aspectos como o perfil da operação, o fluxo de caixa da transportadora, o tipo de carga transportada, as rotas percorridas e até a sazonalidade de determinados segmentos.

A proposta é oferecer condições de financiamento alinhadas à realidade de cada cliente, considerando que o transporte rodoviário está sujeito a fatores como oscilações no preço do diesel, variações do frete e mudanças no cenário econômico.

CONHECER O CLIENTE É PARTE DA ESTRATÉGIA

De acordo com a PACCAR Financial, equipes especializadas acompanham de perto a rotina das transportadoras para compreender as necessidades de cada operação antes da definição das condições de crédito.

Esse modelo busca proporcionar maior segurança tanto para a instituição quanto para o cliente, além de contribuir para a continuidade dos investimentos mesmo em períodos de maior instabilidade no mercado.

EXPERIÊNCIA INTERNACIONAL APLICADA AO MERCADO BRASILEIRO

A financeira utiliza metodologias de gestão de risco e análise de crédito desenvolvidas pelo grupo PACCAR em países como Estados Unidos, Canadá, México, Austrália e diversas nações da Europa. Esses processos foram adaptados às características do transporte rodoviário brasileiro, levando em conta as particularidades da atividade no país.

Além da oferta de financiamento, a empresa investe na modernização de seus serviços e na digitalização dos processos, mantendo como foco o atendimento especializado ao setor.

EXPECTATIVA É ACOMPANHAR O CRESCIMENTO DA DAF

Com a expansão da participação da DAF no segmento de caminhões pesados, a expectativa da PACCAR Financial é ampliar sua atuação no financiamento de veículos e continuar oferecendo soluções voltadas às necessidades de transportadoras e caminhoneiros que investem na renovação da frota.

A estratégia acompanha o avanço da marca no Brasil e reforça a importância do crédito especializado como ferramenta para impulsionar o desenvolvimento do transporte rodoviário de cargas.

AVANÇO DO E-COMMERCE CRIA NOVO CICLO VIRTUOSO NA DEMANDA POR TRANSPORTE DE CARGAS LEVES

O crescimento do comércio eletrônico está gerando o que executivos do setor vêm chamando de “ciclo virtuoso” na demanda por transporte de cargas leves. Segundo Alexandre Clemes, executivo do setor automotivo/logístico, a expansão das entregas de última milha (last mile) tem impulsionado a demanda por veículos comerciais leves, como o Fiat Fiorino, com projeção de salto na produção de vans do tipo Ducato de cerca de 3.800 para 5.100 unidades por ano.

Um fenômeno notado é que muitos entregadores autônomos — pessoas físicas que começam fazendo entregas com veículo próprio como fonte de renda extra — acabam evoluindo para pequenos empresários do transporte, comprando veículos de carga usados para ampliar sua capacidade de entrega. Esse movimento realimenta a demanda por veículos comerciais leves e aquece toda a cadeia de revenda, manutenção e financiamento desses veículos.

Embora o comércio tradicional ainda responda pela maior fatia das entregas, a tendência de crescimento acelerado do last mile é vista como um dos fatores estruturais que devem sustentar a demanda por veículos de carga leve nos próximos anos.

Para transportadoras associadas ao SETCEB que atuam também com distribuição urbana e last mile na Região Metropolitana de Salvador e no interior baiano, a tendência sinaliza uma janela de oportunidade de diversificação de receita, ainda que a maior parte da frota de cargas do sindicato esteja concentrada em veículos pesados voltados ao transporte de longa distância.

EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS AO MÉXICO CAEM 42,5% NO PRIMEIRO SEMESTRE, APONTA CNI

Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado nesta quinta-feira (23/07), mostra que as exportações brasileiras para o México caíram 42,5% no primeiro semestre de 2026 em comparação com a média dos três anos anteriores — uma perda estimada em US$ 91,5 milhões. Com o resultado, o Brasil passou a figurar entre os cinco países mais afetados no mundo entre aqueles que não têm acordo de livre comércio com o México.

A causa apontada pela CNI é o “Programa de Protección para las Industrias Estratégicas”, implementado pelo governo mexicano em janeiro de 2026, que elevou os impostos de importação em 1.463 códigos tarifários, com alíquotas superando 50% em alguns casos.

Os setores mais afetados foram veículos automotores (-51,8%), produtos de borracha e plástico (-9,1%), metalurgia (-8%), couros e calçados (-7,4%), químicos (-5,9%), celulose e papel (-5,8%) e máquinas e equipamentos (-5,6%). A CNI destaca que 78,1% da queda correspondem a bens intermediários — insumos usados por outras indústrias ao longo da cadeia produtiva —, o que amplia o efeito cascata sobre a produção interna.

A entidade defende a isenção dos produtos brasileiros nesse programa mexicano e o avanço em negociações para um acordo comercial bilateral, que segundo estimativas poderia adicionar US$ 13,8 bilhões ao PIB conjunto dos dois países.

Para o transporte rodoviário de cargas, o dado interessa porque reflete o quadro mais amplo de comércio exterior brasileiro: quedas de exportação em cadeias industriais como automotiva, química e de celulose tendem a reduzir, com alguma defasagem, o volume de cargas que essas indústrias despacham para portos e centros de distribuição — outro sinal, ao lado do tarifaço americano, de que o comércio exterior segue como ponto de atenção para o volume de fretes nos próximos meses.