DÓLAR FECHA EM ALTA DE 8,36% E IBOVESPA TEM MAIOR QUEDA EM UM DIA DESDE 2020 APÓS REELEIÇÃO DE LULA

DÓLAR FECHA EM ALTA DE 8,36% E IBOVESPA TEM MAIOR QUEDA EM UM DIA DESDE 2020 APÓS REELEIÇÃO DE LULA

O dólar fechou a sessão desta segunda-feira (26) cotado a R$ 5,4066, alta de 8,36% ante o fechamento da sexta-feira anterior — a maior valorização diária da moeda americana frente ao real em 23 anos. O Ibovespa, por sua vez, recuou 13,88%, a 176.608,23 pontos, a maior queda percentual em um pregão desde 16 de março de 2020.

O movimento foi uma reação do mercado financeiro à confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições, realizado no domingo (25). Lula venceu com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do candidato Flávio Bolsonaro (PL), resultado que boa parte dos investidores não esperava.

A volatilidade levou a B3 a acionar o circuit breaker logo na abertura dos negócios e a ampliar, ao longo do dia, os limites de variação diária para os contratos futuros: o limite inferior para o Ibovespa futuro passou de 10% para 15%, e o limite superior para os futuros de dólar, de 6% para 8,4%. Pela manhã, a cotação do dólar chegou a romper a marca de R$ 5,60 antes de recuar ao longo do pregão.

A última vez que o dólar havia fechado em patamar tão elevado foi em 2 de janeiro deste ano. Em termos de variação diária, a alta registrada ontem só fica atrás da verificada em 5 de março de 2003, de 10,4%.

Diante da turbulência, o Banco Central chamou à cautela. Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas da autarquia, afirmou que "é muito cedo para afirmar algum impacto hoje" sobre o balanço de pagamentos do país, e ponderou que parte da depreciação cambial registrada pode reverter nos próximos dias, enquanto outra parte pode ser mais permanente.

O Boletim Focus mais recente, com dados coletados antes do resultado eleitoral, já havia reduzido a projeção para o dólar ao fim de 2026 de R$ 5,13 para R$ 5,05, e para o fim de 2027, de R$ 5,22 para R$ 5,15 — projeções que tendem a ser revisadas para cima nas próximas semanas diante do novo patamar da moeda.

Nesta terça-feira (27), o Banco Central tem agenda carregada para tentar conter a volatilidade: às 11h, o presidente da instituição, Gabriel Galípolo, concede coletiva de imprensa sobre o Relatório de Estabilidade Financeira; às 11h30, está previsto um leilão de rolagem de swap cambial de até US$ 4 bilhões; e, às 12h, uma operação compromissada de até R$ 5 bilhões em títulos públicos.

No pré-mercado desta terça, ativos ligados ao Brasil no exterior, como o ETF iShares MSCI Brazil (EWZ) e os recibos de ações (ADRs) de Petrobras, Bradesco e Itaú, operavam em alta, sinalizando possível correção no pregão local — sem garantia, porém, de que o movimento se confirme ao longo do dia.

No cenário político, o presidente eleito busca apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta, e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para viabilizar sua agenda em um Congresso de maioria considerada desafiadora para a governabilidade em 2027.

Para as transportadoras da Bahia, a disparada do dólar e a instabilidade nos mercados mantêm o setor em compasso de espera quanto a reajustes de frete e ao custo do capital para renovação de frotas: caminhões, implementos, pneus e peças com componentes importados tendem a ficar mais caros, assim como o financiamento bancário, enquanto o próprio Banco Central reconhece que ainda é cedo para dimensionar o tamanho real do impacto.

Fonte: InfoMoney, com informações de O Tempo/Folhapress

ANTT FIRMA ACORDO COM A INFRA S.A. PARA MONITORAR EMISSÕES DO TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS

ANTT FIRMA ACORDO COM A INFRA S.A. PARA MONITORAR EMISSÕES DO TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aprovou, em reunião de diretoria realizada na quinta-feira (22), um acordo de cooperação técnica com a Infra S.A. para ampliar o monitoramento ambiental do transporte rodoviário de cargas no país.

Pelo acordo, as duas instituições vão compartilhar dados do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) e integrar seus sistemas ao Observatório Nacional de Transporte e Logística (ONTL), com o objetivo de produzir estudos e indicadores sobre o desempenho ambiental do setor.

Segundo a ANTT, a iniciativa busca ampliar as informações disponíveis sobre as emissões dos veículos de carga e subsidiar a atuação regulatória da agência, que manterá autonomia para tomar suas próprias decisões sobre o tema.

A parceria vai permitir o uso de dados do Programa MelhorAR, instituído pelo Ministério dos Transportes em fevereiro de 2025, para avaliar iniciativas de redução de poluentes atmosféricos no transporte rodoviário de cargas.

O programa prevê avaliações periódicas das emissões realizadas por empresas credenciadas pela própria Infra S.A. Essas medições resultam em laudos que classificam os veículos por faixas de emissão e permitem a concessão do chamado Selo MelhorAR.

Com o novo acordo, o Selo MelhorAR passa a ser aceito como forma de comprovação do atendimento aos critérios ambientais exigidos pelo Selo ESG Cargas, certificação da própria ANTT que avalia critérios ambientais, sociais e de governança das transportadoras. A agência poderá, ainda, estabelecer outras formas de comprovação desses requisitos.

Para transportadoras baianas, a medida sinaliza um movimento mais amplo de exigências ambientais no setor, que tende a se somar a outros critérios já cobrados por embarcadores e financiadores — e reforça a importância de empresas do estado acompanharem de perto os programas de certificação ambiental, já que o cumprimento desses selos pode se tornar, cada vez mais, um diferencial competitivo e até um requisito para acesso a determinados contratos e linhas de crédito voltadas à sustentabilidade do transporte de cargas.

Fonte: Agência iNFRA

DÍVIDA A CAMINHO DE 95% DO PIB E CRESCIMENTO MAIS LENTO: O QUE ANALISTAS ESPERAM DA ECONOMIA NO NOVO MANDATO DE LULA

DÍVIDA A CAMINHO DE 95% DO PIB E CRESCIMENTO MAIS LENTO: O QUE ANALISTAS ESPERAM DA ECONOMIA NO NOVO MANDATO DE LULA

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para um quarto mandato, confirmada no segundo turno de domingo (25), levou analistas e consultorias a revisar as projeções para a economia brasileira nos próximos quatro anos, com destaque para o crescimento da dívida pública e a perspectiva de juros altos por mais tempo.

A consultoria britânica Capital Economics projeta que a dívida pública bruta suba dos atuais 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB) para cerca de 95% até o fim do novo mandato, em 2030. Segundo William Jackson, economista-chefe de mercados emergentes da consultoria, "a vitória de Lula colocará os problemas das finanças públicas do Brasil em evidência".

Para a Capital Economics, déficits elevados somados ao custo dos juros devem seguir pressionando as contas públicas, e o arcabouço fiscal introduzido em 2023 carece de credibilidade suficiente para conter o crescimento real das despesas — o que pode aumentar o incentivo a mais gastos públicos diante da desaceleração da atividade econômica.

A consultoria projeta a manutenção da Selic em 13,75% ao ano nas duas reuniões restantes do Comitê de Política Monetária (Copom) em 2026 — a próxima está marcada para o dia 3 de novembro —, e só vê espaço para cortes em 2027 caso haja sinais concretos de melhora fiscal. A expectativa de crescimento médio recua para 1,3% ao ano no novo mandato, ante 2,7% no mandato atual.

A principal incógnita do novo governo é a escolha do ministro da Fazenda. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) desponta como o nome mais cotado para o posto, em meio a sinalizações de compromisso fiscal ao mercado financeiro. Lula elogiou publicamente a lealdade e a qualidade do vice na noite da eleição, e o presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que a escolha recairá sobre alguém de confiança estrita do presidente e que o governo não vai abrir mão do superávit primário.

Uma ala do PT, porém, defende o governador do Piauí, Rafael Fonteles, ex-secretário de Fazenda do estado, para o cargo. Caso Alckmin assuma a Fazenda, o nome de Dario Durigan é cotado para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), enquanto Camilo Santana é mencionado para a Casa Civil ou para a Educação. Até a divulgação desta reportagem, não havia anúncio oficial de Lula sobre a equipe econômica.

Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos, avalia que o ajuste fiscal do novo governo deveria mirar um superávit primário de 2% do PIB, incluindo medidas como a revisão de gastos tributários e, possivelmente, mudanças na indexação do salário mínimo e nos pisos constitucionais de saúde e educação.

Analistas consultados pela imprensa atribuem parte da forte reação do mercado na segunda-feira à surpresa do resultado: o mercado chegou a apostar com confiança na vitória de Flávio Bolsonaro (PL) após o primeiro turno, levando o Ibovespa a mais de 209 mil pontos em 5 de outubro. Segundo a professora Carla Beni, da FGV e do Corecon-SP, essa "lua de mel" foi rápida, e a tensão tende a se acomodar nos próximos dias.

Já o professor Marcos Piellusch, da FIA Business School, afirma que o mercado passou a cobrar um prêmio de risco fiscal maior para o governo Lula nos próximos quatro anos, e que a alta do dólar reflete saída de capital estrangeiro — o que pode pressionar a inflação e reduzir o espaço do Banco Central para cortar os juros. Ele pondera, no entanto, que um único dia de forte estresse nos mercados não define necessariamente uma tendência de longo prazo.

Para o setor de transporte rodoviário de cargas, o cenário de juros elevados por mais tempo e de ajuste fiscal ainda incerto é motivo de atenção direta: encarece o financiamento de frotas, mantém pressão sobre o custo do diesel e da logística de forma geral, e torna mais imprevisível o ritmo de investimentos públicos em rodovias e portos nos próximos anos. Para as transportadoras baianas, a recomendação de analistas é acompanhar de perto a definição da equipe econômica e os primeiros sinais da política fiscal do novo mandato, já que esse desenho deve influenciar diretamente o custo do crédito e o planejamento de investimentos do setor até 2027.

Fonte: Money Times, com informações de Mix Vale e Metrópoles

LULA É REELEITO PRESIDENTE COM 51,75% DOS VOTOS NO 2º TURNO; VEJA O QUE MUDA PARA O TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS

LULA É REELEITO PRESIDENTE COM 51,75% DOS VOTOS NO 2º TURNO; VEJA O QUE MUDA PARA O TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarou, às 21h10 deste domingo (25), a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República para o mandato de 2027 a 2030. Segundo o resultado oficial, Lula obteve 51,75% dos votos válidos, equivalente a 63.771.027 votos, contra 48,25% de Flávio Bolsonaro (PL), que somou 59.463.756 votos.

A diferença entre os dois candidatos foi de 4.307.271 votos, o equivalente a cerca de 3,5 pontos percentuais. Ao longo da apuração da noite, boletins parciais chegaram a mostrar a disputa tecnicamente empatada, com a vantagem alternando entre os dois candidatos até a consolidação do resultado final.

Com a reeleição confirmada, o setor de transporte rodoviário de cargas passa a acompanhar a aplicação de normas já em vigor e as propostas apresentadas por Lula para o novo mandato. A principal referência recente é a chamada Lei do Frete, sancionada em agosto deste ano a partir da Medida Provisória 1.343/2026, que alterou as regras do piso mínimo do frete rodoviário.

A norma manteve a tabela de referência da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), mas passou a incorporar ao cálculo custos como combustível, manutenção, pneus, seguros, tributos e tempo de carga e descarga. Pela lei, sempre que o preço do diesel variar 5% ou mais, a ANTT tem até três dias úteis para publicar novos valores de referência, com apoio da estatal Infra S.A. nos cálculos.

A legislação também endureceu a fiscalização sobre transportadoras: empresas com mais de quatro infrações em seis meses podem ter o registro suspenso, e as multas para reincidentes passaram a variar de R$ 100 mil a R$ 1 milhão, podendo dobrar em casos mais graves. Em contrapartida, a mesma lei anistiou caminhoneiros multados pelos bloqueios de rodovias em 2022 e previu que o programa de crédito federal Procargas possa financiar renovação de frota, capacitação e ações de saúde e segurança para o setor.

Ficou fora da versão final da lei, por decisão do Senado, a proposta de um piso salarial nacional de R$ 5 mil mensais para motoristas de longa distância. A remuneração desses profissionais segue, portanto, definida por acordos e convenções coletivas.

Para o mandato de 2027 a 2030, o plano de governo apresentado por Lula prevê a ampliação do programa Novo PAC, combinando investimento público com concessões, além da intensificação de leilões e repactuações de contratos em rodovias e ferrovias e maior integração com hidrovias. Um levantamento da Folha de S.Paulo apontou que ao menos R$ 204 bilhões em projetos de infraestrutura originalmente previstos para leilão em 2026 foram adiados para 2027 ou anos seguintes, devendo compor a agenda do próximo governo.

Entre os projetos adiados estão R$ 154,9 bilhões em ferrovias — como o Anel Ferroviário do Sudeste (EF-118), a Malha Oeste, a Ferrogrão (EF-170) e sete ramais menores —, R$ 28,8 bilhões em rodovias — incluindo a otimização da Transbrasiliana e as rotas Planalto Sul e Litoral Sul — e ao menos R$ 20,8 bilhões em portos, com destaque para o Tecon Santos 10 e a concessão do canal de acesso ao Porto de Santos.

Na Bahia, um dos projetos desse ciclo de concessões já leiloado é a Rota dos Sertões, que abrange trechos rodoviários do estado e de Pernambuco. Outros trechos de perfil semelhante, como as Rotas Gerais, em Minas Gerais, também já foram concedidos antes da definição do resultado eleitoral deste domingo.

Nos próximos meses, transportadoras e caminhoneiros devem acompanhar dois pontos diretamente ligados à sua operação: a forma como a ANTT aplicará, na prática, a atualização periódica do piso do frete diante da volatilidade recente do diesel, e o cronograma efetivo dos projetos de rodovias, ferrovias e portos que ficaram para o próximo mandato. Para as empresas baianas, que dependem da malha rodoviária federal para escoar cargas até os portos de Salvador, Aratu e Ilhéus, esses dois pontos devem ser acompanhados de perto nos primeiros meses de 2027.

Fonte: TSE, Agência Transporte Moderno, Exame e Folha de S.Paulo (via Brasil247)

SUPERSAFRA DE GRÃOS DEVE AMPLIAR DEMANDA POR TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS NO PAÍS

SUPERSAFRA DE GRÃOS DEVE AMPLIAR DEMANDA POR TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS NO PAÍS

A produção brasileira de grãos no ciclo 2026/27 deve alcançar 366,6 milhões de toneladas, segundo projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume representa alta de 1,4% em relação à safra anterior, estimada em 361,7 milhões de toneladas, um incremento de aproximadamente 4,9 milhões de toneladas a serem escoadas pelo país.

A informação foi divulgada pelo portal Transporte Moderno, que associou os novos números da Conab ao impacto direto sobre a logística de cargas. A motivação da reportagem é alertar o setor de transporte para a necessidade de planejamento, já que o escoamento de uma safra maior pressiona toda a cadeia que liga fazendas a armazéns, terminais ferroviários e portos.

Segundo a reportagem, o aumento da produção agrícola eleva diretamente a demanda por caminhões, uma vez que o modal rodoviário é o principal elo entre as áreas produtoras e os pontos de armazenagem e exportação no Brasil. A expectativa é de maior utilização de frotas já existentes e de pressão para renovação de veículos mais antigos.

Dados da Associação Brasileira das Administradoras de Consórcio (ABAC) citados na matéria mostram que o segmento de caminhões movimentou mais de R$ 12,45 bilhões em créditos de consórcio nos oito primeiros meses de 2026. O número é apontado como indicativo do apetite das transportadoras por ampliar ou modernizar sua capacidade operacional diante do crescimento da demanda.

O gerente comercial do Consórcio IVECO, Mauro Andrade, foi ouvido pela reportagem e defendeu o consórcio como alternativa viável para a aquisição de caminhões. Segundo ele, a modalidade não cobra juros remuneratórios, embora envolva taxas administrativas, e depende da contemplação da cota por sorteio ou lance para liberação do crédito.

A expectativa do setor, de acordo com a matéria, é de que os investimentos em veículos pesados continuem em 2027, movidos pela necessidade de ampliar a capacidade de transporte, reduzir custos operacionais por tonelada transportada e modernizar frotas que ainda operam com veículos de gerações anteriores.

Os próximos meses devem confirmar se a janela de comercialização da safra recorde se traduzirá em mais contratações de frete e em maior pressão sobre pátios, rodovias e terminais do país. Para transportadoras e caminhoneiros, o movimento tende a ser ambíguo: mais carga disponível pode significar frete mais aquecido no curto prazo, mas também maior desgaste de frota e exposição a rodovias já saturadas em períodos de pico de colheita. Em estados como a Bahia, onde o oeste baiano é um dos polos de produção de grãos do país e depende fortemente de longas rotas rodoviárias até portos e terminais, esse tipo de sinal de demanda costuma antecipar negociações de frete e debates sobre a conservação das estradas que escoam a safra regional.

Fonte: Transporte Moderno

TST DECIDE QUE SUPRESSÃO DA PAUSA OBRIGATÓRIA DE DIREÇÃO GERA HORA EXTRA PARA O MOTORISTA

TST DECIDE QUE SUPRESSÃO DA PAUSA OBRIGATÓRIA DE DIREÇÃO GERA HORA EXTRA PARA O MOTORISTA

O Tribunal Superior do Trabalho decidiu que o motorista que não usufrui da pausa obrigatória prevista no Código de Trânsito Brasileiro para a condução contínua tem direito a receber esse período como hora extra, com adicional de 50%. A decisão é da 2ª Turma do TST e trata de um caso de motorista carreteiro contratado por uma transportadora.

O processo chegou ao TST depois que o Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região, em Minas Gerais, havia reformado a sentença de primeira instância que reconhecia o direito do motorista. Para o TRT mineiro, a pausa prevista no Código de Trânsito seria apenas uma regra de segurança viária, cuja inobservância configuraria infração de trânsito, e não uma obrigação trabalhista da empresa.

A 2ª Turma do TST não concordou com essa leitura. Por unanimidade, os ministros entenderam que, comprovada a supressão da pausa de direção, aplica-se por analogia o artigo 71, parágrafo 4º, da CLT, que determina o pagamento do período de intervalo não concedido como hora extra. A referência técnica é o artigo 67-C do Código de Trânsito Brasileiro, que veda a condução contínua por mais de cinco horas e meia, admitido o fracionamento da pausa dentro de certas condições.

A decisão se soma a uma série de precedentes do TST dos últimos dois anos que vêm reforçando direitos específicos de motoristas profissionais, como a diferenciação entre o cálculo de horas extras de caminhoneiros remunerados por comissão sobre a carga e o pagamento do tempo de espera em carga e descarga. O denominador comum é a exigência de prova documental robusta sobre jornada e tempo de direção.

Na prática, o precedente eleva a importância dos registros eletrônicos de jornada e dos dados de tacógrafo e telemetria como instrumento de defesa das transportadoras. Sem documentação que demonstre o cumprimento da pausa de direção, a empresa fica mais exposta a condenações, já que a Justiça do Trabalho tem aceitado prova testemunhal e relatos de rotina como evidência de supressão.

Para transportadoras baianas que operam rotas longas, como os eixos da BR-116 e da BR-101, a decisão reforça um alerta recorrente: metas de entrega e prazos apertados não podem, na prática, inviabilizar o cumprimento das pausas legais de direção. O cuidado com o planejamento de rotas e com o controle informatizado de jornada deixa de ser apenas questão de segurança viária e passa a ser também blindagem jurídica direta contra passivo trabalhista.

Fonte: TST (processo RR-0010948-72.2023.5.03.0135, 2ª Turma)